Notas iniciais
Gostaria de pedir desculpas por não ter postado ontem, tenho o capitulo 8 pronto e logo terei o 9 tambem. E depois diso vou posar os capitulos sempre que estiverem prontos.

Eles já estavam na estrada há algum tempo, e na maior parte a viajem foi silenciosa e deprimente, ninguém estava muito a fim de conversar e sempre que alguém tentava conversar não durava mais do que alguns minutos, o clima era pesado e Pryor não prestava atenção a maior parte das conversas, o seu sonho não saia de sua cabeça. Se aquilo fosse verdade ele duvidava que fosse ter muito mais que poucos meses de vida.

Valq tinha conseguido cavalos novos, o que facilitou as coisas, Pryor só chegava mais para perto quando iam comer algo ou quando alguém o chamava, depois de um tempo Eran perguntou o que era, e ele apenas disse que não queria conversar, ainda se sentia exausto mentalmente, e ficar em silencio o ajudava a se sentir melhor.

Na verdade era o aniversario de seu mestre, e ele estava morto, esse era o principal motivo, mais o que tinha dito para Eran também era verdade, só que não toda.

As lembranças das festas não paravam de vir a mente dele, apesar de tentar resistir era inútil, os banquetes fartos, as musicas, e principalmente todos reunidos em volta da fogueira cantando, contando e ouvindo historias, uma verdadeira farra.

– Se alguém sabia festejar eram eles. – sussurrou a voz. – Vamos, me deixe no controle, você terá sua vingança.

– Nunca – ele rosnou. – Agora cale a sua maldita boca, e me deixe em paz.

Todos olharam para ele, e Valq perguntou – O que foi? Não tem ninguém conversando, então com quem esta falando?

– Ninguém, foi apenas uma alucinação, pensei ter visto um velho que conheci a muito tempo, falando que eu estava atrasado outra vez.

Ela notou que ele estava mentindo, mais felizmente decidiu não insistir, deixaria o assunto para outra hora, depois faria com que ele contasse a verdade.

As arvores eram pequenas, mais ainda era uma floresta densa, ali perto eles ouviram o som de um rio, e mudaram levemente de direção, decidiram lavar seus rostos e aproveitaram para beber bastante agua.

Os dois dias que se seguiram foi exatamente a mesma coisa, seguindo a cavalo pela floresta, nada de interessante acontecia, e aos poucos os ânimos foram melhorando, Faur não gostaria de ver eles assim, ele apesar de tudo era um cara brincalhão e bem humorado o tipo que se torna um amigão depois que você conhece melhor, ou pelo menos foi o que Minuli disse.

No fim da tarde do segundo dia depois que partiram, uma águia pousou no ombro direito de Liana e eles tiveram uma conversa sobre o porquê aquele lugar estava tão deserto, e segundo Liana os animais que moravam ali eram em sua maioria animais que preferiam a noite, os outros ou eram insetos, ou eram animais pequenos e que evitavam sair de suas tocas.

– Não é atoa que chamam esse lugar de Floresta da Noite. – disse Valq.

Tobiro pediu para que ficassem atentos, e avisaram que logo chegariam poucos minutos depois eles estavam nas portas de uma caverna, deixaram que seus cavalos livres, e entraram na caverna, o lugar era tão escuro que mesmo com Minuli e Valq usando magia para iluminar era difícil conseguir enxergar algo.

O lugar era incrivelmente silencioso, os passos deles ecoavam por toda a caverna, eles avançaram indo cada vez mais para baixo por vários minutos, Pryor ficou surpreso com quão silencioso era o lugar.

Quando chegaram ao fundo da caverna, varias tochas se acenderam tornando o local muito bem iluminado, como deveria ser na entrada da caverna que parecia ignorar o fato de estar sendo iluminada pelo sol, Pryor pensou que talvez algum tipo de magia roubava a luz que deveria estar iluminando o resto da caverna e levando para aquele lugar.

Tinha uma fonte bem no meio, o teto era dividido em dois, e cada uma das metades era dividida em outras partes menores, metade era uma reprodução do céu iluminado pelo sol, a outra metade era o céu da noite. Ambos os lados representavam vários aspectos do céu, um céu cheio de nuvens, outro limpo e claro, mais sem duvidas o mais lindo para Pryor era o céu estrelado.

