Fim Dos Tempos
47 Capítulo 47 - Sossego
Notas iniciais
Espero que gostem.
Pov- Daryl
Entro em nossa cela, Megan se deita e se abraça ao ursinho, assustada como Nick, Katie também se deita e coloco Nick a seu lado, para ele poder se misturar a seus cabelos e dormir, ele se segura a mim.
–Não papai! Ele pede voltando a chorar – No meio, quero ficar no meio!
–Shiu, tudo bem não precisa chorar! Eu o coloco entre mim e Katie, ela passa os cabelos para ele que os segura e os deixa caindo por seu rosto, nunca entenderíamos por que ele gostava tanto disso, ele segura firme minha blusa com medo de que eu me afastasse, Megan se aproxima, minha ratinha abraça Katie e fecha os olhos.
–Boa noite ratinha que tem um namorado! Minha pequena brinca só para vê-la esconder um sorriso e se acalmar de olhos fechados.
Nick não me soltava e não abria os olhos, ainda tremia um pouco mesmo entre nós, mesmo coberto, Katie acaricia seu rosto, carinhosa, ele tinha passado por momentos aterrorizantes, era só um bebê, ela beija sua testa.
–Olha para mamãe pequeno, por favor! Ela pede e ele abre os olhos assustados – Sabia que seus olhos são iguais aos do papai? Ela diz e penso que sim, e as vezes chegava a duvidar que aquilo fosse só uma coincidência.
–Não quero ver zumbi mamãe! Ele diz e faz mais uma vez aquele bico de criança que se prepara para chorar.
–Não tem zumbi aqui! Ela o tranquiliza – Sabe disso, tem guardas lá fora, e eu e o papai estamos aqui.
–Lola virou zumbi, mamãe matou ela! Ele me conta – Mamãe disse que você estava chegando, e você chegou! Ele se esconde de novo em meu peito e volta a chorar.
–Acabou! Eu aviso – Agora é só dormir um pouco e tudo vai passar, vamos ficar aqui, ninguém vai a lugar nenhum está bem? Ele afirma e se aconchega começando a relaxar, deixando o sono e o cansaço dominá-lo, eu olho para minha pequena, ela me devolve o olhar.
Ficamos nos olhando em silêncio, ergo a mão e acaricio seu rosto, ela fecha os olhos sentindo meu toque e desejo um tempo com ela, para poder tocá-la e ter certeza que ainda era minha.
Nick adormece, um sono agitado, eu toco seus cabelos, me ajeito para ficar de frente para Katie, ele se aperta a mim, geme assustado, voltamos a nina-lo e ele pega no sono de novo.
–Pensei que tinha perdido você! Eu conto, ela me olha com aqueles olhos verdes me revirando – Por um insuportável minuto pensei que tinha perdido você, mas minha pequena não desiste! Ela sorri com os olhos marejados – Não quero mais caçar você pequena! Eu digo – Tenho medo!
–Não quero mais que tenha que me caçar, também tenho medo! Ela continua – mas sei que se for preciso vai fazer isso de novo e deve saber que não vou desistir e que vou confiar e esperar!
–Amo você! Eu a beijo longamente, mesmo com meu pequeno ratinho entre nós, é bom sentir seu calor, é bom saber que ainda temos algum tempo, que estamos juntos e que de algum modo vamos continuar.
–Tive tanto medo, por ele, por mim, por nós! Ela deixava suas lágrimas rolarem – Eu te amo tanto! Eu a beijo de novo dessa vez um beijo mais rápido porque nosso ratinho choraminga em meio ao sono, ela segura sua mão.
–Ele é forte e isso vai passar! Tento confortá-la.
–Fico pensando se ainda vai ser aquele menino alegre e despreocupado, que fala sem parar! Ela sorri por entre as lágrimas – O que mais vão nos tirar?
–Seja lá o que for vamos resistir, sobrevivemos, sempre sobrevivemos!
–Às vezes me sinto culpada! Ela desabafa.
–Pelo que? Estranho o comentário.
