Fim De Jogo.
2 O jogo continua.
Notas iniciais
* * *
Andy se curvou na mesa desabando seus ombros, seus olhos estavam presos no exercício de química, mais pela primeira vez não estava interessada em responder nenhuma daquelas questões, a única coisa que não saia da sua cabeça era a voz de Niss “Na verdade...” “Você conhece as regras”. Ela suspirou socando a mesa, com uma força tremenda, todos os olhares foram para sua direção, Andy não os encarou, simplesmente continuou olhando firme para mesa. Sentiu seu corpo arder de ódio.
O sinal explodiu como uma bomba em seus ouvidos, Andy se levantou jogando sua bolsa atrás das costas estava se arrastando até a porta, quando ouviu a voz de sua professora rouca, soou em seus ouvidos, Andy se virou.
Morgan Corrie tinha um pouco mais de 50 anos, era uma esguia e de aparência jovial, tinha lindos olhos azuis, e cabelos curtos e recém-pintados de um castanho escuro.
- Andy. Sentasse! – Disse ela com gentileza, indicando uma das carteiras vazias.
Andy hesitou mais mesmo assim sentou. Realmente ela não estava com cabeça para ouvir sermões de como suas notas estavam ruins, e de como estava decepcionada com a falta de interesse da aluna.
- Bom Andy eu sou sua professora desde o primeiro ano. – Começou ela demonstrando serenidade. – Eu sei que você não esta passando por uma boa fase, e eu entendo, a perda de uma pessoa tão próxima, uma irmã, não é fácil. Mais eu preciso lembrar a você, que esse é seu ultimo ano, e as suas notas estão péssimas não vou negar. Mas eu sei que você é uma boa aluna Senhorita Miller por isso, quero ti ajudar. – Morgan fez uma pausa, e encarou Andy, por alguns segundos ela percebeu que a aluna estava passiva, como se nada que estava falando fizesse a mínima importância. Morgan suspirou. – Olha eu conversei com os seus outros professores, e seu rendimento acadêmico diminuiu demais, espero que no próximo bimestre você possa melhorar suas notas, por que vou ser sincera, se continuar assim, vai ser retida.
Andy quis debater como sempre, quis concordar, mais ao invés disso, apenas lançou um olhar passivo, e disse quase num sussurro.
- Já posso ir?
Morgan a encarou com reprovação.
- Sim, senhorita Miller.
Andy se levantou se arrastando até a porta, e a bateu com força.
* * *
No intervalo preferiu ficar na sala de estudos, não quis ter contado com aquela aglomeração que sempre se formava. Ela não estava fazendo o que sua professora tinha dito, pelo contrario.
Sentou-se em uma daquelas mesas gigantescas, e abaixou a cabeça. Ela estava visivelmente abalada, pela morte da sua irmã.
E agora isso... Sussurrou ela para seu subconsciente.
Enquanto estava jogada na mesa de estudos, ela começou ouvir passos firmes porem lentos, Andy preferiu não olhar. Então uma voz soou em seus ouvidos.
- Andy... — Aquela voz fez com que Andy ergue-se a cabeça. — Mandaram te entregar. — Era um garoto qualquer. Andy pegou o papel da mão do garoto, que saiu logo em seguida.
O papel era comum branco, mais o que mais chamou atenção de Andy foi o símbolo negro com as iniciais.
* "E.G" Fim de jogo.
Andy congelou. Ela sabia melhor do que ninguém o que aquilo significa.
Ela olhou em volta, ninguém estava por perto. Ela mordeu os lábios sentindo as batidas do seu coração aumentar a cada instante que olha para aquele papel.
Ela ficou encarando aquele papel branco, por alguns segundos.
Você não tem nada a perder... Afinal já perdeu tudo! Andy se sentiu encorajada quando sussurra aquelas próprias palavras na sua mente. Mais logo depois ela se arrependa de se sentir assim, ela sabia que não conseguiria. Não sozinha.
Andy abriu...
O jogo começou.
Endereço rua: Arval Cachoire n° 124.
Andy sabia o que aquilo significa, então talvez por isso estivesse com tanto medo. Tudo estava acontecendo novamente, mais a única diferença que agora estava acontecendo com ela. Suspirou.
