Fim Dos Tempos
100 Capítulo 100 - Novos tempos
Notas iniciais
Pov – Megan
Seis anos depois...
−Droga! Eu reclamo quando sinto o pequeno corte no dedo arder um pouco, levo o dedo a boca, chupo o sangue, e depois enfio de novo a cabeça dentro do motor para terminar meu trabalho.
Gosto do meu trabalho, cuidar dos geradores, dos carros, de tudo que nos lembre um pouco o mundo que um dia tivemos, mas no fundo queria sair para as ruas também, como meu pai e minha mãe e principalmente para acompanhar Carl.
Mas cada um tem sua função e essa é a minha, que divido com Jimmy, ele afinal me ensinou tudo, começou quando ainda era uma menininha e vivíamos na prisão, parece que foi a uma eternidade, talvez tenha sido, nesse mundo de hoje seis anos é mesmo uma eternidade.
Me lembro perfeitamente do dia que a prisão caiu, da dor que senti, do medo, todos separados e sem destino, achei que nunca mais veria Carl, mas meu pai é Daryl Dixon e claro ele foi buscar meu namorado.
Depois vieram os dias nas ruas, terríveis e dolorosos dias, sem abrigo, sem nenhuma segurança, frio, medo e fome, mas nada nunca impediu meu pai e minha mãe de continuar, de lutar.
Eu os vi fazerem coisas que acho que nenhum ser humano poderia, são como furacões quando se trata de nos manter vivos, assisti abraçada aos meus irmãos eles derrubarem juntos dezenas de zumbis, até ficarem cobertos de sangue, mamãe escalou telhados, papai venceu assassinos, jamais desistiram.
“Você não desiste, eu não desisto!” é o que sempre dizem um para o outro, é isso que os torna tão fortes, unidos, então quase dois anos depois achamos esse lugar, alguns chamam de zona de segurança, outros de santuário, eu chamo de casa.
Era só uma vila de boas casas, afastada de tudo e cercada de muros altos, sim, tijolos e cimento provaram ser mais seguros que cercas de ferro e arame farpado. Não foi difícil limpar, éramos um bom número de sobreviventes, juntamos mais alguns no caminho.
Depois foi só organizar tudo, recomeçar, plantamos, limpamos, e protegemos, temos uma linha de segurança que impede zumbis de chegarem sequer perto de nós, valas, cercas, estacas, nada perto, não tem mais o som constante de seus gemidos.
Nos tornamos quase auto suficientes, e por isso sair é desnecessário quase sempre, apenas voltas regulares pelo perímetro, caçadas pela floresta, não há mais muito o que caçar, mas papai e mamãe gostam.
Moramos em casas agora, cada família tem a sua, a nossa é uma casa de três quartos, ao lado mora Carl, Beth, Rick e Judith, Mich tem a dela a menor de todas, ela prefere ficar sozinha.
Glenn e Maggie tem a deles, Lizzie e Mika vivem com eles, não chamam de pai e mãe mas é um pouco como se fossem, das crianças que Tyreese salvou apenas elas sobraram e Judy.
Sinto falta de Ty, ele era um homem bom, sua morte foi uma grande perda, Sasha sofre um pouco até hoje, mesmo Bob estando com ela.
Jimmy também é nosso vizinho, mais que isso, quase mora na mesma casa, somos muito apegados, Maggie diz que papai trata ele como se fosse um garotinho de seis anos, acho que ele faz mesmo isso, mas eu o entendo, perdeu um irmão e não quer que o mesmo aconteça conosco.
Hoje somos uma comunidade de trinta pessoas, faz tempo que ninguém se junta ao grupo, não acho que tenha sobrado muita gente mais por ai.
−Que cara é essa? Me viro e dou de cara com Nick me olhando.
−Nada, estava distraída pensando na vida! Eu respondo quando ele se encosta no capo do carro despreocupado como de costume – Sabe que fica ridículo com esse coleto do papai, não sabe? Eu o provoco.
−O papai me deu! Ele se defende – E seu namorado sim é que fica ridículo com aquele chapéu velho caindo aos pedaços! Ele me devolve a provocação, somos irmãos é isso que irmãos fazem afinal.
−Que foi? Pergunto a ele.
−Papai não voltou ainda, já sabe disso, se tivessem voltado o Carl estava aqui pendurado em você.
