Fim Dos Tempos
69 Capítulo 69 - Preso no telhado
Notas iniciais
Aqui vai mais um capitulo, espero que gostem.
Pov – Daryl
Estava entrando com Nick quando ouço o chamado desesperado de Megan, Carl gritava por Hershel e imediatamente sabia que não se tratava de zumbis era minha pequena, corro e assim que entro eu a vejo caída, Megan estava do seu lado segurando sua mão e Hershel se aproximava.
−Pequena! Eu chamo me abaixando a seu lado quando ela começava a abrir os olhos um tanto confusa – O que aconteceu?
−Mamãe desmaiou papai! Megan me avisa, Hershel se ajoelha a seu lado assim como eu, mede seu pulso.
−Estou bem gente, calma amor! Ela avisa querendo se sentar.
−Espere um pouco Katie! Hershel pede – Dói alguma coisa? Ela fica imóvel um tempo sentindo o corpo.
−Não, estou mesmo bem!
−Ótimo! Hershel comenta sempre muito tranquilo, irritantemente tranquilo – Daryl leve ela para cama, eu subo num minuto para dar uma olhada em como ela está.
Obedeço imediatamente, pego minha pequena no colo e a carrego para nossa cela, ela se deita, Nick e Megan se juntam a ela assustados, ela os abraça e sorri, não acredito em seu sorriso.
−Eu estou bem ratinhos, não sinto nada, juro! Ela garante a eles.
−E meu irmão, está bem também? Nick pergunta com a mão na barriga de Katie – Está bem bebê? Ele pergunta com a boca na barriga de Katie ela acaricia seus cabelos emocionada.
−Ele está ótimo! Responde e então ele se afasta.
−Que susto! Nick a abraça.
Hershel entra na cela trazendo água e se senta com ela, katie aperta sua mão agradecida.
−Beba a água, relaxe um pouco, sentiu alguma coisa?
−Não só escureceu tudo e apaguei, mas foi um segundo, ouvi Megan gritar, eu já estava me recuperando.
−Certo, deve ter sido só uma pequena queda de pressão, fique na cama um pouco, descanse, não custa nada garantir, se sentir alguma coisa me chama.
Hershel nos deixa e ficamos os quatro juntos, não acredito em uma palavra do que disse, preciso saber o que aconteceu.
−Que tal deixarem a mamãe descansar um pouco, o que acham de brincar lá fora? Eles concordam, beijam Katie acariciam a barriga e deixam a cela.
Ela me olha, estava triste percebo, então me sento a seu lado e a envolvo num abraço protetor.
−O que aconteceu? Eu pergunto.
−Nada, apenas uma tontura, sei lá, estou bem! Ela responde sem me encarar, uma péssima mentirosa.
−Entendo! Respondo e ela se aperta a mim.
−Acha que as pessoas me encaram como um peso morto, alguém que atrapalha?
Maggie e Beth entram nesse exato momento na cela, eu sabia que Nick já tinha corrido para avisá-las, assim como sabia exatamente de onde vinha essa ideia absurda.
−Foi a Carol não é, ela te hostilizou de novo? Eu estava furioso, principalmente por que seus olhos não mentem – Ela disse que é um peso morto? Katie fica muda os olhos cheios de lágrimas.
−Vou matar aquela vaca! Maggie diz nos dando as costas e deixando a cela.
−Beth faça alguma coisa! Katie pede assustada.
−Vou fazer! Ela diz irritada como nunca a vi – Vou ajudar a Maggie! Beth também se retira e minha pequena aperta minha mão em pânico.
−Por favor amor, não deixa, eu... eu não quero criar problemas, somos uma família, Daryl! Ela estava assustada, eu realmente adoraria que Beth e Maggie arrebentassem a cara de pau de Carol principalmente por que eu não podia fazer isso, mas Katie estava desesperada.
−Eu vou até lá, elas só vão dizer umas verdades a Carol nada além disso! Digo completamente tranquilo – Mas vou se quer que vá, só para impedir que apertem o gatilho de resto quero que Carol se dane! Eu me levanto e deixo minha pequena sozinha.
Encontro Maggie e Beth caminhando apressadas já chegando em Carol que estava na cozinha externa remexendo panelas.
−O que disse a ela? Maggie diz a dez metros de Carol, ela se volta sem acreditar no que estava acontecendo, meus ratinhos se aproximam.
−Vão ficar com a mamãe! Eu peço e eles me obedecem imediatamente, Carl segue com eles Rick se aproxima de mim, com certeza querendo evitar que eu fizesse alguma tolice, mas estava tranquilo sobre isso, Beth e Maggie fariam por mim.
−Eu disse a ela o que nenhum de vocês teve coragem de dizer! Ela rebate Maggie – Dei a ela uma alternativa, uma escolha.
