Filhos da Ordem Chamas da Justiça
3 Capítulo 3
Pryor Ficou de guarda durante a noite toda, e parte da manhã, frequentemente ele levantava e ia dar uma volta em frente a caverna, sem se afastar muito para não deixar Liana em perigo, não encontrou nada além de alguns lobos que desistiram de ataca-los assim que Pryor sacou a espada.
Ele estava mais aliviado por ter sua espada outra vez, era mais fácil manejar uma arma com a qual já era acostumado, e também tinha o valor sentimental, a lembrança de sua viagem, e de seu tempo na escola de esgrima, queria acordar e que tudo não fosse nada além de um sonho, mais sabia que isso não ia acontecer, teria que lidar com a perda, e tentar resolver seu problema de saúde antes de ir atrás do único sobrevivente ao ataque a escola, não tinha ideia de como iria achar alguém que pudesse ajuda-lo, nem como acharia o tal homem, mais ele sabia que tinha que tentar, teria que dar um jeito, já tinha dado um jeito antes, Pryor sabia que teria muita coisa para fazer, mais precisava se concentrar em não morrer, e não deixar que Liana morresse.
– Pryor, onde você esta? – Antes mesmo de se virar ele já sabia que ela ainda não estava totalmente recuperada.
– Estou aqui, esta melhor? – Pryor foi ate ela para que pudesse ouvi-la bem, ela ainda estava com a voz rouca.
– Um pouco. Você esta cansado não esta? – Apesar da tosse ela já parecia estar muito mais recuperada que ele achou que estaria, ou que realmente estava, pelo menos na opinião dele.
– Não muito, Não tem com o que se preocupar, apenas concentre-se em melhorar.
Ela deu um sorriso, não sabia como Pryor conseguia estar bem depois de ter lutado tanto, e ainda ter carregado ela não só pelo acampamento mais até aquela caverna.
– Deite-se e descanse um pouco, todos tem que parar e dormir as vezes.
Liana tentou sentar-se mais ele não deixou mandando ela descansar e deixar que outra hora ele iria dormir, apesar de não admitir ele estava cansado, mais do que gostaria, mal conseguia ficar acordado.
Se não conseguissem dormir e se recuperar logo, eles seriam atacados e mortos por qualquer animal selvagem faminto, e ambos sabiam disso, Liana estava grata por ter Pryor cuidando dela, mais odiava ser tratada como alguém que tinha que ser protegida, mais naquele momento ela não podia descordar até que estivesse em condições de lutar, ela teria aceitar sem reclamar.
Ele ajudou-a a ir até um canto escuro da caverna e falou para que ela ficasse ali em silencio até ele voltar, ele fez que sim com a cabeça, depois de algum tempo, que para ela poderia ter sido cinco minutos ou uma hora, já que estava naquele lugar escuro, onde a luz não chegava. Pryor tinha algumas frutas e um par de peixes.
– Pegue e coma um deles pelo menos, sei que não é um costume Kaugag comer carne, mais você precisa – Pryor foi tão convincente que ela não pode recusar, além do mais ele tinha pescado um Taruki, uma tarefa árdua até para os mais experientes e habilidosos pescadores, seria uma ofensa não aceitar.
Liana deliciou-se com o saboroso peixe, que tinha quase vinte centímetros, o estomago acostumado com frutas e legumes dela não reclamou, pelo contrario parecia grato e pedindo mais, e as frutas estavam uma delicia.
Eles conversaram e ficaram rindo por algum tempo, contando historias sobre o passado, quando ambos ainda tinham suas famílias, em outra ocasião e com outra pessoa, tais lembranças fariam com que eles ficassem tristes, mais naquele momento, eram alegres, as lagrimas que escorriam nos rostos deles não eram de tristeza e sim de alegria, não pela perda, mais sim pelo tempo que tiveram com aquelas pessoas incríveis, alegria por ter tido tais momentos.
E assim foi os três dias seguintes deles, Pryor tinha levado Liana para uma parte mais segura da caverna, e lá pode descansar ao seu lado, mais ela sabia que ele não estava totalmente relaxado, um simples ruído era o suficiente para faze-lo levantar com um salto e sacar a espada, apontando-a para o lugar de onde viesse o barulho que o tinha feito despertar.
No quarto dia Liana conseguiu convence-lo de que já estava em condições de viajar, eles decidiram ir para Laodim, era o lugar mais próximo, e eles precisariam de suprimentos, um mapa, e outras coisas.