–Pelos dias em que ficaram por ai sozinhos e com medo! Ela soluça – Pelo tempo em que ficamos com medo de não saber o que fazer com eles, que não os amamos como mereciam, fico me lembrando dele quando perdeu o dedinho! Minha pequena estava frágil e chorava seguro sua mão beijo seus dedos acalmando-a – Quando ele ficava ali no beliche sozinho, querendo estar conosco, eu não o abracei o quanto podia, não posso pensar que sofreram, ou que vão sofrer.
–Eu sei, mas não pode se sentir culpada, estávamos com medo, mas não os mandamos embora e eles são nossos agora e vamos fazer tudo que pudermos para ficarem bem! Ela ainda chorava – Até mesmo deixar a ratinha namorar o espertinho do mine xerife! Ela sorri, e me beija – Inclusive deixar que ele durma entre nós quando quero tanto tê-la em meus braços.
–Nem tive tempo de dizer o quanto fiquei feliz e orgulhosa de você! Ela para de chorar e seco suas lágrimas.
–Pode dizer agora, sou todo ouvidos! Brinco e ela se estica e me beija.
–Você me faz feliz e eu sinto muito orgulho de você!
–Não importa quão duro tenha sido o dia esse é um bom jeito de terminá-lo! Eu a beijo mais uma vez.
–Acho que não posso dormir! Minha pequena me avisa.
–Eu também não! Ela toca meu rosto, minha barba por fazer, depois busca minha mão e ficamos de mãos dadas, nos olhando.
Nick tem um sobressalto, quase se senta, chora e se aperta a mim, eu o nino como se fosse um bebê, ele abre os olhos, me olha e depois procura Katie, ela beija sua bochecha, ele se enrosca em seus cabelos, volta para meus braços e adormece de novo.
Megan também tinha o sono agitado e não se afasta de Katie nem um momento, as horas seguem e acabamos relaxando deixando a angustia dar lugar ao sono e dormimos, eu acordo ainda mais uma vez no meio da noite com Nick me puxando assustado, depois de me sentir por perto ele volta a dormir e penso se algum dia ele me soltaria.
Acordo e pela primeira vez não sinto o peso de minha pequena dormindo em meu peito, dessa vez era Nick que dormia quase inteiro sobre mim, meu braço direito dormente e vejo Katie dormindo sobre ele, passo a mão livre pelos cabelos, esfrego os olhos me acostumando com a claridade, os dois ainda dormiam, então olho mais uma vez em direção a cama procurando por minha ratinha que não estava mais lá, me viro e a vejo sentada no beliche com Carl sentado a seu lado os dois me olhando.
–Bom dia papai! Ela sorri, devolvo o sorriso só para não magoá-la.
–Vim saber como estavam! Carl anuncia.
–O que disse sobre ficarem sozinhos em uma cela? Reclamo.
–Não estamos sozinhos! Carl se defende – Estão aqui!
–Gente dormindo entra na categoria estarem sozinhos numa cela, infringiram uma regra básica, falamos sobre isso! Resmungo.
–Você não especificou isso na regra, então não pode considerar como infração! Carl argumenta e acabo rindo.
–Certo, passa a contar a partir de hoje! Eu aviso, agora podem descer para o café se é isso que querem!
–Sem dar bom dia para a mamãe? Megan desanima.
–Bom dia ratinha! Katie diz abrindo os olhos – Acordei com o debate! Ela sorri – Bom dia Carl podem ir encontramos vocês assim que o Nick acordar.
Os dois caminham de mãos dadas para fora da cela.
–Meu pai devia dar a estrela de xerife para ele! Ouvimos Carl resmungar e minha pequena explode numa gargalhada que me faz sentir vontade de viver, nada era melhor do que tê-los todos por perto seguros e felizes.
–Temos o xerife o mini xerife e o novo xerife! Ela ria de mim só por que eu estava todo enrolado com meu pequeno no colo e não podia calar sua risada com um beijo – Um destacamento inteiro!
–Que bom que alguém está se divertindo! Eu digo de mal humor, ela não se importa, nunca se importava o que era absolutamente estranho para mim – Como se sente? Eu pergunto, ela se aproxima e me beija de leve, depois sai do meu braço e sinto aquele formigamento comum de quando se fica muito tempo imóvel.
–Viva! Ela responde – A melhor sensação do mundo! Completa.
–Se lembra de quando tinha seis anos? Pergunto preocupado com o modo como tratávamos Nick – Eu queria lembrar de como era nessa idade, mas não sei, eu meio que sempre me virei sozinho.
