Fille du soleil
9 Aaron/Shawn/Piper
Notas iniciais
Aaron POV
Quando os campistas perceberam o que estava acontecendo, correram a esmo, às vezes brandindo suas espadas e, muito convenientemente erguendo seus escudos. O caso é um seguinte: um pégaso autômato de bronze pairava em círculos sobre a clareira, atirando penas assassinas pela boca em tudo que se movesse. Antes de correr para detrás de um cedro, vi ainda umas cinco pessoas tombarem, além do menino. Entre meu escudo e minha camiseta eu carregava uma réplica de um Colt que disparava balas de ouro imperial, — Sim, eu levei uma arma de fogo para o jogo, me julguem — então o peguei e, usando a árvore como escudo, comecei a atirar contra o bicho.
Ainda fascinado com suas juntas perfeitas e movimentos ágeis, o vi voltar sua cabeça para mim e escancarar a boca, disparando penas na minha direção. Só senti os baques na madeira da árvore. Alguma ninfa não iria ficar muito feliz. Arrisquei uma espiada e o pegaso tinha outro alvo. Percebi que várias flechas eram disparadas contra ele, mas elas apenas ricocheteavam no metal. Corri para detrás de outra árvore, afim arranjar uma posição melhor para atirar, e voltei a atingir o bicho. Mais uma vez ele disparou penas contra mim, que cessaram segundos depois.
Assim que espiei novamente, uma pena atingiu meu cotovelo, e uma dor excrusciante me invadiu, retirando todo o ar dos meus pulmões, e me fazendo desejar morrer, somente para acabar com a quele sofrimento. Um milésimo de segundo depois, outra pena passou no meu tórax, aumentando ainda mais meu suplício e me derrubando. Senti gosto de sangue e grama e quando o monstro abriu a boca para me acertar de uma vez por todas, uma flecha dourada flamejante atingiu sua junta debaixo da asa direita e ele cambaleou, mudando o alvo.
Se lembre de agradecer eternamente à Piper, pensei, até que a dor dominou meu peito, meu corpo e minha razão, e tudo ficou preto.
Piper POV
Assim que ouvi os gritos e me virei em direção ao som, vi o pegaso e, a princípio eu não me alarmaria, se não fossem pelos projéteis longos e finos saindo de sua boca. Escalei rapidamente um pinheiro dali e pude visualizar melhor a cena. Sem pensar muito, comecei a atirar minhas flechas no bicho e fiquei assim por alguns minutos até que percebi que elas não produziam o menor efeito no metal.
Desci correndo até a borda da clareira e subi em outra árvore, com um plano desesperado em mente. Até ali eu percebera que meu arco mágico atendia meus desejos em relação ao tipo de flechas: curtas ou longas, afiadas ou arredondadas. Mas eu nunca havia tentado algo tão diferente quanto aquilo. Então vi Aaron atirando de uma arma contra o bicho e, este revidou com seus projeteis. Eu não poderia deixar meus amigos se machucarem.
Estendi a corda o máximo possível e uma flecha longa e fina, com a ponta afiada, apareceu. Não era o que eu esperava. Depositei toda a minha concentração na ponta mas nada aconteceu. Pelo canto do olho vi Aaron correr para detrás de outra árvore e voltar a atirar. Concentre-se, Piper, pensei, e voltei a fitar a ponta da flecha. Segundos depois começou a fazer efeito, e uma chama apareceu, envolvendo a ponta da flecha, e começou a crescer.
Então vi Aaron ser atingido por uma pena, depois por outra e cair. Não, ele não podia morrer, pelo menos não desse jeito. Encontrei uma abertura embaixo da junta de uma das asas do bicho e disparei. Rezando a todos os deuses dos quais me lembrava, para que Aaron sobrevivesse.
Shawn POV
Quando ia desistir de atirar, uma flecha flamejante atingiu o bicho e ele cambaleou. Então mais cinco flechas iguais atingiram-no, fazendo voar mais baixo, atirando penas a esmo. Então ele começou a se recuperar e desviar das flechas, mas vi um brilho leve através das juntas. Seu interior estava começando a pegar fogo. Continuei atirando, mas as minhas flechas não faziam efeito.
Quando vi que, apesar do mini incêndio, o monsto não cedia, comecei a perder as esperanças e aceitar que o acampamento seria destruído e todos morreríamos. Isto é, até que uma flecha diferente de todas que eu havia visto na minha vida atingiu o traseiro do monstro, tão eficiente quanto a minha. Mas assim que ele se virou na direção do tiro, preparando um ataque, outra flecha o atingiu na boca aberta. O bicho parou no ar e seus membros começaram a ter espasmos bruscos durante mais ou menos um minuto, e ele despencou no meio da floresta.
Então, na clareira, uma garotinha de uns doze anos, com uma aura sobrenatural prateada apareceu, seu arco em punho, como se dissesse: não precisam me agradecer. Seguida a ela, uma garota alta e cabelos curtos e pretos, mais uma dúzia de garotas entre dez e desesseis anos. Quíron e Sr Jackson entraram correndo na clareira, preocupados.
Centenas de campistas apavorados e machucados se reuniram em torno da clareira, esperando orientações.
– Não se deseperem — Quíron disse — Cuidem dos feridos. -Sr Jackson ergueu uma garota loira do chão, sem nehum sinal de vida e começou a se afastar. — E muito obriado Lady Ártemis.
Antes que eu pudesse pensar o que ele queria dizer com isso, Lindsey, chegou correndo, obvamente exausta e, assim que pegou fôlego, em frente a Quíron, falou:
– Peleu está morto. Alguém roubou o Velocino de Ouro.
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