Fim Dos Tempos

23 Capítulo 23 - Ainda temos a torre


Notas iniciais
Capítulo novo, esporo que gostem.

Pov – Katie

Quando chegamos no corredor de acesso ao vestiário Maggie e Glenn saiam do banho, sorrimos uns para os outros.

−Temos que conversar! Maggie nos diz – Aquilo foi...

−Vamos nos reunir mais tarde, somos poucos para algo assim! Glenn continua.

−Certo! Concordamos – Falamos mais tarde! Eu peço, por que precisava de um banho e de um tempo com Daryl, eles se afastam e entramos, Daryl fecha a porta enquanto eu me despia desesperada para tirar aquele cheiro de morte de mim, entramos na água juntos, depois de me lavar quando me sinto limpa eu o abraço, ele me aperta, estávamos tão acostumados com a água gelada que nem sinto, só queria estar nos braços do meu amor.

−Está bem? Ele me pergunta carinhoso como sempre ficava quando sabia que eu precisava disso.

−Detesto esse medo, detesto que a todo momento podemos nos perder! Eu deixo minhas lágrimas me dominarem por que agora eu tinha mais um medo, medo pelas crianças.

−Não é só isso, o que tem mais ai que está te machucando?

Eu me aperto a ele, enquanto ele fazia um carinho leve em minhas costas.

−Sempre achei que se um dia eu te perdesse eu podia – Eu o olho – Podia me entregar, parar de lutar, mas agora, com eles, se te perder eu tenho que continuar e não consigo.

−Claro que consegue, é a pessoa mais forte que conheço! Ele me beija de leve.

−E você, acha que pode continuar por eles? Eu pergunto, mas era um pedido e ele sabia disso, agora ele me olhava assustado.

−Você não desiste, eu não desisto, é esse o plano e não vamos pensar em nada que vá nos machucar, ninguém sabe o futuro, então apenas vamos continuar.

−Você tem razão! Eu me aperto a ele, não adiantava nada ficar me torturando, ele estava ali, comigo e isso era o que importava – Me leva para nosso paraíso, quero esquecer todo o resto! Eu peço e ele toma meus lábios.

Fazemos amor devagar, sempre me impressionava em como ele sabia me dar o que eu precisava o que queria, em como nos completávamos.

Depois seguimos ao encontro das crianças, eles estavam sentados na cela, olhando para o nada, sorrio para Daryl, dois anjinhos.

−Quem está com fome? Eu pergunto já mais animada.

−Eu! Daryl responde – O que fizeram a manhã toda?

−Brincamos com o bebê, como é o nome dela, bravinha ou Judith? Megan pergunta.

−Bravinha é claro! Daryl responde rindo e me puxa pela mão – Vamos comer! Descemos e o refeitório estava lotado, nos servimos e eu me sento perto das crianças com Daryl ao meu lado, Nick segura a mão, pálido.

−Acho que esse ratinho está precisando de ajuda e remédio! Daryl diz pegando a colher e ajudando Nick, fico emocionada, olhando para os dois, e me dou conta eu amava Nick e Megan, como amava Daryl e que Daryl também amava aquelas duas crianças perdidas, assim como me amava, pisco tentando conter o choro, ele percebe e me beija.

−Daryl! Eu digo baixinho, só para ele ouvir – Acho que eu os amo! Precisava contar a ele, ele me olha com seu sorriso escondido, aquele que eu amava.

−Eu sei minha pequena! Ele me beija, nem nos importamos com o fato de estarmos cercados de gente.

−Vai me dar comida ou beijar a mamãe! Nick diz e fica vermelho de vergonha – Quer dizer a Katie.

Megan tinha os olhos arregalados e ficamos os quatro mudos, eu procuro alguma coisa para dizer, as palavras dele me deixando tonta, ganhando uma proporção que nem sabia que existia.

−Que ratinho faminto! Daryl brinca para nos salvar do choque, ele pisca para mim em seguida, Megan continuava calada e volta sua atenção para o prato comendo em silêncio.

Depois do almoço todo grupo sai para fora, continuar as aulas, agora com Glenn e Rick que ensinariam o que fazer no caso de termos de deixar a prisão, me sento com Beth e a bravinha, ela me passa o bebê e sorri.

−Desde que todos chegaram ficou difícil conversarmos! Beth me diz – Como estão as coisas?

−Bem! Respondo – Estou feliz, como nunca estive.

−Família completa? Ela me pergunta.

−Parece que sim! Eu suspiro – Com medo, é muita responsabilidade, mas acho que sabe disso, no fim a bravinha é tão sua quanto do Rick.