Não vou desistir
Andy quis chorar, mais ao invés disso, levantou, e com determinação ela jogou a mochila nas costas. Aquilo tinha que ter um fim, e ela queria que fosse logo.
* * *
Andy correu para seu quarto, ela queria evitar olhar para seu pai, ele já estava sofrendo não precisava ser sua filha daquele estado deprimente.
Ela se jogou contra cama, encarando o teto, seu olhar era passivo, dava para ver o pânico no seu olhar, mais mesmo assim ela permaneceu quieta. Fecho os olhos, e suspirou.
Você precisa descansar Andy. Sussurrou ela na sua mente confusa e apavorada.
Andy acordou horas depois. Já estava escuro. Ela levantou num pulo e olhou no relógio. Já eram quase sete da noite. Droga! Pensou ela. Era sexta a noite, acho que seu pai não acharia mal ela sair, mais mesmo assim ele ficaria entregado, já que Andy nunca foi de sair a noite. Ela colocou seu moletom preto, escondendo seus cabelos castanhos nele, pegou um livro nas mãos. Olhou-se no espelho, solto um gemido de tristeza. Ela não tinha saída.
Ela Desceu as escadas correndo, seu pai estava sentado ele a encarou por alguns instantes e logo disse.
- Aonde vai querida?
Andy forçou um sorriso, e disse logo depois.
- Vou à casa de uma amiga estudar, espero que o senhor não se importe.
Ele deu de ombros.
- Tudo bem queria você ta precisando mesmo distrair sua cabeça.
Ela da um sorriso tremulo, e bati a porta sem se despedir.
* * *
Já passava das dez da noite, quando Andy chegou ao lugar combinado.
Andy revirou os olhos, ela odiava aquela parte da cidade, era sombria, obscura e era muito longe do lugar calmo onde costumou passar a maior parte boa de sua vida.
Ela desceu do taxi, pagando a longa corrida, ela envolveu seus braços u entre o outro, olhou em volta as ruas desertas de New York estavam desertas, era quase imperceptível à movimentação que se formava pouco a pouco.
Andy chegou lentamente, ela olhava em volta, via as mesmas pessoas de antes, algumas novas, mais a maioria eram as mesmas. Ela sentia nojo daquelas pessoas, algumas por ter sido trouxas como ela, e outras por terem sido tão manipuladoras a ponto de tirar a vida de outras pessoas sem do e nem piedade. Mas mesmo assim todos estavam ali reunidos, algumas assustadas, por que talvez fosse por era a primeira vez que estava naquele lugar horrível.
Mas lá também estava assustada, não visivelmente, mas em seu subconsciente ela gritava socorro.
Andy coloca seu capuz, ocultando seu rosto miúdo.
Ela desce degraus de uma casa que aparentemente parece esta abandonada, ela atravessa o mar de almas perdidas, pessoas consumindo drogas, fazendo sexo no meio de todos, era algo assustador e, no entanto deprimente aquilo ainda chocava Andy, mais por algum motivo ela tentou afastar aquele pensamento da mente, ela tinha um objetivo e não podia desviar seus pensamentos.
— Andy... -Disse uma voz cordial do seu lado.
A voz cordial se revelou ser Niss, com um copo de uísque na mão.
Andy revirou os olhos. Tudo menos você.
Ele envolveu a mão na cintura da garota, mesmo sem o consentimento dela.
- Andy. Temos que deixar o passado de lado afinal estamos no mesmo barco agora. – Ele sorriu cordialmente.
Ela revirou os olhos novamente com desdém. Eu nunca serei igual a você Niis. Retrucou-a em pensamento
Ele continuou a encarando com aquele olhar meio doce meio sedutor.
- Devo admitir pensei que você seria fraca igual sua irmã, mais não senhorita Andy Miller, você ainda esta aqui comigo. – Ele pareceu ainda mais intimidador em sua ultima palavra. Mas Andy não se sentiu intimidade, o ódio era tanto, que ela criou coragem para olhar nos olhos de Niss, e cuspi com gosto em seu rosto.
- Nunca mais fale da minha irmã seu verme nojento!
Niss a encarou, com um tom sereno, e passivo, ela ódio aquele jeito dele, ele sempre era tão sereno, e por outro lado um monstro.
