Pryor começou a recobrar a consciência, ele estava amarrado em um tronco, com sua visão ainda turva ele tentou descobrir onde estava, começou a chamar por Liana, algum tempo depois ouviu um gemido.

– Pry... Pryor você esta bem? – Perguntou a jovem kaugag acordando.

– Sim o que está acontecendo? – Ele sacudia a cabeça tentando tirar os cabelos ruivos da frente dos olhos.

– Depois que você desmaiou, fomos atacados por alguns traficantes de escravos, eles acamparam, e nos colocaram nessa tenda, para que não sejamos vistos, estamos perto de Laodim.

– Merda, vou ...

– Cala a boca ou podemos acabar sendo punidos ouviu bem – Interrompeu-o furiosa – ouça se eles ouvirem qualquer coisa vão arrancar sua cabeça e a minha na mesma hora, não importa o quão bom você seja amarrado não tem como se defender, além disso, achei que você fosse o melhor espadachim da mais respeitada escola, e você foi envenenado por um idiota qualquer. – ela logo se arrependeu da ultima parte, mais era orgulhosa e não falou nada.

– Você tem razão – ele disse por fim, acabando com o estranho silencio que havia se instalado ali.

– Não olha, me desculpe eu nã...

– Não tudo bem, vou contar o motivo de eu não ter acabado com aqueles caras sem qualquer dificuldade. – Sua voz agora estava repleta de vergonha e tristeza.

Então continuou após tomar coragem – Eu estava em uma viagem pelo mundo, para tentar descobrir qual meu proposito, para ter algumas aventuras, e quem sabe com alguma sorte me apaixonar por alguma mulher, fosse ela humana ou não. Acontece que ao chegar a Trosduno, acabei lutando com os bandidos que tinham tomado a pequena cidade, eles tinham simpatizantes, pessoas que passavam informações em segredo, e enquanto eu dormia, fui atingido por um dardo com veneno, logo em seguida um feiticeiro entrou e me atacou, consegui atingi-lo com um golpe no peito, para se vingar em seus últimos momentos ele me amaldiçoou, por isso não consigo lutar tão bem, meu corpo está extremamente limitado, meus reflexos, sentidos, minha coordenação, resumindo eu fui limitado.

– Me desculpe – Liana ficou calada por alguns instantes e prosseguiu – Eu não sabia, você veio para saber se o senhor Jaugag podia ajudar?.

– Na verdade não, mais quando eu era criança, certa vez o mestre ficou muito doente, alguns dias depois uma senhora entrou, sem falar nada ela foi andando até ele e começou a cuidar dele, ela fez que ele bebesse um liquido estranho, e depois fez uma espécie de ritual. No dia seguinte ele estava curado, e ela foi embora durante a madrugada, sem que ninguém visse, ela chegou e se foi envolta em neblina. Ele explicou-me um dia que ela tinha usado magia, e que era uma maga muito habilidosa.

– Não quero te deixar sem esperança mais, será que sendo velha ela já não morreu?

– Não sei, ainda não tinha parado para pensar nisso, mais não tem problema, ela tinha duas netas que eram suas discípulas, elas foram lá algumas vezes, para levar remédios ao mestre quando ele ficava doente, e ele sempre insistia que alguém as acompanhasse, eu geralmente me oferecia.

– Homens, não podem ver uma fêmea que já querem impressionar. – Falou dando uma risadinha abafada.

– Não no meu caso, eu ainda tinha nove anos quando as vi pela ultima vez, enquanto elas deviam der entre vinte e oito anos, e trinta e cinco.

– Então por que sempre se oferecia? – Liana mal acabou de falar e ordenou baixinho – Fique quieto e finja ainda não ter acordado, e não discuta comigo.

Ambos fingiram estar inconscientes quando dois guardas entraram, falavam algo sobre uma Chilu, um deles com a voz mais grave, pela voz não foi difícil adivinhar que era um Kek, falava sobre como ela sabia dar prazer a um homem, não foi difícil então para eles deduzirem que se tratava de uma meretriz.

– Por que não se divertir com essa Kaugag um pouco? – Questionou o Kek depois de terem certeza que ambos ainda dormiam, passando as mãos nos seios fartos da jovem, que se controlava para não tentar arrancar-lhe a mão com uma mordida.

