Filth In The Beauty
7 Violence and Pepper - Part II
Notas iniciais
A segunda parte do Kai-san demorou um pouco, mas cá está!
Boa leitura!
(By gaara do deserto)
Filth in the Beauty
Chapter 07: Violence and Pepper — Part II
A VIDA nos mostra que alguns pecadores
[sempre pedem clemência ao serem descobertos.
A VIDA me mostrou que, em hipótese alguma,
[deveria guardar meus pecados.
Não por medo,
[mas por ORGULHO.
Clemência é para FRACOS.
A festa já estava me dando dor de cabeça, mas eu fingia ignorá-la. Okaa-san me puxou de novo, dessa vez para que sua rodinha de amigas me vissem.
-... E esse é meu filho, Yutaka. – as senhoras sorriram, os olhos arregalados, anéis faiscando em seus dedos enquanto sorviam champagne – Ele acabou de entrar no 3º ano, mas já tem universidades de olho nele por causa do talento nato no beisebol! Ele é capitão do time, presidente do Comitê Disciplinar e o aluno mais aplicado da turma dele...
Desliguei-me do discurso de okaa-san, tomando outro gole da minha taça. Olhei de soslaio para a roda em que otou-san conversava com os pais de Sasuke. Ele estava meio de lado na conversa de gente adulta e olhou-me nervoso, o que retribui com um sorriso de incentivo.
- Nossa, você tem um filho e tanto, Fujimo-san! – as senhoras riram afetadamente bem a tempo de me alertar para lhes dar atenção – Você realmente é um rapaz admirável, Yutaka-kun.
- Arigatô, senhoras. – me curvei um pouco em agradecimento e sorri com educação – Mas eu sou um garoto comum e tantos elogios me deixam envergonhado. Okaa-san, não as entedie com essa conversa, é feio.
- Que filho humilde eu tenho! – exclamou, me abraçando – Você é uma benção, querido!
Retirei-me com educação e um coro de “Queria que meu filho fosse assim” me seguiu por alguns metros. Fui até o banheiro e lavei o rosto, a cabeça doendo mais que nunca.
- Pare com essa idiotice. – disse para mim mesmo, pressionando as têmporas – Ainda não acabou. Temos trabalho, Yutaka. Pare com essa merda.
Incrivelmente funcionou.
Cara, eu engano bem pra caramba.
***
- Yutaka, o que é isso?! – gritava Hana enquanto os jogadores amarravam-na com cordas grossas – Nani w... – o som abafado dela sendo amordaçada me fez cócegas no estômago. Fase III completa.
- Sasuke-san, assuma o volante – fiz sinal para trocarmos de lugar. Depois de feito, fui para o banco de trás e um dos jogadores sentou-se no chão do carro, cedendo-me seu lugar. Hana soluçou e um encapuzado Daisuke tentou se mexer.
- Não tem muito sentido mantermos segredos, não é? – tirei a vendo dos olhos dela, que me encaravam com ódio. – Ah, hime, não tá zangada comigo, espero. Seria feio estragar a surpresa que eu e meus amigos demoramos tanto para preparar pra você. – os garotos na van riram alto, um puxa-saquismo que eu não esperava. – Olha só, até o seu amigo Daisuke-kun está aqui e todos nós já viramos bons colegas.
O ódio eclipsou-se, transformado em puro medo. O corpo amarrado firmemente retraiu-se contra o banco e novos murmúrios escaparam de seus lábios, mas não cheguei a entendê-los.
- Será que você realmente achou que podia me fazer de otário? – murmurei em seu ouvido, agarrando-a pelo queixo – Hana, você não me conhece.
E percebi, naquele instante, que ela não me conhecia mesmo.
- Chegamos, Yutaka-sama. – avisou Sasuke, freando com suavidade sob a terra batida. Os outros jogadores me observaram com ansiedade, talvez duvidando que eu estivesse decidido. Fiz sinal que abrissem as portas.
- É isso aí, Yutaka-sama – disse um deles, colocando a mão no meu ombro.
- Valeu. – sorri em resposta – Vamos acabar com isso.
Sem nenhum esforço Daisuke e Hana foram empurrados para fora do carro. Passava das dez quando entramos numa pequena clareira numa área afastada da cidade. Estava escuro, mas vários feixes de lanternas surgiram do meu bem preparado time.
- Aqui está bom. – todos pararam ao meu sinal, os dois da frente segurando o casalzinho alvo de minha fúria. – Tirem a venda dele.