–Com seis anos eu frequentava a pré-escola, acho, tinha meu quarto, acho que minha mãe ainda supervisionava meu banho e quando tinha medo corria para o quarto deles no meio da noite e dormia exatamente assim como ele, no peito do meu pai! Ela sorri com a recordação e faz um carinho leve em Nick – Ficava ouvindo o coração do meu pai e isso me acalmava, então eu dormia.
–Fico pensando se todo esse amor, esse cuidado não vai torná-lo fraco! Confesso, me sentia forte e às vezes achava que era por que tive de me virar desde sempre – Nesse mundo em que vivemos os fracos não sobrevivem!
–Eu tive muito amor, e fui bem cuidada e protegida! Ela me conta se arruma na cama pega meu braço que estivera sob ela durante à noite e começa uma massagem leve, como se quisesse me acalmar – Mamãe me protegia e era exigente, estava o tempo todo me limpando, desamassando meus vestidos que ela fazia questão que eu usasse, era gentil, mas nunca carinhosa, meu pai era o oposto, fazia tudo para me ver feliz, com ele eu estava sempre suja, descalça, correndo, tudo que ele queria era me ver feliz, tive uma infância feliz, ao menos nas férias do colégio! Ela suspira, talvez com alguma saudade – Ficaram boas recordações e muita coragem!
–Sim, você é corajosa! Ela era de longe a mulher mais forte que já vi.
–Quando essa loucura de infecção começou eu me recusei a deixá-los, já contei isso, e fiz uma promessa para o meu pai que eu lutaria, foi o que fiz! Ela se emociona – Quando estava sozinha, naquele longo ano que passei quase inteiro sozinha, muitas vezes eu cheguei a achar que tudo tinha acabado que só restara eu, mesmo assim continuava por conta da promessa que fiz ao meu pai, eu o amava tanto que não podia descumprir isso, então acho que o amor também nos deixa fortes!
–Acho que está certa, quero tanto que dê certo, quero tanto que seja diferente de como era comigo que acabo com medo de estragar tudo, com meu completo excesso.
–Adoramos o seu excesso, todos nós! Ela me beija de leve, depois continua com o carinho delicado no meu braço – Eu sei o quanto se esforça para ser diferente do que acredita que é, mas esse é você, não o cara de antes.
Nick se mexe nos viramos para ele, olhando aquele rostinho infantil apertar os olhos sem querer abri-los, fico preocupado, ele precisava reagir, zumbis não eram um pesadelo, eram a nossa realidade e mesmo meu pequeno precisava aceitar isso.
Ele já estava acordado, mas eu sabia que estava com medo, um medo irracional, mas ainda assim natural, o medo infantil de monstros sob a cama.
–Bom dia! Katie acaricia seus cabelos e se aproxima beijando sua bochecha – Vamos levantar? Ela convida, ele se nega, me mexo e ele segura firme minha blusa.
–Não vou a lugar nenhum sem você, não precisa ficar preocupado! Tento fazê-lo entender.
Nick abre os olhos, procura Katie e depois me olha, tentávamos parecer tranquilos, com todo cuidado eu o tiro de meu peito e o deito entre nós, ficamos os dois o olhando, ele ainda segurando uma mecha dos cabelos de Katie.
–Precisa escrever um bilhete para a Beth mamãe, avisando que não vou mais para aula dela.
–Um bilhete! Katie ria – E quem vai entregar?
–Podemos pedir para a Megan! Ele diz depois de pensar um pouco.
–Beth vai ficar triste! Eu tento convencê-lo.
Nick fica mudo, eu olho Katie, nunca sabíamos muito o que fazer com eles, estávamos sempre deixando que o instinto nos guiasse, mas se tinha uma coisa que eu tinha certeza é que nunca o deixaria se acovardar e se esconder.
–Justo hoje que eu estava decidida a assistir a aula junto com você! Ele olha para a mãe, em dúvida.
–A aula toda? Ele tenta confirmar.
–É que pensei que podíamos ficar o dia todo juntos, o que acha?
–Não quero descer! Ele conta – Tem zumbis na grade, não quero ver eles.
