Pryor não tinha certeza se estava morto ou se estava indo para o local da próxima etapa do treino, ele não tinha certeza de nada, ate o momento ele só tinha certeza que ele tinha que reclamar com quem quer que fosse o responsável por criar aquele método de treino.

– Por que não podiam fazer do jeito normal? – Pryor gritou para o nada, e se sentiu estranho por estar falando e não ter forma, como se fosse algum tipo de consciência sem corpo. – Não, eu tenho um corpo e voltarei para ele. – disse a si mesmo.

Nada de resposta, ate que ele ouviu uma risada, não tinha como saber de onde vinha, nem a distancia, na forma como ele estava agora não dava para ele saber de nada.

– Por que do jeito normal levariam anos para treinar vocês. – explicou a voz calmamente.

– Então vamos logo, não queremos perder tempo não é? – Pryor imaginou que se tivesse forma, ele estaria com uma cara de ódio.

– Você e o fundador são muito parecidos sabia? – indagou a voz. – Logo vocês se conhecerão.

Então Pryor ouviu um barulho, como se alguém tivesse estalado os dedos, e no momento seguinte tudo estava ganhando forma.

Sentada a sua frente ele viu uma moça, jovem e bela, era uma humana mais não qualquer uma, era sem duvida a mais bonita que ele já tinha visto, era inimaginável que alguém com tamanha beleza pudesse matar.

– Lembre-se do que Liana disse, se ate mesmo sacerdotes podem ter que prestar conta com a Ordem então uma pessoa bonita não é diferente. – disse Pryor a si mesmo.

A mulher estava sentada em uma mesa, em trajes de uma princesa, usava um vestido longo e vermelho sangue, seus cabelos loiros e lisos estavam presos em um rabo de cavalo, mais o mais impressionante nela era seu rosto, não Pryor não conseguia compreender como mais ela era linda, pura e simplesmente linda.

– Você esta fazendo a mesma cara que muitos faziam logo antes de morrerem. – disse ela.

– Como assim? – Só depois de falar que Pryor notou o quanto deve ter soado idiota, ela era uma membra da Ordem, uma das primeiras, com toda certeza já tinha matado.

Ela riu e ofereceu a ele uma cadeira que não estava lá momentos antes, Pryor foi ate a cadeira e sentou, os olhos dela eram cheios de tristeza, lagrimas ameaçavam fugir de seus olhos, como se ela não conseguisse se decidir se chorava ou não. Pryor definitivamente não desejava a ninguém algo que as deixassem daquele jeito.

– Oi meu nome é Roberta.

– Sou Pryor.

– Sei quem você é. – disse ela – Todos nos sabemos quem vem aqui para treinarmos.

Ela colocou um pouco de chá numa xicara e deu a Pryor, o chá estava quente, e ele não gostava muito de chá mas achou melhor não recusar.

Para surpresa dele estava muito melhor do que ele lembrava que chás eram, apesar disso ele ainda não estava com muita vontade de ficar ali tomando chá.

– Eu sou a segunda, sou eu quem vai te ensinar a ser furtivo, a realizar assassinatos silenciosos e coisas assim.

– Uma duvida Liana já esta sendo treinada por você? – Pryor estava com medo da resposta. E se ela tivesse morrido, ele tentou afastar esse pensamento.

– Se tem tempo para se preocupar com os outros então deveria estar usando esse tempo para treinar, não acha? – perguntou Roberta. – Mais sim ela já esta sendo treinada por mim.

– Quando começamos?

– Assim que terminarmos de conversar, você tem alguma ideia de quem são os membros que fundaram a ordem, e o que cada um vai ensinar para vocês?

– Não faço ideia. – admitiu Pryor.

– O primeiro foi Kalkalieves, ele treina a capacidade física. A segunda sou eu, que treino a capacidade de não ser notado. Quando você tiver acabado seu treinamento comigo ira ver uma ultima pessoa como os outros fundadores morreram na nossa primeira missão só nos três conseguimos ficar para treinar as futuras gerações. E então você encontrara com o fundador da Ordem, você saberá como serão as coisas com ele quando se encontrarem.

– Então tem mais três além de você.

– Sim e acho melhor te avisar, não pense que vai ser tão fácil daqui para frente como foi com Kalkalieves.

