Filhos da Ordem Chamas da Justiça
4 Capítulo 4
– Quem? – Liana por um momento ficou confusa e então ela entendeu o que ele estava falando.
Eles seguiram o homem, tão rápidos quanto puderam, Pryor se recuperou logo em seguida do choque, foi uma questão de poucos minutos até que estivessem de frente para uma casa pequena, eles olharam um para o outro e decidiram entrar.
A casa tinha uma sala com um fogão no canto, que era todo o primeiro andar, e um segundo, no centro da sala estavam sete homens e duas mulheres, as mesmas que visitavam o mestre Jaugag, todos sentados em cadeiras e nas poltronas, o homem que tinha levado eles até lá, estava no canto da sala próximo a janela dos fundos.
– Sejam bem vindos – O homem falou se aproximando, e oferecendo cadeiras para eles.
– Quem e o que são vocês? – Pryor examinava o homem com cuidado apesar de seu sonho não sabia se eles estavam entre amigos ou inimigos.
– Somos o júri, os juízes e carrascos daqueles que a justiça não alcança. Somos a Ordem, nos somos os responsáveis por levar a punição aos que usam do poder e do dinheiro para não pagar por seus crimes. – Respondeu um dos homens, era difícil descreve-los, todos usavam a mesma capa que cobria os, mudando apenas o numero que tinham no peito.
– Então estão aqui para nos julgar por algo que acham que fomos nós? – Pryor estava pronto para sacar sua espada, ainda que parecesse calmo, ele estava extremamente apreensivo, e por que ele tinha confiado naquele estranho, o que estava fazendo ali, eram coisas que ele queria tanto saber que quase perguntou, a ideia era tentadora mais ele não o fez.
– Na verdade não, estamos aqui para convida-los para entrar para A Ordem. – Respondeu uma das mulheres.
– Vocês podem ser ótimos soldados, e ainda ajudaríamos você a conseguir vingar seu mestre Pryor – Completou a outra
– E se não aceitarmos? – Liana percebeu que Pryor estava apreensivo, tanto quanto ela talvez. – Todos já devem ter notado nosso nervosismo – Ela pensou.
– Então vocês são livres para ir, não obrigamos vocês a virem ate aqui, nem vamos força-los entrar, estamos fazendo uma oferta, aceitem ou recusem, vocês que decidirão, mais saibam se aceitarem nunca poderão sair. –respondeu o homem indicando a porta caso eles decidissem ir embora.
– Se aceitar vocês podem me garantir que eu – ele fez questão de dar ênfase no eu – e mais ninguém vai lutar com ele?
– Nenhum de nós vai interferir se é isso que você esta perguntando, nem para ajudar você nem para salvar.
– Eu aceito, quando vamos?
– Assim que treinarmos vocês, e estiverem curados.
– Vocês já sabem onde ele está? Não sabem?
– De certa forma sim.
– Como assim?
– Ele é um assassino profissional, e também é conhecido como o homem de mil faces, se ele não quer que você o ache, será quase impossível conseguir. Sabemos onde ele está mais não exatamente quem ele é agora. – explicou um dos homens, ele pode ser um nobre, um comerciante, um guarda, ou qualquer coisa que ele decidir.
– Vocês disseram que levavam a justiça aos que não seriam julgados por seus crimes, por serem poderosos e influentes, então por que estão atrás dele?
– Ele era um de nós, ele matou um companheiro, saiu da ordem, e... – O homem que tinha levado Pryor parou por um momento, todos ficaram em silencio. Seu numero era dez, o numero mais alto.
– Nem sempre vamos atrás de nobres, ou sacerdotes.
– Sacerdotes? – Pryor parecia surpreso.
– Você ficaria surpreso com o que eles fazem não se engane, mesmo aqueles que aparentam estar acima de qualquer tipo de suspeita pode ser um assassino, por exemplo. – Liana parecia saber muito bem do que falava. – Os piores monstros podem estar nos lugares onde menos se espera, fingindo ser bonzinhos, suspeitar de todos é algo que você acaba aprendendo. – Sua voz estava cheia de ódio.
– Exato, também vamos atrás de assassinos, e também protegemos, reis, diplomatas, burgueses, o mundo em geral, mais ele nunca sabem, ser membro da Ordem é viver nas sombras, é fazer as coisas sem nunca ter gloria, reconhecimento ou mesmo ouvir um “obrigado por se arriscar para nos salvar senhor, que não sabemos que é, e que não nos conhece”, você nunca será nada além de um guardião que vive nas sombras, um herói sem gloria, nunca poderá ter nada, sem luxos, ou qualquer coisa do tipo.