Encarei Daisuke com desprezo e ele assustou-se consideravelmente a me ver, um ofego preso entre os dentes e o corpo sacudido de tremores.
- Acho que não preciso te explicar por que está aqui, Daisuke-kun. – disse, cada vez mais exultante – Então vamos ao que interessa, você primeiro, claro.
Os jogadores o empurraram mais pra frente e a procissão seguia por entre as árvores até alcançarmos uma fossa ampla e funda, usada anos atrás como depósito de lixo. A terra vermelha estava firme e isso me incentivou a descer seguramente para dentro daquele buraco.
- Agora você, Daisuke-kun. – chamei-o, e seus algozes o jogaram. O barulho surdo do corpo dele contra a terra foi seguido pela derrapada barulhenta dos dois que o seguravam – Motobiki-san, Houen-san, desamarrem-no, por favor.
Eles me obedeceram e a platéia acima de nós começou a se posicionar para ver melhor. Hana assistia também, a boca amordaçada, os olhos bem abertos. Deixara de se debater, o que achei melhor.
- O... O que está fazendo? – grunhiu Daisuke, levantando-se desajeitadamente, provavelmente com cãibras.
- Vou lhe dar uma chance de sair daqui, é isso. – expliquei-lhe, me espreguiçando enquanto ele recobrava o equilíbrio. – Tudo o que precisava fazer é passar por mim.
- C-como assim?
- Me vença numa luta, Daisuke-kun. Vença-me, e vai poder sair daqui sem nenhum impedimento. – ele olhou desconfiado para os outros jogadores e depois parou em Hana. Ri baixo, sem humor algum. – Pode até levar a vadia da Hana, se quiser. Tem minha palavra e de meus amigos aqui.
Ele demorou a se decidir, mas vendo que não tinha escolha, deu-se por convencido e aprumou-se, em guarda. Tinha boa estatura,, era maior do que eu, mas não mais apto. Seria em vão. Completamente. Então, ele avançou, os punhos na altura da cintura, na minha direção. Lancei-me contra ele, prevendo seus movimentos. Soco, soco, chute, que tédio. Facilmente furei sua defesa, chutando-lhe no estômago e mandando-o para o chão.
- Levanta, idiota! – alguém gritou-lhe e o jogadores riram, aprovadores.
Foram quinze minutos divertidos, mas quando Daisuke mal conseguia se levantar e cuspiu sangue, achei que já era hora de parar. Motobiki e Houen seguraram-no de novo, sustentando quase todo seu peso. Sasuke desceu até mim e entregou-me um taco de madeira de sua coleção.
- É hora de um home run, Yutaka-sama. – disse, o rosto tão sádico quanto dos outros. Hana agitou-se, como se quisesse gritar “Não!”.
- Hai, minna-san. – preparei meu espírito, olhando com absoluta indiferença para Kusaka Daisuke.
- Não... N-não faça isso, eu t-te imploro! – mas eu não ouvia.
Era só um jogo.
- Próxima! – gritei e os algozes de Daisuke o empurraram violentamente na minha direção.
O bastão cortou o ar e sangue espirrou.
Um a menos.
***
- Resolveu seus problemas, Yutaka-san?
- Não, mas obrigado pela preocupação, shishou.
- Me preocupo é com sua destreza culinária, seu idiota. – retrucou Chigusa-sensei, franzindo a testa – Baiacu é um bichinho perigoso. Erre um pouquinho, Yutaka-san, e virará um assassino.
As palavras dele me deram certo arrepio, principalmente por causa do duplo sentido que emanavam. Reverência, velho sabe-tudo.
Pouco mais de uma semana se passara desde a morte de Daisuke e eu tentava parecer o mais displicente possível ao falatório que corria na escola sobre o desaparecimento dele e de Hana. Mas estava seguro sobre o que quer que dissessem sobre suspeitos.
Queimara tudo. As roupas que usara no dia do seqüestro, o taco de beisebol sujo de sangue e recomendara o mesmo aos outros; limpara arduamente a van e dera um fim às cordas e ao corpo do infeliz. Isso me divertia também, apesar de recaídas de consciência.
Mas ainda não terminara. Faltava Hana.
- Quero pimenta, shishou.
- Pensei que fosse louco por maionese.
- Tô tentando melhorar.
