Filhos da Ordem Chamas da Justiça
6 Capítulo 6
Quando notou que não fazia sentido ele decidiu que era melhor matar logo antes que os homens começassem a atacar outra vez, o que não fez tanta diferença, assim que ele decapitou os dois homens, eles correram para a cabana, quando eles estavam no meio do caminho Liana e Valq apareceram na varanda.
Elas gritaram e eles olharam para trás, Pryor virou a tempo de pegar uma flecha que iria pegar na garganta de Eran, ele mal conseguiu acreditar, Pryor falou para que ele fosse ate elas e ajudasse-as a cuidar dos outros que ele iria segurar eles.
Eran disparou com uma rápida troca de olhares com Valq, ela e Liana entraram na cabana e voltaram em seguida com um arco e flecha para cada um deles, e uma espada para Eran.
Enquanto isso Pryor avançava para os homens de preto, ele não sabia e nem se importava com quantos eram ele se movia rápido, os homens mal podiam bloquear seus ataques, eles estavam se esforçando para atacar, mas não adiantava Pryor conseguia defender todos.
Tudo em volta de Pryor foi coberto por uma nevoa densa, nem ele conseguia enxergar, ele apenas sentia onde cada inimigo estava.
Liana estava parada ao lado de Valq e Eran eles não tiveram tempo para disparar muitas flechas, logo depois que Pryor havia começado a lutar a nevoa se tornou muito densa, eles poderiam atingir Pryor, o que fez com que eles ficassem lá parados sem poder fazer nada.
– Alguém tem alguma ideia de como ajudar? – Liana estava nervosa, ela não tinha certeza se ele conseguiria lutar com todos aqueles homens.
– Não, se a nevoa ficasse um pouco menos densa eu poderia usar magia para ver através dela. – Respondeu Valq tristemente.
Lá dentro eles ouviram Minuli gemer, e Valq foi ver o que era, quando ela voltou sua expressão era sombria, Minuli estava ao lado do corpo de Faur que tinha começado a vomitar sangue, ate que morreu.
Eles se sentiram culpados por não terem dado atenção aos feridos, quando ouviram um som estranho, Liana tentou correr, mas Eran a segurou pelo braço e conseguiu convencer ela que Pryor ainda estava vivo.
– Se ele tivesse morrido essa nevoa teria começado a se desfazer, e teria ficado mais fraca se ele estivesse muito ferido. – Eran não estava muito certo sobre o que falava mais ele pareceu tão confiante quanto pode.
– Acho que não tem muito que fazer. – Liana claramente não gostou de ter que ficar ali parada. – Como Tobiro e Minuli estão?
– Eles estão fora de perigo, Minuli já esta acordada, mais Tobiro ainda esta suando frio e com dores fortes.
Pryor não sabia o que tinha sido o barulho estranho mais decidiu que era melhor não ficar pensando nisso, e sim nos inimigos a sua volta, ele finalmente estava ficando cansado, nos dois minutos seguintes ele foi acertado três vezes, uma no antebraço direito, uma na coxa esquerda, e uma nas costas.
Mais ele tinha matado muitos, ele não excitava mais em lutar com ele, os inimigo eram corpos sem mente, não tinha motivo algum para ele ficar se segurando, ele tinha que matar todos, e manter seus amigos em segurança. À medida que ele foi ficando cansado a nevoa foi se dissipando, e então ele viu que os únicos homens de preto que tinham eram os que lutavam com ele, os outros estavam mortos.
Todos com o corpo cortado exatamente ao meio, um corte vertical perfeitamente reto, Pryor não tinha ideia de como era possível, mais tudo que fez foi agradecer, não teria chance de sobreviver caso tivesse que lutar com todos aqueles homens, ele não tinha certeza se era possível aguentar lutar com os poucos que ainda estavam vivos.
