Filhos do Sol
4 # 03 - A fortaleza do céu
Notas iniciais
Capítulo III – A Fortaleza do Céu
Eu abri os olhos. Primeiro tudo era escuridão, infinita e poderosa. Aos poucos consegui ver pequenos pontos brilhantes. O céu repousava acima de mim, em sua suprema delicadeza, forrado por nuvens brancas e uma lua brilhante. Fiquei ali, parada; observando tamanha beleza. Ele estava tão perto que se eu estendesse as mãos poderia tocá-lo.
Eu estendi a minha mão, na intenção de ver até onde eu poderia chegar. Cheguei até rápido demais... A superfície era lisa e plana. E nela estava reproduzida o que eu mais queria ver. Uma lágrima rolou do canto do meu olho e fez com que eu voltasse à realidade. Corri a mão levemente para ver se havia algo que pudesse ser uma alavanca. Achei, puxei-a e logo aquilo tudo apagou e se iluminou, me deixando cega por alguns instantes. A superfície que estava bem na minha frente se levantou e eu pude ver tudo o que estava a minha volta.
Era como um sarcófago, dentro de uma sala totalmente branca e cinza. Uma escrivaninha de madeira descansava encostada em uma das paredes. Eu levantei meio tonta ainda pela pancada que havia levado na nuca. Aquele Yound Drifon, quem ele pensa que é?
Andei cambaleante até a porta, antes de abri-la olhei para a escrivaninha: um pedaço de pão e um copo de metal com algo dentro fizeram meu estômago roncar. Me aproximei e peguei o pão; cheirei, e em uma mordida a metade fora arrancada. Sem pensar muito engoli o que estava no copo, era doce e suculento. Se eu fosse morrer envenenada, que fosse ali.
Após comer, andei até a porta e a empurrei. Ela rangeu, o metal velho já estava se apodrecendo, mas tudo estava inteiro. Caminhei pelos corredores de metal, e em todas as partes em que eu olhava, tubos e conexões podiam ser vistas. Segui os tubos, até dar em um grande corredor com várias ramificações. Escolhi na sorte uma e segui, um som de falatório inundou o corredor, me espreitei para olhar uma das muitas salas.
Era grande e possuía uma grande muralha de vidro; de lá se podia ver o céu. Que lugar é esse? Pensei comigo mesmo até que uma mão encostou em meu ombro. Girei rapidamente e acertei um soco na lateral do rosto de um homem: Yound.
- Você bate forte menina. — Ele sorriu e limpou o filete de sangue que escorreu de sua boca.
- Onde estamos? Que lugar é esse? — Eu não entendia a situação em que eu havia me metido.
- Eu já te disse, essa é Gridreal. Você deve estar surpresa por não conseguir ver o chão pela aquela janela. Não é? — Realmente o que ele dizia era verdade.
- Me explique.
- Essa cidade flutua. Um grande sistema de anti gravidade faz com que ela flutue acima do deserto. Ela é presa ao chão por enormes correntes. Ela é o lugar mais seguro desta terra. Nem mesmo os murlogs tentam vir aqui por causa do deserto. Uma verdadeira fortaleza. — Aquilo me deixou perplexa. Sistema anti gravidade? Flutuação? Um pensamento rápido desviou minha atenção: Roll!
- ONDE ESTÁ ROLL?! — não lembrava o que havia acontecido, a ultima coisa que me lembro é dele ferido e de estarmos sendo levados por eles.
- Ele está dormindo. Parece que ele tem bastante vontade de viver. Bem se quiser vê-lo, ele está no corredor sul, basta apenas seguir os canos amarelos, que eles te levaram para uma grande sala, lá você encontrará alguem. É só perguntar. Agora vou indo, minha barriga está roncando de fome.
Ele entrou na porta onde todos falavam. Segui os canos amarelos e realmente eles me levaram à uma grande sala. Uma mulher sentada em uma cadeira me recepcionou e me indicou qual era o quarto de Roll. Entrei pela porta e lá estava ele. Quieto, descansando em um longo e pesado sono. Me sentei na cadeira que ficava ao lado de sua cama e chorei, pois sabia que eu era a culpada por ele estar assim.
Uma mão quente correu pelo eu rosto e secou minhas lágrimas. Ele me olhava com seus olhos castanhos enquanto que secava minhas lágrimas.
- Porque está chorando? — Ele me perguntou tentando se levantar.
- Graças a mim você está assim. — mais uma lágrima rolou.
- Hump. É só um arranhão. Ele se sentou na cama. Já estou melh... — ele fez uma cara de dor. — … melhor...
Um sorriso se formou em seu rosto e acalmou meu coração. Conversamos durante horas até que Yound entrou pela porta.
- Preciso falar com vocês dois. — Seu olhar era sério e parecia abalado.
- Algo aconteceu? — Perguntou Roll enquanto que ele vestia um casaco de couro.
- Me sigam. Ajude ele. — ele nos esperou do lado de fora.
Saímos pela porta e o seguimos até uma grande sala com vários computadores. Nunca havia visto um maquinário como aquele antes. Ele colocou em um grande telão uma imagem meio distorcida e começou a falar.
- Essa é uma foto tirada por um Boot, um robô guiado por controle remoto. Vejam com atenção. — Estava meia distorcida, mas sabíamos do que se tratava: murlogs.
- Murlogs? O que eles estão fazendo aqui? Você não disse que eles não se aventuravam aqui nesse deserto? — Eu olhava espantada, já sabia o motivo deles estarem ali.
