Filhos da Noite

20 Capitulo 20 - Seja Decisivo


[Archie – Residência dos Belmont]

— Ainda ta em casa. Ótimo! – Alexander me disse passando a porta.

— Atrasei um pouco só, o padre também não está com pressa. – Expliquei pegando a mochila.

— Na verdade, eu quero que você venha comigo. – Ele apontou as escadas.

— Eu já treinei com a Adrienne. – Falei.

— Não é treino, nós só vamos conversar um pouco. Eu explico pro padre Lucas depois. – Respondeu ele subindo na minha frente.

— Ta bom. – Respondi seguindo-o, lá em cima ele já estava sentado, chicote em mãos e a mesa atrás dele com as lâminas organizadas. – Achei que não seria...

— Não é. – Ele jogou o chicote pra mim. – Me explica a sensação. – Ele pediu.

— Couro?

— Como é? O que sente? Como é o peso? Tem rigidez ou resistência a você?

— São muitas perguntas. – Respondi e ele ergueu uma sobrancelha. – É meio áspero, nessa posição está desbalanceado e parece couro velho.

— Isso tudo é físico. – Ele apontou pro meu peito. – O que sente dentro de você?

A sensação era boa, pra encurtar a resposta, mas, não dava pra olhar pra ele e dizer que era bom apenas. Eu me concentrei na sensação, a palpitação no meu peito, a minha vontade, meu sistema nervoso... Sensações simples, sinais de ansiedade, de alegria, coisas tão cotidianas e agora tão significativas.

— Calor. – Respondi tocando a região do coração. Ele sorriu.

— Essa é a sensação da magia de sangue. – Ele explicou. – Esse chicote passou por gerações com a nossa família. Edgar Belmont “O Assassino da Noite”, Vikta Belmont “Invasor de Castelos”, Senna Belmont “A Feiticeira”, Robert Belmont “Terminador de Ciclos...

— Isso vai ser uma aula sobre a grandeza da nossa arvore genealógica? – Interrompi, eu não queria discutir ou desrespeita-lo, só entender.

— Só escute. – Pediu. – Todos eles eram grandiosos e muitos deles ainda falharam! Sabe por que? – Eu neguei. – Eles eram lobos solitários, gostavam de enfrentar o mal das trevas sozinhos, de carregar o peso do mundo nos ombros...

— Vikta tinha um irmão, nossa história fala de ambos! – Lembrei.

— Está certo, me desculpe, mas, o mesmo ainda se aplica em partes. – Continuou. – Eu sofro do mesmo mal da nossa família, o mal de muitos caçadores também. – Ele parou um instante. – Eu acho que posso fazer tudo sozinho e na maioria das vezes eu consigo, mas, eu não ligo de trabalhar com outros caçadores, pessoas, padres... Nunca é um problema, exceto...

— Quando é a sua família. – Finalizei por ele.

— Certo! Eu sou bom, mas, juntos nós somos ótimos e podemos ser tão grandes se não maiores do que nossos ancestrais. – Ele pegou uma adaga com a cruz no meio. – Nossa história não tem apenas vitórias e infelizmente o mundo não se lembrará de nós, assim como não lembra deles, eles estão vivos em nossas histórias e nossas memórias!

— Não erguem estatuas para heróis nas sombras. – Respondi. – Não fazemos isso por fama, reconhecimento ou glória, fazemos porque o mundo não pode se defender sozinho do que está nele. Somos a espada e o escudo da humanidade.

— Ainda lembra do poema. – Ele estava orgulhoso. – Ótimo.

— E qual era o intuito X da aula sobre o passado?

— É importante saber quem veio antes, o que foram capazes de fazer, o que somos ou ainda seremos capazes de fazer. – Ele pegou o chicote. – Ele foi do nosso Avô, e então da nossa mãe e quando ela se foi, ele voltou pra ele até seu fim...

— E depois dele foi você. – Completei.

— Um lembrete de que eles são capazes de destruir o que temos. – Contou. – Eu não queria... Na verdade eu não quero que você seja caçador, nem Adrienne. – Ele suspirou. – Contudo, eu sei que além de não poder impedi-los, mesmo que eu tente muito. Vocês dois eventualmente vão precisar se envolver.