−Porque não cuida da sua vida Nick?
−Eu cuido, mas sobra tempo para cuidar da sua também! Ele responde, faz isso a vida toda, papai ainda o usa como espião e isso é humilhante, afinal tenho dezoito anos – Estava lá na casa da Michonne, ela não foi junto, acho que foi só o papai a mamãe e o Carl.
−Eu sei, porque não volta lá para casa da Mich?
−Ela me expulsou de novo! Ele responde dando de ombros, meu irmão era o maior sem noção do planeta, vivia atrás da Mich, ela acabava cansada, pegava ele pelo braço, sem nenhuma cerimônia e o colocava para fora batia a porta na cara dele e podíamos ouvir o cara de pau dizer, até amanhã Mich.
−Viu o Jimmy? Eu pergunto ele me disse que já voltava e isso foi a duas horas.
−Está na casa dele, olhando para cara da Mary com medo do bebê nascer e ele estar distraído.
−Faltam meses ainda.
−Diz isso para ele.
−Certo, o que quer aqui, cadê a Amy? Conheço meu irmão, ele quer me dizer alguma coisa, aposto que se meteu em encrencas com ela de novo.
−Não sei dela, está brava comigo! Ele diz e agora chegamos ao ponto.
−O que você fez para ela? Pergunto largando tudo para dar atenção a ele.
−Por que eu tenho que ter feito alguma coisa? Ele reclama arrumando o colete que o faz se sentir o máximo.
−Papai diria que é porque você é um Dixon, os Dixons sempre fazem besteira.
−Fui buscar ela de manhã, para darmos uma volta por ai, como faço todos os dias, ela apareceu e bom, estava com uma dessas coisas estranhas que você e a mamãe fazem no cabelo, trança sei lá, mas gosto mais quando ela está de cabelo solto, eu disse – ele me olha sério convicto que está certo – Nossa Amy, como você está esquisita! Ela me deu as costas e foi embora.
−Nick, você chamou a garota de esquisita? Ralho com ele que ergue uma sobrancelha confuso – Ela nunca vai namorar você assim, sabia?
−Quem disse que quero namorar agora, tenho doze anos, quero aproveitar a vida mais um pouco antes de me amarrar com alguém! Não consigo segurar o riso, ele continua tão idiota e engraçado como sempre foi.
−Garoto você é ridículo! Eu declaro e ele me faz uma careta – Agora me diga onde deixou o Matt?
−Está lá na Beth com a Judith, já vou buscar ele! Nick reclama, detestava cuidar dos pequenos, mas essa era sua função acho que para ele era mais como um castigo, Nick estava sempre metido em encrencas, enfiado na casa de alguém se intrometendo na vida dos outros e parecia muito mais filho da Maggie – Mas me diga, que faço?
−Sobre? Eu o provoco, sei que ele quer fazer as pazes com Amy.
−Amy! Ele responde de má vontade.
−Diz a verdade, que gosta mais dela de cabelo solto e pede desculpas!
−Eu nunca vou pedir desculpas a uma garota por essas bobagens!
−Asar seu então! Ele me dá as costas e caminha, de tanto imitar o andar do papai acabou que agora anda igualzinho a ele, andar de dono do mundo como mamãe diz, mas Nick não dá nem dez passos e dá de cara com Amy, os dois estacam, adoro ver isso, ficam se olhando uns segundos sem saber muito o que fazer.
Nick olha para o chão depois para ela.
−Desculpe Amy, não expliquei direito, gosto mais do seu cabelo solto! Ele diz e tenho que morder o lábio para não rir alto.
−Está desculpado ratinho! Ela e o papai são os únicos que ainda o chamam assim.
−Vamos lá na Beth buscar meu irmão? Ela concorda e os dois se afastam, volto a me concentrar no meu trabalho.
−Oi linda! Ouço a voz dele e me viro, lá está meu amor, meu coração bate mais rápido é tão bom quando ele chega, detesto que saia.
−Carl! Eu o abraço forte – E o papai e a mamãe?
−Estão bem já chegaram também, vim te avisar.
Ele me envolve pela cintura e me beija, passo o braço por seu pescoço, é tão bom estar ali, sempre foi e acho que sempre vai ser.