– Como assim fácil? – perguntou Pryor. – Eu quase morri e você ainda fala que aquilo foi fácil? – Pryor estava revoltado, mais tentou não se exaltar muito.

– Você ainda vai melhorar muito e vai acabar concordando.

Ela levantou e fez sinal para que Pryor a seguisse, e foi andando ate que pararam em frente a uma enorme torre negra, Roberta tirou a base do vestido, usava uma calça por baixo deste, ela pegou uma corda que estava presa em seu sinto, e lançou a corda, que tinha um gancho preso na ponta. A corda prendeu em uma das janelas do terceiro andar.

– Primeira lição, sempre esteja preparado para as mais diversas situações, não importa o quanto seja improvável.

Ela começou a escalar, e parou na metade do caminho e olhou para ele, e fez sinal para que ele fosse atrás dela, então começou a subir, assim que eles chegaram ate a janela, ela fez sinal para que ele esperasse por dois minutos e caso ela não voltasse que fosse atrás dela.

Quando os dois minutos se passaram ele entrou, quase não havia luz, ouviam-se duas vozes não muito longe e ficando cada vez mais próxima, Pryor correu pelo escuro e entrou na primeira porta que conseguiu abrir.

Os guardas conversavam sobre alguma meretriz, Pryor esperou ate não ouvir mais a voz deles, então ele saiu com cuidado, e voltou a subir pela torre, varias vezes ele ouviu gemidos e gritos, entre outras coisas, aquela torre deveria ser algum tipo de prisão.

– Onde você pensa que vai? – perguntou uma voz atrás dele.

– Ele deve estar achando que esta numa prisão qualquer. – falou uma segunda em tom descontraído.

Quando notou tinham sete guardas de cada lado cercando-o, Pryor relaxou depois do momento de susto, os guardas tinham aparecido do nada, ele tentou sacar a espada mais assim que pegou no cabo da espada um dos guardas já estava com a lança no pescoço de Pryor.

– Nos não somos quaisquer guardas. – falou o homem com a lança na garganta de Pryor.

– Então quem são vocês? – Pryor perguntou.

– Aqueles que morreram no ultimo estagio do treino.

– Então vocês são aqueles que falharam? E agora tem que ficar aqui? – Pryor perguntou se afastando com um pequeno salto para trás.

O homem tentou acertar ele no ombro, mais Pryor estava mais atento, não seria pego tão facilmente. Era visível o ódio nos olhos deles, outro investiu contra ele, e conseguiu fazer um pequeno corte no nariz de Pryor.

Pryor tentou voltar e se proteger na cela que tinha se escondido antes, lá ele teria como lutar com um por vez, infelizmente para ele os guardas já tinham formado uma parede impedindo ele de avançar em qualquer direção.

Não tinha jeito ele teria que lutar e assim talvez conseguisse sobreviver, o problema era conseguir sacar a espada, então ele decidiu tentar lutar, ele saltou em direção ao primeiro homem enquanto sacava a espada.

Ele foi desarmado rapidamente, mais ele não perdeu tempo, e agarrou a lança com uma mão, e o pescoço do homem com a outra, seus olhos ardiam em fúria, ele apertou com toda força que pode o homem.

Pryor ouviu um som estranho, e lembrou o porquê estava ali, provavelmente estava sendo testado, girou o corpo e jogou a cabeça do homem na parede, e puxou a lança. E desferiu um golpe na garganta do homem.

Se não podia usar sua espada teria que se entregar aos instintos e usar uma lança, para surpresa dele era ate que razoavelmente bom com lança, conseguiu matar outros dois guardas rapidamente, e logo em seguida se tornou um borrão negro, tentou pensar em alguma forma de usar a pouca luz do local mais não adianto muito.

Quando viu estava em pé com apenas um guarda na frente dele, estava cansado e ofegando, seus braços doíam e tinha alguns ferimentos, o pior era no ombro mais não era nada além de um corte um pouco mais profundo que os outros.

– Desista e talvez eu deixe você viver – tentou ameaçar o homem, mais ele tremia tanto que ficou claro quem deveria estar ameaçando quem, o que fez com que Pryor risse.

– Você acha mesmo que pode fazer isso? – questionou Pryor erguendo a sobrancelha. – Não deveria fazer ameaças que não pode cumprir.