Ele me olhou desconfiado, mas passou-me o vidro de pimenta. O movimento do restaurante estava grande, era hora de almoço e os ajudantes de Chigusa-sensei tentavam manter a calma, apesar do nervosismo de estarem sendo avaliados por alguém tão rigoroso e explosivo. Uh, reverência.
- Posso perguntar uma coisa?- o gosto da pimenta me dava uma estranha coragem de ser petulante.
- Vá em frente, Yutaka-san.
- Por que o senhor se tornou o cozinheiro se se estressa tanto?
Ele me encarou quase como se lesse meus pensamentos, era algo perspicaz, ríspido. Sustentei aquele olhar, cada vez mais encorajado pela pimenta.
- Entenda uma coisa, aprendiz desajeitado. – começou, entrelaçando os dedos sobre a mesa. – A vida é sempre uma mistura de doce e amargo, sempre. Você não pode fazer algo que ama sem que isso lhe traga um ou dois aborrecimentos. E também não pode deixar de aplicar seriedade no que ama, se quiser chegar perto da perfeição. É preciso assumir um compromisso, Yutaka-san, senão nunca terminará o que começou. Entendeu?
- Sim, shishou. – murmurei, impressionado.
E, como raras vezes acontecia, ele sorriu. Rápido, mas esteve lá, para quem quisesse ver. Chigusa-sensei levantou-se e despenteou meus cabelos, sério de novo. Reverência.
- Você é um cínico, mas tenho um bom pressentimento sobre você, rapaz. – disse, antes de retornar ao trabalho. Sorri, baixando o rosto.
Será que meu teatro estava finalmente convencendo-o?
***
- Como ela está?
Motobiki levantou-se de um salto, surpreso por eu tê-lo pego dormindo.
- F-ficou calada a manhã toda, Yutaka-sama. – informou, voltando a se ajeitar no banco afundado na terra, encostando-se nas paredes tortas do casebre. Agradeci-lhe por ficar vigiando Hana pela manhã e faltar às aulas.
- Junpei vai te substituir mais tarde. – acrescentei, adentrando pelo único e estreito corredor que abrigava no fim a cela improvisada de Hana, um vulto encolhido contra a parede parcamente rebocada, uma corrente prendendo seu tornozelo. Naquela semana, o vestido verde enchera-se de pequenos rasgos e estava sujo de terra. Dispensara-lhe a mordaça, ninguém a ouviria num raio de três quilômetros dentro daquele matagal.
- Olá, hime. – cumprimentei-a com sarcasmo – Gostando das acomodações?
Ela virou o rosto pra mim, os olhos fundos por causas das recentes olheiras e vermelhos devido ao choro constante.
- Eu te odeio. – sibilou como uma serpente, amaldiçoando-me inutilmente.
- Felizmente é recíproco. – assegurei, sorrindo – Está comendo direito?
- Não vou comer nada que vier de você e dos seus cães.
E percebi a bandeja virada no canto oposto ao dela; formigas começavam a avançar em marcha para a refeição fácil.
- Que pena que você ache que eu seria capaz de te envenenar, hime.
- Eu não sei mais do que você é capaz, Yutaka. – conforme se enfurecia comigo, seu rosto transformava-se a ponto de não mais reconhecer a beleza pela qual me apaixonara. – Você é só um maldito riquinho mimado que não aceita perder nada!
- Diz isso mesmo depois de ter jurado que seria só minha? – questionei, sem me alterar. – É meio contraditório agora pensar que tinha decidido te apresentar pros meus pais...
Resolvi deixá-la, satisfeito com a tormenta. Bastava de veneno de peixe.
- É verdade...? – ela sussurrou às minhas costas. Voltei-me a tempo de vê-la rastejando até as grades, a expressão de assustada incredulidade.
- Era sim, hime. – fui-lhe sincero – Mas... Você estragou tudo. – e continuei num passo firme até chegar lá fora, onde Motobiki voltara a cochilar. Acordei-o e ele pareceu envergonhado com a própria falta de disciplina. – Volto mais tarde. Quando Junpei substituí-lo, ligue para todos, por favor. Isso acaba hoje, Motobiki-san.
Ele sorriu idiotamente.
- Como quiser, Yutaka-sama.
Voltei para casa, onde otou-san felicitou-me pelo progresso com Chigusa-sensei, acrescentando que eu era admirável pela interação com os empregados. Olha, se um dia o respeitei, há muito deixei de ouvir tais comentários. Quanta bobagem.
***
À noite, todos já estavam reunidos no lado de fora do casebre, esperando por mim.
