Fim Dos Tempos

84 Capítulo 84 - Batalha


Notas iniciais
Desculpem!!!
Que dia difícil, sabe quando tudo dá errado e atrasa, eu sei que é tarde mas vamos lá, espero que gostem e comentem.

Pov – Jimmy

Assim que retorno ao que Paulo insistia em chamar de fortaleza, vejo Jane e a pequena Amy sentadas no quarto delas, aceno da porta, elas me sorriem, devolvem o aceno, fico em dúvida se realmente podia confiar nelas, se aquela pequena garotinha era como Katie disse uma espécie de substituta da menina que Michonne matou, se fosse será que as duas tinham ideia disso?

Preciso pensar um pouco a respeito, decidir o que fazer sobre ela antes de dizer qualquer coisa, meu objetivo é mandar as duas para a prisão, elas podem chegar lá com um daqueles carros na estrada, e nos esperar até que tudo aqui termine.

Também preciso dar um jeito de tornar as coisas mais fáceis para nós, fico no meu quarto esperando a noite cair, tenho muito que observar, desço para o jantar apenas para não chamar atenção sobre mim, não encontro Paul.

−Sabe onde está o Paul? Pergunto a Jane e ela dá de ombros desinteressada – Ao menos o viu hoje?

−Eu vi! Amy responde animada – Ele falou comigo de tarde antes de sair de carro, disse que sou muito esperta, que logo vou morar num lugar bem legal.

−Que lugar? Jane pergunta alarmada – Por que ele disse isso?

−Perguntei se você ia, ele falou que sim.

−Fique longe dele Amy, é uma ordem! Jane estava preocupada, e isso me dá uma visão melhor da situação, era claro que o homem pretendia levar Amy e Jane viraria comida de zumbi, preciso fazer algo!

Paul volta para o forte logo depois do jantar estava subindo para meu quarto quando vejo o carro chegar com quatro homens armados além dele, onde quer que tenha ido, foi bem protegido.

−Se divertiu Jimmy? Ele pergunta e tento sorrir.

−Nossa é muito bom sair por ai sem ter que ficar implorando, estou mesmo feliz que tenha me dado essa chance! Espero estar sendo convincente – E pode contar comigo, sempre!

−É sempre bom saber! Ele me diz enigmático, depois se retira e subo para meu quarto, deixo as horas passarem, e quando a noite ia alta saio para uma pequena busca, subo até o segundo andar e estava pensando em seguir para o telhado quando escuto uma conversa.

−Ele quer que levemos a menina amanhã, talvez depois do jantar, assim ela dorme no caminho e quando chegar lá pela manhã não vai saber bem como chegou e onde está! Paul dizia, vejo que está sentado em sua mesa, um homem carregando uma metralhadora estava de pé diante dele.

−E a mais velha, fazemos o de sempre?

−Exato, mas não hoje, precisamos dela para cuidar da menina por enquanto. O Garoto novo ficou mesmo por ai?

−Parece que sim, pelo que me disseram chegou cheio de fios e baterias, ele parece muito interessado em entrar para o grupo, não acha?

−O tal Rick é um tolo que acha que pode mandar em todos, os caras se enchem logo disso.

Fico feliz por saber que ao menos por enquanto estou conseguindo me manter disfarçado, mas preciso tirar Jane e a irmã daqui.

Passo o resto da noite acordado, pela manhã procuro Jane, ela estava com a irmã que se distraia desenhando no chão do quarto, entro e fecho a porta, ela se assusta com minha atitude.

−Calma! Eu digo baixo – Não quero fazer nada de mal, preciso que me escute! Amy nos olhava decidindo se devia ou não ficar com medo – Que desenho legal! Tento acalma-la – Pode desenhar um castelo para mim, com muitas flores e princesas? Ela concorda e se distrai, Jane me olha tensa – Pode me ouvir com atenção?

−Posso! Responde se aproximando – Mas se demorarmos muito com a porta fechada vão estranhar! Me avisa.

−Esse lugar não é seguro para vocês! Aviso – Nem para ninguém, mas você corre risco, Paul não é o líder.

−Como sabe?

−Não importa Jane, precisa sair daqui com sua irmã!

−Como? Ela me diz – Para onde?

−Sabe dirigir? Ela afirma – Pode confiar em mim?

−Melhor que confiar nesse cara! Ela tremia, olhamos para Amy que parecia alheia a tudo a sua volta.

−Tem um carro na entrada da cidade, precisa chegar lá com a Amy, vou fazer uma mapa para onde deve seguir com ela, lá vão receber você diga eu te mandei, fale com Daryl.