— E onde vamos chegar com isso? – Eu estava ansioso, eu esperei muito por essas conversa. Finalmente seria o que esperei tanto para ouvir

— Eu conversei com outros caçadores, estamos empenhados na nossa busca sobre o vampiro misterioso e também. – Ele tocou um dos fragmentos no chicote. – A última parte da ceifadora precisa ser encontrada.

— Certo...

— Vamos nos dividir para procurar, Terry e Padre Lucas vão viajar até a Grécia atrás de uma das pistas. – Ele foi até a mesa e tocou no pequeno globo de isopor. – Nós três Vamos para o Brasil ver as outras duas pistas. Hanzo vai ficar e ajudar a manter as coisas em ordem junto dos outros caçadores na nossa ausência.

— Nós... Você, Adrienne e eu? – Perguntei.

— Quando nós três foi diferente?! – Ele ironizou. – Eu quero que entenda, nós estamos indo atrás de algo perigoso e possivelmente mortal, ao mesmo tempo que podemos acabar sem encontrar nenhum tipo de inimigo ou pista. Nosso objetivo é apenas a Ceifadora!

— Quando nós vamos? – Perguntei mais empolgado do que deveria, voltei a ficar sério rapidamente. – Eu não vou vacilar, prometo.

— Tenha um pouco de calma, nós vamos repor as armas antes de ir e também nos preparar direito. – Ele jogou um dicionário de português pra mim. – Isso significa aprender a língua.

— Os caçadores de lá não falam inglês? – Questionei.

— Nós somos as visitas Archie, temos que nos adaptar ao local e respeitar os anfitriões. – Ele iria sair da sala e me deixar com o dicionário ali.

— Espera! – Falei e ele se virou. – Por que isso agora? O que mudou? – Eu não queria fazer essa pergunta e arriscar que ele desistisse, mas, era tão estranho ver isso acontecer de verdade.

— Eu tive uma boa e diferente orientação. – Ele respondeu feliz. – Resumindo irmãozinho, eu prefiro que quando qualquer um de nós estiver pronto para encarar um inimigo, nós estejamos juntos como um só. Um trio, uma família, pronta para enfrentar qualquer que seja nosso obstáculo sem sentir-se sozinho.

— Posso fazer mais uma pergunta? – Ele assentiu. – Eu vou ganhar armas e equipamentos agora? – Ele riu da pergunta.

— Parece justo que você não vá apenas com “pulseiras da amizade” pra uma missão real. – Ele falou entre as risadas. – A quantidade de equipamento será baseada no quanto dominar do idioma até nossa viagem!

— E quando nós vamos? – Perguntei novamente.

— Não vou contar! – Apontou o dicionário. – Se esforce e esteja pronto, são qualidades de um bom caçador. – Dito isso ele me deixou ali.

— Vamos começar dicionário! – Falei para o livro na minha mão. – Letra “A”.

[Adrienne – Torre Vermelha]

— IMPOSSIVEL!! – Respondi brava a explicação de Katrina para a situação atual.

— Só se você continuar com essa atitude. – Ela respondeu quase debochando, era claro que ela não queria conversar.

— Aquela tal de Lilian que nós “não precisávamos nos preocupar!” Porque você iria dar um jeito nas coisas. – Comecei irritada. – Atacou, foi atrás do meu irmão e quase matou o nosso padre se os caçadores não tivessem chego a tempo.

— E ela já pagou um preço por isso não? – Ela pontuou. – Pelo que eu já sei, ela saiu bem pior que os caçadores.

— Um caçador morreu Katrina. Uma família perdeu alguém, um marido, um pai... – Lembrei da felizmente única baixa do nosso lado durante o combate.

— E seu padre matou três vampiros. Está mais do que equilibrado. – Ela tentava encerrar o assunto, várias vezes caminhando de um lado para o outro.

— Não é uma questão de números! Foi possível lidar com ela, mas, o outro...