– Por que ela vai ser vendida como escrava, e escravas ainda virgens são mais caras, e o chefe já confirmou que ela ainda é virgem. – explicou o outro guarda,

– Droga, chega a ser um crime não se divertir com uma coisinha tão bonita como essa, mais é melhor cometer esse crime a virar um maldito eunuco. – Falou o Kek, então ambos se foram falando outra vez sobre a meretriz.

Depois de confirmarem que eles já tinham ido embora, Liana questionou Pryor sobre o motivo de ele não ter ido diretamente até a tal velha, e ele explicou que não tinha ideia de onde ela morava, e que esperava que o mestre soubesse ou pelo menos conseguisse mandar uma mensagem para ela.

– Por que não ficou lá e esperou um tempo para ver se elas apareciam? – Liana se manteve questionando as atitudes de Pryor tentando entende-lo.

– Por que não tenho tempo a perder, meu estado piora a cada dia que se passa, não posso perder tempo, tenho que dar um jeito de achar algum feiticeiro, mago, ou qualquer outra coisa do tipo para me ajudar logo.

– Se sairmos daqui vivos te levo até um velho amigo do meu pai, talvez ele possa fazer algo, ou pelo menos aliviar um pouco,

– Bem quem sabe ele não sabe onde ou como posso encontrar aquela velha. Na pior das hipóteses, — Falou mais aliviado, pela nova esperança, e continuou – Vamos sair assim que eu me soltar, sabe quanto tempo ainda temos?

– Uma hora, eles vinham checar sempre a cada hora quando estávamos acampados.

– Por quanto tempo eu estive desmaiado?

– Por quatro dias, você até que acordou rápido, a maioria teria levado uma semana mais ou menos para acordar.

– Quantos guardas são você sabe?

– Acho que entre cinquenta e sessenta. Entre eles têm dois Opirumos.

– Isso pode ser um problema, ouça quando eu te soltar fuja e vá para o mais longe que conseguir.

– Mais e você? O que vai fazer? – Ainda que não pudesse ver ela, Pryor sentiu pelo tom da sua voz que Liana estava realmente preocupada.

– Não se preocupe comigo, vou para a cidade mais próxima e uma vez que chegue lá decidirei o que fazer daqui para frente – ele fez uma breve pausa e continuou agora com uma voz melancólica – Tudo que tenho para lembrar-me do mestre é minha espada, tenho que recupera-la antes de partir.

– Então vou ficar e ajudar você, é o mínimo que posso fazer por me ajudar.

– Você já me retribuiu Liana, você não tem motivo para se arriscar.

– Você está certo, já retribui por você ter me ajudado com os caçadores, mais ainda tenho duas dividas com você.

– Acho que lembraria se você tivesse alguma divida comigo, e como não lembro poderia me falar quais são? – Pryor estava realmente curioso, não se lembrava de nenhuma divida.

–Você esta me salvando mais uma vez, e por minha culpa que você foi capturado. – Ela falou decidida.

– Já que você acha que me deve algo, fique segura e não deixe que outros viajantes fiquem perdidos naquela floresta.

– Não adianta, eu vou atrás de você não importa o que você diga. – Seu tom agora era de ordem, como se ela estivesse mandando ele deixar que ela viajasse com ele.

Depois de alguns minutos em silencio um guarda chegou pouco antes de eles chegarem ela tinha avisado ele, então ao chegar lá tudo que viu foram os dois dormindo e presos ao tronco.

– Acordem adem logo – O guarda era um Humano, alto e forte, ele deu alguns chutes para fazê-los acordar, quando não funcionou, ele repetiu agora com mais força.

– Onde – Pryor começou a falar, dando o melhor que podia para convencer que ainda estava acordando, com medo de que os próximos fossem com força, já tinha levado chutes de um Kaugag e não queria repetir a experiência, então continuou após uma breve pausa – onde estou? Liana, onde esta Liana?

– Vamos o Rif, nosso chefe quer ver os dois – Falou o guarda acordando Liana, mexendo nas pernas dela com o pé.

Levantando o rosto ele viu mais três guardas, um Taonim, pouco mais alto que uma criança humana de seis ou sete anos de idade, mais com um belo e pontudo chifre na cabeça, e dois Sugurus, Altos e magros, com varias tatuagens no corpo, para ele as tatuagens não tinham qualquer sentido mais achou que era algum tipo de costume de uma tribo, ou grupo especifico. Eles os soltaram e os conduziram para uma arena improvisada no meio do acampamento também improvisado.