– Eu vou continuar viajando com você – Ela parecia animada e decidida então Pryor decidiu concordar, além do mais ele se sentia sozinho, ainda mais agora, queria e precisava de companhia. Ela continuou – Para onde vamos?
– Para falar a verdade ainda não sei, não tenho um plano nem nada do tipo. – Pryor se sentia perdido, mais do que gostaria, não ficava assim desde que começou sua viagem pelo mundo.
– E a velha bruxa, ou as netas?
– Não sei onde moram, e não tenho ideia de como acha-las.
– Então não tem ideia de como resolver sua situação?
– Não, você tinha dito que podia me levar até alguém que pode me curar.
– Há tinha me esquecido, o velho Crom, vamos levar uns dez dias, e não tenho certeza se ele vai querer ou poder ajudar.
– Como assim?
– Quando alguém chega pedindo ajuda, ele meio que estuda você, e decide se vale ou não, se ele achar que não vale apena não ajuda.
– Como assim meio que estuda?
– Ele fala que olha sua alma, ou algo com a alma.
Pryor ficou olhando o céu, pensando em toda sua vida, se questionando se tinha ou não sido uma boa pessoa, se seus erros eram muito graves para que suas boas ações redimissem-no, por alguns minutos eles ficaram em silencio, andando em direção a Laodim.
– Vamos ate ele, não sei se ele vai me ajudar, mais essa é minha única chance, não tenho nenhuma outra ideia, e se ele não me ajudar, pensamos em algo. – Pryor parecia ainda mais triste, Liana sabia que ele escondia algo horrível. Então ele virou-se e perguntou – Quanto tempo acha que vamos levar para chegar em Laodim?
– Não sei acho que quatro dias, se pudesse tocar em algum pássaro, ficaria mais fácil saber, e poderíamos confirmar a direção.
Eles procuraram por algum pássaro para que ela pudesse pedir informação, mais não acharam, sempre que um deles começava a subir uma arvore, os pássaros fugiam, e os outros animais daquela área eram muito agressivos mesmo Liana sendo uma Kaugag, eles acabaram desistindo e seguindo pela estrada.
Eles levaram três dias e chegaram aos portões de Laodim, chegando lá tinham dois guardas em cada fila, eram Servets, com quase dois metros de altura, caso fossem confundidos com estatuas, eles provavelmente seriam as estatuas mais bizarras, pois eram realmente assustadores.
Não demorou muito até que estivessem dentro da cidade, as ruas estavam cheias, até mesmo algumas ruas que normalmente não eram para comercio, tinham algumas barracas, tinham os mais diversos cheiros, e tipos de coisa para vender.
Comidas dos mais variados tipos, iguarias das mais exóticas, o cheiro de sopa de iuzazi era ótimo, a barraca de onde vinha o cheiro estava cheia de pessoas em volta, os bares tinha gente entrando e saindo o tempo quase todo. Muitos deles saiam carregados ou eram jogados para fora pelos seguranças.
Eles tinham a leve impressão de que não iria ser fácil, conseguir um lugar para ficar, foram em vários hotéis procurando vaga, mais só acharam no fim do dia, era um lugar pequeno, só tinha um quarto de casal, e eles tiveram que dormir no mesmo quarto, Pryor logo se ajeitou no chão, Liana tentou convence-lo a dormir na cama, e até se ofereceu para ficar no chão no lugar dele, mais não adiantou.
– Vou ficar bem no chão, não se preocupe comigo. Além do mais você tem que descansar e precisa de espaço.
– Isso não quer dizer que você tem que ficar no chão frio, duro e desconfortável – Ela rebateu – Além do mais não me sinto bem em estar aqui e você no chão, ou ficamos ambos na cama, ou ambos no chão.
Pryor notou que ela estava falando serio, e decidiu deitar-se na cama. Nenhum dos dois conseguiu dormir, então Pryor resolveu perguntar algo que o incomodava há alguns dias – Liana se os Kaugags são imunes a venenos, então por que você está tão mal?
– Os Kaugags são imunes a quase todos os venenos, mais isso vem com um preço, ficamos algum tempo muito fragilizados, por nosso corpo se desgastar muito durante a cura. É assim com todo tipo de doença, quase nunca morremos de doenças, mais quanto mais grave a doença mais tempo para nos recuperarmos. Nosso sistema imunológico é diferente de outras espécies.