- É verdade. Isso é muito estranho, mas o mais estranho é esse murlog que vem à frente. Veja esta outra imagem. — Ele trocou a imagem. Ele andava de quatro e provavelmente era do mesmo tamanho daqueles que haviam invadido sua cidade. — eles estão vindo em direção a uma das correntes, provavelmente irão subir. — ele falava calmamente.
- Eles não podem, vocês não tem armas? Podemos lutar! — ele continuava olhando o monitor que constantemente mudava de imagem.
- Não se preocupe. Em exatamente: Três, dois, um! Pronto. Estão todos mortos. — A imagem trocou para uma tela totalmente branca, e em seguida apenas alguns restos dos murlogs se encontravam no chão. O que aconteceu ali?! Me perguntei enquanto que olhava espantada, Roll deve ter pensado a mesma coisa.
Um silencio se fez presente naquele lugar, olhávamos para a tela espantados, enquanto que Yound se vangloriava silenciosamente pela potencia de sua arma. Na minha mente imagens e especulações se formavam; se eles tinham essa arma, porque não ajudaram minha antiga cidade? Não me contive e perguntei.
- Vocês receberam um chamado de ajuda a mais ou menos duas semanas atrás? — a minha pergunta deixou o homem perplexo.
- Sim. Como era mesmo o nome dela? É... ah lembrei. NeoFenix, certo? — ele sorria sarcasticamente enquanto que olhava para mim. Controlei minha vontade de arrancar à força aquele sorriso e continuei.
- Se receberam, porque não ajudaram? — o ódio começava a fervilhar dentro de mim.
- Porque não queríamos. Era uma cidade rival, consumidora de recursos. Assim como nós; precisávamos nos proteger. Ajudar uma cidade inteira custa muito. Mas porque você pergunta isso? — ele continuava a olhar para a tela até que me encarou.
- Por nada. Minha cidade também recebeu esse chamado, mas quando chegamos, já era tarde demais. Quando voltávamos fomos encurralados pelos murlogs e assim viemos parar nesse inferno de areia. — a mentira era o único meio de fugir daquele homem.
Me virei para poder voltar ao lugar de onde eu havia vinda até que uma forte dor na lateral de minha cabeça me fez cair de joelhos.
- LIZIE!!! — gritou Roll, ele veio mancando e me segurou pelo braço. Mais uma vez aquela garota estava em minha mente, e me chamando.
- O que está acontecendo com ela? — perguntou Yound enquanto que se ajoelhando ao meu lado.
- D...dói... — minha cabeça latejava, era como se uma lança fosse cravada em meu cérebro e não me matasse.
Uma luz vermelha inundou a sala, rapidamente os olhares de todos se voltaram para o telão. Onde havia o corpo do murlog gigante agora havia uma elevado de membranas. Ele se levantava e descia, como se estivesse respirando. Os olhos de Yound se arregalaram, pude ver no meio de minha dor, ele levantou-se rapidamente e deu as ordens desesperado.
- O canhão está pronto? — Ele observava aquilo subindo e descendo. Uma mulher respondeu ao fundo.
- Não senhor! Faltam dez minutos. — a dor cessou.
Aquela coisa que subia e descia explodiu, mostrando uma criatura ainda maior que a outra, mas uma peculiaridade podia ser observada ali, quatro pares de asas se estendiam por todo o corpo escamoso. Me espantei com aquele monstro.
- Que monstro é esse? — eu me levantei com esforço, minhas pernas bambeavam, Rolland me ajudou mesmo estando ainda machucado.
- Um murlog nível quatro. — sua cara era a mais espantada possível. Murlog nível quatro? o que ele quis dizer com isso?
- Como assim nível quatro? Me explique. — ele me olhou e deu ordens para que grupos se posicionasse nas baterias anti aéreas acopladas nas laterais da fortaleza.
- Nós já confirmamos quatro tipos de murlogs: os de nível um, são os que servem apenas para a frente de batalha, meros peões; nível dois, são como nossas unidades de elite, murlogs de tamanho normal, mas extremamente ágeis e com muita força física; nível três, os murlogs gigante, servem apenas para a destruição das barreiras; e os nível quatro, os que traspassavam as barreiras e destroem o interior das cidades por possuírem asas. Todos eles evoluem do nível um. O tamanho máximo é o daqueles gigantes, mas esse é diferente, ele evoluiu diretamente do nível três. Olhe o tamanho dele, triplicou devido ao porte físico. Uma verdadeira máquina de destruição.
Senti meu coração ser comprimido em meu peito, como se uma cobra constritora estivesse apertando-o. Minha respiração ficava cada vez mais ofegante toda vez que lembrava daqueles monstros e agora não era diferente.
Sabia que aquilo tudo era minha culpa e que aquele monstro estava preparando-se para me pegar aqui em cima. Temia a morte de todos ao meu redor, porém algo mudou minha visão. Uma mão quente me acariciou a cabeça e me fez lembrar de coisas boas; Rolland estava ao meu lado e sei que ele iria até o inferno comigo.
Minhas pernas ainda bambeavam quando me levantei e ao mesmo tempo a criatura levantou vôo... Uma premissa para um massacre.
Mais uma vez eu estaria cara a cara com a morte.
Notas finais
* Depois de quase um ano (exagerado...) sem postar nada eu decidi terminar esse cap e posta-lo. Não sei quando sai o próximo, talvez após eu colocar um cap de cada uma de minhas histórias que estão atrasadas... T_T
Bem Sayonara...
Desligando.
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