Fim Dos Tempos

87 Capítulo 87 - Vivendo o presente


Notas iniciais
Espero que gostem, o próximo é um Pov do Jimmy e depois um da Beth.

Pov – Daryl

A imagem daquela menina não sai da minha mente desde ontem, é só me distrair um pouco e vejo seu rosto, ouço seus gritos, aquilo me dá uma visão mais clara de onde estamos afinal, tenho vivido tão feliz, construí tantas coisas que ás vezes me esqueço onde estou.

Minha pequena caminha para mim, mesmo com nosso bebê no colo, ainda tem aquele andar de felino, ainda é dona de si e de tudo a sua volta, ainda me revira.

Ela se senta no meu colo com nosso mini ratinho nos braços e olha para as grades como de costume, era só sairmos para o pátio que olhávamos para nossas grades, contávamos zumbis, essa era nossa rotina, contar zumbis.

Beijo a cabeça do meu filho que está quietinho aproveitando os braços da mãe, depois eu a beijo.

−O último beijo é sempre meu! Ela me diz sorrindo.

−É porque gosto de ter seu gosto sempre comigo! Eu respondo e seus olhos brilham.

−Como pode ser assim? Ela diz se encostando em mim – Como pode me fazer me sentir assim ainda, como no começo, ainda estremeço cada vez que me beija, mesmo que seja só um beijo leve, rápido, ainda fico com as pernas bambas, mesmo depois de tudo, tanto tempo juntos, três filhos, muitas guerras e ainda é como no primeiro dia.

−Comigo também! Eu digo e ela me beija, mas minha pequena me conhece, mais do que eu mesmo.

−Está triste, não consegue esquecer não é? Ela me diz se ajeitando para me olhar.

−Não consigo parar de pensar que podia ser minha filha! Eu preciso desabafar, contar a minha pequena como me sinto – Minha ratinha faria o mesmo pelos irmãos, correria, enfrentaria zumbis, seria mordida, teria febre mas não desistiria de um lugar seguro para eles.

−Eu sei que é impossível não pensar nisso, mas nossa ratinha é muito preparada, sabe usar facas e conhece cada uma das armas que temos aqui, sabe se defender, já provou isso mais de uma vez, entende de mecânica e sabe dirigir, ao menos na teoria, Jimmy ensinou!

−Eu sei, vejo os dois tendo aulas imaginarias de direção! Rimos da ideia.

−Além disso somos uma família tão grande, tem tantos para dar a vida por eles!

−E ninguém por aquela criança! Eu me lembro – Devia ter corrido atrás dela, tê-la trazido para dentro esperado acontecer e dado uma morte digna para ela, enterrado entre os nossos! Aquilo me dói, não ter feito nada me machuca – Mas a pequena se debatia nos meus braços me lembrando o Nick, ela começou a se afastar com aqueles olhos assustados e só conseguia ver minha filha, paralisei, deixei ela ir, se entregar.

−Eu sei! Ela me diz com os olhos marejados, é assim que se sente também – Aconteceu o mesmo comigo, ainda ouço os gritos, mas amor nos martirizar com isso não muda nada, nunca mudou e sabemos disso, temos um caminhão de coisas que não fizemos, de pessoas que não salvamos, não podemos carregar todo esse peso.

−Mesmo assim é difícil esquecer, me sinto cansado de tantas perdas e culpado cada vez que algo acontece e fico feliz por nossa família estar bem, por não ser nenhum de nós, você, meus filhos, meus irmãos de apocalipse!

−Demos sorte, caminhamos na via oposta, quando todos se afastaram, perderam a humanidade, nós construímos uma família, não somos um grupo de sobreviventes que se uniu para continuar vivos, somos uma família, embora isso nos torne mais fortes também nos deixa mais sensíveis, mas de outra maneira nenhum de nós teria conseguido, precisamos disso.

−Eu nem sabia que precisava até descobrir que tenho, agora não quero perder mais nada e sei que é inevitável.

−Amor, vamos admitir, antes também era, não é como se fossemos eternos, sempre fomos frágeis, indefesos, as pessoas sempre morreram, então não é tão diferente, desse modo só nos resta aproveitar o que temos hoje, e digo realmente hoje, porque amanhã essas grades podem estar repletas de mortos, alguém pode fazer uma loucura e tudo ruir, e já que não podemos prever o futuro, vamos viver o presente.

−Você sempre tem razão, isso é meio irritante sabia? Eu a beijo e ela sorri, seus olhos brilham.

−Me espera aqui um pouco? Ela pede.

−Posso te esperar a vida toda! Brinco quando ela se levanta sumindo com nosso bebê.

A mulher mais linda que já vi, a garota que me amava quando ninguém mais podia fazer isso.