– Meus homens estão entediados, e decidi que você pode trazer alguma diversão – Falou a figura magra e alta sentado em uma espécie de trono, era o tal do Rif.

Olhando para a arena ele viu um homem alto deveria ter quase dois metros, apesar de parecer um humano, ele tinha uma cauda, só quando notou que o osso para fora em seu cotovelo, que ia até pouco antes do ombro, que entendeu que era na verdade era um Haulandi e que o osso na verdade não estava para fora, era na verdade um espinho.

– Por que eu lutaria? Vou ser vendido como escravo de toda forma, por isso não vou lutar. – Pryor tentava parecer contrario a ideia, mais na verdade estava preocupado com sua atual condição.

– Por quê? – Ele parecia surpreso, como se nunca tivessem feito tal pergunta, isso certamente era algo que ele não tinha pensado, após algum tempo com todos em silencio, de repente o homem tamborilar os dedos, e falou finalmente – Se você ganhar posso atender um pedido, claro que não vou atender qualquer pedido, e por que se você falar que não vai aceitar, mando matarem a sua amiga, imagino que você não vá deixar que ela morra, afinal ela que salvou você – Ele parecia estar se divertindo com a situação.

– Já que é assim dê-me uma espada – ele entrou na pequena arena circular improvisada, ignorando Liana que falava para que ele recusasse.

– Espada? Seu oponente está de mãos vazias, e é assim que vai lutar, acha mesmo que tem algum idiota aqui, damos uma espada para você tentar alguma coisa, e perdemos dinheiro por ter que matar você. – Rif estava calmo, mais sua postura alegre, sumiu. – Agora lute.

Ele mal teve tempo de virar para o Haulandi, que já estava a poucos centímetros de acertar-lhe um soco, Pryor mal conseguiu defender o primeiro golpe e já foi acertado por uma joelhada na barriga, assim que ele se levantou o oponente, voltou a atacar, ele apenas foi se defendendo, poucos segundos depois ele já estava conduzindo a luta.

– Venha vamos dançar até a sua morte – ele pensou, pensamento esse parecia divertida para ele, a estranha ideia de dançar ate morrer parecia agrada-lo. Pryor tinha que admitir seu senso de humor era realmente estranho.

Com alguns poucos movimentos e ele teve a oportunidade de acabar com aquela palhaçada, e só não o fez por sua visão ter falhado, e ele achou melhor não arriscar um movimento que poderia acabar com a morte dele e não do oponente, com a oportunidade o Haulandi se aproximou com um salto para tentar acertar ele na garganta com o espinho no cotovelo.

Ele escapou por pouco, e aproveitou para agarra no espinho, e joga-lo no chão, o Haulandi tentou acertar um chute em Pryor mais ele conseguiu defender, e girou a perna do Haulandi, tentando quebra-la, mais foi inútil.

– Por que você luta? – Pryor estava ofegante, ele sabia que tinha que acabar com aquilo rápido ou podia não sair vivo.

– Por que não? – Perguntou o Haulandi – Acho divertido, então não e importo.

– Qual seu nome? – Pryor estava tentando manter-se longe, ate recuperar o folego, jogar um Haulandi era mais cansativo do que parecia.

– Foijiji por que pergunta? E o seu? – Ele mal acabou de responder e avançou para cima de Pryor como se ele fosse um pedaço de carne.

– Pryor.

A luta agora estava mais equilibrada, e Pryor tinha que acabar com aquilo, ele decidiu então para de se segurar, deixou que seu corpo se movesse sozinho, respondendo imediatamente aos golpes do oponente. Sua mente estava focada agora em sentir o mundo a sua volta, em poucos segundos ele marcou em sua mente, em vermelho todos os soldados, os mais perigosos tinham três estrelas vermelhas em cima dele. Depois de fazer isso notou que o oponente estava agora caído no chão e sem os olhos.

Ele parou e deu uma olhada, precisava pensar no que faria se tentaria ou não soltar Liana. O dilema era complicado, ela estava a poucos metros dele, do lado de fora da arena, os soldados ficaram boquiabertos por um momento, e depois começaram a pedir mais.