−Acho que é! Beth responde – Fico pensando se poderia ensiná-la a me chamar de mãe se o Rick se importaria.

−Aposto que ele acharia bom, ele não fala Beth, mas é muito grato por cuidar dela.

−Eu sei! Daryl estava mais uma vez ajudando Glenn e Tyresse a arrumar um portão lateral, as crianças o olhavam sentadas perto dele – Eles adoram vocês, foi meio que amor à primeira vista, como você e Daryl.

−Acho que foi mesmo! Eu concordo.

−Daryl está meio bobo por eles, eu já notei! Ela ri – Nem acredito no quanto ele se abriu desde que você chegou para nós.

Fico então olhando a bravinha e conversando com ela, fazendo-a rir, ela era a coizinha mais fofa que tínhamos e nunca estranhava nenhum de nós, embora seu colo preferido fosse o de Daryl, Nick e Megan se aproximam. Não pareciam muito contentes em me verem com ela, mas podia ser só impressão minha, então Daryl termina o portão e vem ao nosso encontro.

Ele pega a bravinha do meu colo, como ele fazia com todo mundo aliás, estava sempre tirando ela dos braços dos outros, parecia nos dizer que era o único que sabia cuidar dela e vez por outra eu achava que ela concordava.

−Ei bravinha, está crescendo! Ele diz e ela sorri para ele – Beth até quando ela vai tomar fórmula?

−Mais uns meses! Ela responde e então vejo Nick e Megan se afastarem para dentro do bloco de celas, olho para Daryl e depois para Beth, ela nos sorri.

−Acho que ficaram com ciúme! Beth comenta.

−Acha? Daryl pergunta e me olha entregando Judith para Beth – Pequena será que eles...

Ele não termina a frase por que ouvimos gritos, Megan e Nick gritavam por mim, por Daryl, corremos para dentro, Maggie, Glenn e Rick também, Carl corre para perto da irmã.

Eu não acreditava que pudéssemos estar sendo atacados de novo, corremos em direção aos gritos e vejo um zumbi tentando pegar os pequenos que se encolhiam atrás de uma das estantes de ferro, gritando apavorados.

Atiro minha faca, Daryl sua flecha e o zumbi cai, quando as duas o atingem quase ao mesmo tempo, corremos para eles, enquanto Rick varria o lugar, com Maggie e Glenn, as pessoas se aglomeravam na porta sem coragem de entrar.

As duas crianças se encolhiam ainda chorando e é Daryl quem consegue tirá-los de lá, Megan me abraça, enquanto Daryl mantinha Nick em seu colo, com o rosto escondido em seu ombro, eles tremiam.

−Está tudo bem! Tento acalmar Megan – De onde ela surgiu? Pergunto confusa.

−Ela já estava aqui! Megan conta soluçando, corremos, mas não tinha saída ela estava na frente da porta, desculpe!

−Ela estava na porta da cela quando ouve o ataque, foi por isso que chegamos até onde tudo aconteceu! Daryl se lembra e reconheço a mulher.

Rick se abaixa e olha seu corpo, então encontra uma mordida no braço, coberta com gaze.

−Ela foi mordida também, escondeu o ferimento, deve ter ficado na cela, para ninguém perceber a febre!

−Como pôde colocar todos em risco? Maggie pergunta.

−Não são como nós, não são uma família, por isso está tão difícil, mais do que armas, precisam aprender a gostarem um do outro! Glenn reclama.

As crianças estavam inconsoláveis, eu e Daryl então seguimos com eles para nossa cela.

Nick se recusava a sair do colo de Daryl e ele apenas o deixa ficar ali, escondendo o rosto e chorando, Megan tremia como se estivesse tendo uma crise, penso em chamar Hershel por que estava muito preocupada.

−Megan! Eu a chamo.

−Desculpe! Ela pede – Desculpe, eu não sabia, não sabia! Ela repetia e eu a abraço.

−Como poderia saber? Ela se abraça a mim – Fez tudo certo se escondeu, nos chamou, protegeu seu irmão, estamos orgulhosos! Não estava mentindo, eles estavam vivos, graças a isso.

−Ainda vamos ficar aqui? Ela ergue o rosto para me olhar, os olhos atormentados que eu conhecia, os olhos de quem não se achava merecedor, os olhos de Daryl.

−Nunca vão embora, são nossos agora! Eu digo e então Nick se afasta um pouco para olhar para Daryl.

−É verdade? Ele pergunta, Daryl o arruma melhor ele se senta recostado em seu peito, sem querer se afastar.

−Sim, ratinho é verdade! Ele diz.

−E o bebê? Megan pergunta e me dou conta de que Beth tinha razão eles estavam com ciúme.