−É onde estão seus irmãos?

−Sim, vai ser bem recebida, não precisa ter medo, diga ao Daryl que estou bem e esperando, ele vai entender.

−Mas como vou sair daqui, eu e Amy não temos permissão de sair!

−Damos um jeito, sabe atirar? Ela arregala os olhos, tiro minha arma da cintura e entrego a ela, mostro como funciona uma aula rápida – Só use em caso de emergência o barulho chama mais deles!

−Eu sei, Jimmy acho que tenho medo.

−Tem um homem, um cara terrível ele perdeu a filha quer colocar sua irmã no lugar e dar fim a você, precisa sair daqui!

−Eu vou! Ela começa a chorar – Eles vão cuidar da Amy, lá onde você está me mandando ir?

−E de você também! Ela era uma menina ainda, me lembrava um pouco Megan – Não vai levar nada, pegue apenas sua irmã e vamos, você precisa sair pela porta principal, então vai ter que ser rápida e discreta depois precisam correr e sair daqui.

−Jimmy andando esse lugar é longe?

−Muito, mas eu garanto que tem um carro na entrada da cidade, na verdade são dois, pode pegar qualquer um eles tem combustível e uma chave na ignição, sabe dirigir não sabe?

−Sei! Ela me diz e deixamos o quarto, elas estavam de mãos dadas e eu sigo até o único homem que cuidava da porta principal, ela estava pela metade, dava para ver que um homem tinha acabado de sair.

−Essa porta não deveria está fechada? Pergunto displicente me posicionando bem na frente do vigia.

−Scott foi verificar um barulho aqui na rua do lado, estou esperando ele voltar! Ele me diz acendendo um cigarro despreocupado.

−Ok! Eu lhe dou as costas, elas tinham conseguido e torço para tudo dar certo.

Estava anoitecendo quando percebo a movimentação, homens andando de um lado para outro, fazendo perguntas aqui e ali, finjo não notar e me sento no restaurante, depois do jantar ficaria de guarda e estava feliz, se desse sorte poderia ajudar mais, ainda precisava achar uma boa razão para estar sem minha arma, mas podia dizer que deixei em algum lugar quando saí.

−Pronto para ficar de vigia uma noite toda? Paulo me pergunta quando paro na janela lateral do primeiro andar onde deveria passar a noite.

−Completamente pronto!

−Jimmy, acho que conheceu uma jovem, Jane e a irmã?

−Sim! Eu respondo – Falei com elas mais cedo, a menininha estava desenhando, porque?

−Sumiram! Ele me diz observando minha reação.

−Não acredito! Finjo preocupação – Estão atrás delas, o que aconteceu?

−Coloquei dois homens atrás, mas nem sinal, elas simplesmente sumiram, não estão em lugar nenhum e os carros de precaução que temos na entrada da cidade estão lá, significa que estão por ai.

−Estranho! E dessa vez estava sendo honesto, porque não estavam seguindo de carro para a prisão, me preocupo – Acha podem ter isso dar uma volta e ficaram presas em algum lugar?

−Não Jimmy acho que alguém ajudou as duas a fugir!

−Eu não sei, porque alguém faria isso?

−Me diga você! Ele me diz apontando a arma para mim.

−Paul! Eu fico assustado, não quero me colocar em perigo, não agora, mas acho que é tarde para qualquer coisa – O que é isso?

−Me diga Jimmy o que está fazendo de guarda sem sua arma?

−Perdi minha arma mais cedo! Ele ri de mim, certo foi mesmo uma desculpa ridícula.

−Levem ele! Paul pede e dois homens me carregam para o terceiro andar, sinto os socos e ponta pés a cada degrau, só consigo pensar que não vou sair vivo daqui, que nunca mais vou ver meus três pequenos, que Mary vai ficar mais uma vez sozinha, entro numa quarto, o que eu tinha visto sendo guardado por um segurança no primeiro dia, a senhora Stewart estava lá acorrentada e transformada em zumbi, um corpo estava no chão dilacerado, não reconheço.

−Vai ficar aqui até que o chefe decida o que vamos fazer com você, a velha vai ficar de guarda! O homem ria e depois de mais alguns socos sou jogado num canto, tudo em mim dói, mal consigo abrir o olho, me encolho o mais longe que posso daquele monstro que tentava me devorar, felizmente as correntes a impediam de me alcançar, mas não sei por quanto tempo, ela forçava as corrente e gemia frenética, não tinha como sair dessa eu me dou conta.

