Fim Dos Tempos

44 Capítulo 44 - Sentença


Notas iniciais
Esse é especial para a Andressa, que fez uma linda recomendação, com um pedido.
Andressa para de ser tão fofa!!kkkk
É sério Obrigada!!
Aqui vai mais um capitulo, espero que gostem.

Pov – Daryl

A tarde estava caindo lenta tingindo o céu de inverno num laranja forte, o vento começa a soprar mais intenso me lembrando das noites frias que passamos na estrada, o frio era um inimigo tão impiedoso quanto zumbis ou sobreviventes.

Logo seria mais difícil fazer a guarda nos portões durante a noite, era bom que as coisas com aqueles dois tivessem sido resolvidas, passo por Jimmy que acena sentado com Michonne, aceno de volta, chego a sentir um pouco de pena do rapaz, ele fazia de tudo para estar conosco, para achar um lugar, num mundo onde vivos não tinham mais lugar.

Minha pequena caminha para mim em passos firmes, os olhos meio tensos, olho em volta e vejo Megan sentada com Carl conversando apenas, ela para diante de mim.

–O que foi? Eu pergunto preocupado.

–Não acho o Nick! Ela diz assustada – Ele estava com Beth na aula, depois saiu e disse a ela que precisava te contar alguma coisa, ele não está com você?

–Ele foi me procurar, no bloco D? Fico tenso, não o vi por lá e tenho medo de ele ter ouvido minha conversa, o modo como me referi a ele a minha família.

–Não sei, acabo de saber que ele não estava com a Beth.

–Já olhou na nossa cela?

–No bloco todo, estava indo te procurar! Ela enche os olhos de lagrimas.

–Calma pequena, ele nunca sairia daqui, sabe disso.

Glenn e Maggie percebem a tensão e se aproximam, Megan nos olha e corre até mim, me abraça assustada.

–Nick sumiu papai? Ela pergunta e agora seus olhos estavam marejados como os de Katie.

–Vamos nos dividir está bem? Glenn avisa – Sem pânico o pestinha deve estar se escondendo de proposito só para nos deixar malucos!

Saio com Katie e vejo Glenn e Maggie indo para dentro do nosso bloco, nem sinal dele no pátio, chamo Jimmy.

–Viu o Nick? Pergunto quando ele se aproxima, ele fica pensativo depois me olha negando com a cabeça – Pode olhar no bloco D, cela por cela?

–Claro, a kellen ficou de guarda no meu lugar uns minutos por que tive de ir ao banheiro, talvez ela tenha visto ele passar.

Jimmy segue para o bloco de celas e eu e Katie caminhamos para dentro a procura de Kellen, passo por Megan e lá estavam as malditas mãos dadas, ela e Carl saiam de dentro do bloco, ela quer soltar a mão dele quando me vê, mas ele se mantem firme.

–Ele não está lá dentro! Carl me avisa e eu já estava preocupado demais para pensar em mãos dadas.

–Certo! Respondo – Fiquem aqui fora de olho, qualquer coisa avisem.

–Kellen! Katie a chama quando ela passava com algumas crianças em direção ao refeitório – Viu o Nick? Sinto pena da voz angustiada de minha pequena.

–Eu o vi a algum tempo, uma hora mais ou menos, estava indo para torre, achei que estava procurando por vocês.

Nos olhamos incrédulos, eles nunca iam para torre, ele nunca se afastava da frente do bloco e principalmente sozinho, pego a mão de Katie e corremos para lá, agora o lugar era tudo menos seguro para uma criança, não tinha proteção nenhuma além disso o vento gelado de lá de cima impedia qualquer um de ficar mais que alguns minutos por lá àquela hora.

–O que ele foi fazer lá? Katie me pergunta e então abrimos a porta e começamos a subir, a noite já tinha caído e a torre ficava escura, assustador demais para um menininho.

Entramos apressados, escuto o choro antes mesmo de meus olhos se acostumarem com a precária iluminação vinda unicamente do céu estrelado.

–Nick! Eu o chamo quando caminhamos até o colchão no chão, conhecíamos aquele lugar como a palma de nossas mãos, ele solução – Ei ratinho o que foi? Tento pega-lo ele se encolhe me recusando, aquilo me causa uma dor quase física, de novo o peso de uma rejeição, eu nunca soube lidar com isso, me afasto mudo, Katie se aproxima dele, toca seus cabelos carinhosa e dessa vez ele não foge, quem poderia fugir dela?