Andy saiu andou, o deixando sozinho com seu copo de uísque, não podia perder o tempo com aquele manipuladorzinho barato.
Andy caminhou parecendo que não tinha um destino, vagava por aquele salão escuro, como se não soubesse para onde iria. Mais na verdade Andy sabia bem para onde iria. Não que deseja mais era preciso, ela sabia que de alguma forma aquilo tinha que acontecer, e ela sabia também que não ia ser nada fácil daqui para frente. Suspirou.
Uma linda mulher de cabelos longos e loiros, olhos verdes, batom vermelho sangue, roupa preta, e um sorriso traiçoeiro em seu rosto, que parecia que nem um de uma boneca assassina olhava para Andy atentamente, arguindo as sobrancelhas a cada movimento da garota.
- Pensei que não viria. — A mulher sorriu erguendo o copo de uísque que degustava.
- Não. — Andy pigarreou- Vamos logo ao que interessa. Não quero demorar.
- Por que você não quer demorar?- A mulher riu, num tom de zombaria- Seu papai esta a esperando para o jantar. Na verdade... — A mulher consultou o relógio- Já passaram das dez. Não é hora de neném esta na cama?
Andy revirou os olhos, em tom de impaciência.
- Tem razão... — disse a mulher se levantado e se aproximando — Seu pai não está a sua espera, sabe por quê?- Sem ao menos esperar a resposta da garota continuou dizendo. — Por que lá no fundo, você mesma sabe que seu pai esta te odiando por dentro. Sabe por quê? Por que ele sabe que você matou sua irmãzinha.
- Cala a sua boca. Sua vadia!- Andy havia se irritado e seu olhar se se transformou em um olhar sombrio. – Vocês mataram minha irmã! – Andy cuspiu as palavras como fogo.
Mas nem de longe aquilo pareceu constranger ou irritar a mulher, que pareceu mais calma do que nunca, apenas sorriu cordialmente e disse.
- Vai Andy. Assuma que você é um de nós. Não tem como negar. O desejo de matar esta correndo pelas suas veias. – A mulher a encarou intimidando-a.
Andy desvio o olhar. Nunca vou ser como vocês. Rosnou em pensamento.
- Sabe pequena Andy, eu sempre achei que você iria morrer, logo quando ti vi pela primeira, vez. Mas sabe a pessoa que ti escolher como peça do jogo, escolheu certo. Esta ti manipulando muito bem por sinal. Afinal a sensação de ver o sangue da sua própria irmã em suas mãos, foi muito bom, não foi senhorita Andy Miller? – Ela sorri.
Andy percebeu que iria chorar, mais engoliu as lagrimas e disse com um tom de frieza.
- Não sei. – Andy evitou contato visual diretamente, mais depois de uns segundos a encarou com frieza e prosseguiu. – Acho que foi bem melhor a sua não é mesmo? Afinal. Matar seu próprio filho, não tem algo mais frio do que isso?
A mulher que era bem mais alto do Andy levantou a mão para acerta-la bem no rosto, mais desistiu ao ouvir a voz de Niss.
- Se eu fosse você não faria isso. Você sabe que o chefe a quer sem nenhum arranhão.
A mulher bufou encarou a Niss, depois a mim. E semicerrando os olhos e prosseguiu.
- Você ainda vai ter game over, sua cadela!
Aquilo vez a espinha de Andy se arrepiar, mais mesmo assim pareceu calma mesmo com seu coração quase saindo pela boca.
- Venha. — disse Niss.
Andy o seguiu até um corredor escuro, aonde entraram em um elevador com iluminação baixa que parecia estar bem mais velho do que era para ser. Eles entraram no elevador, Andy apoiou o corpo contra aquelas grades empoeiradas e velhas.
Andy em nenhum momento olhou para Niss, que fixava o seu olhar doce e ao mesmo tempo intimidador nela.
- Qual é Andy?- disse Niss não suportando mais aquele silencio- Será que é tão difícil me tratar como antes?
Andy, não respondeu apenas meneou a cabeça.
- Andy, eu gosto de você... E sinto que você também gosta de mim, por favor... – Niss a olhou com os olhos brilhando, e ao mesmo tempo triste, era difícil distinguir seu olhar misterioso.
Niss continuou a encarando, mais Andy se concentrava nas grades do elevador, como se nenhuma palavra foi dita.