Do que aquela infeliz estava falando, penso me descontrolando imediatamente.
−Mandou ela fazer um aborto! Maggie avança sobre Carol furiosa – Sua maldita, como pode fazer isso? Rick não reage de imediato, Maggie dá um tapa em Carol que fica zonza e se afasta.
−Duvido que ela ou Daryl queiram mesmo essa criança, ou qualquer um de vocês, viram o que aconteceu! Maggie avança mais uma vez sobre ela que reage, empurrando Maggie, eu queria muito acabar com ela, atira-la para fora, deixar que os zumbis dessem conta já que ela não parecia mais nem de longe com a mulher que conhecemos.
−Você é uma idiota! Beth avança sobre ela, irreconhecível – Não se diz isso a uma mulher gravida, o que queria deixar ela nervosa? Ela chacoalha Carol – Katie está tentando viver bem com você desde o começo, mas você só quer destruir tudo, ninguém suporta mais isso!
−Daryl diga a eles que não quer esse filho, eu sei que não quer, que ele é só um peso um problema!
Meu filho, ela estava falando do meu filho, um pedaço de mim e Katie, a coisa que mais amava na vida, ela queria que meu filho morresse, eu caminho até ela, pego seu pescoço com tanto ódio que poderia acabar com ela naquele momento e nunca me arrepender disso.
−Nunca mais se atreva a falar sobre o meu filho! Rick segurava me braço, Carol estava vermelha.
−Daryl, se acalme! Ele me pede – Deixe que eu vou resolver isso.
Eu a solto porque sei que minha pequena não quer uma briga, penso nela ouvindo as palavras duras de Carol, eu não estava lá para protegê-la, mas nunca mais aquela mulher chegaria perto dela.
−Como acha que vai resolver isso Rick! Maggie grita empurrando Carol pelas costas dele – Essa bruxa covarde aproveita todos os momentos que Katie fica sozinha para infernizá-la!
−Acho que Carol precisa de umas férias num outro bloco, e precisa de mais do que isso, de um descanso de seus afazeres! Rick olha para ela – Pegue suas coisas Carol, se mude para outro bloco e deixe que Beth e as outras coordenam a cozinha, não se aproxime de Katie a menos que queira se desculpar.
Ela olha para todos perplexa, sem acreditar no que estava ouvindo, me olha cheia de rancor e nos dá as costas.
−Desculpe Daryl, não tem mais nada que possa fazer! Rick diz desanimado – Sinto muito por isso, vá cuidar da Katie e vamos todos dar um gelo em Carol, quem sabe ela se toca, vamos ver como as coisas caminham, realmente não sei mais o que fazer.
−Não tem culpa sobre isso! Eu digo a ele – Somos uma democracia agora se lembra? Aperto sua mão e sorrio para Maggie e Beth, um sorriso de gratidão.
−Vamos todos ficar de olho, se a bruxa se aproximar da Katie... bem eu vou partir para agressão! Maggie avisa.
−E o que foi isso agora? Rick pergunta.
−Um pequeno recado, um alerta, ela não é páreo para mim, se tiver de arrebentar ela eu faço! Maggie nos deixa.
−Vou ficar com Katie! Aviso me afastando e deixando Beth abraçada a Rick, era bom vê-los assim.
Katie estava sentada, os olhos assustados, Nick abraçado a ela e Megan e Carl sentados no beliche.
−Pronto, não houve mortes, só uma pequena discussão, Carol vai ficar uns dias no outro bloco e você trate de esquecer as palavras dela.
−Não queria causar um problema, eu sei que tem sido difícil para todos, que eu estou deixando de fazer meu trabalho, mais do que isso que estou causando transtornos e preocupações...
−Pare com isso, você é muito importante para o grupo, nos trouxe até aqui, suas ideias, seus talentos, e seu carinho, construiu uma história com essas pessoas! Sou enfático, quero que ela me escute – Enquanto criou laços Carol afastou todos, seguem por vias opostas, qualquer coisa que o grupo faça por você é por que é querida por todos.
−Desculpe! Ela me pede e eu a abraço.
−Pode ser frágil sobre tudo pequena, não me importo, amo cuidar de você e do nosso mini ratinho, mas não quero que se sinta assim diante dela, quero que faça como fez quando ela mandou matar o porco, protegeu seu filho e agora precisa proteger nosso bebê do mesmo jeito, reaja a ela!
−Você está certo, eu nunca mais vou permitir que as palavras amargas dela me atinjam.
Ela se aconchega em meus braços nossos ratinhos em volta ouvindo a conversa, eles ainda ficam mais um tempo conosco, depois saem e ficamos apenas nós dois.
−Maggie e Beth são loucas por você! Eu lembro – Nunca vi Beth assim, acharia engraçado se não estivesse tão furioso.