Ela volta sozinha uns minutos depois, me puxa pela mão sorrindo.

−Onde vamos?

−Senhor Dixon que pergunta é essa?

−Senhora Dixon é sempre cheia de boas ideias! Eu a puxo para mim quando caminhávamos para nossa torre.

−Mas onde deixou nosso mini ratinho?

−Está lá deitadinho com o Jimmy, o Nick está junto se assegurando que Jimmy não vai gostar mais da Amy do que dele, Mary está junto, qualquer coisa eles nos chamam e ainda leva pelo menos umas duas horas para ele ter que mamar! Ela me avisa quando subíamos as escadas.

−Duas horas! Eu assobio – A quanto tempo não temos duas horas inteiras só para nós dois?

−Não sei acho que a última vez nem foi nessa encarnação! Ela me faz rir e eu a puxo para meus braços e a carrego no colo para nosso colchão, e assim que a deito e ela me olha cheia de fogo no olhar me esqueço de tudo, como ela consegue fazer isso é um mistério para mim, mas minha pequena consegue.

−Se não tivéssemos três filhos e um apocalipse nunca sairíamos daqui! Digo antes de beijar minha mulher. Ela chuta as botas para longe – Pequena faz dois anos que usa essas botas! Resmungo e ela me puxa me calando com um beijo, começamos as nos despir ansiosos – Sinto falta dos vestidos! Digo a ela — Era tão mais fácil de tirar.

−Quer calar a boca! Ela me puxa e acabo rindo, mas suas mãos passeiam pelo meu corpo e esqueço do que estava rindo, esqueço de qualquer coisa que não seja minha pequena e seus lindos olhos verdes.

Katie está sempre inteira para mim, ali no nosso pequeno paraíso, não tem pecado, ou segredos, somos uma coisa só completamente entregues um ao outro, eu vasculho seu corpo, beijo cada parte dela, ouço ela gemer meu nome, me pedindo por mais, nos unimos em movimentos perfeitos, sabemos como fazer, não demorou para descobrir, nem sei se algum dia foi diferente, nos encaixamos fomos feitos para isso.

−Amo você! Ela me diz lânguida em meus braços muito tempo depois – Nem sei mais se essa palavra é o bastante!

−Já me perguntei isso! Conto a ela – Mas gosto dela, sempre me faz lembrar a primeira vez que disse e o que provocou em mim, eu não acreditava que merecesse algo assim, foi um longo caminho até aqui.

−Eu o amo por isso, amo aquele cara que não achava que merecia e amo esse que reconhece o próprio valor, amo meu marido!

−Amo minha mulher, que sempre soube o que queria e que nunca desistiu de mim!

−Eu nunca poderia! Ela me diz e beijo minha pequena.

−Está tão linda, desde que ficou gravida, mudou tanto e ao mesmo tempo é a mesma, sente falta?

−Dele aqui dentro? Ela toca a barriga, eu confirmo – Um pouco, nem sempre, é bom poder beijá-lo, mas sinto fala de vocês três me fazendo carinha na barriga, da festa que era quando ele se movia e de suas longas conversas com ele.

−Queria fazer isso desde o primeiro dia, mas demorei para ter coragem, se fosse outro tempo adoraria ter mais, muitos, eles enchem nossa vida não é?

−Senhor Dixon o senhor definitivamente nasceu para ser pai, nem mesmo eu que o conheço tanto poderia imaginar algo assim!

−Acho que tenho que concordar, gosto de ser deles, de ouvir papai, papai o dia todo, me faz feliz, e a responsável é você, tudo que eu tenho vem de você! Ela fica com os olhos marejados, e eu a beijo, gosto da minha mulher forte, minha pequena atiradora de facas, mas adoro minha pequena e delicada esposa, frágil, e chorona como nosso ratinho gosta de dizer, ela é completa.

−Precisa parar de ser perfeito! Ela me diz, estávamos a tempo demais ali, logo meu filho estaria berrando de fome e precisamos descer, olho para ela e ela faz que sim – Eu sei, vamos voltar para casa, nada de tomar a torre!

−Nunca colocamos nosso plano em prática! Eu brinco quando me sento com ela e começamos a nos vestir.

−Uma pena! Ela sorri – Joga minhas botas! Eu faço cara feia e ela me mostra a língua, ganha uma mordida no pescoço e acho que gosta – Uma vida toda de implicância com as coitadas! Ela diz se calçando – Amor tem que falar com o Jimmy! Ela muda de assunto e olho sem entender do que está falando.

−O que tenho que falar com ele? Eu pergunto.

−Coisa de homem! Ela diz passando os dedos pelos cabelos – Ele e a Mary você sabe, nada de sexo, Jimmy precisa claramente de ajuda.

−Pequena...