–Sempre vai ter ratinho, vamos ter de conviver com isso, e preciso que seja corajoso! Eu peço e ele me olha decidindo se era capaz de fazer isso.
–Papai será que posso ficar com você hoje, o dia todo, não quero ir com a Beth hoje.
–Se prometer que volta para as aulas dela amanhã eu concordo.
–Certo! Ele aceita – É como as regras que a Megan tem?
–Exato! Brinco e penso que o mini casal estava lá em baixo a um bom tempo sem supervisão de um adulto responsável e pouco inclinado a romance adolescente – Agora vamos descer?
–Por que a Megan tem um monte de regras e eu só tenho uma? Ele me pergunta.
–Como sabe disso? Katie questiona.
–Ela estava decorando com o Carl o que não podem fazer, para o papai não ficar triste.
–Amor acho que ele já está pronto para todas as regras dele! Katie comenta – O que acha Nick, pode decorar todas e tomar cuidado para cumpri-las?
Ele se senta começando a se animar, sorri e concorda com um movimento de cabeça, ela me olha me pedindo ajuda, quais seriam as regras?
–Abraço e beijo de bom dia! Ela diz e ele concorda – Aulas com a Beth.... e... também... – Fico olhando para ela, sem pensar em nada – Qual a outra mesmo papai?
–Dar uma voltinha no pátio! Eu lembro por que sabia que ele não queria sair dali – Com o papai, ou a mamãe, ou a Megan.
–Essa é difícil! Ele reclama – Qual mais? Ele estava disposto a cumprir muitas regras.
–Nunca mentir, nem para o papai nem para mamãe! Katie sorri com essa regra, achando ela muito boa – Acho que isso é tudo.
–Agora vamos encontrar os outros lá em baixo? Katie convida e ele volta para meu colo, me abraça, esconde o rosto.
–No colo do papai? Pergunta.
–Sim no colo! Ele então concorda Katie se levanta se envolve na arrumação distraída, olho para Nick, eu tinha mais uma regra, mas essa era um segredo nosso.
–Ficar de olho na Megan é uma boa regra, não acha? Eu falo baixinho e ele movimenta a cabeça concordado, olhamos para minha pequena, ela parecia distraída.
Pov – Katie
Descemos para o café com Nick grudado em Daryl, ele parecia que nunca mais sairia dali, como se os braços de Daryl fossem o único lugar seguro do mundo, as vezes eu tinha de admitir pensava como ele.
Sigo direto para Beth, queria saber como ela estava, ela me sorri, o corte na boca melhorando e o rosto sem nenhum sinal da violência do dia anterior.
–Como está? Eu questiono e ela me abraça.
–Muito bem, estamos todos aqui, isso me parece mais do que perfeito!
–Que bom! Enquanto conversávamos eu pegava o café de Nick e Daryl, mais uma vez bolacha velha e café amargo, Nick tinha leite instantâneo.
Procuro por Megan, ela caminhava para onde o irmão estava segurando a mão de Carl, só se separavam para dormir, ou quando ele tinha seus afazeres de adulto, infelizmente Carl estava muito mais no grupo dos adultos, dos que protegiam e trabalhavam, raramente se comportava como as crianças, brincando, matando tempo, só quando estava com meus ratinhos se dava ao luxo de ser um menino.
Me sento com eles, Michonne se senta conosco, Nick sai do colo de Daryl e se senta no colo dela, surpreendendo a todos, cochicha em seu ouvido tão baixo que quase todo refeitório podia ouvir.
–Sua espada é magica mesmo, eu vi como brilhava ontem na floresta!
–Avisei você! Ela responde e ele volta para o pai.
Rick se senta conosco e Maggie e Glenn também, uma pequena reunião ao que parecia, Tyresse e Sasha, também se aproximam.
–Se lembram da fazenda que estivemos, onde peguei o cavalo? Michonne comenta – A família assassinada, pode ser que tenham sido eles.
–Isso é muito possível, não levaram nada, como disseram que faziam, somente armas – Maggie comenta – Isso é bom, significa que nosso risco diminui, agora que pegamos eles.
–Mas temos de lembrar que pelo que disseram não estavam sozinhos! Rick nos lembra — Estavam tentando avisar o restante do grupo.