–O que aconteceu filho, porque está aqui sozinho? Ele tremia numa mistura de frio e medo, o rosto escondido por suas pequenas e frágeis mãos.

–Ele vai embora, não gosta da gente! Nick soluça e me dou conta de que ele tinha me ouvido, sinto meu coração se partir, não queria causar aquela dor a ele – Mentiu, não quer ser meu pai! Me sento no chão passo as mãos pelos cabelos sem reação.

–Nick! A voz de minha pequena não escondia suas lágrimas – Você está enganado...

–Ele é igual ao outro! Não eu não era igual a ele, não quero ser, não posso ser – Mamãe ele não gosta da gente! Sua dor era tão clara, tão intensa, como se tivesse tirado tudo dele, não sei como agir, também quero me encolher, também quero só me esconder até aquela dor ir embora, mas não sou um garotinho e não posso me esconder, me lembro de Hershel me mandando lutar por eles, do sorriso de meu ratinho todas as manhãs, da primeira vez que ouvi aquela voz doce de criança me chamando de papai e me aproximo.

–Nick escute! Eu peço sem tocá-lo – Preciso contar um segredo, um segredo muito importante, não pode contar a ninguém! Ele continua chorando – Eu estava mentindo para eles, avisei a mamãe que mentiria.

–Foi filho, o papai falou que precisava enganar eles! Katie tenta me ajudar, ele ainda tremia mais não chorava mais.

–Eu preciso saber uma coisa e por isso menti, mas não para você, para eles, você é meu ratinho, eu não vou embora! Ele vem para meu colo se aninha em meu peito e respiro aliviado.

Abraço Nick até ele parar de chorar, estava frio e ele tremia, tiro a blusa e o enrolo, ele soluça, solta o ar pela boca e seca o rosto, fecha os olhos cansado.

–Promete guardar segredo, Lola e Bruce não podem saber que estou mentindo para eles, eles tem de pensar que vou com eles embora.

–Não posso contar nem para a Megan?

–Não! Respondo.

–Nem para o Carl?

–Não! Continuo.

–Nem para o Glenn?

–Para ninguém ratinho! Eu ria por que a lista de nomes seria imensa e ficaríamos ali muito tempo.

–Quer que ele conte que era amigo do homem que matou a Emma e machucou a mamãe e a Beth? Ele pergunta e olho para minha pequena os dois perplexos.

–O que disse? Pergunto fazendo ele se sentar, Nick volta a chorar imediatamente – Não vou brigar ratinho, mas precisa me contar que história é essa.

–Desobedeci você! Ele confessa como se aquilo fosse uma grande novidade – Estava brincando com as crianças de esconde-esconde e fui me esconder no bloco deles, ouvi eles falando coisas.

–Filho preciso que me diga exatamente o que ouviu! Peço num misto de preocupação e medo, se o tivessem visto ele não estaria mais aqui.

–O Bruce disse que tinha certeza que vocês é que tinham ido na cidade matar o... não me lembro, como era o nome... acho que era... Raul! Ele se lembra e se arruma agora muito interessado em revelar segredos – Ele disse, foram eles Lola, um homem com uma besta e a mulher negra com espada, só pode ser Daryl e a, ele não falou o nome da Michonne papai, falou um palavrão, mas sei que era ela.

–Ouviu mais alguma coisa? Katie pergunta.

–Que era a mulher do papai que ficou presa e a loirinha do refeitório, que era bom aqui e seguro, mas que os que sobraram nunca achariam que precisava ir avisar e voltar depois, a Lola falou que não ia ficar aqui sozinha, ele deu um tapa nela e fiquei com medo e corri, foi hoje mais cedo.

–Mesmo assim voltou lá! Katie mãe entra em ação e dessa vez acho que ele merecia uma bronca – Não devia ter feito isso, foi errado! Ele começa a chorar.

–Não quero ficar com os porquinhos, papai! Ele me abraça e olho para Katie tão magoado quanto ele, arrependido de achar que ele merecia uma bronca.

–Vocês são inacreditáveis! Ela diz e depois acaricia seu rosto – Não vai ficar com os porquinhos, mas nunca mais vai entrar lá, nem ficar longe, entendeu?

Ele afirma com a cabeça.

–Fui buscar o papai, não queria que ele ficasse lá com eles! E o pobrezinho tinha me ouvido dizer todos aqueles absurdos, não me admira que estivesse tão assustado.

