– Hoje nos vemos nosso inimigo. – Gritou Tobiro depois de ter conseguido reunir todos os grupos em um único. – Hoje eles parecem distantes e talvez inalcançáveis. Eles acreditam que não seremos capazes de fazer nada contra eles. – Tobiro parou e deixou que o discurso fosse absorvido. – Mais amanha nos vamos mostrar que eles estão errados. – Todos gritaram animados. – Amanha começaremos a derramar o sangue daqueles que profanaram nossa casa, e vamos mandar uma mensagem para todo o mundo.

Todos estavam inquietos, Pryor estava ficando cada vez mais animado, cada vez mais ansioso, ele podia ver o brilho nos olhos de cada um.

– Amanha faremos com que o mundo todo saiba. – Gritou Tobiro ainda mais alto. – Todos saberão que ninguém ataca a Ordem e vive muito tempo para poder se vangloriar.

Todos gritaram em uníssono, gritos de guerra, a agitação se transformou, se intensificou, aquela era a sensação de estar prestes a entrar em guerra.

Eles se abrigaram em uma caverna, ela era pequena então tiveram que se apertar para que coubesse todo mundo, levantaram cedo e partiram outra vez, o sol brilhava intenso no céu, como se também estivesse animado, e louco para saber como aquilo terminaria.

– Estou quase lá. – disse Pryor. – Quase me vingando.

– Guarde suas forças para a batalha. – sugeriu Liana, ela parecia igualmente nervosa e inquieta.

Ela estava certa, ele precisaria de toda força que tivesse para lutar com alguém que tivesse feito tudo que Zam tinha feito. O caminho foi calmo, nenhum ataque o que os deixou desconfiados, não queriam ser atacados sem ter chance de defesa, mas nenhuma tentativa de impedi-los, era estranho que alguém deixasse um exercito, mesmo que pequeno, fosse ate as portas de seu reino sem nem tentar impedi-los de avançar.

Quando chegaram perto das portas do palácio eles entenderam, o porquê de Zam não mandar que seus soldados fossem ataca-los. A porta era gigantesca e feita de um material negro que parecia sugar toda a luz e tudo que se aproximava muito. Do lado de dentro eles puderam ouvir dois gigantes conversando, a muralha deveria ter pelo menos vinte metros, e tinha torres em intervalos regulares de distancia.

Valq guiava-os ate uma entrada subterrânea, era a melhor chance deles entrarem, pararam de avançar quase meio quilometro antes de entrarem no alcance das portas, uma área de cem metros que parecia noite, era possível ver o próprio vento sendo sugado na direção dos portões.

Eles entraram em uma caverna, ela descia por vários metros, e era tão apertada, de forma que não teriam como lutar lá, eles correram o mais rápido que podiam já que era um túnel muito frágil, poderia desabar se eles não tomassem cuidado.

Pryor estava preocupado, ele vinha ouvindo um som estranho desde que tinham avistado o castelo, era como um uivo, ele tinha decidido ignorar o barulho mas era difícil, por mais que ele tentasse não conseguia ignorar.

Pryor estava correndo sobre uma ponte quando caiu, subitamente as tabuas tinham se quebrado e voltado ao lugar, por sorte não era uma queda muito grande, tinha alguns metros e então ele caiu em um rio.

A correnteza era muito forte, ele foi arrastado sem nem ter chance de se agarrar em nada, Pryor foi arremessado em uma pedra e perdeu a consciência.

Pryor acordou em uma espécie de praia subterrânea, ele tossia e sua cabeça doía, um homem caminhava na direção dele rindo, o homem tinha quase a metade da altura de Pryor, era gordo e tinha um rosto infantil e perverso ao mesmo tempo.

– O mestre quer ver você vivo. – disse o homem. – Mais ele não falou que tinha que estar inteiro.

Pryor se levantou o mais rápido que pode, mais o homem já estava muito perto, a ponta da lança dele tocando no peito de Pryor, que estava confuso, o homem não tinha nenhuma arma um momento antes.

– Queria poder falar que não vai doer. – falou sorrindo. – Mais isso seria mentira, e Matakuns não mentem.

Só então Pryor notou que o corpo dele era feito de madeira, e ao invés de cabelo ele tinha cipós, a lança não era uma arma, era na verdade a mão do Matakum.

– Ah, me desculpe. – ele falou parecendo um pouco chateado. – Eu ainda não me apresentei, meu nome é Ilyr, sou conhecido como um excelente interrogador, amo fazer as pessoas sofrerem, e você quem é?

Pryor levou a mão a Asgul, mais antes que ele tivesse a chance de saca-la Ilyr o desarmou, soltando ambas as bainhas da calça de Pryor, ele era rápido.

– Muito rápido para uma arvore. – pensou Pryor. – Por acaso esta com medo de ser derrotado? Será que você só sabe interrogar por que não tem que lutar com ninguém? – provocou.

Ilyr fulminava ele com o olhar, então suspirou e mandou-o pegar a espada, assim ele poderia ensinar a Pryor boas maneiras e a ser humilde.

Pryor não perdeu tempo, ele tinha conseguido achar um ponto fraco no inimigo, ele era vaidoso, dava para notar só de olhar, era do tipo que se preocupava com a opinião dos outros, e Pryor iria tirar vantagem disso.

Ilyr foi quem atacou primeiro, ele investiu contra Pryor que tinha se afastado, mais não o suficiente, ele esticou o dedo e fez com que ele ficasse ainda mais pontiagudo, ele não parava de atacar, realizando os mais variados movimentos, mais ele fazia muitos floreios, não conseguia apenas atacar ou defender, ele precisava se exibir a cada movimento.