– Então morra. – gritou ele investindo com tudo que tinha.

Por mais que Pryor não quisesse matar ninguém sem motivos, ele não tinha escolha, e atravessou o pescoço do homem com um simples golpe. Deixou o corpo ali caído e foi ate a espada e pegou-a decidiu que era melhor andar com a espada pronta para o caso de ter que lutar outra vez, o que ele esperava que não fosse acontecer.

Todo o corpo de Pryor doía, por mais que ele quisesse não tinha que parar e descansar um pouco, ele foi ate a cela de onde tinha saído e parou em frente a porta e olhou em volta.

– Melhor não. – sussurrou para si mesmo. – Obviamente que esse vai ser o primeiro lugar aonde vão me procurar.

Pryor conseguiu se arrastar por mais algum tempo, ate que achou uma cela aberta, ela estava escura e a porta entreaberta, Pryor entrou e largou o corpo, não aguentaria dar nem mais um passo.

Ele começou a pensar em como Liana estaria indo, se ela iria acabar com uma guarda naquele lugar, ou se ele que iria ficar preso naquela torre, ele acabou dormindo ali mesmo.

Quando acordou Pryor entrou em pânico, a porta tinha sido trancada, e tinham levado a espada dele, e aquela torre parecia sugar todas as forças de Pryor, e era quase impossível lutar contra o poder da torre.

As paredes eram frias e pareciam ficar mais quente a medida que as forças de Pryor iam sendo roubadas, ele lutou e usou uma parede como apoio, mal conseguia ficar de pé, ele começou a delirar.

Pryor pegou a maior distancia que pode da porta, e se lançou contra a porta mais não adiantou ele estava muito cansado, se ele tivesse qualquer coisa que ajudasse a sair dali, então amaldiçoou a si mesmo por ter caído dormindo de forma tão pesada a ponto de não notar que tinham achado ele e levado a espada dele. Ele começou a mexer nos bolsos e ficou feliz, coisa que pareia impossível naquele lugar. Tinha uma faca no bolso.

Ele pegou a faca e tentou usa-la para arrombar a porta o que não adiantou já que ele não tinha ideia de como fazer tal coisa, então ele tomou alguma distancia da porta, e guardou a faca, reuniu todo ódio que conseguiu, Pryor lembrou a si mesmo que tinha que vingar seus amigos, tinha uma promessa a manter. Ele não podia morrer, não podia falhar, havia aprendido desde pequeno que não deveria fazer promessas que não pudesse cumprir.

O ódio começou a ferver dentro de Pryor, ele sentiu parte de sua força voltando, como se tivesse sendo atraída pelo ódio, ele então se atirou em direção a porta.

Para a surpresa de Pryor ela era muito mais fraca do que ele imaginou que seria a porta da sela de uma prisão, no entanto ela se partiu facilmente, onde antes estavam as janelas agora não tinha nada, as paredes estavam mais frias como se fossem de gelo, mais abaixo a agua estava subindo, e ele tinha certeza que não tinha e nem deveria ter agua ali, Pryor conseguiu começar a correr com a faca em punho pronto para matar qualquer um que aparecesse.

Ele já estava na metade do andar seguinte quando notou que não tinham guardas, e nem mesmo os prisioneiros deviam estar ali, tudo estava silencioso, um estranho calafrio percorreu pela coluna dele, então o silencio foi rompido, o que ele desejou que não tivesse acontecido, tudo que ouviu foi uma risada, e em seguida gritos e não tinha duvidas de que alguém estava sendo torturado.

O corpo dele ficou dormente, a mente dele ficou lenta, Pryor tinha que reagir, ele tentou correr mais não conseguiu, a agua já tocava os pés dele, Pryor mal conseguia se arrastar, e não era fácil se livrar daquela agua, que subia mais rápido do que ele se movia. Cada passo era uma luta e pela forma como estava indo era uma luta que ele iria perder.

Quando ele chegou ate uma mesa a agua já estava na altura dos joelhos de Pryor, ele subiu na mesa, a força pareceu voltar para ele não tão rápido quanto era roubada e nem tão rápido quanto Pryor gostaria, mais a agua subia cada vez mais rápido, por sorte a mesa era grande e ele estava na ponta, foi correndo pela mesa e saltou para a mesa seguinte, que quase quebrou com o impacto da queda dele, Pryor não perdeu tempo assim que caia em uma mesa ele corria e pulava para a seguinte, estranhamente tinham umas cinco ou seis mesas relativamente próximas.