– Calados – ordenou o homem levantando-se e indo na direção da arena, e falou – Gostaria de ser meu servo? Em troca posso até libertar sua amiga, ou outra coisa que você queira.

– Não tenho intenção de virar servo de ninguém, tenho coisas para resolver e pretendo me manter livre até o dia que morrer.

– Uma pena, você é um guerreiro formidável. – Parecendo decepcionado pela resposta ele foi andando até sumir nas sombras.

Pryor foi andando até os guardas que o tinham escoltado, e olhando para Liana ele falou para ela, que ficasse abaixada e assim que pudesse para um lugar seguro, na língua dela o que a deixou surpresa, e como ele não sabia pronunciar direito ela acabou dando uma risada.

– O que os dois estão falando? Quando conversarem fale na língua humana ouviram? – Avisou o guarda furioso, que tinha escoltado eles e estava segurando Liana.

– Apenas estava pedindo desculpas a ela por não ter aceitado e libertado ela, achei que devia tentar arriscar me desculpar na língua nativa dela.

– Então por que ela riu?

– Por que ele não sabe falar muito bem.

O guarda foi amarrar Pryor, que com um movimento rápido, roubou-lhe a espada e enfiou-lhe na garganta, e jogou Liana no chão, outro guarda tentou ataca-lo por trás, sem sucesso, pois ele bloqueou sem nem se virar, ele acertou o homem com um chute no joelho, virou e acertou um golpe no peito do homem.

A mente e o corpo estavam trabalhando separadamente, a mente vigiando o mundo ao redor, com os sentidos em seu máximo, e o corpo se movendo por instinto, lutando, matando, cada inimigo, os inimigos atacavam, eles vinham aos montes, mais ainda eram lentos demais.

Bloquear, Esquivar, Atacar, e Matar.

Essa sequencia de movimentos era como ele se movia, realizando cada um dos movimentos sem muitos floreios, ele eliminava cada um dos inimigos, o corpo se movia sozinho, com algumas eventuais interferências da mente para avisar de algum perigo, que rapidamente era eliminado, não importavam quantos atacassem de uma vez, era inútil ele conseguia rechaçar todos.

Ele olhou a sua volta procurando saber se Liana ainda estava segura, e viu-a lutando a poucos metros dele, ele ficou aliviado por ela estar bem e segura, e por estar ajudando, não sabia quanto tempo ainda ia aguentar, ela olhou para ele como quem dizia: Não sou uma princesa indefesa, que tem que ser protegida, que não sabe se cuidar, além do mais se eu não fizer nada você pode não aguentar.

Só tinham mais dez guardas, e um que voltava com o homem e mais dois Sorrins, duas enormes e fortes criaturas, com os três olhos cheios de loucura, o maior disparou na direção de Pryor ao sinal do homem, a criatura insana, que lembrava um gorila, só que maior e mais absurdamente forte, socou o chão tentando acertar ele mais Pryor tinha saltado para o lado pouco antes escapando por pouco.

– Siguma vá ajudar Saura – Disse o homem para o outro Sorrin surpreso ao ver a fera errar seu alvo.

– Ótimo, como se eu já não estivesse com problemas o suficiente agora tinham dois Sorrins tentando mata-lo, isso era tudo que ele não precisava – Pensou.

Ele tinha que achar uma forma de acabar com eles rápido, Siguma atacou-lhe com um soco, ele levantou e olhou ao redor procurando por algum soldado caído próximo, o mais próximo estava embaixo dos pés de Saura, ele tinha sido jogado para longe dos corpos, tinha que conseguir uma segunda espada.

– Venha me pegar se puder feioso – Falou fazendo caretas para provocar as duas criaturas, o que funcionou porem eles ficaram com mais raiva do que Pryor queria.

As duas feras correram em sua direção, e ele rolou por baixo de Siguma, e foi correndo até o corpo esmagado por Saura, e pegou a espada, virou-se tinha que se manter calmo, as duas feras atacaram ele, com um salto para o lado fez um corte no abdômen de Siguma e virou para arriscar uma estocada nas costas dele, mais Saura já estava quase em cima dele.

Pryor recuou e se preparando para defender caso um deles atacasse, só então notou que os poucos guardas que tinham sobrado, estavam lutando com Liana que parecia não estar com nenhuma dificuldade, mais ambos estavam cansados, e próximos ao limite, Pryor não via muitas escolhas, teria que se arriscar.