Pov – Katie

A hora de partir é sempre a mais difícil, mas hoje é quase como uma morte, pela primeira vez meu filho vai ter que se alimentar de fórmula, não posso voltar a tempo de alimentá-lo, rezo para que seja a última vez, preciso voltar, preciso ter de novo meu bebê nos braços.

Beth o segurava com todo carinho e eu sei que poderia amá-lo como se fosse dela, mas ele é meu e eu é que devo cria-lo e educa-lo, eu e o papai.

−Katie eu estou tão assustada! Beth diz me abraçando – Sabe que se não voltarem, bem que será só uma questão de tempo! Ela soluça.

−E se não formos também! Eu aviso e ela concorda.

Preciso caminhar para os carros para me reunir aos outros, mas não consigo me separar deles, Daryl está do meu lado, nossos pequenos a nossa volta, assustados, mesmo Nick entendia que as coisas estavam perigosas, ele nunca tinha visto todo o grupo pronto e armado.

Daryl pega nosso mini ratinho mais uma vez no colo, beija sua cabeça carinhoso, o melhor pai do mundo eu penso.

−Amo você! Ele diz a nosso filho e depois entrega de novo a Beth – Ele não pode esquecer isso Beth! Daryl diz e meu coração dói, sim dói, é completamente físico, quase chego a me curvar, mas me mantenho firme, Beth desaba em lágrimas, Nick e Megan já estavam chorando e apenas nos afastamos, já tínhamos beijado e nos despedido deles muitas vezes. Rick estava na porta do carro, também depois de uma despedida dramática de Carl e Beth.

Eu não quero lutar, nunca quis, mas também não queria que os mortos estivessem de pé, não podemos nos esconder, não podemos nos esquivar, é assim que as coisas são agora, a luta pela sobrevivência ganhou novas cores, não é mais sobre comida e abrigo, agora existe a lei do mais forte, e de que lado você está.

−O Governador não está lá! Eu digo a Daryl quando ganhamos a estrada – Não é contra ele que estamos indo lutar!

−Pequena! Todos me olhavam, Rick, Daryl e Michonne.

−Ele mandou virem buscar os membros de Woodbury para nos enfraquecer, acho que foi um baque quando apenas uns poucos quiseram ir, ele está preparando um grande ataque, vamos apenas atrasar as coisas se conseguirmos vencer hoje.

−Acha que ele vai formar um outro grupo?

−Tenho certeza que sim, ele deixa seus soldados lá prontos e acho que se tivessem conseguido levar todos de Woodbury ele já teria vindo, como não conseguiu pretende se preparar mais.

−Pequena, e porque ele não ficaria lá se nem desconfia que sabemos onde é o tal forte?

−Ele não quer ser visto pelos membros de Woodbury, não depois do que fez, acho que sabe que poderia ser traído e por isso estou muito preocupada com o Jimmy.

O carro ganhava velocidade, os dois outros carros que nos seguiam também acompanhavam, mais duas horas de viagem e estaríamos no meio de uma guerra.

−Se ele estiver lá eu o quero! Michonne avisa, não gosto disso, sua sede de vingança um dia ainda vai destruí-la, mas não hoje, hoje ela não vai encontra-lo, hoje vai lutar com seus soldados e espero que vença e que esse encontro fique para uma outra ocasião.

Chegamos a nosso destino, descemos na estrada distante da cidade, já era noite e o restante do percurso seria feito a pé.

Nos dividimos em três grupos, eu ficaria com Daryl, Glenn e Maggie, Rick e Michonne formavam outro grupo com Bob, Carol e mais três homens, Tyresse e Sasha lideravam o outro, e com eles seguiam mais quatro pessoas, três mulheres e um homem, o grupo mais fraco eu penso e por isso o mais armado.

Nos reunimos numa rua escura, a alguns quarteirões, era onde nos separaríamos.

−Repassamos o plano uma centena de vezes hoje, todos sabem o que fazer? Rick pergunta mais uma vez.

Apenas com movimentos de cabeça todos concordam.

−Está pronta Katie? Ele me pergunta e garanto que sim, não foi fácil convencer Daryl e nem acho que ele estava muito convencido da ideia, mas era nossa chance.

Eu subiria pela lateral do prédio no ponto cego que Jimmy nos mostrara, pelo lado de dentro explodiria as bombas nos corredores e na confusão eles atacariam, pelos lados e o grupo de Rick pela porta da frente.

−Odeio isso! Daryl reclama – Se ela não for silenciosa o bastante...

−Quando katie não é silenciosa o bastante? Maggie pergunta e ele bufa sem responder.

−Vamos de uma vez! Michonne pede muito tranquila, invejo essa capacidade dela, é fria quando precisa, não esboça uma reação de medo, dor ou tristeza, não sei como é lá dentro, mas por fora Michonne é uma fortaleza.