A agua subia cada vez mais rápido, mais Pryor conseguiu saltar longe o suficiente da ultima para que ele não tocasse na agua outra vez, ele nem mesmo olhou para trás, não importava o que acontecesse ele não poderia mais perder nem um único segundo ou acabaria sendo pego outra vez e duvidou que fosse ter tanta sorte outra vez.

– Venha morrer criança. – disse uma voz na mente dele, ela era doce e melódica, seu tom era calmo de um jeito que preocupava.

– Estou indo, mais não é para morrer. – Ele gritou em resposta, e teve certeza que se tivesse mais alguém junto dele, teria chamado o de louco.

A voz riu mais um pouco e calou-se, não importava ele tinha que se manter em movimento, ele chegou ao que deveria ser o ultimo andar, mais infelizmente a passagem que dava para o telhado estava trancada, e parecia mais dura que as outras.

Pryor parou em frente a tal porta, e deitou-se rindo, tinha passado por tanta coisa ao longo dos anos para ter uma morte como aquela.

Por mais inaceitável que fosse ele não via como se salvar, então decidiu brincar com a faca que ainda estava em suas mãos, ele começou a perder a esperança quando uma ideia muito idiota, já tinha tomado distancia da tal porta, quando se jogou nada aconteceu, nada aconteceu varias vezes ate que a porta finalmente quebrou.

Pryor emergiu para fora tão rápido que teve que parar e se acostumar com o ambiente lá fora, o sol brilhava forte no céu, não tinha nem uma única nuvem, o céu estava em um tom de azul bem claro, tinha saído de frente para o sol, e a sorte dele foi ter ouvido o som da lamina de alguém, se dirigindo para ele.

Por sorte ele conseguiu se defender, e ir para o lado o que fez com que a pessoa que tentava mata-lo fosse revelada, era Roberta.

Ela deu uma risada, e disse – Reprovado.

– Como assim? – perguntou Pryor. – O que esta acontecendo.

– Eu estava testando seus reflexos e sua capacidade de entrar e sair dos lugares sem ser notado, e você falhou de forma lamentável. – responde Roberta.

Ele olhava com ódio, estava pronto para saltar na garganta delas e sufoca-las ate a morte, mais decidiu apenas reclamar um pouco e depois de ouvir ela se desculpar e tentar justificar o que tinha feito. Perguntou quando começaria a ser treinado de verdade.

Era visível que a pergunta tinha deixado ela furiosa mais ela também se conteve, e respondeu. – Agora mesmo, ou acha que não aguenta o meu ritmo? – perguntou ela no tom mais debochado que conseguiu.

– Agora mesmo. – respondeu Pryor sem se preocupar com o deboche dela.

Envolta da torre um estranho circulo de agua tinha se formado, e já estava quase chegando neles, quando Roberta estalou os dedos e magicamente aquela agua sumiu e eles não estavam mais no topo da torre e sim dentro de um castelo, em uma espécie de salão.

Ele estava em pé em um pedaço de madeira, e alguns guardas passavam logo abaixo, e nesse momento Pryor teve certeza de que ela tinha levado ele para outra armadilha, quando ela apareceu na frente dele.

– Seu primeiro desafio será chegar ate onde estou sem cair, derrubar nada ou fazer qualquer coisa que possa chamar a atenção dos guardas. – disse ela ficando a sete metros de distancia dele.

Não dava para entender como ela fazia para que parecesse tão fácil, mais era definitivamente um desafio saltar de uma madeira para a outra, se considerar a distancia de quase meio metro, contra a largura que deveria ser de no máximo vinte centímetros.

Pryor quase caiu algumas vezes, nas primeiras ele por sorte conseguiu recuperar o equilíbrio, apesar disso os guardas não pareciam nota-lo, nunca olhavam para cima, tinham varias tochas de ambos os lados, os guardas andavam em duplas, e sempre calmos.

Pryor continuou avançando seguindo Roberta ate que perdeu ela de vista, por sorte pouco antes tinha perguntado para onde iam e ela disse que era para os aposentos reais. Ele ao menos sabia o que procurar, a porta mais bem guardada.