Siguma foi o primeiro a avançar e todos pararam e ficaram surpresos com o que Pryor fez, ele saltou na direção de Siguma, e enfiou-lhe a espada na cara com uma estocada, o corpo do pobre animal caiu em cima dele, que saiu com alguma dificuldade, para sua sorte até mesmo Saura estava parado perplexo com a atitude dele para fazer algo.

Ele encarou Liana, que entendeu a mensagem e atacou os dois guardas parados a sua frente, e matou-os decapitando um e atravessando a garganta do outro, essa atitude fez com que a luta voltasse, Saura continuou imóvel apesar das ordens de Rif, ele gritou e começou a bater violenta e freneticamente nos peitos.

Ele avançou na direção de Pryor, parou pouco antes de chegar até ele e tentou dar-lhe um soco, a criatura estava fora de controle, e se Pryor não resolvesse isso logo, seria uma questão de tempo até que morresse, e sabia que a mesma coisa não funcionaria uma segunda vez, tinha que pensar em outra coisa.

Depois de algum tempo se esquivando dos ataques de Saura ele já estava cansado de mais para continuar com aquele jogo, ele fez uma coisa que ninguém esperava, deixou que Saura acertasse um soco nele, jogando-o longe, ele se forçou a levantar apesar da dor, e correu sumindo na escuridão, esperava que a fera estivesse em seu encalço, se escondeu entre algumas moitas no escuro e esperou, quando não viu Saura, começou a ficar preocupado com Liana, e pouco antes dele correr de volta para onde ela estava, o Sorrin apareceu destruindo tudo em seu caminho, teria que mata-lo rápido e com um único golpe se possível, Sorrins não enxergam bem, e era com isso que ele contava, vinte metros, dez metros, cinco metros, um metro, e Pryor saltou acertando o olho na testa da criatura, e enfiando com toda sua força a espada pela cabeça dele, até que a espada saiu do outro lado da cabeça da fera.

Com cuidado foi voltando na direção de onde estava Liana, tinha que pensar em algo para poder salva-la caso estivesse em perigo, quando voltou ao lugar só tinha Liana e Rif, que tentava captura-la para fazer dela uma refém, ou era o que ele esperava, como só tinha um corpo a mais ele deduziu que os outros guardas tinham ido procurar ele, Pryor foi se esgueirando pela escuridão tentando se aproximar de Rif mais eles não ficavam em um lugar por muito tempo e sempre longe das sombras.

Rif saltou com uma estocada na direção de Liana que se esquivou, mais ele foi mais rápido que ela, e consegui acertar um golpe em cheio na coxa dela antes que ela pudesse se afastar mais, com um grito ela caiu no chão, e Pryor jogou uma pedra para chamar a atenção dele.

– Estou aqui – ele disse saindo das sombras e indo na direção deles com as espadas em punho.

– Renda-se ou mato sua amiga – Rif parecia feliz por finalmente acabar com aquilo, estava furioso por ter se envolvido na luta, ou por ter tido uma luta.

– Por que não tenta me pegar? Acha que não consegue me vencer e me matar de forma honesta? – Ele queria estar confiante de que não perderia, mais Rif parecia bom, teria que acabar com aquilo antes que. – Maldição justo agora? Serio? – ele pensou quando sentiu o corpo ficar tão fraco que deveria ter ficado pálido e demonstrado que não iria aguentar lutar por muito tempo, pois Rif sorriu.

– Você sem duvida é bom – Ele pode observar uma esperança em Pryor de que estava conseguindo a chance para Liana escapar ou mata-lo, e falou – Porem eu não sou idiota, — e atravessou o peito de Liana.

Pryor gritou não entendeu por que ele tinha feito aquilo, jogar fora sua única refém, e a provavelmente única pessoa que ele ainda tinha para vender, aquilo não tinha sentido, ambos avançaram na direção do outro, Pryor com raiva, o ódio estava estampado em seu rosto, era a segunda vez que perdia alguém em tão pouco tempo, e Rif parecia divertir-se com aquilo, sorria, um sorriso cruel e sinistro.

– Vou mata-lo bem dolorosamente seu maldito – Pryor estava definitivamente abalado, gritava entre os dentes – Por que fez isso? – e atacou com um golpe de cima para baixo.