−Amor, ele adora você, é o único que pode fazer isso, e assim já vai treinando, tem mais dois garotos na fila para essa conversa.

−Mas acho que o Jimmy já sabe sobre como funciona, não é, não estamos falando de um garoto virgem estamos? Fico realmente preocupado.

−Vai ter que descobrir isso, ou eu posso fazer, sabe que posso e ele vai ficar morrendo de vergonha!

−É sua cara, mulher intrometida! Eu roubo um beijo quando ficamos de pé – Mas acho que o Jimmy não se importaria de ter essa conversa com você, só falta te chamar de mamãe! Ela me belisca, é uma dorzinha bem irritante quando faz isso e sempre ganha uma mordida, acho até que pede por isso.

−Vai falar ou não? Ela me pergunta.

−Por que a vida sexual dos membros da prisão é um assunto que interessa tanto você e Maggie?

−Amor queremos as pessoas felizes! Ela faz aquele ar inocente que me deixa maluco e se não arrasta-la dali meu filho vai acabar berrando de fome por horas.

Pego sua mão e começamos a descer.

−Vou tentar, prometo! Ela sorri.

−O que acha do Tyresse e da Michonne? De novo aquele olhar.

−Pelo amor de Deus pequena, alguém tem que frear você e sua sócia!

−Para de ser mal comigo! Ela me abraça quando estávamos lá fora – Olha que dou mama para o Matt e te arrasto de volta!

−Pequena precisa aprender a ameaçar alguém! Eu a beijo e seguimos de mãos dadas.

−Pode ser agora? Ela me pede e reviro os olhos, quando vou parar de fazer tudo que ela quer?

−Pode! Respondo de má vontade, afinal sou Daryl Dixon, não me intrometo na vida alheia, ou era até essa pequena teimosa e cheia de coragem entrar na minha vida.

Assim que chegamos na cela vejo a brincadeira rolando, Jimmy fazia Matt rir e Nick e Amy assistiam alucinados a risada gostosa do bebê, Mary olhava apaixonada e acho que minha pequena tinha razão eles ficavam bem juntos e se eu podia ajudar porque não tentar, ele fazia tanto por nós.

−Hora de mamar! Ela diz e todos se viram – Vamos crianças, Nick, Matt e Amy, vamos e Mary vem me ajudar, estou precisando, temos umas coisas para separar para a Amy lá na minha cela e você leva a Lily e a gaiola.

Sutil como um rinoceronte, minha pequena não deixa dúvidas que quero ficar sozinho com o Jimmy tanto que o garoto me olha assustado, eu me sento no beliche, que coisa mais desagradável, como se tem uma conversa dessas?

−Está tudo bem? Ele me pergunta quando ficamos sozinhos.

−Sim! Respondo – E você como está se virando com a Amy?

−Ela chorou muito à noite, felizmente Mary está aqui e me ajudou, mas hoje parece bem melhor e o Nick está sempre por perto, vai me ajudando, só que me sinto meio culpado, devia ter escondido elas até vocês chegarem, mas a verdade é que eu não tinha a menor ideia se podíamos vencer ou não! Ele admite e baixa a cabeça.

−Eu sei Jimmy, mas a garota estava com a corda no pescoço, deu a ela uma chance, isso foi o que fez, então pare de se culpar, e está cuidando da menina, isso é bom.

−Vou tentar, mas o Nick não gosta muito eu acho, eu não quero que ele fique com ciúme!

−O Nick sempre está com ciúme, você sabe como ele é, então apenas siga em frente, ele se acostuma, sente-se bem?

−Mil vezes melhor, já poderia sair daqui se a Mary me deixa-se.

−Garotas! Eu brinco, sei como é todo esse cuidado – Vocês dois... – Porque minha pequena me obriga a fazer essas coisas? Eu me pergunto mortificado.

−Não! Ele me responde – Acha que eu devia você sabe, tentar?

−Ou pode tentar um convite por escrito! Brinco com ele que acaba rindo – Jimmy você já...

−Mais ou menos! Que espécie de resposta é essa?

−Jimmy não existe mais ou menos para isso, ou já ou não!

−Então não! Ele fica tímido e fico completamente perplexo, quer dizer ele ainda é só um rapaz e o mundo acabou bem cedo para ele, mas não esperava por isso.

−Quer me fazer perguntas? Rezo para ele dizer que não.

−Algumas! Ele me diz – Não é que não saiba de coisa alguma, dei uns amassos algumas vezes em Olivia, uma garota do meu bairro, mas foi só.

−Certo amassos na Olivia! Eu digo sem saber muito como ajudar – Acho que sabe como é na teoria não é?

−Vi alguns filmes! Ele me diz.

−Esqueça os filmes! Digo rápido – Aquilo é bobagem e uma grande mentira, na vida real as coisas são diferentes, mas se ficar ai parado nunca vai descobrir.