Ele conseguiu achar uma que não tinha duvida, havia dez guardas de cada lado da porta, com armas em punho e prontos para atacar qualquer estranho que se aproximasse logo em seguida Roberta apareceu.

– E então como vai fazer? – perguntou ela se ajeitando ao lado de Pryor.

– Você não vai me ajudar? – perguntou ele.

– Se você me mostrar um plano que tenha alguma chance de dar certo. – falou Roberta. – Talvez.

– Meu plano era pular e matar todos o mais rápido possível, e impedir que qualquer um fuja.

– Se você for visto então vou considerar que falhou.

– Então quer que eu faça o que? Use magia.

– Não precisa usar magia, e sim a cabeça.

– As facas. – disse Pryor.

– O que?

– Me de suas facas. – falou ele com pressa.

Roberta desenrolou as facas da cintura, e deu a Pryor, ele foi saltando e virou à esquerda, era fácil assim que pegava o costume.

Ele atirou uma das facas em uma armadura de decoração, ao cair ela fez o maior barulho, pouco depois um dos guardas foi ver o que era, ele avançou por cerca de cinco metros na direção da armadura caída, ele já tinha virado para outro corredor.

Assim que considerou seguro Pryor saltou no homem e fincou a faca no pescoço do mesmo, ele nem se preocupou em esconder o corpo, atirou-o pela janela, e se escondeu atrás da cortina, junto a uma estatua, foi o melhor esconderijo que ele conseguiu arranjar. Pouco depois outros dois apareceram, estes seriam mais difíceis de matar, ele teria que atrair eles para um lugar ainda mais longe, mais não havia tempo.

Pryor saltou em um deles, e só então notou que estava com sua espada, o que facilitou as coisas para ele, um dos guardas não teve nem tempo para descobrir o que estava acontecendo, Pryor atacou o segundo homem que mal teve tempo para se virar e bloquear a investida dele.

Ele não poderia deixar que o homem gritasse, tinha que agir rápido, ele deu uma cotovelada no homem que perdeu o equilíbrio, e logo em seguida ele atravessou a garganta do homem com um único golpe.

Não havia tempo suficiente para jogar dois corpos, ele tinha falhado então uma corda caiu no ombro de Pryor, ele olhou para cima e viu que quem tinha jogado a corda era Roberta, ele ficou feliz com o fato de ela ter decidido ajuda-lo.

Ele subiu não se importando se alguém visse os corpos o importante agora era que ele não fosse visto, assim que ele terminou de subir puxou a corda, foi saltando ate voltar a porta do quarto do rei, agora só tinham sete guardas. Um deles reclamou e foi sozinho e gritou quando viu os corpos, ele avisou os amigos e foi junto com outros dois chamar mais guardas para proteger o rei e começar a busca pelo assassino dos companheiros.

Pryor sabia que tinha que agir rápido, não podia deixar que eles aviassem ninguém, ele decidiu correr o risco, era melhor se entrasse e saísse rápido do que se arriscar a deixar que os guardas do turno seguinte chegassem ou não teria nenhuma chance.

Ele esperou um pouco e pulou em um dos guardas, os outros tentaram ataca-lo, mais Pryor foi muito rápido, não perdeu tempo, ele fez alguns movimentos sem floreios, apenas tentando matar, mais infelizmente eles eram muito habilidosos lutar contra três ao mesmo tempo era difícil.

Um conseguiu golpear Pryor no ombro, outro na perna esquerda, e ele mal podia se defender, se continuasse nesse ritmo ele sabia que não ia demorar ate que fosse capturado ou morto. Pryor girou a espada rechaçando as investidas, girou o corpo e avançou com uma estocada na direção de um guarda, ele conseguiu golpear o peito do homem, e saltou para trás evitando assim ser golpeado pelos lados.

Ele descreveu um arco na horizontal e arrancou o braço de um, e desarmou o outro, os movimentos dele estavam cada vez mais rápidos e fluidos.

Ele executou-os rapidamente evitando assim que sentissem mais dor, e abriu a porta assim que Roberta desceu, e então eles entraram.

O quarto era enorme, na cama que ficava no centro do quarto o rei estava deitado de costas para a porta com uma mulher, provavelmente a rainha, em cima dele, fazendo massagem. Antes que pudessem fazer qualquer coisa Pryor correu e colocou a faca na garganta da mulher e tapou a boca dela.

