Fim

1 Ruina


- Você...e ridículo.

- Oh! E você tao obvio.

- Ah não, eu não queria dizer isso, me desculpe...

- E previsível também.

- Eu sei...normalmente isso estraga as coisas.

- Normalmente? você quis dizer SEMPRE, não e? Por favor diga que sim.

- Normalmente. E normalmente nos devíamos ser felizes juntos.

- Nos? Você realmente olha pra tudo isso e acha que nos ainda podemos ser felizes juntos? Depois eu quem sou o ridículo.

- Pelo menos harmoniosos...

- Irônico ouvir isso de você...você, que sempre me rejeita; que nunca me escuta e que sempre estraga tudo.

- ...me desculpe.

- Ohohoh...se te conforta, te devorar e destruir você a cada dia que passa me deixa melhor.

- Da pra ver...e de algum jeito esta dando um jeito nesse caos, não e?

- Ao que parece sim...mas isso já era esperado.

- Ainda acho errado. Ainda acho que não se muda o interior dessa forma. Não consigo aceitar, nunca vou conseguir, dói e dói muito.

- Isso! HAHAHHA...MARAVILHOSO. Seria exatamente isso que destrói tudo. Sentir.

- ...

- Humanos seriam tao menos frágeis se as mentes fossem feitas de aço e os corações apenas uma bomba para fazer o movimento vital.

- Humanos foram feitos pra amar, e isso e uma coisa que você nunca vai saber como e.

- ISSO E ÓTIMO. Significa não sofrer. — Disse sofrer num tom mais piadista, afinal, havia aprendido o sentido da palavra depois de ver tanto sofrimento próximo de si.

- Você não sabe oque e sofrer...você nem sabe oque e sentir.

- Certo...qual a utilidade de um sentimento? você alcança oque de importante pra vida com eles? dinheiro? você vive mais?

- Você alcança amigos, você alcança amor...

- Amigos? essa não e aquela coisa que você tem para não ficar sozinho?

- Sim!

- Essa coisa não funciona muito bem, porque no final, eu sempre tenho de intervir.

- Como não? Você nunca vai saber como e um amigo pra não te deixar sozinho...

- Ainda bem, porque no seu caso sempre acabava em lagrimas.

- ...

- E o amor? ahh o amor... Me conte como e se achar capaz de fazer alguém se sentir bem, causando tanta confusão e não dando conta nem de si próprio...

- O amor não e nada disso. E uma coisa muito mais complexa, e muito mais bonita do que você pode imaginar.

- Bonita? oh não...te direi como funciona minha visão de beleza. Bonito e ver algo dando certo, porque você soube PENSAR no que faria aquilo dar certo. Ridículo e ir em direção a seus amigos imaginários, somente porque você SENTIU que aquilo daria certo. Posso dizer que isso serviria pra um relacionamento saudável.

- Pensar? Oh não, pare! Pare por favor!

- Eu sei o quanto isso te assusta, e e por isso que causamos tanto caos... mas isso já não vai ser um problema. Você se encontra menor do que nunca.

- Eu estou sumindo não e? Normalmente eu nunca perderia pra você...

- Exato... agora relaxe...

- Eu não quero ficar sozinho... — sentia mais uma parte de si ser devorada pelo outro, lentamente, diante de seus olhos. Essa frase fora dita como um reflexo do que o exterior sentia naquele momento, com todo esse caos.

- Não seja idiota... — O outro, num ato um tanto nobre, fez o que sempre fazia: lhe disse no ouvido verdades; sendo dessa vez quem sabe, as ultimas que iria escutar. — ...você sempre esteve sozinho.

E assim, o racional devorou grande parte do sentimental; deixando-o minimo, apenas porque sabia que se tratava de uma questão vital.

O exterior agora se recuperava do caos de anos, sentindo muito menos dor.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!