Mesmo ela sendo essa muralha eu a abraço para me despedir, agora só a veria quando tudo acabasse, então era melhor garantir um abraço, caso uma de nós... apago esse pensamento e sigo para Rick, ele me abraça e me sorri, um sorriso de gratidão e pesar, assim como eu e Daryl ele tinha tudo a perder.

−Por favor me deem tempo! Eu peço – Não se precipitem, vou demorar o tempo que for preciso até ter certeza de que posso fazer o que combinamos!

Todos concordam, e nos separamos, Maggie, Glenn eu e Daryl pegamos nosso caminho, estamos silenciosos e preparados, avisto o prédio e como de costume vou escalando mentalmente, descobrindo os melhores lugares para pisar e como chegar a meu objetivo, tudo razoavelmente fácil, nos escondemos um instante.

−Amo você! Daryl me diz os olhos fixos nos meus, o mar nebuloso numa grande tempestade – Apenas volte para mim pequena! Ele me diz antes de me beijar.

−Amo você e sempre volto! Eu respondo – Você não desiste, eu não desisto!

−Nunca! Eu o beijo de novo, Glenn e Maggie faziam o mesmo, penso nos meus filhos uma última vez, depois teria de limpar minha mente e apenas fazer meu trabalho.

Me afasto deles lentamente, não os olho mais, agora começamos uma batalha. Subir é fácil, assustadoramente fácil, saio numa janela do terceiro andar como Jimmy disse que sairia, numa sala que um dia foi uma espécie de escritório, vejo um computador empoeirado em uma mesa de madeira de lei, uma cadeira confortável, estou na diretoria eu penso em quanto tudo aquilo um dia foi importante e em como perdeu seu valor em um instante, o homem que um dia se sentou naquela cadeira está morto, de um jeito ou de outro está.

Abro uma fresta da porta, um corredor silencioso a luz bruxuleante de velas cria um ambiente assustador, estremeço é inevitável. Um homem armado descansava em pé recostado em uma parede ao lado de uma porta entreaberta, pego minha faca, preciso derruba-lo e rezar para o barulho não chamar a atenção de ninguém, eu me preparo e num movimento preciso eu o acerto, ele me vê um segundo antes de cair, percebe a faca, mas já é tarde para qualquer reação.

Volto para a sala e espero uns segundos, nenhum movimento, ninguém parece ter percebido e então eu decido que era hora de continuar, estava passando pelo homem caído, paro para conferir se estava morto e pego sua arma, a porta me chama a atenção, não entre sua idiota eu digo a mim mesma quando empurrava a porta vencida pela curiosidade.

Vejo um zumbi gemendo desesperado buscando alcançar algo e então para meu desespero Jimmy estava caído. Corro até ele, seu rosto desfigurado pela violência de muitos golpes, nada de febre, nenhuma mordida.

−Jimmy! Eu o chamo, chacoalho e ele desperta um pouco – Droga Jimmy! Ele tenta sorrir – O que aconteceu? O zumbi continuava a gemer e tentar nos alcançar.

−Eles...

−Esquece, vamos consegue andar?

−Acho que sim! Ele me diz cuspindo sangue – É a senhora Stewart! Ele aponta o zumbi.

−Velha fofoqueira! Eu digo ficando de pé – Bem feito! Acerto minha faca nela e o zumbi cai morto – Aposto como foi ela que entregou tudo sobre a prisão.

−Parece que sim! Ajudo Jimmy a ficar de pé e entrego a ele a arma que acabo de pegar do soldado morto do governador, Jimmy geme de dor, deve ter meia dúzia de costelas quebradas.

Seguimos pelo corredor, vou na frente e Jimmy me segue, descemos as escadas até o meio do andar e eu olho para ele preocupada.

−Estou bem! Ele diz baixinho, sei que não está, mas não tenho escolha.

O segundo andar estava vazio e era hora de agir, pela escada eu atiro a primeira bomba e aguardo a explosão que estremece o prédio ecoando por todos os lados, uma fumaça domina o ambiente, alguns homens começam a subir e atiro a outra, é horrível assistir a cena chocante de corpos se espatifando para todos os lados, agora era atirar e derrubar.

Ouço os tiros vindos de todos os lados, eles estão entrando não enxergo bem, por conta da fumaça, mas preciso descer e lentamente eu avanço cada vez mais um homem surge na minha linha de tiro eu o derrubo, ouço gritos, tiros, ordens e correria.