Valq andou ate a fonte, e parou de frente para ela, falou algumas palavras, bem baixinho e então letras douradas flutuaram e ela encarou pensativa.

– O que é isso? – Liana perguntou sussurrando tão baixo que Eran mal pode ouvir.

– Um enigma, para poder entrar em nossa pequena cidade. – respondeu.

– E qual o significado. – Pryor amava enigmas. – Se ela quiser posso resolver.

– Não poderia, não sem conhecer a língua de nosso fundador. – disse Eran.

– E só quem convocar o enigma pode responder. – Completou Minuli.

– Isso significa “Em minha mão direita carrego aquilo que determina a se alguém e culpado ou inocente, o juiz que julga todos depois que suas almas perdem a ligação com o corpo, e também o mais puro e honesto de todos os juízes. Em minha mão esquerda a espada que punira ou abençoara aqueles que eu julgar, quem sou eu e o que carrego em minha mão direita?”. – traduziu Tobiro.

Todos ficaram calados para não atrapalhar Valq que estava lá de pé enquanto ela escrevia com os dedos a resposta no ar, deixando assim um rastro dourado que formava as letras.

Então ela leu aquilo que tinha escrito em voz alta – Você é a própria justiça, e aquilo que carrega em sua mão é sua balança.

A fonte brilhou e então dois lobos saíram dela, lobos dourados, feitos de fumaça. Então tomaram forma, e encararam Liana e Pryor, Valq disse que eles teriam que provarem ser dignos de entrar na ordem passando pelo teste, Pryor queria questionar e reclamar, como ele não seria digno? Ele tinha lutado contra todos aqueles malditos soldados sem mente.

Mais ele decidiu não reclamar, apenas avançou contra o lobo da direita enquanto desembainhava sua espada, ele tentou matar o lobo rapidamente, mais não conseguia o animal era muito mais rápido que ele, não tinha como acertar a fera. Se ele quisesse provar seu valor teria que pensar em algo.

Tanto Pryor quanto Liana não tinham chegado nem perto de ferir os lobos, que já tinham conseguido fazer-lhes vários ferimentos, a perna esquerda de Liana estava cheia de mordidas, e o sangue escorria por sua perna, Pryor tinha sido arranhado pelas enormes garras da fera, na hora ele não conseguira acreditar em seus olhos. Tinham que estar traindo ele, não tinha como o lobo ter garras maiores que seus dedos, mais de alguma forma ele tinha, eram um tipo de lobo magico afinal.

Se isso continuar se arrastando desse jeito ele notou que seriam mortos, derrotados pelo cansaço ou talvez os lobos estivessem apenas brincando com eles, e isso queria dizer que eles não teriam chance. Pryor sentiu a raiva tomar conta dele, não podia falhar com seus amigos que tinham sido assassinados, ele tinha que cumprir sua promessa.

– Venham e tentem me matar – Ele gritou sentindo o corpo esquentar.

Os lobos recuaram assustados, ele e Liana avançaram, começaram a mudar a situação, poucos minutos depois eles estavam frente a frente com os lobos que tinham sido cercados, e estavam cheios de ferimentos, em um canto, ombro a ombro prontos para matarem os lobos.

– Não podemos – disse Liana.

Pryor sabia o quanto ela amava animais, e entendia que ela estivesse hesitando, mais aquela não era uma opção, ele tinha que provar seu valor, que era digno de entrar para a Ordem.

Ele estava pronto para avançar quando tentou seu corpo não se movia então ele entendeu, e decidiu tocar com a ponta da espada, Liana tentou impedi-lo, mas ele pediu para que ela confiasse nele.

Ele viu uma serie de imagens desconexas, ele tinha acabado a vida de um lobo aquilo era estranho, então ele quase caiu com a tontura, imagens começaram a se arrumar em sua mente, como se alguém estivesse arrumando um estande de livros.

– Pryor você esta bem? – perguntou Liana segurando-o.

– Sim – murmurou em resposta, manteve os olhos fixos nos olhos da fera. – Você é inocente esta livre.

Liana fez o mesmo com o lobo então quando tudo em sua mente terminou de se organizar seu olhar ficou triste.

– Você é culpado, deve ser punido com a morte. – a voz dela estava triste, ela realmente odiava matar, em especial animais.