Niss suspirou.
- Tudo bem, eu tentei. — disse ele fingindo desistência.
- É complicado... Pensei que com você as coisas podiam dar certo — Desabafou Andy, sem encara-lo nos olhos — Só que depois eu descobri o monstro que você é. – Andy suspirou. Evitando lembrar-se de como foi tola.
- Andy, eu sinto muito... — Niss meneou o olhar- Eu queria mudar tudo, mais os nossos erros não tem como mudar.
- Você cavou a própria cova da minha irmã. E quem garante que você não esta cavando a minha.
Niss pegou em sua mão, e encarou nos olhos ti lançando um olhar doce.
- Eu nunca faria isso com você, eu te... — Quando ele iria continuar, foi tarde de mais, finalmente o elevador tinha parado, e chegado ao andar.
A visão era de uma sala escura, havia algumas prostitutas e podia se sentir cheiro de maconha no ar.
Andy não se assustou com aquela cena, era como se já estivesse esperando por isso.
- Ora, Ora... Quem é vivo sempre aparece. Pensei que você Andy Miller iria sumir de vez da minha vida. Que sorte a minha que não. — disse um homem aparentemente ter uns 30 anos em um sofá com duas garotas de programas do seu lado — Sai daqui amorzinhos, papai tem que trabalhar. — disse ele num tom malicioso e firme. Elas se retiraram imediatamente.
Lucian se levantou, acendendo uma das luzes deixando a sala com mais claridade.
- Você esta mais linda do que nunca. – Disse ele com um sorriso sedutor, mais para Andy aquilo causava ânsia e repulsa. Nojento!
Gritou ela em pensamento.
Ele era mulato, tinha cabelos raspados, e grandes olhos verdes que de alguma forma era extremamente assustadores.
- Vamos ao que interessa. – Disse Andy demonstrando indiferença, mesmo que por dentro estava apavorada por tudo aquilo. Estremeceu.
O cara a encarou tentou tocar seu rosto, mais Andy esquivou-se. Ele sorriu. Adorava o jeito de Andy.
- Então esta bem. – Ele se virou pegando um manto preto. Com ás inicial “ED”. Ele sorriu demonstrando gostar daquele momento assustador. – Não tem como sair desse jogo Andy Miller, uma vez nele, sempre vai esta nele. – Ele sorriu. – Já perdi sua irmã. Logo em breve perderei você. Que destino cruel. – Ele solta uma risada forte e muito maldosa.
Andy sentiu vontade de cuspir em seu rosto, mais se manteve firme, e disse.
- Eu não vou terminar igual minha irmã! – Andy o encarou com desdém e ódio.
Lucian pigarreou.
- Espero que não. Sabe, no começo achei que você seria a primeira a morrer, mais estou vendo que estava enganado.
Andy puxou o manto de sua mão com fúria. Ele a encarou passivo e calmo. Ela prometeu a si mesma nunca mais entra naquele lugar novamente.
Andy saiu pressionou daquele antro nojento, e pressionou o botão do elevador por varias vezes. Niss veio atrás dela.
- Ele não chegara mais rápido, assim.
Ela evitou olhar ele nos olhos, mais revirou os olhos.
- Não preciso de guarda-costas! Eu sei como me cuidar sozinha, acho que já deixei bem claro isso?
- Andy... Você sabe que não é por isso. – Niss a encarou, pareceu ofendido de alguma forma.
Andy não disse mais nada, permaneceu olhando para o chão, estava exausta e cansada demais daquilo para discutir.
- Quer uma carona?- Perguntou Niss, eles já se encontravam fora daquele antro estranho e medonho.
- Não. – Murmurou Andy.
- Andy? Para de ser infantil. Esta tarde e esses lados são bem perigosos.
- Mais do que você, pode ter certeza que não. — Andy continuou a caminhar.
Niss a encarou, vendo a garota sumir na escuridão.
Andy chegou em casa horas depois, seu pai já estava dormindo.
Ela subiu pelos fundos num silencio profundo, ela se jogou contra a cama, encarando o teto na escuridão. Sentiu as lagrima quentes caírem em seu rosto, se encolheu lentamente.
Aquele pesadelo nunca teria fim. Ela suspirou
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