Notas iniciais
Olá, mais uma vez, pessoal! Agora, sim. Cá estou para finalizar essa fic. Fiquei extremamente feliz em escrevê-la e por sua repercussão. Esse epílogo foi criado de última hora. Vocês irão ler e entender. Boa leitura!

Trovões.

Era tarde, o céu estava carregado no cinza.

Uma vereda de sangue fora formada nas escadas até seu trono, antes da chuva dissipá-la.

O colete fora retirado de seu corpo e arremessado para longe, assim como sua vestimenta roxa.

Suavemente, percorreu com os dedos, a marca em sua pele esbranquiçada. Um enorme hematoma do tiro de espingarda, dado pelo mordomo, no meio do peito.

— Quando o mundo... Está contra você... Qual é o jeito mais seguro... De se esconder?*— sussurrava entre breves escapadelas risadinhas, continuara alisar sua pele. Porém, seu braço começara a não lhe obedecer. A dormência tomava conta do seu lado direito, até encontrar-se imóvel em seu trono. Não estava mais sozinho. — Tenho um acordo com o SEU PAPAI! – informou, intensificando o berro na paternidade.

Coringa sabia quem era e, talvez, soubesse o que aquela pessoa que fazia-lhe companhia, queria fazer. “Aha! Tudo isso... Por um morcego?”. Seu corpo estava entorpecido, mas ainda conseguia articular. Quiçá, fosse para isso que o veneno servia.

— Eu sei, Coringa. Mas concluo que vocês dois passaram dos limites.

— Uiii. Hahahaha, está aqui para me castigar, também? Só por que euzinho aqui sei quem ele é? E não me refiro ao seu pai... A propósito, e o Lázaro?

Sem fazer sentido algum, o palhaço riu como se tivesse contado a melhor piada do mundo, que ecoava por toda a extensão do velho circo. A figura à sua frente não ficou intimidada, respondeu:

— Lázaro não é para você. A propósito, está muito longe de um.

Coringa franziu o cenho, uma pressão fora sentida em seu peito, mas não havia dor. A mulher estava próxima demais e o palhaço estava ocupado pensando nas obscenidades que faria com ela depois que seu braço voltasse a se mexer. Ao se afastar, a mulher deixara uma adaga fincada no paralisado homem sentado em seu trono. Julgava ser um final bom para quem fora ruim a vida inteira.

— Isso... É por se meter na minha família.

Os instantes que permaneceu ali, pareciam-lhe horas. Presenciou, assim como o dia nascer, a vida daquele homem esvaecer de seu corpo. Olhar fixado para o nada e sem brilho. Sua expressão, em contrapartida, fora a mesma desde que surgira... Um terrível sorriso endiabrado estampado em seu rosto.

—--

— Já estou indo!

Gritou Selina para alguém que estava à porta de seu apartamento. Não estranhou que às 7hs da manhã havia visita. Uma de suas conhecidas tinha o mau hábito de bater-lhe a porta na matina, por isso, acostumara-se... E neste horário, Selina ainda não tinha ido dormir.

Abriu a porta, sem pestanejar.

— Bom dia, Selina... Er... Como está?

A morena não pareceu surpresa, porém, também não pareceu muito feliz com a visita. Arqueava a sobrancelha para aquele homem parado à sua porta enquanto sua mente era inundada de “por quês”.

“Por que está aqui?”, “Por que eu ainda não fechei a porta?”, “Por que a essa hora resolveu me ver?”, “Por que ele?” e “Diabos... Por que ser tão bonito?”.

Permaneceu entre o vão da porta e o batente, à primeira vista, dava a impressão que não permitiria o moreno entrar na sua vida de novo. Foi ele que saiu. Ou não quis ficar.

— Bruce...

Tinha em mãos um tradicional e pequeno saco de pães. Ela, curiosa, observou o “presente”.

— Trouxe isso pra—

— O que é isso? – interrompeu-o.

— Foi Alfred que fez, não tenho a menor ideia do que seja.

— Não. Quero saber o que é você parado na minha porta, me trazendo algo que não faz ideia, às 7hs15 da manhã?

— Ah, sim... Queria te ver.

— Eu terminei com você faz umas duas semanas.

— Eu sei... E quero voltar.

Selina o puxou para dentro de seu apartamento, pelo colarinho. Passaram-se horas e após as provocações, verdades ditas e um copo de café ao meio-dia, ambos tiveram uma prévia noção de que, se antes não dera certo, não daria certo desta vez.

Ele, como Bruce Wayne, tinha uma viagem de negócios marcada naquele mesmo dia, para São Paulo. Como Batman, tinha uma cidade inteira para proteger. Já Selina Kyle, tinha uma viagem de férias marcada para aquele mesmo dia, para Miami. Mas, como Mulher Gato, ela deixara em segredo.

Contudo, tinham que concordar, aquele fora um prazeroso adeus.

Fim.

Notas finais
[*] - Frase dita pelo Edward Nigma, o Charada, na hq intitulada "Coringa" de Brian Azzarello, arte de Lee Bermejo. Recomendadíssima. Um epílogo bem curtinho e fofinho, hahaha... Finalizando tudo. Bom, algumas coisas ficaram pendentes, mas foi proposital. Acho que as perguntas que ficaram, vocês podem responder da forma que lhe couberem. Esse foi um presente para o pessoal que insistiu em chutar no nosso querido imortal Ra's... Bom, ao menos, ele foi citado. Sua filhinha fez todo o trabalho sujo para salvar a vida de seu "amado". Own... Na verdade, eu tinha pensado no Coringa em seu circo arquitetando um plano muito mais cruel contra o Batman, mas aí, seria outra história... E, como havia dito antes, minha cabeça tem outras coisas a ocupando no momento... Essa foi uma solução que mais se encaixou. Um Coringa bom é um Coringa morto? Não, mas eu julguei (junto com Tália) que seria um final merecedor. Clichê, mas é um final aceitável. Espero que tenham gostado e mais uma vez, muito obrigada!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!