Ela sorri e ficamos apenas quietos, Katie acaba pegando no sono, eu não a deixo sair da cama o resto do dia e à noite descemos apenas para o jantar, Carol não aparece, fico grato por mim nunca mais colocaria os olhos nela.
Ajudo minha pequena a subir, Nick leva o coelho no colo e o coloca na cama brincando com ele e Megan que se despede de Carl logo depois do jantar para ficar com Katie, acabamos dormindo cedo.
Passo mais dois dias adiando nossa saída, com medo de deixar minha pequena, mas ela estava bem, completamente normal, não teve mais qualquer indisposição nada além dos enjoos matinais é claro.
Sem mais alternativas me reúno ao grupo para decidirmos onde ir, dessa vez, Maggie e Glenn ficariam, eu iria com Michonne e Tyresse, além de nós levaria Jimmy, o garoto estava sempre querendo ir, e eu realmente gostava dele e queria prepara-lo.
Sasha não abre mão de acompanhar o irmão, preparamos um plano, escolhemos uma cidade no mapa e depois sigo para a parte mais difícil, avisa Katie.
−Pequena! Eu chamo e ela já sabia.
−Hoje? Me pergunta abatida.
−Agora! Completo – Depois vou ficar muito tempo em casa prometo.
−Michonne...
−Minha babá vai comigo, eu prometo! Brinco com ela.
−Certo! Ela me abraça, eu sei que fazia um grande esforço para se controlar, manter a calma quando eu saia era algo muito difícil para ela, Katie era uma lutadora, o tipo de pessoa que não se esconde, que não foge da luta e me ver saindo sem poder me acompanhar era seu grande tormento.
Ela não me solta mais até o momento da partida, faz mil recomendações a Michonne e mais mil a Jimmy, depois eu me separo dela para me despedir dos meus dois ratinhos e Maggie se aproxima prometendo cuidar de Katie.
−Não vai arriscar nada não é? Ela me pede mais uma vez – Faça o que tem de fazer e volta, não sei continuar sem você, não posso!
−Eu quero que fique bem, que cuide do nosso mini ratinho e dos irmãos dele e não se estresse por nada.
Ela não responde, apenas me abraça mais uma vez chorando, nunca era fácil me despedir dela, e até nosso mini ratinho chegar nas nossas vidas nunca precisamos fazer algo assim, mas era preciso, e eu a beijo longamente querendo acalmá-la, mas acho que só consigo assustá-la ainda mais, depois me afasto, sinto vontade de beijar sua barriga e falar com meu filho, mas não faço isso, esse tipo de coisa é difícil para mim, então eu lhe dou mais um beijo e sigo para o carro, ela fica de mãos dadas com Nick e Megan, uma linda cena que guardo na memória, não importa se vou voltar ou não, aquela cena precisa ficar registrada de qualquer maneira, mesmo que eu tenha sorte e envelheça, mesmo que Deus tenha esquecido que me odeia e me deixe vê-los crescer ainda assim, quero guardar esse dia na memória, são perfeitos juntos e são tudo que tenho.
O carro ganha velocidade quando pegamos a estrada, Jimmy estava entre assustado e ansioso, ele já tinha saído algumas vezes, e em Woodbury era um rapaz ativo no grupo, mas ainda era só um menino que agora além de tudo parecia apaixonado, e sei exatamente como é ter medo de não voltar, quando se está sozinho tudo bem, você aceita que pode morrer, às vezes parece até melhor, mas quando se tem para onde voltar tudo ganha uma proporção gigantesca, eu não tinha medo do apocalipse até minha pequena entrar na minha vida, agora sinto um medo que nunca me abandona, mas que ao mesmo tempo me faz mais forte, focado, o único jeito de enfrentar essa vida é ter um objetivo, alguém por quem lutar, e eu tenho e Jimmy agora parecia ter também.
A cidade logo de cara não me parece boa ideia, estava cheia de zumbis perambulando pelas ruas, olho para Michonne e percebo que sua opinião não era diferente da minha, ela estava dirigindo e percorria as ruas buscando um lugar interessante e ruas mais desertas, nada parecia realmente bom.
−Vamos voltar! Eu aviso – Esse lugar não é bom! Ela concorda e começamos a voltar, pegamos ruas laterais e já estávamos saindo da cidade quando numa rua bem tranquila quase na estrada vemos uma loja grande, Michonne diminui, e para na porta, nos olhamos todos.
−Já que estamos aqui devíamos descer e ver se é seguro entrar! Tyresse pede – Gastar todo esse combustível e nem tentar.
Era uma loja de dois andares descemos na frente, a nossa volta prédios baixos e lojas pequenas, bato no vidro olhando para dentro, tudo calmo, arrombamos a porta e entramos, Jimmy estava sempre do meu lado, Michonne mais a frente, dois zumbis com roupas de segurança se aproximam, todos os seguranças de lojas e shoppings tinham se tornado zumbi, não entendo como ficaram trabalhando se o mundo estava acabando, sempre tinha zumbi de roupa de segurança.