–Eles disseram que o combustível não seria suficiente para chegar até o resto do grupo que teriam de trocar de carro no caminho! Eu me lembro – Isso significa que estão muito longe daqui, depois que a cidade deles caiu fugiram, não acho que viriam nos procurar.
–Principalmente se não sabem de nós, vão achar que Lola e Bruce se deram mal ou fugiram! Daryl lembra.
–Podemos voltar a visitar as fazendas! Glenn opina – Por um tempo, acho mais seguro.
–Vai sair hoje papai? Nick se alarma.
–Não! Ele o arruma no colo fazendo com que Nick ficasse de frente para o grupo e entrega o copo de leite em sua mão, sem animo ele resolve tomar – Acho uma excelente ideia! Daryl responde voltando sua atenção a Glenn.
–O Jimmy acha que Woodbury pode ter ainda coisas úteis, conhecia bem o lugar, se ofereceu para acompanhar um grupo até lá! Glenn continua.
–Vamos dar uma busca nas fazendas antes! Rick propõe – Se for preciso no futuro pensamos nisso!
–Não tenho um bom pressentimento sobre aquele lugar, preferia que não fossemos! Maggie conta e eu concordo com ela.
–Vamos reorganizar as vigias e as rondas, agora que não temos mais visitantes indesejados! Daryl pede – Só peço o dia de hoje de folga! Ele aponta Nick e todos afirmam.
–Não vi mais o Bob! Exclamo, olhando pelo refeitório – Ele está bem?
–Envergonhado eu acho! Tyresse comenta – E sobre a bebida, bom eu sei que tiraram tudo dele, mas...
–Um pé de cana feito ele sempre acha mais! Daryl continua em sua reconhecida franqueza.
–Sim! Sasha avisa – Acontece que ele bebe desde sempre e quando fica sem, bom acho que fica mais imprevisível, a bebida dele não incomoda ninguém, pensei que poderíamos abrir uma exceção! Sasha nos olhava atenta esperando por alguma reação negativa, mas acho que no fim todos concordamos com ela.
–Desde que ele não espere que cacemos a bebida dele pode fazer como quiser.
Rick anuncia, depois passamos algum tempo nos reorganizando, escalas de vigia, rondas e saídas.
Durante todo tempo o meu lindo ratinho não saiu do colo do pai, quieto e um tanto assustado, as vezes olhando a porta do refeitório como se em algum momento uma horda de zumbis pudesse entrar.
Depois do café as pessoas se dispersam, cada um seguindo para um lado diferente da prisão, ficamos no refeitório, sabendo que seria difícil convencer Nick a sair para fora.
–Vamos subir! Ele nos convida – Está frio hoje! Sinto pena, ele fazia todo possível para nos convencer.
–Acho uma boa ideia! Daryl diz – Apenas vamos dar uma olhada no que a Megan está fazendo, quem sabe ela não quer nos acompanhar.
–Papai! Ele reclama – A mamãe pode ir e a gente espera ela aqui.
–Nick não pode ficar aqui para sempre, vamos só chamar a Megan e entramos, assim cumpre sua regra de ir ao pátio! Eu tento convencê-lo – E aproveita e cumpre aquela que você e seu pai combinaram pelas minhas costas! Finjo que estou séria e eles se olham – Vigiar a sua irmã! Completo.
–Foi ideia do papai! Ele logo se defende.
–Pequeno traidor! Daryl me olha com seus lindos olhos azuis, faz um ar inocente que nunca combinaria com ele – Não pude resistir, é uma boa regra!
–É uma regra péssima, e que não incentiva a amizade entre irmãos senhor Dixon! Eu procuro parecer séria, mas eles eram os dois irresistíveis de mais para mim.
–Eu sei! Daryl aceita – Eu vou ver minha ratinha quem vem comigo? Ele diz de surpresa e Nick acaba aceitando.
Saímos para o pátio, o dia estava claro e seco, mas o frio começava a ficar perturbador
Acho que a última vez que Nick andou realmente foi na floresta, desde então estava no colo de Daryl, e se comportava como um bebê, fico pensando se aquilo era normal se devia falar com Hershel, mas me convenço que era apenas seu primeiro contato com o mundo lá fora, Nick nunca tinha estado lá, desde o começo ele e Megan foram protegidos pelos muros de Woodbury, era natural que seu medo fosse maior que o dos outros, além disso estava diante de uma criança de seis anos, para mim ele era realmente apenas um bebê.