−A bravinha é um amor e amamos muito ela, mas ela é filha do Rick.

−Somos de vocês agora, como ela é do Rick? Megan pergunta – Até eu ter trinta anos? Me lembro de Daryl dizer que ela só seria grande com trinta anos.

Olho para Daryl, acho que ele apertava Nick mais do que o necessário, mas como ele não reclamava não me importo, ele me olha fixamente, assustado, mas eu sabia que decidido.

−Com trinta anos vai ser adulta, mas ainda vai ser nossa! Eu digo para acalmá-la.

−Dos dois? Ela olha para Daryl e me calo por que aquela era uma resposta que ela esperava dele.

−É o que quer? Ele pergunta, eu sabia que assim como ele não acreditava que eu o queria, também não acreditava que eles o queria.

Ela afirma com um movimento de cabeça, corando tímida.

−Também quero! Nick responde, nesse ponto ele se parecia mais comigo, era mais fácil para ele falar de seus sentimentos.

−Então sim, são nossos! Daryl diz e me olha, me emociono por que seus olhos brilhavam, ele estava feliz.

Megan sorri, acho que pela primeira vez acreditando que não estavam sozinhos, seca as lágrimas e Nick decide que podia descer do colo de Daryl.

−Acertaram mesmo aquele monstro, os dois! Ele sorri – Não queremos mais ficar sozinhos, tenho medo, quando saírem podemos ficar com a Michonne?

−Ela é forte! Megan concorda.

−E tem aquela espada mágica! Nick cochicha, acabamos rindo – Mas é segredo!

−Como sabe que é mágica? Eu pergunto.

−Ela me disse! Ele falava baixinho – Mas falou para não contar a ninguém.

−Como sempre nada é segredo na prisão! Daryl brinca – Estão mais calmos? Ele se levanta – Vou falar com Rick! Me beija de leve e estava na porta quando Megan corre até ele e o segura pela mão, Daryl se vira meio confuso, ela olha para a besta encostada na cama.

−Não pode esquecer! Ela diz e ele surpreso vai ao encontro da arma, mais alguém que não podia perdê-lo, eu penso e acho que ele também.

Fico sozinha com as crianças tentando decorar coisas importantes sobre eles, data de aniversário, cor preferida, coisas que devia saber se os queria comigo, me lembro de Nick me chamando de mãe e penso que gostaria de ser chamada assim, mas nunca os forçaria, quem sabe com o tempo, quando confiassem em mim.

Então me lembro que o mundo estava acabando e que tempo era muito relativo, para nós, sinto um arrepio, como era possível que enquanto todos perdiam com o fim do mundo eu só ganhava, cada dia tinha mais, e embora fosse bom era também assustador, desejo estar nos braços de Daryl e ele se materializa diante de mim.

Me abraço a ele ouvindo Nick contar mais uma vez sobre a espada mágica de Michonne e tudo que fizera pela manhã, ele estava elétrico e eu achava que tinha a ver com a tensão que passara.

Daryl brincava com meus cabeços olhando para ele e rindo do jeito espontâneo do pequeno que mantinha a mão esquerda sempre imóvel, por conta do ferimento, anoitece e Carl vem nos chamar para jantar.

−Beth disse para descerem, a maioria já comeu, falta nós, meu pai quer conversar! Ele convida tímido da porta.

−Mais reunião, que adianta, aqueles palhaços sempre arrumam um jeito de nos meter em problemas! Daryl reclama.

−Queria que fosse só nós! Ele comenta e olha para as crianças – E vocês! Então olha para Daryl, que eu noto faz um grande esforço para sorrir.

−Agora não podemos deixar mais ninguém para traz Carl, não é certo! Ele diz e fico feliz por que sabia que a opinião de Daryl era importante para Carl, de algum jeito eles tinham um código, uma amizade, confiavam um no outro, mesmo com Daryl implicando tanto com ele.

Nos reunimos ao grupo Tyresse e Sasha conosco, organizamos as tarefas do dia seguinte, dessa vez eu e Daryl ficaríamos na prisão enquanto Rick saia com Michonne, Tyresse e Sasha, acho a ideia terrível, mas era a escolha deles.

−Vocês quatro precisam de uma folga! Rick lembra — E acho que Tyresse e Sasha já entenderam sobre como funciona lá fora.

−Podem confiar! Sasha garante.

−As aulas continuam! Maggie comenta – E acho que devemos dar mais funções a eles, amanhã vamos limpar a cerca, quero vê-los matando zumbis para ver se aprendem.

Megan se aproxima de Daryl, assustada segura em sua camisa, ele a olha.

−Não você ratinha, os adultos! Ela relaxa.