–Vamos descer e nunca mais vai subir aqui sozinho, está me saindo um ratinho muito teimoso! As mães não tinham coração, penso quando descia com ele no colo, o pobrezinho estava arrasado e ela tinha uma lista interminável de nãos.

Quando passo com ele no colo as pessoas nos olham curiosas, faço um sinal para Rick que depois precisávamos conversar ele assente e lá vinha Megan e Carl, alguém tinha passado cola naquele par de mãos só podia ser isso.

–O que aconteceu Nick? Megan pergunta preocupada.

–Não posso contar é um segredo! Ele diz já mais animado – Não posso contar para você, nem para o Carl, nem para o Glenn. Posso contar para o Rick papai? Ele me olha e começo a me apavorar, precisava resolver isso logo ou amordaça-lo.

–Não Nick, nem para o Rick!

Ele estava muito gelado e Katie esquenta água para ele tomar banho depois de Megan então subimos os quatro para nossa cela, Nick não chorava mais, e Megan parecia um tanto magoada por não poder saber do segredo que Nick guardava.

–Acho que chega de descer por hoje não é Nick! Minha pequena avisa e eu sabia que ela queria evitar que ele se encontrasse com Lola e Bruce, ele faz bico, mas concordo que o melhor era mantê-lo quieto, eu conversaria com Rick e depois decidiríamos como agir.

Então vejo Carl chegando, meu tormento pessoal nunca acabava, mas eu tinha deixado ele vir buscar minha linda e arrumada ratinha para descer com ele para o jantar.

–Oi! Ele diz tímido – Vim buscar a Megan para o jantar podemos? Me pede muito educado.

–Vem cá ratinha! Eu chamo e ela caminha até mim, estava um pouco assustada e isso me deixa triste por que não quero que ela tenha medo de mim – Carl te disse quais são as regras? Pergunto sério.

–Decoramos todas! Ela avisa o que era bom por que eu mesmo não me lembrava de nenhuma – Obrigada papai! Ela sorri e pronto eu era um grande idiota.

–Pode ir, daqui a pouco vou descer para pegar o jantar da mamãe e do Nick, não fique até tarde e nem preciso dizer para ficar longe dos visitantes! Olho dessa vez para Carl ele afirma e ela segue até ele, os dois dão as mãos sorriem um para o outro, e somem no corredor, me viro e minha pequena sorria – Eu sei, uma família inteira de coelhinhos brancos! Resmungo caminhando até ela.

Nick caçava um livro no meio de suas coisas e eu abraço Katie, ela se encosta em mim.

–Vou me reunir com todos, ainda hoje! Eu conto – Fica aqui com eles? Peço, mesmo sabendo que ela era uma pessoa importante no grupo e sua opinião sempre era levada em conta.

–Ao menos aqui precisamos ficar seguros, não quero ficar o tempo todo com medo, não saímos mais, e eles sequer podem andar soltos, essa é nossa casa.

Ela me diz e eu sabia que tinha razão, mas agora as coisas tinham outra proporção, eles não podiam mais partir e deixá-los aqui indefinidamente era impossível.

–Sabemos que sobraram alguns, mas não sabemos quantos, quem sabe ele me diz, me dá a direção.

–Duvido, se ele sabe que fomos nós, por que levaria você com ele?

–Ele não pretende me levar com eles, só quer um passe livre para sair daqui, sabe que de outra maneira não vamos deixar que partam, mas dei a entender que ninguém me impediria.

–Mas então o plano deles é acabar com você no caminho e voltar com mais homens para tomar a prisão?

–Resta saber se eles tem homens o bastante para isso.

–Eu duvido! Katie me diz, depois eu a beijo e sigo para baixo, Bruce estava comendo e me sento com ele.

Megan estava numa mesa sozinha com Carl, era obvio que estavam todos colaborando para os pombinhos ficarem a sós, meu consolo é que um dia a Bravinha iria crescer e eu não seria o único pai arrancando cabelos.

–Onde está Lola? Pergunto displicente.

–Não voltou ainda! Ele diz de má vontade – Uma piranha velha! Bruce resmunga eu sabia que não era ciúme o qualquer coisa que se parecesse com isso, era apenas uma constatação.

–Se lembra de nossa conversa mais cedo, largar essa merda e nos mandar? Pergunto.

–Quer mesmo deixar a gostosa e se mandar? Ele me pergunta – Se tivesse uma boneca como aquela na minha cama toda noite e comida na mesa não sei não, acho que me acostumava! Ele estava desconfiado eu podia notar, principalmente por que meu sangue fervia toda vez que ele se referia a Katie daquela maneira, fico em dúvida, aquela era minha última chance, depois teria que contar a Rick e logo minhas mãos estariam manchadas de mais sangue de sobreviventes, eles nunca poderiam partir.