–Pronto papai agora podemos entrar? Ele pede no minuto seguinte a nossa saída.
Megan corre para nós, Carl vem mais atrás com passos lentos, ela para diante do pai e sorri para Nick.
–Vamos brincar Nick? Ela convida e ele nega – Só um pouco, vai ficar para sempre no colo do papai? Agora ela parece quase irritada, sinto uma ponta de ciúme que supera a preocupação.
–Só hoje! Ele responde – E eu também tenho regras!
Carl para do nosso lado, fica nos olhando quieto, eu sorrio para ele, Nick e Megan se olhando sérios.
–Que tal jogarmos cartas? Convido tentando dissipar a pequena rusga de irmãos.
–Tenho que fazer a guarda! Carl avisa – O Jimmy está machucado e não pode ficar muito e o Bob não saiu do quarto ainda!
–Nesse caso seguimos os quatro e o Carl vem nos encontrar depois! Daryl sugere muito contente com a possibilidade de afastar Carl e Megan.
Os dois se olham, desanimados, mas de qualquer modo eu realmente não queria que minha ratinha ficasse de guarda com ele, não ainda, se algo acontecesse ela não estava nem de longe preparada para se defender.
– Fico até o almoço e vou te buscar lá! Carl avisa a Megan ela aceita com um movimento de cabeça.
O pequeno desentendimento com Megan distraíra Nick que agora estava mais relaxado, ele arrisca um olhar para as grades, estremece de leve, nunca mais esqueceria aqueles momentos de pânico.
–Vamos! Agora sou eu quem quer afastá-lo das lembranças e entramos depois de Megan e Carl se olharem sorridentes.
Entramos e no caminho vejo Beth enrolada com seus afazeres, a bravinha chorando no berço improvisado e ela tentando organizar a próxima refeição.
Olho para Daryl, ele era completamente capaz de ficar um tempo com os dois sozinhos e ele afirma.
–Vou ajudar a Beth e encontro vocês daqui a pouco!
Nick faz bico, olha para Daryl querendo ter certeza de que não acabaria sozinho com Megan.
–Vou ficar com você! Ele avisa.
–E comigo! Megan o corrige e rio da cara de surpresa dele, aquela que ele chamaria de cara de idiota.
Eles somem em direção a nossa cela e me junto a Beth. Ela pega nossa pequena Judith no colo enquanto assumo seu trabalho, logo a garotinha dormia e Beth vem me ajudar, uma hora depois terminamos nosso trabalho, me sento com Beth numa mesa, o almoço seria espaguete em lata, de todas as coisas do mundo nada me deixava mais triste do que encontrar espaguete em lata, talvez por que em qualquer lugar que fossemos lá estava ele, juntamos tantas latas que Beth decide aquecer todas de uma vez e servir com o único objetivo de acabar com todo nosso estoque.
–Sabe que hoje será apedrejada no almoço! Eu brinco ela ri.
–O mais triste é que elas não estragam! Ela comenta – Como o Nick está? Me pergunta mudando de assunto.
–Assustado num nível alto! Respondo sem esconder minha preocupação.
–Sei como é, já me vi assim, deve ter sido apavorante!
–Nem tem ideia, mas enfim acabou – Toco sua mão – e você?
– Eu estou bem, mais confusa que nunca, mas isso de algum jeito me faz bem, é melhor essa confusão de sentimentos do que viver como eu vivia antes, apenas com medo! Ela declara e concordo com ela, era assim comigo também, depois de encontrar Daryl eram tantos os sentimentos que me invadiam que quase não havia espaço para o medo.
–Nick me pediu para escrever um bilhete para você avisando que não frequentaria mais as aulas! Ela ri com gosto da ideia – professora! Eu brinco.
–Ele pelo que percebi pretende morar no colo do Daryl! Ela comenta – Você nunca vai saber quem era o Daryl antes de você, mas se me dissessem que veria uma cena como essa eu riria na cara da pessoa.
–Parece estranho, mas sei exatamente como ele era! Afirmo.