O lobo não lutou apenas deixou que sua vida fosse tirada, sem oferecer qualquer tipo de resistência, no momento em que a lamina da espada dela desceu e tocou o pescoço dele ela ouviu falar.

– Estou feliz pelo tempo que vivi aceito de bom grado morrer.

– Tem que ser corajoso para aceitar seu destino por pior e por mais desagradável que seja. – disse Liana tocando a cabeça decapitada do pobre animal. – Espero que você possa descansar em paz.

Com isso a caverna tremeu e o fundo começou a abrir revelando um túnel longo e largo, eles seguiram pelo túnel, ate chegarem à cidade que Tobiro tinha mencionado, não era tão pequena como Pryor e Liana tinham imaginado, as casas tinham sido construídas em cavernas, todos pareciam despreocupados, cumprimentavam-nos e se levantavam apressadamente, mostrando respeito à Tobiro, uma moça se aproximou e teve uma conversa rápida com ele, que logo disse para que ela deixasse o grupo descansar, e que depois se reuniriam.

Pryor e Liana foram acomodadas em uma casa no fim da cidade, no lado oposto a entrada, era pequena mais considerando o que tinham passado recentemente, era muito. Pryor deitou-se na cama e relaxou um pouco, a sensação era tão boa que ele teve que se levantar correndo para não pegar no sono.

Enquanto isso Liana tinha ido se banhar, estava exausta, quando a agua tocou nas feridas ela não conseguiu evitar gemer e se contorcer um pouco, assim que saiu ela estava ótima, ela sentia que poderia sair em outra viagem, o banho tinha sido o melhor e mais decente que tinha tomado em muito tempo e aquilo era ótimo, mais revigorante que o normal.

Eles foram jantar com Tobiro e os outros, a janta foi incrível, Pryor estava parcialmente feliz, ele não comia tão bem desde que partira de Jinzen seu estomago agradeceu, mais ele ainda preferia estar com seus amigos. A saudade era forte, ele estava determinado, iria vingar seus amigos.

– Quando vocês vão começar a nos treinar? – perguntou Pryor.

– Amanha assim que levantarmos começamos, aproveite, pois você vai não ficara tão confortável outra vez tão cedo. – respondeu Tobiro.

– Então esta bem. – Pryor não estava satisfeito mais sabia que não poderia fazer nada então aceitou. – Quanto tempo deve demorar ate que acabe o treino?

– Dependera de vocês, alguns levam semanas, outros dias. – Valq brincava com uma taça de vinho enquanto falava.

Eles passaram o resto do jantar falando sobre suas aventuras, e descrevendo suas vidas anteriores a Ordem, Liana estava calada apenas observando na maior parte do tempo.

Finalmente eles decidiram ir dormir, voltaram a casa onde tinham se instalado, vagaram por algum tempo antes de chegarem, eventualmente um dos dois caia e tinha dificuldades para se levantarem, quando chegaram a casa já estavam usando um ao outro como apoio e mesmo assim mal conseguiam ficar de pé, eles foram se arrastando ate o quarto e finalmente caíram na cama do jeito que estavam.

Pryor acordou suando frio, tinha sonhado que estava morrendo, estava outra vez preso junto com Liana naquele acampamento, a diferença era que em seu sonho estava com vários guardas a sua volta e um humano estava torturando eles. Liana estava inconsciente, varias marcas de queimadura, e cortes espalhados pelo corpo da jovem.

Ele foi ate a cozinha e bebeu um pouco de agua, estava tremendo mal conseguiu pegar o copo, tentou varias formas de meditação para tentar se acalmar nada funcionou. Ele foi se arrastando ate a cama e desmaiou ao lado da cama.

– Acordem esta na hora de irmos treinar. – Eran estava sorrindo a porta do quarto.

Pryor se levantou com alguma dificuldade, seus ossos doíam, foi ate o banheiro e tomou banho, trocou-se e então foi esperar por Liana, logo depois ela veio, estava linda, o cabelo estava preso em um rabo de cavalo.

Eles caminharam em silencio ate chegar às portas de um templo, o lugar era enorme, tinha a entrada enfeitada por varias esculturas, tanto no portal quanto em frente, Tobiro estava junto com Valq e Minuli esperando o trio, elas sorriam.

Notas finais
Deixem comentários, sejam honestos. Capitulo novo sempre que possivel.