–Mas o pacote ficou pesado, principalmente com essa porcaria de apocalipse, muitos para alimentar, proteger, depois os Dixons não se apegam, agora que perdi Merle, não tem mais nada para mim aqui!

–O que o Merle fazia aqui, nem consigo imaginá-lo vivendo nesse lugar.

–Era uma encrenca atrás da outra sabe disso! Eu olho para minha ratinha, e vejo Carl afastar uma mecha de seus cabelos do rosto, penso no sorrisinho da minha pequena, pisco afastando a ideia, volto a me concentrar em Bruce.

–E o pequeno Dixon livrando a cara do irmão, ele sempre disse que você era bom demais para andar com ele, não sei acho que ele tinha razão sobre isso.

–Meu irmão sempre foi um falastrão Bruce! Eu me levanto – Sabe disso!

Ele ri e se levanta também.

–Vou achar aquela vagabunda antes que ela mate o pobre bêbado! Ele me diz – Espero que não tenha acabado com o resto da bebida! Ele sai do refeitório e respiro aliviado.

Chamo Tyresse que caminha para mim rápido e tenso, estava obvio que as coisas estavam saindo do controle.

–Onde está Lola? Pergunto.

–Na cama do Bob, sinto muito, mas parece que fizeram uma festinha o cara está apagado! Ele me conta.

–Tyresse eu preciso que fique de guarda essa noite lá no bloco, mas só você, Sasha e Jimmy, não quero que os dois saiam de lá e tome cuidado está bem, eles são perigosos.

–Eu estou de vigia hoje! Tyresse me conta.

–Vou arrumar alguém para substituir você, isso é sério, agora mande o Jimmy entrar para o bloco e ficar lá e depois nos encontre na cela do Glenn, vamos ter uma reunião.

Ele se afasta e sigo ao encontro do grupo, Rick se aproxima discreto, eu pego comida para Katie e Nick, Carol me olha estranhamente, ignoro.

–Vamos nos reunir depois está bem na cela do Glenn, é sério! Aviso Rick ele concorda, olho mais uma vez para Megan – Tem mais meia hora! No momento eu os queria por perto e seguros ela afirma com a cabeça e subo, Katie e Nick comem ele brincava e contava coisas do dia, mas eu estava tenso demais para prestar atenção.

Ela termina e Nick se deita cansado, eu o olho esfregar os olhos sonolento e então minha ratinha chega na companhia de Carl as mãos coladas, como parecia que seria de agora em diante.

–Boa noite! Ela diz a ele na porta de nossa cela e depois lhe dá um beijo no rosto, devia ter colocado uma regra sobre isso.

–Boa noite! Ele responde eles se soltam e Carl nos deixa sem dizer nada, ela me olha um pouco tímida caminha até mim e se senta no meu colo, me abraça e volta a ser só uma menininha.

–Está bravo papai? Me pergunta.

–Escute ratinha, não tem nada a ver com você está bem? Eu aviso, não quero que ela se sinta mal – Estamos com problemas por causa do Bruce e da Lola, eu deixei você e o Carl ficarem... como querem ficar! Completo sem forças para dizer as palavras – Então não se preocupe, mas por enquanto até resolvermos as coisas, precisa ficar por perto está bem?

–Certo, eu prometo! Ela me beija – Quando o Carl me pediu desculpas ele disse que você era o melhor pai que eu podia ter e ele está certo.

Eu sorrio, aquele dom que eles tinham de me fazer ficar com cara de idiota, era obvio que nunca conseguiria enganar ninguém eu era louco por eles e qualquer um podia ver isso.

–Obrigado, agora vá descansar!

Ela segue para cama Katie estava deitada com Nick que se misturava a seus cabelos já ressonando, Megan beija Katie em silencio depois se deita pega o ursinho e se encolhe e logo percebo que dormia, ouço movimentos na cela do fim do corredor, nosso grupo se reunindo.

–Vem pequena, eles estão dormindo, melhor participar da reunião! Ela se levanta e seguimos para a cela de Glenn, Carl estava no andar de baixo de olho no movimento, Kellen e Sasha no portão e Jimmy de olho na nossa dupla de problemas é o que Rick nos conta assim que entramos.