– Tem certeza que quer aceitar nossa oferta? Podem pensar pelo tempo que precisarem. O futuro de vocês será decidido quando responderem nossa oferta, seus sonhos, suas chances de ter uma vida normal, suas vidas, tudo acabara e começaram outras.
– Se vocês podem me ajudar a conseguir o que quero, então tenho não tenho nada sobre o que pensar, minha vida já foi destruída, terei que construir uma nova de uma forma ou de outra, e não acho que vocês vão me curar se eu não aceitar. – Pryor estava claramente decidido, sua voz seu jeito. – Eu quero me tornar um membro da Ordem, quero vingança, mais antes disso – Ele se levantou e perguntou – os homens que atacaram a escola, eles eram membros da sua Ordem?
– De fato não vamos. E não eles não eram, de alguma forma ele conseguiu reunir um grupo de assassinos, sem que pudéssemos fazer nada, nem impedir nem nos infiltrar.
– Eu também quero – Liana também estava decidida.
– Nesse caso essa noite vamos partir, estaremos esperando vocês na esquina, assim que a cidade estiver dormindo.
Todos saíram deixando, eles dois e o homem que eles tinham seguido, ficaram ali e conversaram por mais alguns minutos, o nome dele era Eran, tinha trinta e oito anos, ele disse que não podia contar ainda como tinha achado e levado Pryor, só falou que era um velho amigo dos pais dele, e que eles tinham morrido para salvar ele e o irmão, mais o corte na barriga tinha sido muito grande, então o irmão dele acabou não resistindo.
Seu pai era parecido com você, mais os olhos dele, bom eram os olhos de um homem livre, que nunca seria dobrado as vontades e caprichos de outras pessoas, se não quisesse, ele também era mais magro. – Eran falava com uma certa tristeza, como se tivesse vendo eles morrendo na sua frente outra vez.
– Já sua mãe – Ele continuou tentando não chorar. – Há, ela era tão calma e gentil, quase hipnótica, ela conseguia fazer as pessoas se apaixonarem por ela, todos sempre queriam ajuda-la – Ele quase levou a mão como se tentasse pegar e puxa-la – ela foi a única pessoa que consegui dar uma ordem a seu pai. Ela era pouco mais baixa que ele, cabelos longos e claros, olhos, voz, tudo nela era calmo, como um lago inabitado.
Os olhos de Pryor estavam cheios de lagrimas presas, ele não queria chorar como uma criança, tenho que me manter forte ele tentava convencer a si mesmo, mais com certeza não estava adiantando, as lagrimas começaram e escorrer pelo rosto dele.
– Me desculpe, eu... – Ele enxugou as lagrimas que não paravam de sair contra sua vontade. – Eu só queria ter conhecido eles.
– Eles estariam orgulhosos de você, incrível, habilidoso, e ainda tem uma namorada tão legal, e gentil.
Ambos coraram e falaram ao mesmo tempo como se fosse ensaiado. – Não estamos namorando, somos apenas amigos.
O silencio tomou conta do lugar por alguns segundos, Eran falou que eles seriam um belo casal, e saiu andando, parou na porta e disse para eles não se atrasarem, e saiu deixando eles ali sozinhos.
Eles ficaram se encarando por um tempo, Liana não sabia dizer ao certo se ele estava pensando no comentário de Eran ou em seus pais, ou em qualquer outra coisa, sua mente parecia viajar por varias coisas.
Liana levantou e chamou-o para ir embora, ele foi sua mente estava estranhamente dispersa, ela entendia ele tinha acabado de receber muita informação, mais do que ele podia processar provavelmente.
Pryor foi caminhando apenas seguindo Liana, ambos seguiram em silencio, ele estava grato por ela respeitar seu desejo de ficar só consigo mesmo, seu coração estava apertado, sua mente pensando em mil coisas ao mesmo tempo, aquilo tudo era loucura, ele tinha que processar tudo antes de partirem, ou podiam resolver deixa-lo para tras, por ele não conseguir se controlar, mais seu coração e mente queriam se dar ao luxo de ficar perdida, ele queria, ele precisava ficar só.
– Você quer mesmo vir? – Pryor finalmente quebrou o silencio, já tinham ficado muito tempo.
– Sim, por que você acha que eu diria que quero entrar se não quisesse? – A luz da lua ela era linda, ajeitando seus cabelos azuis, seus olhos negros como o céu de uma noite sem estrelas.
– Não sei, você tinha dito que iria comigo para onde quer que fosse ate que pagasse sua divida, então tive medo que você estivesse jogando sua vida e sonhos fora por isso.
– Não seja convencido – Ela disse sorrindo e dando um empurrão nele. – Você é legal mais não tanto.
– Achei que fosse mais importante, acho que estou me achando muito não.