– Por que não? Por que deixar ela viva para me atacar por trás? – Rif questionou depois de desviar do golpe de Pryor e tentar ataca-lo, estava sendo honesto isso era visível, para ele a vida não era nada, não significava nada.

Aquilo deixou Pryor ainda mais furioso – A vida não significa nada para você? – Ele bloqueou o golpe de Rif, as espadas deles estavam cruzadas, eles aproximaram o rosto ao oponente.

– Não – Disse Rif com a sobrancelha erguida – Por que deveria? Tudo que me importa é o dinheiro, se a vida de alguém me trouxer dinheiro então importa, mais quando trás prejuízo prefiro acabar logo com a pessoa.

Saltaram para trás e continuaram a trocar golpes e mais golpes, sem que nenhum deles fosse ferido, e isso os deixava irritados, ambos queriam acabar logo com aquilo.

Quando os guardas apareceram Rif falou parecendo tão ameaçador que Pryor achou que era outra pessoa – Se alguém se meter eu mesmo mato – E gritou – Ouviram?

– Sim senhor – Os soldados responderam quase que em uníssono, estavam realmente assustados, como se ele pudesse mata-los da forma mais desumana e cruel possível, e disso Pryor não duvidava.

Então voltou a se concentrar no combate, ambos agora analisavam um ao outro, andando em círculos, procurando uma brecha a postura de ambos agora era fria, analisando o oponente, mais Rif sabia que o ódio de Pryor não havia sumido, estava lá, escondido bem no fundo dele, mais ainda estava lá. Decidiu arriscar provoca-lo para ver se o abalava para atacar.

– Sabia que por pouco não erro o coração dessa pobre Kaugag? – O sorriso falso em seu rosto era provocante e frio, ele fingiu conter uma gargalhada. – Ainda bem que consegui me livrar dela – completou suspirando como se estivesse aliviado.

Esperava que tal provocação tivesse funcionado, e funcionou, viu a raiva se acender no rosto dele, mesmo que por um único instante, tinha que continuar provocando ele para acabar logo com aquilo e voltar a sua vida de sempre.

Quando Rif abaixou a espada um pouco, parecendo cansado Pryor decidiu atacar com um movimento rápido, aquela era a raiva falando, e notou que não devia deixar que a raiva tivesse participação na decisão dele, quando teve uma das espadas jogadas longe, e agarrou com firmeza a única espada que restara, olhou para a espada caída. Estava muito próximo aos soldados e longe deles, nunca conseguiria chegar a ate sem correr riscos desnecessários.

Saltaram e cruzaram as espadas, Pryor conseguiu jogar a espada de Rif no chão mais a dele acabou indo junto, antes que Rif pudesse tentar pegar a espada Pryor deu-lhe uma joelhada na barriga, e saltou sobre ele, socou Rif por vários minutos os soldados estavam tão assustados com o que viam que nem sequer se moviam para fugir ou fazer qualquer outra coisa.

Pryor não tinha ideia de quanto tempo fazia que estava em cima de Rif dando socos nele, mais só parou quando alguém segurou-lhe o braço e disse – Esta na hora de parar Pryor, eu estou bem, não precisa continuar – ele virou assustado aquela era com toda certeza a voz de Liana mais era impossível ele tinha visto ela morrer, mais sim era ela ali de pé.

Ela caiu sobre ele cansada e pedindo desculpas, ele não conseguia entender como, mais estava feliz que ela ainda estivesse viva.

Ela explicou que tinha o coração do lado oposto ao da maioria dos seres vivos, e também explicou que havia desmaiado, ele tinha acertado ela com força e a lamina dele tinha algum tipo de veneno que fez com que Liana sentisse como se estivesse pegando fogo, e perdesse a consciência com a dor.

Veneno Pryor pareceu preocupado por um momento mais ela explicou que os Kaugags são naturalmente imunes a quase todos os venenos, e que dificilmente eles realmente corriam algum perigo, e que já estava bem melhor, só tinha que descansar um pouco, pediu para que ele a levasse para um lugar seguro. Pryor a carregou pelo acampamento até achar sua espada depois disso andou por um tempo até achar uma caverna na base de uma montanha e resolveu ficar por lá.

Notas finais
Deixem comentários, sejam honestos. Capitulo novo sempre que possivel.