Filhos da Magia

11 Capítulo 10 - Minha família


Respirei fundo, enchendo meus pulmões com o ar fresco da manhã.

Estava na torre mais alta onde pus meus pés no chão pela primeira vez em Swamoris, apreciando a bela e distinta vista que me cercava. Era por volta de cinco horas da manhã, estava frio, mas nada comparado a Rillidan, uma neblina fraca embelezava as árvores em volta do castelo, o sol se escondia atrás das nuvens, porém sentia a vitamina D penetrando em meus ossos e dando cor a minha pele alva.

Momentos assim deveriam durar para sempre.

Estava em paz pela primeira vez desde que cheguei — uma paz forçada, eu diria. Minha mente estava preenchida de ódio por Nicholas, por causa da sua estúpida decisão de me prender nessa cidade, e raiva de Tyler por me trazer aqui — apesar do mesmo estar mais enfurecido que eu.

De qualquer forma, as manhãs me acalmavam. Mas não apagavam o fato de que teria que enfrentar Nicholas por duas semanas inteiras.

Arisu, por favor, espere.

Eu não sei como farei para escapar dessa prisão. Tudo que vejo e sinto é magia, e eu sou apenas uma faísca no meio desse incêndio enorme. Sinto como se qualquer palavra dirigida a mim, vai me fazer explodir. Estou segurando para não explodir como uma bomba. Apenas por você, Arisu. Espero que sobreviva também.

Fechei os olhos, sentindo o vento em meu rosto.

Preciso sair o quanto antes, isso é obrigatório, mas antes preciso da confiança dos que moram aqui. Deve haver um jeito de cair fora dessa cidade. Meu plano começou nos primeiros segundos em que faíscas de tensão jorraram dos meus olhos quando olhei pra Nicholas — o que acontecia várias vezes.

Minha serenidade acabou.

Quando eu e Tyler fomos mandados para nossos quartos, um do guardas do “Grande Mago” me convocou para encontrar seu mestre de manhã, no salão principal. O único problema é que eu não conheço esse maldito castelo! Tudo que via e conhecia eram intermináveis paredes de pedra e estandartes repetido, além de portas sem nome ou número.

Olhei pela janela admirando as árvores enormes, a água cristalina que banha a ilha. A neblina dispersou e a cidade — que antes quase caí — estava à vista. Era um tipo de choque de cultura, Europa e Ásia, Coreia do sul e Coreia do Norte; era uma cidade normal, com prédios, casas de tijolo, lojas, outdoors — juro que li Magic Donald's em um dele — crianças brincando em volta de uma casa de madeira enorme no litoral. Ri, pois isso por algum motivo me lembrava X-men.

— Precisa de ajuda?

Aquela familiar voz fez meu nariz retorcer de nojo. Virei-me lentamente para encontrar o cara que me salvou ontem (sim, eu fico grata, porém ele agiu feito um babaca ). Igual a mim e as pessoas da cidade ele trajava roupas normais, calça jeans, botas pretas e blusa branca lisa — expondo as outras tattoos que não tinha percebido antes, talvez porque estava vomitando ou porque estava distraída com suas asas.

Ele sorri presunçoso. Acho que ele sabe que não gosto dele.

— Encontrarei meu caminho. — respondi, voltando a olhar a paisagem.

— Está com fome? — perguntou, estreitei meus olhos para ele.

— O que você quer?

Ele riu, balançando a cabeça, meio inconformado.

— Uau — disse baixo — Você é bem direta.

— Já você… — resmunguei.

— Eu só acho que não nos apresentamos direito — deu um passo a frente — Eles me chamam de Idas. — esticou a mão, sorrindo educadamente.

Apertei sua mão, me virando para olhá-lo.

— Acho que você já sabe meu nome. — controlei o tom para não soar convencida. Voltei a olhar a paisagem.