Ele lutou para manter a espada erguida, e avançou cada parte de seu corpo doía tudo nele estava ficando mais rígido a cada momento, se continuasse assim ele achava que provavelmente iria ficar imóvel, tinha que acabar rápido com isso ou era ele quem estaria acabado.
Cada golpe que ele bloqueava era difícil, se manter de pé tinha se tornado uma tarefa difícil, ele decidiu fazer duas notas mentais, primeira: Nunca mais demorar tanto caso aquele calor tomasse conta dele outra vez, a segunda: Aprender a controlar aquilo. Se fosse depender de tal tipo d coisa era melhor que fosse capaz de parar antes que ficasse tão cansado.
Pryor notou que eles não se protegiam se pegos de surpresa, era como se não tivessem medo da morte, eles não tinham aquele instinto que te obriga a fazer algo para não morrer. Ele defendeu os ataques com muita dificuldade, e começou a se questionar se ninguém viria ajudar, então duas flechas atravessaram o pescoço de três dos soldados, e sobrou dois, estava um de cada lado.
Pryor confiou que eles cuidariam do homem atrás dele, e virou-se, ele atacou com tudo que tinha confiante de que se matasse aquele ultimo homem poderia finalmente descansar, como não foi atacado deduziu que estava certo e que tinham matado o homem atrás dele. A cada golpe seus braços ficavam mais e mais pesados, até que finalmente foi superado a lamina gelada cortou-o na lateral da barriga. Aquela era a chance que ele precisava, ele enfiou a espada na garganta do homem sem hesitar.
Ambos caíram para o lado, o mundo começou a perder a cor, momentos antes de perder a consciência ele ouviu seus amigos se aproximarem, então desmaiou durante o tempo que esteve descordado ele permanecia flutuando imóvel em lugar nenhum, o mundo a sua volta era escuro, ele não sentia seu corpo, não conseguia respirar, não conseguia fazer nada. Então ele desconfiou que tivesse morrido.
– Que maneira mais idiota de morrer. – Ele pensou tentado rir da situação.
Era difícil manter o bom humor naquela situação, mas ele precisava de alguma forma de voltar, não podia morrer, não ainda, ele ainda tinha que se vingar, e também seus amigos poderiam estar precisando dele. Ele tentou voltar, mas não conseguia, para Pryor já tinham se passado dias, desde que ele foi parar naquele lugar.
Quando ele acordou ele tremia e suava frio, Liana estava trocando seus curativos, a dor era horrível, ele conseguiu abrir os olhos, o que foi um grande alivio, mas isso foi tudo que ele conseguiu. Liana estava com uma expressão triste, ele não conseguiu se mover, nem falar. Tudo que ele pode fazer foi tossir, ainda que muito fracamente, mais foi o suficiente para ela ouvir.
Quando Liana olhou para ele, ela ficou aliviada, ela abraçou-o, e depois notou que devia estar machucando ele, já que ele estava gemendo, uma lagrima escorria pelo rosto dela. Os olhos daquela jovem Kaugag ficaram cheios de lagrimas, ela começou a sorrir.
– Como você esta? – ela perguntou – O que aconteceu com você?
Pryor não conseguiu falar nada, então Valq disse – Ele não vai conseguir falar nada por um tempo.
– Duvido que ele consiga se mexer. – Falou Minuli que agora estava bem, e não dava para acreditar que ela tinha estado tão mal há, dois dias? Três? Pryor não tinha ideia.
Liana olhou-o e notou que de fato ele não fazia nenhum movimento, Minuli se ofereceu para terminar de fazer os curativos, e deu um liquido verde e amargo para que Pryor bebesse. Aquilo tinha um gosto horrível mais não importava, ele não conseguia nem mesmo cuspir aquilo, não que quisesse mais não tinha duvida que o teria feito automaticamente se pudesse se mexer.