– Um pouco talvez. – Ela olhava para o céu, desejando ser uma estrela.
Antes que notassem estavam no quarto rindo, Pryor estava se sentindo melhor, o mundo parecia ficar mais leve, com o tempo o sono se aproximou tímido e esguio, pouco a pouco eles foram cedendo. Pryor acordou com alguém batendo na porta, ele escorregou até sua espada, Eran chamou-o ele foi com cuidado ate a porta.
– Pryor? Liana? Acordem, mudanças de plano. – Ele tentava falar baixo para que apenas Pryor e Liana o ouvissem.
– O que aconteceu, como assim mudança de planos?
– Me encontrem lá em baixo em cinco minutos. Lá explico.
– Vou acordar Liana e já descemos.
Eran deixou-os, foi fácil acorda-la mais Liana estava confusa e lenta mais não demorou nem cinco minutos para que eles estivessem no balcão, aparentemente já tinha pago as dividas deles, ambos fizeram um acordo silencioso e foram na direção do local que tinham combinado, virando a esquina Valq, uma das mulheres estava esperando eles, assim que passaram ela os puxou.
– Venham por aqui, temos problemas então teremos que partir essa noite.
– O que aconteceu? – Liana finalmente estava totalmente acordada.
– Alguém avisou Osmum sobre vocês, e que estamos aqui, ele chegará amanhã.
– Então ficaremos e matamos ele de uma vez. – Pryor definitivamente estava falando serio e pareceu achar que era uma boa ideia, até que Valq lançou um olhar furioso.
– Ele provavelmente mataria vocês dois não teríamos como salvar vocês.
– Como assim? Vocês estão em maior numero, se todos atacarmos ele juntos, podemos mata-lo.
– Kazumo era o nosso melhor. Não teríamos chance com ele, nem que ele estivesse sozinho, não tem como matar ele.
– E também tem nossos problemas de saúde Pryor.
Pryor não gostou da forma como ela tinha dito que eles não poderiam matar Kazumo, mais ele tinha que reconhecer Liana estava certa, eles teriam que chegar ate o Lar da Ordem, para que o remédio fosse feito, então concordou e eles foram.
Com a cidade vazia por ser tão tarde eles puderam finalmente admirar Laodim, as casas e prédios eram lindos, a medida que chegavam mais perto do centro da cidade, os prédios ficavam mais e mais altos, e no meio ficava o palácio do governador, vários e vários metros acima do chão. Formando uma ponta, Ele não tinha certeza mais Laodim era um tipo especial de lança Guriru. Os primeiros moradores e os construtores da cidade.
Os muros da cidade segundo os cálculos de Pryor tinham cinquenta metros, a cada dez metros tinha uma torre, guardas ficavam andando de um lado para o outro o tempo todo, tirando a capital daquele reino, Laodim era provavelmente a cidade mais segura do reino, era difícil imaginar um lugar mais seguro, e tão bonito.
Assim que chegou perto do muro Pryor perguntou – O que vamos fazer agora? – Pryor estava nervoso, algo parecia errado.
– Esperamos, leva tempo para mudar um plano desses, ainda mais em cima da hora. – Valq puxou-os para um beco escuro e fez sinal para que evitassem fazer barulho.
Eles esperaram por uma hora mais ou menos, até que um guarda foi atacado e jogado para fora da muralho no lado de dentro, eles se olharam.
– Isso não é coisa nossa, não matamos inocentes, tomem cuidado. – Valq pegou sua adaga e começou a procurar por qualquer sinal de alguém querendo ataca-los.
– Calma, ele não jogou o homem no chão para morrer, ele só deixou-o preso – Para Minuli a outra mulher aquilo pareceu totalmente normal, ela tinha se aproximado deles com cuidado para não ser atacada tinha avisado que estava por perto.
– Como assim? – Valq estava tão confusa quanto Pryor ou Liana.
– Nos tivemos que improvisar, ou não iriamos sair antes do amanhecer.
Ela guiou-os ate o lugar onde Faur estava esperando e subiram por uma corda, quase todos os guardas estavam dormindo ou pendurados ao longo da muralha, ficando um espaço livre entre duas torres, ele desceram usando a corda era o melhor jeito de chegarem ao chão sem usar os portões, coisa que iria demorar e chamar muita atenção.
Juntos Pryor, Liana, Valq, Faur, Eran e Minuli conseguiram sair da cidade, eles foram andando até um rio próximo a cidade, levaram quase vinte minutos para chegar.
Todos os outros estavam lá esperando com cavalos, selvagens a espera, Liana conseguiu convencer os cavalos a levar eles para longe, depois de uma longa negociação.
Fale com o autor