Explico minha conversa com Bruce e depois conto o que Nick ouvira, um silencio pesado se instala por que de alguma maneira todos nós sabíamos o que aquilo significava, mas ninguém queria dizer as palavras.

–Como vai ser? Glenn pergunta.

–Talvez haja uma outra maneira – Hershel contra põe, sempre querendo preserva nossos inimigos.

–Qual? Rick pergunta – Vamos cair de novo na velha discussão sobre ética, essa questão filosófica ficou no passado, nos filmes sobre apocalipse, o que temos aqui é um bando de pessoas famintas assustadas tentando sobreviver!

–Se mandarmos eles para longe? Tyresse pergunta.

–Quem sabe um voo para o Japão! Eu digo irritado, o velho Dixon dos momentos de crise – Será que tem zumbi lá?

–Eu sei.

–Desculpe Tyresse, mas isso só deixa claro a tolice que foi trazer essa gente! Maggie comenta – Acho que o que precisa ser decidido aqui é quem vai fazer e como! Ela admite.

Um novo silencio, durante muito tempo eu os quis mortos, fora da minha vida e da vida de Merle, como se Bruce fosse o culpado por todos os erros do meu irmão, mas isso era diferente de arrastá-los para um canto sombrio e executá-los.

–Eu faço! Michonne nos surpreende – Já vi muita gente como eles, sei do que são capazes e sinto o peso do olhar deles sobre mim, é só decidirem como querem que seja!

–Michonne! Hershel agora tentaria argumentar com ela.

Eu me sinto confuso, não quero que ela faça sozinha, me sinto um pouco responsável por eles, mas de algum modo não posso fazer algo assim, não sem carregar o peso disso e quem sabe levar isso para minha família, como poderia olhar para meus ratinhos depois disso, mas como não temer por eles, de novo a discussão filosófica, o certo e errado mais uma vez nos paralisando.

–Eu sei que é um peso grande para qualquer um de nós, mas me sinto pronta para isso, não tive muito com quem me preocupar depois que essa coisa toda começou, talvez Andrea, mas agora me sinto realmente bem aqui, quero que continue assim.

–Podemos prendê-los! Tyresse tenta mais uma vez – sei que fui eu que trouxe esse problema, mas mesmo assim matar...

Ele deixa a frase em suspenso, nos dando a real dimensão do que faríamos, olho para Katie ela estava calada e eu sabia que estava se debatendo internamente, decidindo o peso que tudo aquilo tinha sobre nós, formulando sua opinião.

–Nick estava brincando de esconde-esconde quando os ouviu, o que acham que teria acontecido se tivesse sido visto, quem acha que o deixariam correr para contar tudo para o papai? Ela pergunta com a voz transbordando angustia – Eu não sei se é certo matá-los, nem sei se teria forças para fazer isso assim, eu mesma, não sei se minha vida vale mais do que a deles, mas sei que a vida de Megan e Nick vale, e vou fazer o que for preciso para preservar isso! Ela me olha buscando apoio – Não fomos bater na porta de ninguém procurando confusão, eles fizeram isso, está claro o que vieram fazer aqui.

–Pilhar e matar! Glenn continua – Quero minha família viva, e se esse é o jeito eu mesmo posso fazer! Ele diz sério.

–Eu faço com Michonne! Rick diz determinado – também tenho Judith, Carl e Beth para me preocupar, amanhã depois do almoço, descemos com eles e fazemos lá em baixo, sair é perigoso por que podem fugir e lá em baixo não chamamos muito a atenção das pessoas, esperamos as pessoas seguirem para seus afazeres, a tarde é quando ficamos mais tranquilos.

Me sinto na obrigação de fazer parte disso, respiro fundo.

–Rick eu...

–Não Daryl, você não, isso vai ter um peso muito grande sobre você, todos aqui sabem disso, os conhece de uma maneira diferente, não precisa e não vou deixar que faça.

De certo modo ele tinha razão eu já tinha feito algo assim por ele uma vez, quando acabei com a dor de Dale, num tempo que isso nos atingia de uma maneira intensa, agradeço com um movimento de cabeça e a reunião se encerra com rostos cansados, eu sabia que no fim, esqueceríamos, que logo uma coisa nova surgiria e empurraríamos aquela culpa para um canto escondido da consciência e a esqueceríamos lá até a hora de nosso encontro final, mas no momento aquilo pesava em todos da mesma maneira. Ninguém nunca estava pronto para sentenciar alguém a morte.

Notas finais
Aguardo comentários!!!
Os comentários nos dão ânimo para continuar