Chego ao térreo onde a luta parecia estar sendo travada, me escondo atrás de um carro com Jimmy e atiramos, Jimmy era um atirador razoável e me ajuda.

A maior parte dos tiros vinha da calçada, do outro lado da rua, possivelmente o restaurante que Jimmy dissera.

−Eles devem ter se refugiado no restaurante! Ele avisa.

Ainda tenho uma bomba, preciso que ela chegue até lá, mas era impossível de onde estava.

−Temos que avançar Jimmy! Vejo Michonne cortar uma cabeça quando passamos abaixados por entre os carros atirando uma vez ou outra, Rick se aproxima.

−Katie! Ele me chama e corro até ele com Jimmy.

−Droga Rick! Eu me assusto quando vejo sangue na perna.

−Foi de raspão! Ele me tranquiliza – Ainda tem uma das bombas não tem?

Eu mostro a ele, que pega da minha mão, a confusão era grande procuro Daryl com os olhos, eu o vejo do outro lado, trocando socos com um homem, a cara dele, uma guerra, explosivos, armas de grosso calibre e Daryl trocava socos?

−Rick eu vou! Aviso e ele se nega – Você está ferido!

−Não! Ele não me deixa escolha – Vai me dar cobertura e não tem ninguém melhor para isso! Eu concordo, mas meus olhos desviam mais uma vez para Daryl ainda lutando, eu bufo, apuro minha mira e acerto o infeliz que estava tentando desfigurar meu marido a vinte metrôs de mim, ele assiste o homem cair e olha em minha direção, não me vê por que estou abaixada, mas pega sua arma de volta e se concentra, fico mais tranquila – Posso ir agora? Rick me pede impaciente.

Miro no restaurante e começo uma saraivada de tiros junto com Jimmy, acho que meu grupo espalhado percebe e mais tiros são disparados na mesma direção, Rick corre e se esgueira pelos cantos até atirar a bomba e saltar para o chão se protegendo, a explosão causa um novo tumulto e alguns homens começam a sair atirando, dois dos nossos caem imediatamente, depois mais um e derrubamos outros deles.

Aquilo parecia não ter fim, vejo Maggie puxar um dos nossos feridos, Glenn a ajudava e vejo quando uma bala o acerta e ele é jogado longe Maggie grita, meu coração dava saltos de pânico, não podemos voltar sem ele, eu penso me concentrando de novo, mais tiros são dados derrubo mais um e depois outro e então Maggie acertava a cabeça de um dos nossos homens que se erguia como um zumbi.

Não acho Tyresse, nem Carol, os outros eu tinha uma leve ideia de onde estavam.

Os tiros começam a cessar enquanto eu tentava alcançar Maggie, quando chego a seu lado já não havia mais nenhum homem deles de pé.

Daryl chega junto comigo, ela estava sobre Glenn e eu me aproximo desesperada, Maggie puxo minha amiga pronta para ver Glenn morto e me surpreendo quando ele tosse se sentando.

−Glenn! Digo aliviada.

−Isso é para você nunca mais chamar meu colete de estupido! Ele diz a Daryl.

Eu e Maggie chorávamos, somos guerreiras, andamos armadas, mas somos garotas e ainda choramos, abraço Daryl num misto de alivio e medo, era hora de contabilizarmos as perdas.

Jimmy estava sentado no chão completamente destruído, mas vivo, assim como eu e Daryl, Maggie e Glenn, Rick tinha um tiro na perna, quando Daryl o vê caminhar com dificuldade corre para busca-lo, não era assim tão de raspão como ele dizia, mas nada que Hershel não pudesse dar jeito, Michonne surge suja de sangue, mas era fácil saber que o sangue não era dela.

−Tyresse está ferido! Sasha se aproxima – estilhaço da bomba, na barriga! Ela estava tremendo – Carol está com ele, só restou nós três do grupo.

−E o Bob? Eu pergunto e então ele surge, limpo e bastante tranquilo, nunca confiei muito nele, mas Bob naquele momento nunca me pareceu tão fora de contexto.

−Estou aqui! Ele diz.

Não havia tempo para discussão, precisávamos levar os feridos para casa e ter certeza que não tinha restado mesmo ninguém.

Glenn, Sasha e Michonne seguem para buscar os carros, eu Daryl e Maggie começamos uma varredura pelo prédio e Rick fica cuidando dos feridos que o incluía.

Só quero voltar para casa, abraçar meus filhos, eu sei que devia estar muito triste porque aquilo era uma guerra, por que perdemos homens, mas minha família estava viva, Daryl estava vivo, eu afinal tinha mais um dia, era só por isso que lutava, por mais um dia.

Notas finais
Aguardando ansiosa.