– Se ficar calada talvez saia viva. – falou Pryor tentando se acalmar. – Não quero ter que matar você, mais para isso você tem que cooperar.

Ele atirou-a para Roberta, e virou o rei que gritava pedindo por socorro, e Pryor socou-o e mandou calar-se, quando o rei notou Roberta seus olhos se arregalaram, ele se arrastou para longe dela, implorando por clemencia.

– Mate-o. – ordenou ela. – olhando friamente para o homem.

– Não, por favor, lhe dou tudo o que quiser, todo o dinheiro, veja sou um rei, tenho muito ouro e riquezas. – disse o rei apavorado.

– Não me importo com esse tipo de coisa. – respondeu Pryor friamente e atravessou a garganta do homem e guardou a espada. – Vamos deixar ela viva certo?

– Não podemos matar inocentes sem necessidade. – falou Roberta jogando a mulher para o lado. – Vamos não podemos perder tempo, logo terão guardas aqui.

Eles correram e entraram em um quarto ali perto, era um quarto pequeno, principalmente se comparado ao do rei, Pryor estava cansado, e não tinha ideia de como sairia daquele lugar, ele olhou pela janela, era alto de mais para pular, e haviam guardas passando.

– O que vamos fazer? – perguntou Roberta esperando que ele tivesse um plano de fuga.

– Ainda não tenho certeza, preciso de algum tempo para pensar.

Ele vasculhou o quarto procurando algo que permitisse eles descerem, por fora, aquela altura o castelo já deveria estar cheio de guardas procurando-os, não teriam chance alguma de sair de lá.

Ele agarrou as cortinas e forros de cama e começou a amarra-los, tinha que ser rápido para poder descer, e tinha que ter cuidado ou acabariam caindo e morrendo, enquanto ele enrolava a corda de panos, ouviu vários guardas passando e sentia uma pontada de medo sempre que um deles parava próximo a porta, por sorte ninguém tentou ver se eles estavam lá.

Ele foi até a janela e olhou para ver se tinham guardas no jardim que podia ser visto a partir daquele quarto, havia apenas um mais este estava muito longe e indo para fora do local.

Ele correu e amarrou a corda na cabeceira da cama que ficava logo ao lado da janela, e Roberta ajudou ele a arrastar deixando a cama de frente para a janela, eles começaram a descer, depois de ter testado para ver se estava bem amarrado, Pryor foi quem desceu primeiro, ele já estava na metade do caminho quando ouviu guardas no quarto abaixo, ele teve que esperar, torceu para que eles saíssem logo, não podia ficar ali muito tempo, era muito arriscado, e o quanto mais tempo ficasse ali mais o risco aumentava.

Depois que o som de conversa acabou ele esperou um pouco e voltou a descer, a corda acabou a pouco mais de meio metro do chão, eles saltaram e começaram a dar a volta no castelo, eles atacaram um guarda por trás, e derrubaram ele sem causar muitos ferimentos.

E prosseguiram deixando o guarda caído ali mesmo, já tinham atravessado quase a metade do jardim quando um pequeno grupo apareceu, eram cerca de oito homens, eles não foram notados pelos soldados por muito pouco, os soldados nem ao menos pararam, apenas seguiram correndo para o castelo, eles já deveriam ter sido avisados da morte do rei.

– O que faremos agora? – Pensou Pryor. – Isso quer dizer que não só os portões do castelo como todo o muro e a cidade mais próxima devem estar bem vigiados.

Ele tinha chegado muito longe para morrer ali, esse era um luxo ao qual Pryor se recusava a dar a si mesmo, tinha que pensar uma forma, então lhe ocorreu uma ideia louca, ele virou-se para Roberta.

– Você consegue distrai-los?

– Não por muito tempo, alguns minutos no máximo. – disse Roberta – Por quê?

– Vamos torcer para que tenham poucos guardas nos portões.

Eles atravessaram o jardim, tudo, fora os guardas, naquele lugar era agradável e convidativo o cheiro das flores, a sobra das arvores, e o vento soprando levemente, aquele era um lugar aparentemente perfeito.