- Boa noite, Yutaka-sama. – disseram em uníssono. E então Sasuke destacou-se do grupo e pronunciou-se – É verdade o que Motobiki disse, Yutaka-sama? Daremos um fim na vadia da Nanahara hoje?
Se o caso fosse outro, e aquele maldito sentimento não fosse indolor em meu peito, certamente teria esmagado a garganta do infeliz pelo comentário. Mas, o que importava agora?
- Hai. – respondi, passando direito pelo corredor. – Fiquem todos aí e me dêem um minuto. – eles obedeceram e me direcionei a cela de Hana, que estava no mesmo canto da manhã, mas que ao me ver, saltou imediatamente para as grades.
- Yutaka! – gritou, alegre de um modo doentio – Eu sabia que vinha! Yukkun, eu me arrependo do que fiz e disse, ainda amo você, estava completamente enganada! – conforme ela implorava, mas preferia que estivesse me jogando pragas. Agachei-me para falar baixo o suficiente para que ninguém lá fora nos ouvisse.
- Está mesmo arrependida? – ela acenou furiosamente – Então vou tirar você daqui.
Seu rosto iluminou-se de loucura, nenhum resquício da Hana de outrora. Abri a cela e soltei seu tornozelo. Ela agarrou-se a mim e tentou me beijar, mas segurei-a longe, disfarçando meu nojo.
- Calma, amor. Vamos sair daqui primeiro. – seu sorriso débil nos acompanhou por todo o corredor até encontrarmos os jogadores nos esperando fora do casebre.
- Hã...? – Hana olhou-me assustada.
- Houen-san, amarre e vende ela. – disse para o que estava mais perto. Ele segurou-a com violência, pondo-lhe a mordaça na boca.
- Você... Disse! – ela exclamou, antes de emudecer.
- Eu menti, hime. – e sem conseguir evitar o impulso, explodi em gargalhadas. Os que estavam por perto me acompanharam, o que só me fez rir ainda mais.
Eram todos tão burros! Tão burros!
Seguimos nossa procissão até a fossa onde matara Daisuke. Hana foi empurrada sem cerimônias para dentro e Sasuke já estava ao meu lado, ansioso.
- Dê uma lição nela, Yutaka-sama. – e entregou-me outro bastão.
Não lhe respondi, preferindo me aproximar de Hana e desvendá-la.
- Sem jogos dessa vez, amor. – disse, sorrindo cinicamente. Andei até a outra extremidade, cantarolando baixo. Os garotos ao redor gritavam incentivos e Motobiki e Houen, sempre solícitos, já a seguravam pelos ombros.
Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. As últimas que eu veria.
- Próxima!
Hana veio em alta velocidade, impulsionada pela inércia.
- Sayonara, hime.
O bastão girou com mais força do que eu pretendia.
Em cinco segundos acabara.
Mission Complete.
***
Esperei e esperei, mas o remorso não veio. Eu matara duas pessoas, uma delas minha ex-namorada, e a realidade estava bem à frente.
Sentia-me vingado, mas não aliviado.
O professor dava aula e usualmente respondia o que ele perguntava, só que eu não estava mais ali. Freqüentemente meu espírito vagava para aquela fossa, relembrando o sangue sendo tragado pela terra, um corpo sem vida e mutilado, cujo olho que não fora esmagado pelo crânio olhava fixamente para o céu.
Onde estava o remorso?
Os treinos de beisebol foram inalterados, parecia que ninguém ali carregava a participação em um crime. Os jogadores riam, tirando sarro uns dos outros e me convidando para o gracejo.
Estavam despreocupados com os policiais que vinham dia sim, dia não para investigar um pouco mais sobre o desaparecimento de Daisuke e Hana, cujos corpos bem escondidos em locais diferentes nunca seriam descobertos, além das mesmas precauções terem sido tomadas em relação à Hana.
Um crime perfeito?
- ‘Cê tá bem, Yutaka-sama? – Sasuke viera ao meu encontro na arquibancada do campo, ao ver que eu não quisera treinar. – Tá doente?
- Não é nada, Sasuke-san. – e voltei a olhar distraidamente para o nada.
Ele não soube o que dizer.
***
O cansaço era um peso maior do que qualquer coisa material. Externamente eu ainda era o mesmo, irrepreensível. Porém, meu interno estava ruindo.
Continuava esperando o remorso se manifestar. Uma reação súbita sequer, uma loucura ou verter de lágrimas, nada disso me aparecia.
