Filhos da Noite
10 Capitulo 9 - O QUE IMPORTA É O AGORA
Na segunda levantei da cama e fui tomar banho.
Depois da ligação de Nora, Ben me levou até o hospital e eu me despedi dele. Pelos pensamentos e explicações de Nora alguém estava atrás dela. E Vee usou sua jaqueta para sair da loja. A pessoa a atacou achando que fosse Nora. Para ela era uma mulher.Eu mal tive tempo para assimilar tudo o que eu tinha descoberto sobre Benjamin. Era estranho. Assustador na verdade, se fosse parar para pensar.Vesti uma calça jeans e uma camiseta gola v listrada de preto e cinza, calcei meu tênis da Nike preto com branco e peguei um canguru moletom rosa.— Liguei para o hospital. — Nora me avisou assim que cheguei a cozinha.— E ai?— Ela está indo para a sala de cirurgia. O braço quebrado não estava alinhado. Só podemos visita-la ao entardecer. — Mordi o lábio.Depois do café fomos para a escola.Benjamin não foi para a aula e não tinha o número dele para ligar. O dia passou lentamente.Tentei descobrir quem poderia querer atacar Nora ao mesmo tempo que tentava entender tudo que aconteceu no dia anterior.Tinha me entregado tão facilmente. Não de corpo. Não tínhamos transado. Mas tinha me entregado de sentimento. Entregado minha alma como nunca havia entregado a alguém.Era diferente.No fim da aula de biologia o Treinador parou Nora e eu.— Esperem um minuto, Nora e Nicolle.— Sim? — Nora perguntou.Ele estendeu dois papéis dobrados.— A Senhorita Greene deu uma passada antes da aula e me pediu para dar isso a vocês. — Ele falou.Peguei os bilhetes e entreguei o que tinha o nome de Nora para ela.— Senhorita Greene? — Nora perguntou.— A nova psicóloga da escola. Ela acabou de substituir o Dr. Hendrickson. Querida Nicolle, Eu tomarei o papel do Dr. Hendrickson como sua psicóloga escolar. Notei que você faltou as várias consultas com o Dr. H. Por favor, venha logo, para que possamos nos conhecer. Enviei uma carta para sua responsável para deixá-la ciente da mudança. Tudo de bom, Senhorita Greene. — Obrigada. — Nora falou.— Eu não vou. — Falei assim que sai da sala. — Não preciso.— Vamos conhece-la. — Falou me encarando.— Não.— Por favor, não me deixe ir sozinha.Enruguei o nariz.— Ok. — Falei.Nora e eu nos misturamos na multidão seguindo até o escritório do Dr. Hendrickson. Agora tinha outra placa na porta. SENHORITA D. GREENE, PSICÓLOGA ESCOLAR.Nora bateu na porta e esperamos até que ela foi aberta. A mulher era bem nova. Tinha olhos azuis e era loira.— Vocês devem ser Nora Grey e Nicolle Crawford. Parecem exatamente como nas fotos em seus arquivos. — Ela falou. — Quem vai ir primeiro?— Ela. — Nora e eu falamos juntas.Nos entreolhamos.— Vai você. — Falamos juntas de novo. — Você primeiro!— Ok. — Dr. Greene falou. – Nora, você primeiro. — Ela mandou e eu sorri vitoriosa.Recuei e sentei no chão do corredor mesmo, fiquei em posição de lótus e peguei meu fone de ouvido.Esperei pacientemente Nora. Mas cogitei a ideia de fugir. Só que Nora ficaria furiosa comigo.A porta foi aberta e Nora saiu, franzi a testa a encarando.— Srta. Crawford. — Dr. Greene falou e levantei.Entrei na sala e ela fechou a porta. Um arrepio cruzou a minha coluna. Mas ignorei.— Quer uma água ou suco?— Não, obrigada.Estava morrendo de sede, mas não queria nada que fosse dela. Meus instintos me diziam para não aceitar.— E o Dr. Hendrickson?— Ele se aposentou mais cedo.Olhei em volta notando que agora a sala tinha livros no lugar das fotos da família do Dr. Hendrickson. Tinha uma cadeira rosa.— Sexta foi meu primeiro dia. Ainda não arrumei todas as coisas. Sente-se.Me sentei na cadeira rosa.— Passei o final de semana inteiro vendo os arquivos do Dr. Hendrickson. Entre nós, a caligrafia dele me dá enxaqueca então estou copiando todos os arquivos. Fiquei surpresa ao descobrir que ele não usava o computador para digitar suas notas. Quem ainda usa letra cursiva atualmente? — Ela sentou na sua cadeira e cruzou as pernas sorrindo. — Bom. Por que não me conta um pouco sobre a história das suas consultas com o Dr. Hendrickson. Eu mal consegui decifrar suas notas. Parece que você andou faltando várias consultas. Você mora com a Nora?— Sim.— A mãe da Nora trabalha longe de casa às vezes né?— Sim. Eles queriam manter a casa da fazenda e não poderiam bancar a hipoteca se ela pegasse um trabalho local. Claro que meus pais deixaram uma quantia em dinheiro para ela para bancar minha estadia lá por alguns anos, mas ela não quis usar.— Vocês se sentem sozinhas?— Temos uma governanta que fica com nós até de noite.— Mas a governanta e a mãe de Nora não é o mesmo que uma mãe não é?— Nada é como antes. Mas eu sempre tive uma amizade muito forte com Nora. Nos conhecemos desde criança. É claro que não é o mesmo que a minha família. Mas eu me sinto em casa com elas.— Você tem melhor amiga? Namorado? Alguém para conversar além de Nora?