– Eu te entendo, foi isso que tive que tomar. – Minuli falou e logo em seguida fez uma careta, provavelmente de lembrar-se do gosto, mas continuou – Dificilmente algo que é bom tem um gosto bom, é assim para quase todos os remédios e poções de cura.
Depois de mais alguns minutos com Minuli usando magia para curar ele, Pryor conseguiu falar. – Muito obrigado. – foi a primeira frase dele. – Minuli você disse que eu não conseguiria falar, me pareceu que você já tinha visto ou passado por seja lá o que tenha acontecido comigo, estou certo? – Ele teve dificuldade para falar, e teve que fazer algumas pausas.
– Sim Valq e eu ouvimos algumas historias quando ainda estávamos aprendendo a usar magia. Uma delas é sobre um jovem que começa a ficar quente, e depois era envolto em um tipo de nevoa. Segundo a historia depois de usar esse poder, ele sempre ficava incapaz de se mexer, às vezes por horas, dias ou ate semanas.
– Quero saber mais sobre essa historia. – disse Pryor.
– Você vai assim que chegarmos à sede da ordem.
Pryor não estava nada satisfeito em ter que esperar tanto tempo, mais ele sabia que não tinha opção. Tudo que ele poderia fazer era esperar pacientemente até chegar, o que o lembrou de perguntar.
– E quando vamos chegar lá?
– Bem devemos conseguir chegar daqui a três ou quatro dias.
– E por quanto tempo fiquei desacordado?
– Por uma semana, então decidimos que era melhor seguir viagem. – Respondeu Minuli.
Só então ele notou que estava em outro lugar, era parecido com a cabana, mais o quarto era maior, ainda que pouco mais era, e a cor da madeira era mais escura, ao lado da cama tinha uma mesa.
Uma Rokobo entrou no quarto segurando uma bandeja, ela deveria ter pelo menos um metro de altura, tinha quatro braços, o segundo par ficava pouco a baixo do lado convencional, apesar de não serem todas as espécies que tinham os membros no mesmo lugar de onde ficava o dos humanos, e mais dois nas costas, seu rosto era fino e pontudo, no lugar do ouvido tinha uma bolha, e suas mãos tinham sete longos dedos. A pele era vermelha, assim como o cabelo, os dentes brancos como neve, e pontudos deveriam ser afiados suficiente para rasgar a pele de qualquer um sem problema, os caninos se projetavam por uns quatro centímetros.
– Aqui esta seu almoço. – Ela era incrivelmente linda e sorridente. Usava um belo vestido branco com rosas. – Meu nome é Karen, mas pode me chamar de Ka.
– Meu nome é Pryor, prazer em te conhecer, e desculpe por qualquer coisa.
– Não tem problema, e além do mais, eu gosto de ajudar pessoas, especialmente amigos do Eran.
De repente Pryor sentiu uma onda de dor, e se curvou com a mão sobre a barriga tossindo, o mundo se tornou vermelho. – Estou te esperando, venha logo, e vou te ensinar os segredos, te contar a historia toda, quando for a hora. – a voz soca calma, como se nada pudesse irrita-la, depois disso ele conseguiu se ajeitar na cama.
Ele conseguiu se ajeitar na cama, e explicou o que tinha acontecido depois de conseguir parar de tossir, todos pareceram confusos, não tinham ideia do que aquilo significava, e nem para onde ele tinha que ir.
Minuli perguntou se ele não tinha alguma ideia de qual era o tal lugar para onde a voz pediu para ele ir, talvez fosse para onde ele estava indo antes, ele falou que ia procurar por elas, mais que como não tinha tempo nem ideia de como acharia elas, ele e Liana tinham resolvido que era melhor ir procurar um homem que talvez o ajudasse.
Valq não sabia o porquê mais ela achava que eram elas que iriam levar Pryor para o lugar onde ele conheceria a tal voz, ela falou que era melhor treinar eles antes, para o caso de ser uma armadilha, Eran disse que tinha conseguido enviar uma mensagem para a Ordem e que tinha dito para começarem com os preparativos para a cura de Pryor. Segundo Liana ela já estava totalmente curada então não havia necessidade de fazer nada com ela.