O assunto importante acaba, estávamos no refeitório, sentados numa mesa, as duas garrafas de vinho rodavam pela mesa, eu não bebia, nem Daryl, o restante bebericava de leve, Glenn também não bebia, já tinha ouvido falar que em algum momento ele havia tomado o primeiro e último porre de sua vida.

Maggie e Glenn se levantam para seguirem para a vigia, Rick pega Judith dos braços de Beth e Hershel também se levanta, seguindo para sua cela, penso em fazer o mesmo quando Carol meio mole pelo vinho caminha em nossa direção os olhos fixos em Daryl, vejo a expressão dele mudar ganhando uma máscara fria.

−Que tal um vinhozinho para relaxar! Ela oferece o copo para ele ignorando completamente minha existência.

Então para surpresa geral Megan empurra o copo que ela oferecia a Daryl, o copo cai, mais por sua moleza do que pela força de Megan, ela olha para Daryl depois para mim e corre para nossa cela chorando, Nick a segue e eu fico olhando para Daryl sem entender o que tinha acontecido.

Nem me lembro de Carol, também não me importo com o vinho derramado, apenas olho para ele que estava tão confuso quanto eu, me levanto assim como ele e deixamos o refeitório.

Os que ficam continuam em silêncio, só ouço a voz de Beth, minha querida amiga.

−Eu limpo, não se preocupem!

Quando entramos na cela, Megan estava de novo chorando, Nick estava sentado a seu lado, olhando para irmã que quando nos vê esconde o rosto nos joelhos.

−Megan...

−Quando meu pai bebia machucava a gente! Ela diz soluçando e eu sabia o quanto aquilo seria difícil para Daryl o choque que aquelas palavras exerciam sobre ele, ouvir sua história ser contada por outro.

Ele se aproxima de mim, passa a mão pelo cabelo, me sinto impotente, tudo aquilo era novidade para mim.

−Mamãe disse que ele era zumbi, mesmo antes, ela não ficou triste quando ele virou! Ela não nos olhava mantinha o rosto escondido – Quero que seja meu pai, mas não quero que me machuque, nem a Katie, nem o Nick!

Daryl me olha se aproxima e me beija, um beijo leve.

−Hershel me disse para lutar! Ele me conta e então caminha até ela, eu nem acreditava no que estava vendo – Vem ratinha! Ele a pega no colo, como se ela fosse um bebê, como fazia com a bravinha, ela aceita, mas não o olhava, os olhos estavam fechados – Meu pai também me machucava! Ele confessa – E bebia, minha mãe também, e eu era sozinho e bravo, ainda sou bravo! Ela abre os olhos.

−Não é! Ela diz séria.

−Sou sim, nem me fale sobre coelhinhos brancos! Ele ri e ela franze a sobrancelha sem entender – Nunca vou machucar você, nem Nick e nem minha pequena, não precisa ter medo.

Minhas lágrimas rolavam livremente e Nick olhava de um para outro sem entender bem o que estava acontecendo.

−Ele era muito mal, você não é, fica beijando a Katie dizendo que ela é sua, fazendo carinho nela! Ela seca as lágrimas – E beija a bebê.

−Em resumo estou virando um idiota! Ele brinca, ela ri, e toca seu rosto, eu achava que nunca mais pararia de chorar, nunca o tinha visto assim, tão encantado, desarmado – Agora chega de chorar, ou vai derreter, e não vai ser a única! Ele me olha – Vem pequena!

Me sento ao lado dele e me recosto em seu ombro, Megan se aconchega e penso que ela ficaria ali para sempre, Nick corre para perto se senta do meu lado.

−Meninas choram muito! Ele comenta e eu rio, Daryl também – Eu só choro por causa de zumbi e da minha mão!

Seco minhas lágrimas, Nick boceja sonolento, eu o puxo para meu colo, minha pequena e adorável família.

−Acho que tem alguém com sono.

−Eu! Nick levanta a mão boa.

−Que tal dormirmos? Convido.

−Todos juntos? Ele pergunta, olho para Daryl.

−Ainda temos a torre! Ele brinca.

Megan não sai do colo de Daryl até eu arrumar a cama então ela se deita e Nick corre para seu lado, Daryl pega a besta, meu cinto de facas que agora tinha novas facas por que tinha deixado as outras na estrada e nos deitamos.

−Ela vai brigar comigo amanhã não vai? Megan pergunta.

−Ela nunca vai brigar com você, pode apostar nisso! Daryl responde e eles fecham os olhos, eu fico olhando para ele, que mantinha os olhos fixos nos meus, nunca achei que poderia amá-lo ainda mais, mas eu amava.

Notas finais
Adoro quando comentam, espero que gostem!