— Vocês lidaram com ela porque ela foi descuidada e arrogante! – Ela me interrompeu. – Um vampiro nunca deveria armar um ataque em solo sagrado se não estiver pronto para fugir. Em outras circunstancias não seria tão simples. Não a subestime como ela fez com vocês!

— Bom qualquer que tenha sido o resultado ela fez a jogada dela! – Respondi ríspida. – Eu tenho te escutado, eu guardei seu segredo quando me mostrou as crianças, mas, eu não posso ficar aqui sabendo tudo que acontece enquanto mais uma vez minha família é prejudicada enquanto eu guardo esses segredos! – Eu não estava sendo injusta com ela, pelo menos não parece injusto querer a segurança de quem se ama.

— Eu sei que está irritada. Seu irmão mais novo foi atacado duas vezes nesse último mês, vocês estão em alerta... Contudo, não há motivos para manter essa preocupação. Me escute quando eu digo que ela não será mais um problema para vocês!

— Você já me disse isso Katrina... – Suspirei. – Como posso ter certeza de que ela não fará nada igual ou algo ainda mais elaborado, mais cruel!

— Isso é ansiedade Adrienne! – Ela retrucou. – Ela não será um problema para sua família, não mais! Eu te dou minha palavra.

— E quanto ao outro vampiro? – Ele me preocupava muito mais que ela. Ainda mais derrotando Alexander, usando magia no solo sagrado, tendo alguma ligação com a Belle... – Adam! Quem ele é? Nós já vimos ali que ele é mais perigoso que ela...

— Ele não vem ao caso e não será um incomodo também!

— Você diz isso, mas, não viu o que ele fez. – Devolvi.

— Ele foi lá para resgata-la e teria ido embora sem luta se seu irmão não insistisse! – Ela o defendeu. – Afinal ele simplesmente não o matou e foi embora depois, não é? Sua feiticeira ajudou pelo que sei.

— Está muito bem informada para quem não estava lá! – Acusei. – Está protegendo-os?

— Estou protegendo o mundo humano de colapsar com a ideia da nossa existência! – Respondeu. – Eu sou a rainha deles, eu posso fazer com que se mantenham quietos, e que não os cacem e também é meu dever me informar, encontrar os da minha espécie que são perigosos, que entraram em contato com humanos, que enfrentaram caçadores ou outros vampiros... É muito mais do que apenas usar uma coroa!

— Todos temos vidas duplas agitadas Katrina! – Falei. – A sua pode ser mais agitada e mais complicada do que a maioria eu admito. Mas, não faz a nossa mais ou menos complicadas.

— Então eu vou lhe dar uma garantia. – Ela tirou o prendedor de cabelo, tinha a forma de um escaravelho dourado. – Esse pequeno servo ficara com você a partir de hoje. Se em algum momento se sentir ameaçada, se você ou sua família, se por algum motivo precisar. – Ela segurou uma das minhas mãos entre as suas, deixando a joia comigo. – Chame meu nome e eu te garanto, não importa o inimigo, eu lutarei ao seu lado.

Eu precisava de uma resposta, algo inteligente, algo que ela não pudesse retrucar... Eu não poderia invocar a ajuda dela em qualquer lugar, contra qualquer casualidade, eu nem ideia tenho de qual a dimensão do poder dela.
Meu momento contemplando aquele escaravelho deve ter sido uma eternidade para Katrina, contudo, eu não deixei de continuar meu devaneio, refletindo sobre uma pequena e simples questão. “Eu posso realmente confiar nela?!

[Lilian – Império de Roma]

O tempo agora, era apenas o momento em que conseguia me manter acordada, o momento em que alguém entrava, o momento em que havia luz em minha prisão, a sensação da dor em minha pele, o som de vozes na escuridão. Esperança, agora apenas uma palavra distante e vaga, Lilith... A mulher que eu um dia fui, agora mal reconhecendo a mim mesma diante do espelho, meus olhos se acostumavam cada dia mais com a escuridão, meu corpo doía enquanto eu podia sentir minhas juntas atrofiando mais e mais a cada dia. Eu não me lembrava e nem teria como saber quando foi, mas, eu havia desistido, não havia mais sentido em continuar com essa vida, presa, me tornando o monstro que assombraria a mente daqueles que me vissem, esse não seria o meu destino.