— Como não saber, cada cidadão de Swamoris conhece a sua história. — ele se juntou a mim, apoiando os braços na janela e olhando a outra parte da cidade.

— Todos menos eu — resmunguei, virando-me a Idas e estreitando o olhar — O que você sabe sobre mim?

— Eu sei o necessário, mais exatamente, o que Nicholas contou a todos — desviou o olhar — Saberemos do resto hoje. Por isso estou aqui. Procurando por você.

— Ele vai encher o saco com histórias — olhei para o céu, xingando Nicholas mentalmente — O que ele contou?

— Que você tem algo muito poderoso. — murmurou enquanto se afastava de mim.

Olhei-o confusa.

— Siga-me. Temos que ir ao salão novamente.

E assim eu fiz.

Enfrentado, novamente, os corredores tediosos e repetitivos, até chegarmos na sala de Jantar — bom, pelo menos, é o que eu acho. Idas abriu a porta e nós entramos. Dentro da sala, reconheci os rostos de meus amigos e de Nicholas, o resto eu mal os encarei. Andei até a cadeira vaga ao lado de Tyler — o mesmo estava tão irritado quanto eu — e Naomi — quando sentei ao seu lado, ela notou minha carranca e apertou minha mão de leve, sorrindo.

Eu sorri de volta.

Ela era mais legal do que os caras que conheci.

Idas se sentou em uma cadeira em minha frente. Mexi incomodada com o olhar que enviava para mim, evitei totalmente olhá-lo de volta. As duas pessoas que sentavam na ponta da mesa sozinha eram Nicholas — que também me olhava — , remexi desconfortável de novo, e outro homem que não conhecia.

Todos ficaram em um silêncio constrangedor, olhando uns para os outros. Respirei fundo, olhando firmemente para os olhos azuis curiosos de Nicholas e disse:

— Por que estou aqui?

— Por que está presa. — disparou, sorrindo sínico.

Ri de escárnio, umedecendo os lábios.

Okay, essa me irritou.

Naomi apertou de leve minha mão e sussurrou “deixa pra lá”, e eu deixei. Dessa vez.

— Bem, como maioria já sabem, contei ontem A Grande Guerra, aquela que dizimou raças e trouxe grandes consequências em nossas vidas. Mas hoje, saberemos o motivo dessa guerra — disse, então estalou os dedos, e a mesa se encheu de comida — Saboreiem enquanto eu falo.

Enchi meu prato com a sobremesa, uma torta de limão e um bolo de chocolate. Sinceramente, acho que maioria das pessoas que estão aqui estão aproveitando a comida — assim como eu.

Enquanto me estiquei para pegar um copo que estava afastado de mim, olhei pra Idas, que permanecia com o prato vazio e com olhar em Nicholas. Ignorei, talvez ele só não esteja com fome.

— Começamos nomeando aqueles que batalharam há milênios atrás, os clãs Wada e Reyes. Não sabemos como a magia chegou até nós, mas, no começo da civilização mágica, apenas dois clãs pelo todo universo reinavam, do clã Wada, de Arthuro, e do clã Reyes, de Azeroth. Para dominar o mundo todos os universos já devem imaginar que seus poderes eram imensuráveis, e realmente eram. Tanto que inúmeras vidas foram sacrificadas de pura vontade por pura devoção à esses feiticeiros nos tempos da guerra — ele respirou fundo, como se falar sobre isso o machucasse — Os dois clãs eram parceiros. Os líderes eram irmãos com pais diferente, mas algo forte abalou essa amizade.

— Não me diga que foi uma mulher… — resmunguei.

— Foi uma mulher. — complementou Nicholas, e meus olhos rodaram nas órbitas.