— E o que eu iria querer conversar? Não preciso saber mais do que já sei. E se quisesse conversar viria as sessões com o Dr. Hendrickson.— Mas você deve ter um namorado?— Não. — Respondi.— Se quiser falar algo mais.— Não tenho mais nada para falar.Ela folheou mais alguma páginas do meu arquivo. Sabia muito bem que não tinha quase nada escrito ali sobre mim, até por que ele nunca conseguiu tirar a verdade de mim.— Não tem muito sobre você aqui.— É que não tenho muito para falar.— Então por que faz sessões?— Por que acharam que eu devia fazer sessões por que perdi os meus pais. Isso já faz um ano. E não quero ter que falar de novo. E reviver de novo. O que você tem que saber é que eles morreram em um acidente de carro, meus pais e meu irmão e eu fui a única sobrevivente.— Foi um milagre. — Ela falou.— É. — Murmurei. — Ok. Acho que já está bom por hoje. Tenho que ir. Tenho um compromisso.— Ir na biblioteca com Nora?— Não. Tenho aula de violoncelo hoje.— Ok. — Ela sorriu antes de abrir a porta. — Até a próxima.— Até. — Falei saindo rapidamente.Encontrei Nora no corredor.— Liguei para o hospital. Vee acabou de sair da cirurgia, mas não pode receber visita por que está na sala de recuperação só depois das 7 horas da noite. Eu vou até a biblioteca. Quer vir junto?— Tenho ensaio.— Eu tinha esquecido. Então a gente se vê depois?— Eu vou até a biblioteca depois do ensaio.— Ok. — Ela me abraçou antes de se afastar.Segui o corredor até a sala de música.Uma hora depois seguia pelo estacionamento enquanto procurava na mochila a chave do Skyline.— Estava boa a aula? — Parei de caminhar e virei para Benjamin.Ele estava encostado no meu carro, estava com os braços cruzados e uma perna dobrada com o pé encostado na roda.— Oi. Você matou aula hoje. — Me aproximei dele que sorriu.— Às vezes é bom. As aulas de música estão boas? — Agarrou minha mão observando meus dedos.— São só ensaios. — Expliquei e ele me encarou.— Parece que ele quer que seja mais do que isso. — Lançou um olhar sobre o meu ombro.Olhei para trás e vi Simas saindo da escola.— Está com ciúme?— Claro. Não quero ninguém colocando os olhos no que é meu.— Vai colocar uma coleira também? — Retruquei puxando a mão e ele me encarou com os olhos arregalados.— Não. Eu não quero isso. Só estava com ciúme. Mas nada doentio assim. Não se preocupa.— Você sabe que todos dizem a mesma coisa.— Mas você sabe que em mim você pode confiar.— O que você quer, Ben?— Te convidar para ir comer alguma coisa.Ok. Nora não ficaria brava se eu me atrasasse. E eu estava morrendo de fome.— Ok. — Ele sorriu e segurou minha cintura.O encarei confusa, mas ele puxou meu corpo para o dele, coloquei as mãos em seus ombros e sorri finalmente entendo o que ele queria.Seus lábios tocaram os meus e me derreti.— Onde vamos?— Comer alguma coisa. Quer um cachorro quente? Milk shake? Estava com tanta fome que aceitaria os dois, mas não seria tão idiota de dizer isso.— O que você quiser.— Um cachorro quente então. — Sorri.Nos separamos e fui para a porta do carro.— Você dirigi?— Claro. — Falei. — Ninguém dirigi meu Skyline.Abri a porta do carro e ele sorriu antes de ir para a porta do carona. Paramos em uma praça na cidade e enquanto eu ficava sentada em um banco Ben foi comprar os cachorros quentes. Ele trouxe uma garrafa de suco de limão.— Eu sei que você evita refrigerantes.— Não me importava de tomar um. — Dei de ombros pegando meu cachorro quente. — Obrigada pelo suco. E por lembrar.— Como eu queria sentir o gosto.— Você não sente?— Muito pouco. Somos meio limitados quanto a isso. Não sentimos as coisas.— Quer dizer que você não tem sentidos?— Eu não tenho tato. Quer dizer, não tinha até tocar em você. É a única que eu consigo sentir.— Você não sentia beijo, toque?— Sinta se feliz por isso. — Sorriu.— Eu me sentiria feliz se você me dissesse que nesse meio tempo em que eu não... Estava viva. Você não esteve com alguém. Mas eu tive uma vida antes de te conhecer também. — Dei de ombros.— É. E eu não preciso saber disso.Sorri e me estiquei para beija-lo.— O que passou, passou. — Falei com nossos lábios quase encostados. — O que importa é o agora. Nós dois. Nada mais.— Você tem razão. — Seus lábios se juntaram aos meus e senti sua língua envolver a minha.
Notas finais
N.B.: E eu brigando com a seta querendo descer mais, ler mais e não tinha nada, droga rsrrsrs. Amiga, fico tão feliz que você está se entregando para a escrita de novo, está muito bom. Parabéns.
N.A.: kkkkkk Obrigada amiga. Graças ao seu apoio e agora ajuda. Obrigada. Bjs.
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