— Um feito notável! – Minha apatia e pensamentos foram interrompidos pela voz dele, o homem que me colocou aqui, aquele que tirou meu filho de mim. O Imperador Romano, Federico II. – Uma pena que não resista mais como antes, precisamos daquela energia. – Ele disse tocando a ponta dos chifres que estavam no alto da minha cabeça.

— Infelizmente parece ser um efeito padronizado nas cobaias meu imperador. – Respondeu Bóris mais perto da minha prisão fixa. – Contudo, ela ainda é a que mais se aproximou da fusão perfeita.

— Quais foram os números completos? – Questionou o líder.

— Quarenta e duas mortes no estágio inicial, treze mortes quando começamos a administrar os venenos e as células através das feridas, duas mortes quando a fusão e metamorfose se iniciaram... – Ele tocou meu rosto, a sensação era diferente, como se eu fosse um mármore ou porcelana gelado em contato com a pele de uma pessoa. – Uma quimera completada com sucesso apesar da apatia e falta de vontade para continuar a viver.

— É... – O imperador agora estava quase se curvando sobre mim, tomando quase completamente o meu campo de visão, não que ele fosse encontrar alguma reação. Meu olhar era tão perdido e insignificante quanto todo o resto do mundo nesse momento. – Seu filho não foi útil, não resistiu as primeiras semanas afastado de você, porque ele era fraco! Contudo, você, a mãe da tão cobiçada criança está aqui, um fruto belo e completo, filha da ciência e do oculto para nós humanos... – Ele me acertou um poderoso tapa com as costas da mão. – E ainda sim uma falha, uma morta em vida... Livrem-se dela!

Não demorou, os guardas dele arrastaram meu corpo para fora daquela sala, me segurando pelos braços enquanto seguiam em silencio como bons soldados, sem questionar, apenas indo a diante com suas ordens. Meus pés doíam enquanto raspavam contra o chão áspero de pedras, pude sentir também as asas maltratadas e atrofiadas nas minhas costas, elas deixavam penas enquanto também raspavam no solo. Mesmo na noite, meus olhos arderam com a claridade, não estando mais acostumados com qualquer iluminação, mesmo que fosse a fraca e pálida luz da lua, iluminando o deserto caminho a frente.
Eles encerraram a caminhada, eu não sabia onde estava, não me lembrava desse local, não poderia ser próximo a cidade, não tinha nenhum cheiro, era apenas a ponta de um desfiladeiro e que pelas marcas no solo, mais pessoas já haviam sido arrastadas até ali, possivelmente para o mesmo destino que o meu. O primeiro guarda me segurou, praticamente suspensa pelos chifres, eu nada podia fazer, sem força para reagir, sem coragem... O segundo usou a espada, primeiro ele feriu várias vezes as asas, como se aquelas coisas fracas realmente pudessem me salvar, em seguida ele se esforçou para ferir os tendões do meu corpo, que agora eram cobertos pelos conjuntos de escamas negras opacas, como se eu também fosse capaz de ficar em pé.
E então nenhuma sensação além do atrito do ar contra meu corpo, descendo cada vez mais rápido em direção ao solo para eles, mas, para mim, era como cair em câmera lenta, o céu e suas estrelas acima, a parede rochosa as minhas costas, o fundo escuro para o qual me direcionava, tudo era tão pacifico naquela queda, que pouco antes de chegar ao fim, ou o que eu acreditava ser o fim, fechei meus olhos, respirei e aceitei meu destino, o doce abraço da morte era a única coisa pela qual eu poderia ansiar.

...

— Mãe? Mãe!? – Eu despertei do sonho atual com Esteno me chamando. Estávamos lado a lado na grande mesa, mais lordes se reuniriam hoje e felizmente eu estava fora da torre vermelha, Adam havia permitido que mais uma vez o Neftis fosse o local do encontro. Contudo, dessa vez Katrina e eu estaríamos juntas a mesa, havia duas cadeiras a minha esquerda, uma para ela e uma para Adam se resolvesse aparecer.