Quando eles finalmente conseguiram alcançar o portão o que viram foi algo que fez com que Pryor ficasse em choque, só tinha um homem parado em pé, de olhos fechados, usando uma armadura dourada e a espada desembainhada enterrada no chão, na frente do portão, aquele homem parecia tão calmo e confiante, como se achasse que nunca seria derrotado.

E ele parecia tão convicto disso que Pryor chegou ate mesmo a duvidar de si próprio, mais depois que o choque inicial passou ele começou a ficar com raiva, como alguém poderia deixar que uma única pessoa ficasse de guarda? Isso ate parecia uma ofensa.

O homem abriu os olhos dourados, e esticou a mão na direção de Pryor, que foi puxado, mesmo atrás de uma arvore ele estava tão esposto quanto se estivesse em campo aberto, quando o homem tocou nele Pryor sentiu toda sua força e vontade de viver sendo sugadas.

– Para que continuar tentando escapar de lá? – ele se perguntou. – Aqui é tão bom, por que alguém iria querer ir embora?

– Por que você ainda tem coisas a fazer, promessas para cumprir. – falou a voz, era a mesma que tinha dito estar esperando por ele. – Venha, você esta próximo de min, mais do que imagina.

Ele começou a formar algum pensamento que logo se perdeu, então a imagem de todos seus amigos mortos lhe vieram a mente, seu coração se encheu com ódio.

– No que eu estava pensando? Não posso morrer ainda, nem ficar aqui. – falou Pryor com tanta determinação quanto conseguiu.

– Não adianta lutar. – disse o homem segurando Pryor com ainda mais força. – Ninguém consegue me vencer, tentar só vai piorar as coisas para você.

Apesar de estar cansado Pryor continuava lutando, ele puxou uma das facas de Roberta que ainda estava com ele, e fincou no braço enorme e gordo do homem.

– Qual o seu nome? – bufou ele tirando a faca de seu braço.

– Por que quer saber? – perguntou Pryor se afastando o máximo que pode, apesar de saber que não faria diferença.

– Por que gosto de saber o nome daqueles que vou matar. – falou o homem. – Eu sou Ligus.

– Não vou te contar meu nome ainda, por que não vou morrer.

Depois de falar isso ele foi puxado outra vez, mais ele não iria ser morto naquele lugar, ele sacou a espada no ultimo momento, não dava mais tempo para fazer nada, Pryor cortou o braço esquerdo dele e quase cortou o direito também, mais o homem conseguiu se defender bem a tempo.

Pryor mal conseguia se defender dos ataques do homem, ele era muito rápido, quase o suficiente para ele não conseguir se defender.

Ao menos Ligus não conseguia mais puxa-lo, eles continuaram tentando achar uma brecha um no outro, algo que desse a vantagem, então Ligus achou que tinha conseguido achar algo e atacou, Pryor aproveitou a chance para ataca-lo pelo lado aleijado, o que Ligus já previa, ele girou o corpo e tentou acertar Pryor que foi rápido de mais para ser pego, ele rolou e saltou pronto para dar uma estocada, Ligus defendeu o golpe de Pryor e jogou ele para trás virando rápido e girando a espada.

Varias vezes eles quase conseguiram matar um ao outro, ambos estavam com inúmeros ferimentos, e exaustos quando Pryor finalmente notou que Roberta não o estava ajudando, esse era outro teste? Ou alguma coisa tinha acontecido com ela?

Ele não tinha tempo para se preocupar com isso, se ela era instrutora então era mais do que capaz de se cuidar.

Mesmo com o corpo pesando, dolorido e tremendo, ele avançou com tudo que ainda tinha, por sorte Ligus não estava nem um pouco melhor que ele, pelo contrario estava ainda pior, Pryor levantou sua espada e descreveu um semicírculo do alto para baixo, as espadas de ambos se chocaram no ar, e quebraram no meio, mesmo assim ele não desistiu, Pryor enfiou sua espada entre os olhos do oponente que caiu sem vida.

Agora sem forças para continuar em pé Pryor caiu, o mundo começou a escurecer e ele sentiu uma mão pegando-o e puxando para fora de seu corpo, por algum motivo ele viu tudo se afastando enquanto sua mente era puxada para longe, tudo continuava ali, ate seu corpo continuou lá.

Notas finais
Os capitulos 10 e 11 serão lançados no mesmo dia pois eu havia esquecido (minha memoria é horrivel) de posta-los.