Eles continuaram conversando por mais algum tempo, fazendo uma lista de coisas para fazer, e comprar até que finalmente acabaram dormindo, Pryor sonhou com o dia que conseguiu derrotar Huru, um Kaugag, o mesmo que tinha ensinado ele a falar Mironi, a língua dos Kaugags, no entanto ele não era uma criança em seu sonho, ele era exatamente como no presente, exceto pelo fato que era feito de uma espécie de gás.
Ele tentou falar e tocar nas pessoas e coisas, mais não adiantava, ele simplesmente se desfazia ao chegar perto de alguém, ou algo quente a parte de seu corpo que chegasse muito perto se transformava em vapor sem forma, quando tentava tocar em outras coisas, como portas ele simplesmente atravessava-as.
E o momento mais estranho do sonho, e provavelmente da vida dele foi quando ele viu a ele mesmo quando mais novo, passar correndo por dentro dele mesmo.
Ele ficou parado por alguns segundos e virou-se mais seu eu jovem já tinha ido embora, ele resolveu ignorar a si mesmo e foi andando, observando aquele lugar outra vez cheio de vida outra vez, caminhou até chegar ao salão onde o mestre Jaugag meditava.
Lá estava ele, um senhor de aproximadamente cinquenta anos, com a longa barba e o cabelo grisalhos, suas roupas eram cheias de desenhos de animais e plantas da região, a sua volta fumaça e uma pequena fogueira, ele agitava o fogo com um pequeno pedaço de ferro.
Apesar de saber que era impossível Pryor correu na direção do mestre queria desesperadamente pedir sua ajuda, quando ele estava na metade do caminho ele parou e notou que o velho olhava em sua direção, ele se mexeu para o lado e o homem se manteve olhando para ele.
– O homem que te trousse vira guia-lo em seu caminho, será árduo mais você terá que trilha-lo para conseguir aquilo que seu coração pede. – A voz de Jaugag não era a dele, era como se fossem raios.
– Como assim? – Pryor estava confuso. Quem tinha levado ele? Como ele saberia quando encontrasse com o tal homem?
– Não se preocupe, quando você ver ele vai saber, mais nunca se esqueça, a morte vai estar sempre por perto se continuar entrar nesse caminho, uma vez que se entra só sai quando ela levar você. — E com isso tudo em volta deles foi coberto pela fumaça, e o sonho se desfez.
Pryor acordou preocupado, não entendia o que era aquilo que tinha acontecido, e tinha muitas perguntas para seu mestre, infelizmente ele não teve tempo para fazê-las, e algo dizia a ele que nunca teria tal chance em vida.
Liana já tinha levantado, ele contou tudo o que tinha acontecido no sonho em detalhes, ela perguntou se ele não seria capaz de reconhecer o tal homem, e ele explicou que era muito difícil já que ele tinha ido viver no templo com quase quatro anos, não tinha nenhuma lembrança de antes dos sete, e que tudo que sabia antes disso era o que tinham contado a ele.
Eles estavam andando pela cidade, quando passaram perto de um templo, era enorme e cheio de detalhes, estava cheia de gente saindo e entrando, os comerciantes eram espertos, então muitos deles estavam nas proximidades dos templos, daquele em especial, era o maior e mais lotado.
No meio da confusão ele viu algo que deixou ele surpreso, o mundo ficou escuro, sem cor, todos a sua volta pareciam fantasmas para Pryor, lá estava ELE, o homem que o tinha levado para a escola e quem ajudaria ele há achar seu alvo, e se tudo desse certo a mata-lo.
Era um homem aparentemente comum, alto, moreno, barba por fazer, a única coisa que era chamativa nele, era o corte no lado do rosto, o homem veio andando até ele, e passou como se não tivesse reconhecido Pryor.
Ele parou atrás dele e falou – Me siga, mais não de muito perto, e não me perca de vista, se vier vou ajuda-lo a ter sua vingança.
– Por que deveria acreditar em você?
– Por que, também quero matar os assassinos de meu tio. – O homem soava serio.
Depois que ele foi andando, Pryor virou e puxou Liana, ela não entendeu, ele estava pálido, como se tivesse sido envenenado, ele foi se arrastando.
– O que aconteceu? – Liana segurou ele.
– Eu vi o homem que vai me levar até o assassino deles. – Os olhos de Pryor eram sérios.
Fale com o autor