— O que foi querida? – Questionei enquanto realinhava meu pensamento.

— O príncipe. – Ela apontou a cadeira que deveria ser dele. – Ele vem hoje?

— Adam faz exatamente o que ele quer. – Respondi lembrando da última vez que estivemos juntas no local e ele nos dispensou para ter auxilio da feiticeira humana em seu ritual profano.

— Meu pai acha que a Rainha não permite que ele venha por...

— Não é o local Esteno. – Falei rápida, não se fala pensamentos pessoais numa reunião assim, não na presença destes que nos cercavam.

Haviam dez lordes em nossa presença, vindos de cada pequeno canto do mundo, todos para essa reunião especial que na verdade não dizia respeito ao mundo todo, mas, Katrina insistiu em uma convocação completa do conselho nobre vampírico... Doze lugares oficiais na Mesa Vulcânica, feita antes de Dracula se tornar nosso Rei por ferreiros a muito esquecidos, dizem que um vulcão foi completamente “domado”, por uma espécie antiga capaz de dobrar até a natureza como bem quisesse, isso transformou o vulcão original em uma mesa retangular de bruta rocha negra com esse centro repleto de cristais dos quais o brilho vermelho emana como um coração pulsante. Em volta da mesma mesa a mais de mil anos o conselho se reúne quando necessário, antes parada no salão de guerra do Castelo do Dracula, agora transitando entre o espaço tempo até precisarmos dela de novo.
Lorde Wyvern havia voltado com a esposa e as três filhas, Lorde Kwimer também estava presente e com ele seu filho, Lorde Dan da África, Lorde Rocha veio do Brasil para esse encontro, viúvo a mais de três séculos ele ainda se recusava a encontrar uma nova parceira. Os Lordes de Lone Pine na América do Norte também estavam presentes, um deles veio com a parceira. Lady Baiun saiu do seu esconderijo de neve na Rússia, finalmente apresentando seu casal de gêmeos. Lorde Nián também apareceu, ele sucedeu o pai no conselho após o ancião ser assassinado a um século, Lady Alcina Kelpie veio da Escócia até a Inglaterra, fazendo uma entrada dramática montada numa fera que faz jus ao seu próprio nome e por último eu e Katrina para fecharmos os doze lugares do conselho mais a cadeira de Adamas que não faz parte do conselho apesar de ser respeitado e aguardado nele a séculos.

Katrina não demorou para chegar, sempre elegante e poderosa, todos se levantaram quando ela entrou, todos se esforçando com reverencias ensaiadas diante da sua Rainha. Ela ainda deu mais tempo para conversarem suas trivialidades, não era segredo para ninguém que cada lorde presente tentaria criar uma aliança poderosa com um ou outro em uma reunião dessas, com exceção de Kwimer e Dan que não pareciam interessados em interagir com os outros, a maioria aproveitou o momento e os vinhos disponíveis. Maximilian não ficava um minuto sem olhar para a porta na esperança de ver o príncipe passar pela porta.

— Podemos nos sentar e começar agora meus senhores!? – Katrina fez parecer uma pergunta, mas, todos sabiam que era uma ordem suave. E como ovelhas obedientes, todos fizeram silencio e ocuparam seus lugares. – Obrigada. Primeiramente, eu dou as boas-vindas para aqueles que estão em uma reunião do conselho pela primeira vez em suas vidas e formalmente em nome da minha família lhe dar meus sinceros pêsames Lorde Nián, seu pai foi um grande homem e protetor da nossa espécie. – O jovem lorde assentiu com a cabeça. – Bom, eu vou direto ao assunto. A algumas semanas houve o preludio do que poderia ser uma guerra vampírica aqui na Europa e alguns de vocês até mesmo haviam sido convocados. Entretanto, da mesma maneira que foram convocados, subitamente tudo isso foi interrompido e logo depois eu fiz a convocação do conselho. Esses não são eventos simples e corriqueiros, muito menos algo que queremos que aconteça, acredito que todos concordem. – As cabeças ao redor da mesa assentiram. — O estopim para esses eventos foi uma especifica descoberta que Lady Lilian já compartilhou com alguns e agora com todos. – Ela me deu o sinal, sentando-se em seguida enquanto eu levantava.