– Quando vamos viajar? Quanto antes chegarmos mais rápido iremos chegar a tal voz. – disse Pryor.
– Amanha de manha partimos você precisa descansar. – Respondeu Valq.
Pryor discutiu falando que estava bem, mais depois de algum tempo acabou desistindo ao notar que não poderia convencer ninguém, então ele teve que ficar na cama pelo resto do dia, o que não o agradava em nada, ele odiava ter que ficar parado, dependendo dos outros para tudo, preferia voltar para a luta há continuar ali, mas não havia nada que ele pudesse fazer, o dia foi um verdadeiro tedio, a comida estava boa, Ka era uma ótima cozinheira, Liana tinha ficado ali fazendo companhia para ele na maior parte do tempo.
Ele ficou chocado ao saber que Faur estava morto, todos pareciam tristes, especialmente Minuli, a simples menção ao nome de Faur fez com que Minuli caísse em prantos os olhos dela ficaram vermelhos e Eran tentava consolar ela. Pryor não sabia qual era a relação entre eles, mas notou que eram bem próximos.
– Mais uma pessoa para min vingar. – pensou Pryor – Isso tem que acabar.
A noite foi igualmente chata a tarde, ele dormiu cedo, não tinha muitas coisas para fazer, sonhou que estava no campo lutando contra aqueles homens, sempre que matava um outros surgiam, logo era um mar de inimigos, ele tentava se convencer de que poderia vence-los.
– Como? Sempre aparecem novos inimigos. – Falou uma voz, vindo de lugar nenhum, então notou que na verdade vinham de dentro da cabeça dele.
– Cala a boca seu idiota. – Ele berrou e logo em seguida notou que não tinha sentido. Quem é você? – Interrogou temendo a resposta e torcendo com todas as forças para que estivesse errado.
– Há mais você não tem tanta sorte ao ponto de errar. – Disse a voz gargalhando, era grave e profunda. – Você sabe quem eu sou.
– Você sou eu? – Nem mesmo Pryor saberia dizer e estava afirmando ou perguntado.
– De certa forma. Mais na verdade, sou a maldade em você. Eu quem sou seu ódio.
Pryor parou de lutar, os homens ficaram parados, sendo engolidos pela terra bem de vagar, ele começou a soar frio, ainda estava numa luta, mais era com o medo e não era ele quem estava levando a melhor. Na verdade estava sendo dominado de forma humilhante.
– Sim – disse voz. – Deixe que o medo te controle me deixe mais forte.
– Nunca. – Ele rosnou.
– Me deixe assumir o controle e você terá sua vingança. Contra todos, contra o mundo.
Apesar do medo ele disparou em direção aos inimigos, matando indiscriminadamente, sem se importar com quem matando, deixou que o ódio o controlasse ate que notou que não estava enfraquecendo a voz, estava deixando-a mais forte e mais rápido.
Pryor tinha cortado varias cabeças, quando foi acertado por um tapa de uma mão invisível no rosto, um tapa de leve mais ainda era definitivamente um tapa, ele caiu assustado e gritou com a voz que ficou calada, então começou a ouvir Liana chamando por ele.
Ele acordou se sentindo fisicamente bem, mais seu estado de espirito e sua mente estavam acabadas, ele fez o melhor que deu para esconder isso, e ou tinha funcionado ou eles tinham decidido não perguntar o que o incomodava.
Levantou e foi ate a cozinha onde comeu um pouco de carne de coelho com Aururu, uma bebida forte e que fazia as pessoas ficarem mais alertas e com mais energias. Todos ainda estavam tristes, Tobiro estava ótimo, não dava para acreditar que a pouco tanto ele quanto Minuli quase tinham morrido.
Fale com o autor