−Tudo bem lá fora? Pergunto como de costume.
−O de sempre, na verdade é melhor quando a Maggie vai com a sua mãe, as duas ficam falando sem parar da vida amorosa dos outros e o tempo passa mais rápido.
−Queria ir junto! Eu reclamo, fui tão bem treinada, atiro facas como minha mãe, sei usar a besta do papai e posso manejar qualquer arma de fogo, mas nunca me deixam sair, nessas horas meu pai e Carl se unem e são como melhores amigos do mundo tudo só para me manter em casa.
−E quem cuida de tudo aqui? Ele me pergunta e reviro os olhos, qualquer um podia fazer isso, todos são preparados.
−Eu sei, nunca vão me deixar ir nas missões, já desisti disso! Me encosto nele.
−Tenho medo de perder a concentração se estiver lá fora, e o Daryl também tem.
−Está com fome? Pergunto a ele – Eu estou, quem sabe a Beth tem alguma coisa lá, porque lá em casa você sabe...
−Sua mãe é assim como posso dizer, a pior cozinheira da face da terra! Ele brinca e é verdade.
−Até um zumbi cozinha melhor que ela! Eu comento puxando ele pela mão, mas ele me segura me faz voltar e me olha, aqueles olhos dele sempre me deixando tonta.
−Quando vai dizer a eles?
−Carl... Eu... Acho que o papai vai tipo ter um treco, eu te amo, aceitei casar com você, mas acho que podemos esperar mais um pouco, falei com a mamãe, não assim claramente mas dei umas dicas, ela vai preparar ele primeiro.
−Sabe a casa amarela que está vazia, podia ser nossa, seria perfeita, somos adultos Megan, queremos ficar juntos, estamos juntos a quase sete anos.
−Só mais uns dias e falamos com ele.
−Falamos? Ele me pergunta enquanto caminhávamos para casa dele.
−Sim senhor, acha que eu vou falar sozinha?
−Eu pedi você em namoro lembra, você falou com a Katie e eu com o Daryl, agora é a sua vez, você fala com ele e eu com a Katie.
−Espertinho! Eu o beijo e entramos, Nick estava na mesa junto com os Grimes e Matt.
−Já sei a minha irmãzinha decidiu cozinhar! Beth brinca quando me sento com todos, eu apenas confirmo com a cabeça – Pobre Daryl! Beth brinca.
Pov – Daryl
Entro em casa e nada de ratinhos, a casa está uma bagunça como sempre, nossa casa é sempre a mais bagunçada, descobri que minha pequena não nasceu para isso, nem para cozinhar e sei exatamente onde estão meus filhos.
−Pequena vou buscar os ratinhos! Aviso largando a besta no chão.
Foram dias difíceis e mesmo estando aqui a quase quatro anos ainda não me acostumei, e nem posso, quando deixamos a segurança de nossos muros eu sei como as coisas são, os perigos que ainda nos espreitam lá fora, ainda dá medo, ainda pode ruir a qualquer momento.
Caminho até a casa ao lado, entro sem cerimônia porque depois de tudo que passamos desacostumamos dessa coisa de bater na porta e esperar ser convidado, somos uma família e entramos e saímos das casas uns dos outros como se fossem as nossas.
−Papai! Matt é o primeiro a correr para mim.
−Oi mini ratinho! Eu o beijo e pego meu pequeno no colo Nick e Megan vem junto, eu os abraço, minha ratinha apesar de ser uma moça linda ainda senta no meu colo, e me pede atenção como quando tinha doze anos e chegou na minha vida.
−Quer comer papai, aproveita que a mamãe não está vendo! Nick me convida rio mas sou um homem fiel, amo minha mulher e amo até o fato de que ela cozinha muito mal.
−Mamãe está me esperando ratinho, vim buscar vocês!
Eles me seguem todos, já tinham acabado de comer, em casa se desculpam falsamente com a mãe por já terem comido, mentem descaradamente que Beth insistiu e ficaram sem graça de dizer não e Katie que nunca foi tola sabe que estão mentindo.
−Quem conhece a história do Pinóquio! Ela pergunta me abraçando.
−Eu, querem que conte? Nick se oferece, ainda é o contador de histórias oficial, ainda premia os doentes com suas intermináveis leituras.
−Não! Os irmãos respondem juntos.