— Tem alguns meses que um ninho de jovens vampiros foi atacado e de maneira eficiente o caçador eliminou todos os vinte e um vampiros presentes. — Eles continuavam impassíveis. – Acontece que o feitor desse ataque era um Belmont! – Agora as feições mudavam, reações reais de medo, como se o bicho papão ganhasse um nome e fosse atrás de cada um. Apenas Kwimer e Wyvern não reagiram.

— O que foi feito a respeito? – Anastasia questionou enquanto abraçava seus gêmeos pelas cabeças, os olhos azuis pareciam cristais de gelo me encarando.

— Eu fiz um plano para rastreá-los, e notifiquei vampiros conhecidos em várias cidades e países da Europa. Infelizmente o caçador seguiu sua cruzada e mais dois da nossa espécie caíram para ele. – Lamentei falsamente. – Eu resolvi agir, mesmo contra as nossas regras claras de não caçar humanos fora do isolamento, sem me esconder, direto para os nossos inimigos. E eu paguei o preço pela minha arrogância. – Eu me sentei para que Katrina assumisse novamente. Infelizmente eu não estou em posição de discutir ou ir contra ela, meus poderes ainda não se recuperaram totalmente e acredito que apesar do perigo iminente, os tolos a mesa têm mais medo desses caçadores do que vontade de agir.

— Havia uma célula da Congregação dos Caçadores em Londres, acompanhados de um padre sacro e também um convidado vindo direto do Japão, acredito que se lembrem de Hanzo Kyojuro. – Mais uma vez os vampiros na sala torciam os rostos e sentiam pela segunda vez em séculos o medo. – Foi um combate injusto e complicado, felizmente como veem, Lady Lilian sobreviveu ao combate e mais uma vez eu posso lhes dizer para ficarem tranquilos pois a ameaça a nós e nossas famílias não apresenta mais perigo nenhum. Hanzo continua vivo e pelo que sabemos não está mais em Londres, contudo, nenhum de nós tem poder sobre a região do Japão, logo, não há motivos par...

— Como podemos ter certeza de que não haverá mais Belmonts por aí? Ou que Hanzo nõ irá atrás de cada um de nós aqui? – Lorde Dan questionou. – Já ouvimos muitas vezes através dos séculos sobre o expurgo dos caçadores, a extinção de linhagens... Eles sempre voltam e alguém dessa mesa sai perdendo! – Agitação, os outros provavelmente iriam seguir ele. “O efeito manada é um problema em qualquer lugar”. Pensei enquanto olhava para Maximilian, pelo menos apoiar Katrina ele poderia.

— Não temos o que temer senhores. – Ele declarou. – Se nossa Rainha disse para não nos preocuparmos, é porque o perigo já se foi. Sem falar que independentemente de serem caçadores, todos aqui possuem a sabedoria e experiencia secular para evitar a morte na mão de tais inimigos.

— Nem todos moram no mesmo País para se manter a sombra da família real meu lorde. – Alcina respondeu para Maximilian. – Tem alguma prova ou algo que auxilie o argumento, minha Rainha? Algo para colocarmos nossa confiança.

— Minha palavra não é o suficiente? – Katrina questionou ofendida. – Eu os chamei para fornecer essa informação valiosa, tranquiliza-los a respeito de uma quase guerra entre nós todos, reforçar nossa questão de anonimato.

— Com todo o respeito, minha Rainha. Mas, o inimigo subjugou Lady Lilian e isso seria difícil até para vampiros centenários. – Lady Baiun não estava cooperando. – Como podemos ter a certeza de que a Congregação e os Belmont não são ou não serão um problema no futuro sem uma prova mais palpável do que palavras?

— Porque eu mesmo já resolvi essa questão. – Todos se viraram para a porta quando ouviram a voz de Adamas. Imediatamente cada lorde se levantou para reverencia-lo. “Ele está ficando bom em aparecer na hora certa para nos salvar.” Eu sorri com esse pensamento. Ele sempre seria motivo de orgulho para nós.