Acerto um e Jimmy o outro com um machado, recolhemos o que encontramos, alguma comida, alguma bebida, muito pouco, não fosse a plantação de Hershel e os porcos que criávamos as coisas seriam difíceis, havia muitas garrafas de água, pego algumas junto com latas e biscoitos, depois por meio de sinais decidimos sair, assim que chegamos do lado de fora zumbis começam a surgir de todos os lados, próximos, nos separando enquanto lutávamos para chegar ao carro, eu cada vez mais caminhava para trás, já estava começando a ficar imprensado e vejo uma escada de incêndio, começo a subir, Jimmy e Sasha conseguem chegar ao carro, Michonne também, Tyresse dobra uma esquina, os zumbis cercavam o carro, logo seria impossível saírem de lá.
−Vão! Eu grito – Vão, vou ficar aqui em cima.
−Daryl! Michonne grita do carro por uma fresta, zumbis tentando abrir os vidros – Espere! Ela diz e dá partida, vira a rua e torço para conseguirem pegar Tyresse, subo as escadas até o telhado, uma droga, dessa vez ninguém tinha feito nenhuma tolice, as coisas estavam difíceis mesmo, o telhado estava limpo a não ser por uma porta de ferro encostada, corro até lá e passo a corrente prendendo bem, não quero ter surpresas, é impossível não me lembrar de Merle, do telhado onde o deixaram.
Ando pelo telhado, olhando a minha volta, todas as ruas cheias de zumbis, vejo o carro parar na esquina, à um quarteirão, Michonne descer provavelmente para ajudar Tyresse, zumbis surgirem a sua volta.
−Merda! Merda! Eu reclamo torcendo para tudo ficar bem com eles.
Tyresse surge lutando, os zumbis os cercando, eu preso naquela porcaria de telhado cercado por mortos, Michonne vai de encontro a uma porta se encosta, acho que tentando abrir e entrar, não dava para ter certeza, depois um grande estrondo, algo caindo sobre ela e Jimmy correndo, agora eles tinham desistido do silencio e Sasha atirava, Jimmy pega Michonne e a coloca no carro, Tyresse entra também e eles ganham velocidade.
−Preciso dar um jeito de ir embora! Olho em volta, não encontro nada que pudesse me ajudar, não estava tão longe da estrada, não sei se Michonne estava muito ferida se eles voltariam ou se decidiriam por leva-la e voltar depois.
Katie só consigo pensar em minha pequena, se o carro chegasse sem mim ela não suportaria. Eu estava cercado por zumbis, pela frente e pelos fundos, se atirasse chamaria mais, olho e percebo que mesmo que conseguisse descer e correr, até encontrar um meio de transporte seria tarde, eles me alcançariam, o melhor era esperar mais um pouco, a porta começa a ser forçada, se fossem muitos acabariam conseguindo derrubá-la, eu olho em volta, vejo tambores num canto e decido arrasta-los até a porta fazer uma barricada de proteção, já estava quase acabando quando um monte de barras de ferro que nunca vou entender por que estavam ali caem numa cascata de sons e ecos irritantes.
−Nada é tão ruim que não possa piorar! Eu resmungo quando sinto o sangue escorrer por minha perna, era só um corte, mas eu não precisava daquilo, justamente agora, não sei quanto vou ter que ficar ali até ser resgatado.
Me limpo e faço um curativo com uma tira de tecido da minha camisa, se eles demorassem muito eu acabaria congelando naquele inferno.
Sem escolha me sento e espero, muitas coisas passam por minha cabeça quando começo a tremer de frio, eles deviam ter seguido para a prisão e me preocupo com Michonne, e então imagino o desespero de Katie, seu medo e sabia que ninguém voltaria para me buscar à noite, era arriscado e eles esperariam para ter certeza de que não consegui voltar sozinho, depois quando amanhece-se e só então viriam até mim, e até lá eu precisaria aguentar o frio.
E meu mini ratinho, queria tanto ter falado com ele, e se não desse certo se acabasse morto naquele maldito telhado, meu filho nunca me veria, e nem conhecia nada de mim, nunca ouviu minha voz não deve sequer saber que existo, quando nascer vai reconhecer todos, mas eu, ele vai ouvir minha voz e dizer – Quem é você? – não sabe que sou o papai por que não falo com ele, sou um babaca que tem medo de parecer um babaca.
−Você não desiste, eu não desisto! Eu digo em voz alta – Vou voltar pequena, ou vou morrer tentando – Decido − Por que alguém sempre acaba preso numa porcaria de telhado?
Notas finais
Aguardando as opiniões.
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