–No começo ele gritava muito com você, eu nem sei como não se importava! Ela lembra – Suas botas então, lembra?
–Ele ainda gritaria se não fosse as crianças, ele só não faz isso por que tem medo de assusta-las! Rio – mas sei que era por que ele se sentia preocupado, tinha medo, ainda tem e ainda quer gritar, mas se controla, acho que os pequenos o mudaram muito mais do que eu!
–E o Carl, é um problema? Agora soube que namora Megan oficialmente! Ela ergue uma sobrancelha, suspiro.
–Nem sabe o quanto isso deixa o Daryl preocupado, na verdade enciumado, mas ele quer acreditar que é preocupação!
–Mas acho lindo os dois andando por ai de mãos dadas! Ela olha para Judith que se mexe no bercinho, mas continua adormecida – Carl estava seguindo para um caminho perigoso, acho que ela o está trazendo de volta!
–Também acho!
Carol entra no refeitório acompanhada de Sasha e me olha com o olhar de rancor de sempre, decido que era hora de seguir ao encontro de minha pequena família.
–Vou subir Beth, se convencer Nick nos encontramos na sua aula.
–Fugindo? Carol pergunta e vejo o olhar de espanto de Sasha, acho que ela não sabia de nossa pequena batalha – Já reparou que toda vez que temos um problema, você está envolvida? Ela me diz, eu a olho sem muito ânimo, primeiro por que não queria brigar, segundo por que aquilo não era verdade.
Eu realmente tinha algum talento para me envolver em encrencas, mas nem todas as que enfrentamos começaram por mim.
–Ontem mobilizou todo grupo, todos os fortes saíram em busca de você e do menino! Ela diz mais uma vez querendo somente me provocar.
–Eles teriam ido atrás de qualquer um que tivesse sido levado! Eu comunico – Inclusive você! Ela faz um ar superior – Todos os fortes foram atrás de Maggie e Glenn quando eles foram sequestrados! Eu a lembro – Quando Raul me sequestrou eu não estava sozinha, Beth estava comigo e a pobre Emma também!
–Eu sei, você é a heroína, a corajosa matadora de zumbis! Ironiza.
–Assim como Maggie, Michonne, Sasha, Beth e você, já matou muitos Carol eu sei que sim!
–Não vamos ser amigas! Ela me diz quando percebe que eu não estava disposta a entrar em sua briga.
–Nunca vou entender o porquê, mas as escolhas são suas!
–Não entende? Ela se aproxima de mim, eu a olho muito cansada, depois de tudo pelo que passei ainda ter de aturar aquilo – Enquanto todos nós só perdemos você só ganha!
–Também já perdi muito, pode apostar, mas tem razão, ganhei muito mais que perdi, e agradeço todos os dias, mas nada me veio de graça, lutei para ter e manter tudo que tenho, Daryl, meus filhos, meus amigos, esses muros, a comida na mesa, cada pequena coisa.
–Isso é injusto! Ela acaba por confessar, eu sempre soube que o problema dela comigo era justamente esse, mas não havia nada que pudesse fazer sobre isso, aquilo era algo que ela teria de resolver sozinha quando estivesse disposta a isso.
–Vai ter que reclamar com Deus, ou quem quer que esteja mandando em tudo isso agora! Digo e caminho para longe, quero mesmo é tentar dividir os braços de Daryl com meu ratinho.
Encontro Megan e Nick jogando cartas sentados na nossa grande cama no chão, Daryl estava sentado próximo encostado na parede, apenas assistindo, assim como Carl ele achava aquele jogo infantil demais para sua reputação de cara mau.
–Oi! Eu digo e me aproveito do momento de distração de Nick para me sentar perto de Daryl, e aproveitar seus braços, sim, Nick estava certo, aquele era o lugar mais seguro do mundo.
Ele me envolve e me aconchego, aquilo era bom demais.
–Quer jogar mamãe? Megan pergunta – Estou ganhando todas.
–Não querida, quero só assistir! Então vejo meu pequeno ratinho sendo gentil e deixando a irmã vencer mais uma vez, Daryl e eu nos olhamos sorrindo, um pequeno cavalheiro.
–Sossego! Daryl cochicha em meu ouvido – Esse é o nome que daria para o dia de hoje.
Notas finais
Esperando por vocês.
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