−Certo! Ele se senta e eu e Katie nos servimos, legumes cozidos e mais alguma coisa que não reconheço e prefiro não perguntar.
Nick começa com seu falatório habitual, tem que contar minunciosamente tudo que fez e quando chega na briga com Amy, que acontece pelo menos uma vez por semana a mãe briga com ele, Nick me olha pedindo socorro, dou de ombros, quem sou eu para contrariar Katie, Matt é mais calado, se parece comigo, fala pouco e só quando acha importante a não ser quando uma briga entre irmãos começa, então eles tem todos três anos de idade e só o que posso fazer é chamar Katie.
Mesmo depois de tanto tempo ainda tenho medo de magoa-los e nunca brigo, eles sabem disso e claro se aproveitam, mas gosto que seja assim, ainda somos mais unidos que todos os outros, grudados e Maggie costuma dizer que isso não é saudável, mas sei do medo que já tive.
Os dias nas ruas com um bebê e duas crianças foram infernais, matei zumbis, enfrentei malucos, bandidos e assassinos, e faria de novo só para ter o que tenho hoje, meus ratinhos a minha volta, seguros e felizes.
Quando chegamos aqui, quando vimos esses muros nem acreditei, estávamos no limite, cansados e famintos, Rick me olhou sério, como quando nos deparamos com as grades da prisão.
“Podemos fazer!” Ele me disse e nem era uma questão de poder ou não fazer, era uma necessidade, não sabíamos muito o que encontraríamos do lado de dentro dos muros, e claro minha pequena escalou os muros para nos dar uma ideia, o que viu foi uma cidade fantasma.
Decidimos entrar, não foi difícil, o lugar deve ter sido evacuado nos primeiros dias e depois acho que ninguém quis se arriscar para descobrir o que havia do outro lado, mas os anos na rua nos deu coragem de sobra, limpar foi fácil, apenas uma casa com zumbis, uma família inteira, talvez tenham decidido ficar e morreram, pelo corpo esquelético dava para ver que possivelmente morreram de fome.
Limpamos tudo, na primeira semana ficamos todos numa única casa, assustados e acostumados a viver juntos, mas depois fomos criando alguns sistemas de segurança e cada um foi ajeitando seu próprio canto.
Ficamos com a casa maior, somos a família maior, não foi fácil acostumar com isso, na verdade ainda não acostumamos, e isso nos torna motivo de piada.
Meus ratinhos vivem a nossa volta, sou mais protetor que qualquer um e tenho mais medo e cuidado que os outros, vi cenas horrendas nas ruas, não quero ter que passar por isso.
−Vou ficar lá fora um pouco! Megan avisa quando Carl surge na porta, ela nos deixa e Matt se senta no chão da sala com um livro, Nick continua a contar suas aventuras.
−Mich me expulsou de novo, ela não quer me ensinar de jeito nenhum a usar a espada, papai não me deixa usar uma arma, mamãe não me ensina a atirar as facas, sou o mais indefeso de todos, isso é bem injusto.
−Sua boca grande afasta os zumbis! Matt resmunga.
−Eu acho que o Matt é adotado, ele não parece com a gente papai! Nick reclama e riu, ele tem um pouco de razão, mas acho que meu mini ratinho vê o mundo de modo diferente.
No mundo de Matt as pessoas quando morrem viram zumbi, sempre foi assim para ele, nunca assistiu a um desenho, nunca tomou um sorvete e não consegue entender o que é um vídeo game, ele é do século passado, vê a vida de forma diferente assim como Judith, seu medo é diferente, sua relação com zumbis é a de quem convive com um cão feroz, sabe que estão lá, que pode te pegar a qualquer momento e acabar com tudo, mas sempre existiu e não assusta, é um medo racional, diferente do nosso.
−Que tal dormirmos? Minha pequena pede, com o tempo, a falta de luz e distração, passamos a dormir cedo e acordar com os primeiros raios do dia, como no século passado.
Subimos e sigo como de costume para uma pequena varredura no quarto que é dos meninos, depois eles vão para suas camas, Megan logo vai entrar porque ainda hoje não durmo enquanto ela não chega.
Vou me deitar com Katie, mas apenas esperamos, logo nossa cama vai estar cheia de ratinhos, o primeiro como sempre é Nick.