Pryor rolou para o lado e investiu com uma estocada, tentando acertar a garganta de Ilyr, mais a habilidade dele de criar coisas de madeira o salvou, ele fez com que um escudo aparecesse bem onde Pryor tinha mirado, Asgul ficou presa, e Pryor foi acertado bem no peito.

– Agora se entregue. – disse Ilyr rindo. – O veneno que tem nos meus galhos vão te deixar paralisado em alguns minutos.

– Então vou matar você antes disso. – interrompeu-o Pryor.

Ele sacou Zuir e cortou um dos braços dele, mas ele começou a fazer outro, por sorte para coisas maiores ele precisava de muito mais tempo para reconstruir, Pryor continuou atacando e se defendendo dos golpes, que eram cada vez mais desesperados.

Pryor riu, Ilyr só era bom em interrogar mesmo, e talvez nem nisso, ele desferiu uma sequencia rápida de golpes, e finalizou atravessando o peito dele, e em seguida tirou a espada e cortou-o ao meio.

Ele sentiu os efeitos do veneno, o corpo foi ficando dormente, ele tentou se arrastar para algum lugar onde ficasse escondido, mais não conseguia dar nem mais um passo, tudo começou a perder o foco e ficar ainda mais escuro, ele se arrastou o mais longe que conseguiu e desmaiou. Enquanto perdia a consciência ele se perguntou como todos estariam.

Quando ele acordou estava novamente com Xiruim, mais dessa vez o lugar era um grande salão, estava totalmente vazio, exceto por um trono, o trono era feito de ouro branco.

– Finalmente você veio. – a voz de Xiruim estava diferente, mais seria, mais o rosto parecia ainda mais brincalhão.

– Como eu vim parar aqui? – perguntou Pryor.

– Você veio por que estava na hora de aprender a usar o poder que meu pai me deu.

– Como assim? Achei que era algo que só você podia fazer.

– Depois que minha filha chegou aos dezessete anos ela despertou o mesmo poder que eu, e quando meu neto chegou aos dezessete ele também mostrou ter o mesmo poder, só então que descobrimos que era todos meus descendentes poderiam ter tal poder.

– Então não sou o único?

– Todos que descendem de mim podem ate despertar tal habilidade, porem isso não significa que vai acontecer.

Xiruim se transformou em fogo, e o trono fez o mesmo, as roupas dele e a espada que estava no colo dele fizeram o mesmo.

– Tente fazer o mesmo. – ordenou

Pryor tentou de tudo, mais não conseguia, não tinha ideia de como fazer e Xiruim estava rindo, então ele foi ate Pryor, parou poucos metros antes dele.

– Tente se imaginar pegando fogo.

Pryor o fez e não adiantou de nada, Xiruim o mandou imaginar varias coisas, e nada funcionava, por fim ele disse a Pryor que imaginasse que o fogo era ele, e também não funcionou.

– Tem certeza que eu consigo? – perguntou Pryor desanimado.

– Se não tivesse como não estaria aqui. – respondeu ele, o olhar de Xiruim era distante, era algo entre avaliando Pryor e tentando decidir o que fazer com ele. – Você tem sonhado com lobos te atacando? Ou tem ouvido uma espécie de uivo desde que chegou perto do palácio?

– Como você sabe?

– Isso acontece as vezes. Algumas vezes aconteceu uma das duas coisas, e era isso que fazia com que fosse difícil usar os poderes totalmente, como você não consegue usar nem um pouco imaginei que fosse o caso. – Xiruim suspirou. – Nunca aconteceu de ambos se manifestaram. – ele estreitou os olhos.

Xiruim golpeou Pryor no peito, usando a mão como se fosse uma lança, e Pryor começou a pegar fogo, ele se sentia estranhamente normal e calmo, quando ele terminou de se transformar em fogo, ele começou a se sentir estranho, era difícil acreditar que todo o corpo dele agora era feito de fogo.

– Não posso te segurar muito mais tempo aqui. – avisou Xiruim. – Então me pergunte tudo que puder agora, não sei se vai ter outra chance.

– Como faço para controlar esse poder?

– Simplesmente aceite que você e o fogo são um, com isso deve ser capaz de fazer varias coisas.

Eles continuaram a conversar por mais algum tempo, quando Pryor voltou a sua forma normal ele não tinha mais tempo para ficar lá, então Xiruim teve que manda-lo de volta a Cepta.

Pryor estava caído no mesmo lugar onde tinha desmaiado, mais tinham vários Kaugags em volta dele, e um enorme Servet, esse era muito maior que os de Laodim, esse devia ter quase dois metros e meio, segurava uma clava enorme.

Pryor levantou-se meio confuso, ele não tinha ideia de quanto tempo tinha ficado ali, quando um dos Kaugag tentou ataca-lo ele saltou para trás, ele imaginou que era feito de fogo, e só seu braço se transformou em fogo.

– Quem vai ser o primeiro? – perguntou Pryor tentando parecer tão assustador quanto pode.

Todos riram achando que era alguma brincadeira dele, um chegou a imita-lo, outro disse que ninguém era louco de tentar lutar com todos eles.

– Mais ele foi louco de tentar invadir o castelo, e achar que não saberíamos. – observou um terceiro.

Todos avançaram na direção dele com o ultimo comentário, Pryor não se conteve, ele avançou com tudo que tinha, o fogo no braço esquerdo dele foi se tornando mais estável, e quente, não demorou muito para que o braço esquerdo dele e a Asgul fossem feitos de fogo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.