Filosofias de Curinga
1 Filosofias de Curinga
Você já sentiu como se estivesse vivendo o sonho de alguém? Quero dizer, se eu penso sobre meus personagens e se realmente existe um mundo onde eles são reais, será que não existe alguém que está pensando no que estou fazendo agora? Temos mesmo direito de escolha ou somos todos programados? Quem tem controle do que fazemos aqui? Me sinto a peça de um jogo surreal, irreal e absolutamente concreto. Você não se sente? Às vezes, ao caminhar, é como se eu mesma visse meu próprio andar. Como se não estivesse em mim. Como se estivesse além. Ou dentro demais. Pode ser. Não tinha pensado nisso. Ao entrar demais em mim, é possível que eu tenha encontrado a essência do que me criou. Será que é isso que enxergo? Com aquela sensação de câmera lenta (uma coisa entre Matrix e Inception). Será que aquilo que criei me olha também? É preferível a fuga ou a realidade? Como sabemos qual é qual? Aceitar essa dicotomia nos faz felizes? Alma é algo que também sorri. Com asas para voar, fica presa no corpo só pra quem nunca tentou sair. Quando as janelas se fecham no sono, as portas se abrem, e ela sai para passear. Talvez, só talvez, se a gente treinar um pouquinho, se a gente querer um tantinho, se a gente deixar, pode ser que ela dê umas voltas com nossos olhos abertos também. É, pode ser... Pode ser que eu seja o sonho de alguém. Um pedacinho de algo maior, um pedacinho de um desejo... Pode ser.
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