Cheguei em casa e logo fui surpreendido por meus pais na sala de estar, acompanhados por um homem que eu nunca vira. Eles me olhavam sérios quando entrei e tirei os sapatos.
- Uke Yutaka? – chamou o estranho.
A calma me preenchia ao caminhar até ele e confirmar quem eu era; vê-lo me encarar com desconfiança fez com que tivesse certeza do que ele era. Um policial.
- Está sabendo do desaparecimento dos dois alunos da sua escola, Kusaka Daisuke e Nanahara Hana? – perguntou depois que sentei ao lado de okaa-san, que passou os braços por meus ombros.
- Hai. – respondi, entediado – Mas está apressando as coisas, senhor. Por que não se apresenta primeiro?
- Sou o subdelegado Kouta – disse a contragosto – Estou aqui porque sabemos do seu envolvimento com Nanahara-san.
- Quem diz isso? – perguntou okaa-san de repente com ferocidade. O subdelegado franziu a testa, ofendido.
- Temos o testemunho da irmã mais nova de Nanahara-san, que a viu saindo com você, Yutaka-san, na noite de seu desaparecimento.
- E como isso faz a polícia suspeitar do meu filho? – okaa-san pronunciara-se de novo, cada vez mais irritada. O mesmo poderia se dizer do subdelegado.
- Uke-san – disse a otou-san – Pode fazer sua mulher calar a boca?
Os dois ficaram vermelhos de raiva. Sufoquei um ataque de riso.
- Ora, seu...! – exclamou okaa-san, levantando-se.
- Como ousa falar assim com minha esposa...?!
Que tédio.
- Eu a matei. – murmurei em meio à discussão. Eles fizeram silêncio de imediato. – Matei Nanahara Hana. – repeti, caso não tivessem ouvido.
Eles me encaram atônitos.
***
As aulas haviam sido suspensas para mim e aquela era a segunda semana em que o subdelegado Kouta me chamava para contribuir nas investigações. Tomara providências para que parecesse que eu executara tudo sozinho e, como o time havia enterrado Daisuke num lugar diferente de Hana, as atenções para o caso dele tinham se eclipsado e não era suspeito, tampouco porque ninguém vira os dois juntos além de mim.
Meus pais me defendiam veementemente e haviam contratado todo tipo de advogado para garantir que eu não fosse exposto. Okaa-san era particularmente ferina em relação à Hana, difamando-a e dizendo que “meu filho teve suas razões” sempre que podia. Bem, eu que não ia convencê-la do contrário.
Estava nem aí, pois outra pessoa me importava no momento.
Depois do dia exaustivo, fui até o restaurante matriz, resolvendo entrar pelos fundos. Uma figura estava ao lado da porta de ferro, fumando.
- Sabia que viria, moleque. – disse Chigusa-sensei, a fumaça desprendendo-se pelo canto da boca. Estaquei, satisfeito em não precisar entrar.
- Ficou sabendo? – eu não estava exatamente envergonhado, apenas não entendia porque a opinião dele me era tão cara.
- Uke-san contou pra mim. Fique frio que minha boca é um túmulo. – e deu mais uma tragada – Isso não foi um duplo sentido intencional.
Não consegui pensar em coisa alguma.
- Arrependido, Yutaka-san? – ele jogou o cigarro no chão e encarou-me.
- Gostaria de poder dizer que sim.
Ele deu um sorriso enviesado.
- Parece que você não é exatamente o que pensei.
- Acho que não vou me desculpar por isso. – retruquei friamente.
- Não precisa.
SILÊNCIO.
Estou vazio, shishou.
- Pelo o que ouvi, você irá para longe, Yutaka-san. – disse calmamente. – Espero que um dia volte, ainda tem muito que aprender, discípulo desastrado.
- Duvido que volte. Preferia ter sido preso.
Chigusa-sensei tornou a sorrir, pondo a mão em meu ombro. Nunca parecera mais humano em sua faceta severa.
- Chega de teatros, então?
Não lhe respondi, completamente pego de surpresa por sua pergunta.
- Estou mais aliviado, moleque. – acrescentou, soltando-me.
E entrou.
Hana, sua desprezível.
Notas finais
Gostando ou odiando, deixem reviews.
E o próximo da lista é aquele que não é Uru-delícia, mas faz muito sucesso (por ser um exibido). Aoi-chan, o Homem do papel celofane!
Porque todas adorariam tê-lo embrulhado no papel celofane na porta de casa.
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