−Oi! Ele diz entrando e se deitando ao lado da mãe, suas mãos vão direto para seus cabelos – Vou ficar aqui um pouco para não ficarem com muita saudade.
−Você tem uma cara de pau que dá gosto! Katie brinca abraçando Nick.
−Sabia! Matt diz quando entra corre para meu lado e se deita – Eu vim só para ter certeza, vou ficar um pouco também.
Ouço a porta abrir, escuto os passos na escada e lá está ela de braços cruzados.
−Eu também vou ficar aqui um pouco! Ela tira os sapatos e se deita entre mim e Katie uma pequena confusão começa, o meio sempre foi um problema.
Mas aos poucos eles vão adormecendo e então olho para minha pequena ela sorri, que se dane se somos piada, isso é muito bom. Na maior parte das vezes eu os levo no colo para suas camas, ou pego minha pequena e vamos dormir no quarto de Megan e deixamos os três ali, dormindo.
−Estive pensando sobre a casa amarela! Katie me diz e conheço aquele olhar, me remexo na cama.
−Quer se mudar?
−Não, mas talvez a Megan e o Carl, você sabe ter um cantinho para eles.
−Está mandando nossa filha embora? Fico magoado.
−Claro que não, mas talvez eles queiram ter uma vida juntos...
−Quando crescerem sim.
−Já cresceram! Ela ri de mim.
−Não é o que parece, ela está aqui e acaba de brigar com unhas e dentes pelo direito de dormir no meio, como pode querer morar com o namorado?
−Amor, apenas acho que logo vamos ter que lidar com isso, acho que vão te pedir.
Fico completamente passado, não sei lidar com isso, nem posso pensar nisso, minha filha é ainda um bebê, não definitivamente não aceito isso.
−E vou ter que deixar? Já tivemos essa conversa, eu me lembro.
−Não, mas cedo ou tarde eles vão fazer e o melhor é que seja com sua aprovação.
−Droga! Reclamo – Porque não podem diminuir? Ela sempre ri de mim e essa é uma coisa que me deixa bem revoltado, porque se qualquer outra pessoa fizer isso eu fico irritado, mas ela simplesmente acaba que me acalma.
−Certo, não quero falar sobre isso, se eles vierem falar comigo eu resolvo, mas saiba que vão ter regras!
−Não pode por regras no casamento dos outros.
−Exato! Ele me diz se sentando – Mas como estamos falando da minha filha eu ponho quantas regras eu quiser, e se descumprirem arrombo a porta da casa amarela e a trago de volta.
−Sim senhor! Ela provoca, sabe que sempre faço tudo que querem e que nunca vou dizer não, mas também nunca mais vou dormir, e minha pequena ri agora, mas vai ter que me aguentar.
−Vamos! Eu a puxo pela mão e deixamos o quarto, apago as velas antes de sair e levo minha pequena para o quarto de Megan, adoro que a cama seja pequena e que precisamos ficar agarrados.
−Ainda hoje sinto falta da torre! Ela me diz quando a puxo para mim, tanto tempo e tudo continua igual entre nós, ela tem fogo no olhar quando a beijo.
−Ainda sinto falta de você! Eu digo beijando minha pequena.
Não sei como vai ser amanhã, nem mesmo sei se vamos ter um amanhã, mas hoje tenho um teto, três filhos e ela está em meus braços, a mulher que me ama, que lutou por mim, mais de uma vez, que me fez acreditar que mereço, ela me pertence e eu a ela, somos uma coisa só e quando for a hora de deixar esse mundo faremos isso juntos, porque não podemos nos despedir.
Ainda é tão linda quanto a garotinha assustada e encolhida que encontrei na cabana, ainda a carrego em meus braços como quando tinha bolhas nos pés, ainda atira facas e enfrenta a morte, ainda é tão perfeita quanto sempre foi, e ainda me revira, sabe mais de mim do que eu.
−Você não desiste, eu não desisto! Digo com os olhos fixos nela.
−Nunca! Ela me responde cheia de amor e convicção, é minha pequena, tudo que tenho vem dela e sempre vai ser assim.
Então nos perdemos um no outro, não tem mais apocalipse, zumbis, passado, futuro, só o que existe é este momento o momento perfeito e por isso eterno.
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