−Acho que ela já sabe como são as coisas! Ele me diz mais preocupado.

−Não ache isso ruim, é bom, ela pode te ajudar na hora.

−Não vou dizer para ela que eu nunca....

−Não diga! Acho uma boa ideia não dizer na verdade – Mas precisa dar o primeiro passo, quem sabe podem ir lá na torre olhar a vista, ela nunca esteve lá, e bom vai deixando acontecer, comece com os tais amassos e deixa rolar, quando se der conta já aconteceu.

−E se ela se ofender?

−Jimmy deixa eu te dizer uma coisa o mundo meio que acabou e além disso são namorados, se ela se ofender com isso não sei o que estão fazendo juntos!

−Você está certo, eu vou leva-la para torre, amanhã à noite! Ele se mostra decidido e faço que sim.

−Leve preservativos! Eu o lembro e ele não esconde o nervosismo – Jimmy pelo amor de Deus chega de bebês nessa prisão!

−Não vou pegar isso com o Hershel, ele vai perceber.

−Na idade dele acho que vai mesmo! Acabo rindo do pobre Jimmy – Mas eu te dou alguns depois, não se preocupe!

−Ótimo, obrigado, estava ensaiando para ter essa conversa com você!

−Quando precisar! Me levanto e deixo Jimmy com seus pensamentos, minha pequena sabia mesmo de tudo, não é que o coitado precisava de uns concelhos, Jimmy era uma lesma e uma lesma virgem, eu mereço!

−Mamãe eu e a Amy vamos um pouco no pátio, cuido dela eu sei cuidar de crianças! Ouço meu ratinho dizer assim que entro na cela.

−Sabe ratinho? Brinco bagunçando seus cabelos que ele arruma muito rápido.

−Ratinho? Amy pergunta a ele que revira os olhos.

−É assim que meu pai me chama! Responde de má vontade.

−Vou te chamar assim também! Nick me critica com o olhar, dou de ombros.

−Vamos! Ele a puxa e os dois nos deixam, Matt dormia tranquilo na cama e Mary já tinha ido embora.

−Onde foi a Mary?

−Foi no Hershel pegar os remédios do Jimmy! Ela se deita com nosso bebê – Falou com ele?

−Sim, nós conversamos e você tinha razão ele precisava de uns concelhos, e o Jimmy nunca transou! Aviso e ela sorri.

−A Mary já! Ela me diz – E está achando que o Jimmy não gosta dela porque nunca tentou.

−Ele vai tentar amanhã, lá na torre, mas não espalhe, se não vai ser uma pressão no garoto, vamos ver se os dois se entendem.

−Pode deixar, mas vou lá na torre deixar tudo bem romântico! Ela me puxa – Lembra que a Maggie fez isso por nós?

−Lembro e te deu preservativos e comprimidos e aulas teóricas!

−Foi mesmo, mas as aulas só serviram para me deixar apavorada e no fim foi tudo perfeito.

−Que bom! Eu beijo minha pequena – Eu queria que fosse especial!

−Sempre é, como hoje por exemplo!

−Te amo! Eu a lembro, não que a deixasse esquecer, mas é sempre bom lembrar.

−Eu também! Nosso Bebê se mexe, e ficamos olhando para ele.

−Cadê nossa ratinha?

−Na oficina, e Carl está com ela, mas ele não leva jeito para mecânico coitado então fica só olhando de mal humor! Rimos os dois, Carl e Megan eram muito unidos, mas de vez em quando brigavam como duas crianças e isso era bom, porque me dava uma ideia de que minha ratinha ainda era uma menininha e gosto que seja só isso.

−Conversei com o Rick hoje cedo, vamos sair em dois ou três dias, depois a neve deve chegar e então nada de sair muito.

−Da última vez que nevou eu estava gravida! Ela se lembra.

−E comendo neve! Ela me beija – Nunca vou entender isso.

−Problema seria se eu tivesse tido vontade de comer pizza, chocolate!

−Nem me diga! Me arrumo do seu lado – Mas teria conseguido isso se quisesse!

−Eu sei e por isso nunca diria! Ela se aconchega em mim – Estão pensando em ir muito longe?

−Está pensando em ir junto? Eu adoro que ela vá comigo, mas também morro de medo que vá.

−Não, ainda não, mas logo, deixa nosso mini ratinho ficar um pouquinho maior!

−Ótimo! Eu beija minha mulher, prefiro ela em casa, assim sei que nada no mundo pode atingir meus filhos, ninguém é mais capaz de protege-los que ela, minha pequena atiradora de facas ainda é uma máquina de matar zumbis.

Notas finais
Faltam quatro dias!!!!
Desesperada define!!!!
bjs