— Azeroth se apaixonou por uma mulher, Morgana. E era recíproco. Infelizmente, ele não foi o único, Arthuro também amou Morgana, e o começo da guerra foi lançado — continuou Nicholas — Bem, vejamos, Azeroth era poderoso, rico e com vasto conhecimento de magia e bruxaria, além de um exército fiel. Arthuro tinha os mesmos, porém algo aconteceu com ele. Ele restritivamente proibiu outros seres, além de feiticeiros, magos e bruxos, tivessem alguma relação com seu reinado, sendo assim, expulsou todos os sobrenaturais que sobraram. Então, todos que foram expulsos correram para Azeroth, se continuarem nas áreas que Arthuro comandava, seriam mortos. Inconformado com a atitude do ex-amigo, Azeroth, sozinho, viajou até os aposentos de Wada, questionando-o o do por que tanto ódio repentino. A afronta não deu certo, e Azeroth quase foi morto pelas mãos daquele que considerava irmão. E então a guerra que já conhecem foi declarada.

— Tudo por causa dela? — perguntei retórica, mas Nicholas assentiu — E aonde a favorita estava?

— Após a guerra e a morte em massa de todas as raças e de seu líder, Azeroth, Morgana não foi encontrada. Dizem que Arthuro a mantém presa, ou que fugiu.

— Acho que os três inventaram o triângulo amoroso. — comentei com Tyler, ele sorriu torto, concordando.

— Bem, — Nicholas se levantou, arrastando a cadeira no chão, agredindo meus ouvidos — Vamos para melhor parte! — exclamou, sorrindo.

De repente, as portas se abriram e de lá saiu a mesma mulher de antes; ruiva com cabelo ondulado até as pernas, uma coroa reluzente em sua cabeça, vestido vermelho, longo e antigo — mas apropriado a decoração do castelo medieval — em suas mãos, um livro antigo e despedaçado que eu reconheci.

— Esse livro é meu — meus olhos dispararam entre ela e Nicholas, raivosos — Dê-me! Agora!

A ruiva apenas ri, e o livro desapareceu e reapareceu com Nicholas, que o folheava como se lesse meu diário. Mas havia tanta coisa importante ali, e principalmente que não tem nada a ver com ele, que me deixou com raiva. Quando vi, estava ao lado de Nicholas e Tyler segurando-me firmemente pára não avançar.

Traidor.

— Como você se atreve, mago? Solte-me! — remexi, chutei, mas ele ainda me segurava.

— Escute o que ele tem a dizer, Nakamura. É importante! — Disse Tyler, aborrecido em meu ouvido.

Enfim, parei de tentar avançar em Nicholas. O mesmo agradeceu baixo, pigarreou e pronunciou em voz alta:

— Muitos duvidam de meus atos, pois pensam que trouxe a guardiã errada, mas aqui está a prova irmãos e irmãs — dirigiu seu olhar para Tyler, sério — Prossiga.

Atrás de mim, pude ouvi-lo suspirar, então agarrar meu pulso e cortá-lo com suas garras sem piedade.

Eu gritei, tentei pegar uma faca na mesa, mas Tyler prendeu minha outra mão firme em minhas costas. Forçou a esticar meu braço cortado em direção ao livro, enquanto eu agonizava com a dor, tontura e a visão de rios de sangue escapando pela ferida.

— Por quê? — eu perdi a força nos joelhos, minha cabeça rodava e minha boca estava amargurada.

— Aqui está. Escute alto e claro, Akemi — olhou para mim rápido, mas nem pude xingá-lo, pois a vertigem me atingiu.

Pigarreou e disse:

— O livro não é a prova, mas o que ela faz nele é.

— Explique-se melhor, Nicholas. — a voz de Naomi apareceu em meu lado.

Estava sendo carregada por alguém, enquanto minhas mãos encostaram meu pulso e um brilho o cercou. Acho que era Tyler que me segurava — o cheiro marcante dele estava bem perto.

— Esse livro foi escrito por Arthuro. E uma das primeiras palavras escritas foram “Morte a todos os humanos que tocarem nesse livro. Atenciosamente, Arthuro Wada“. Porém , após o sangue dela encostar no livro está escrito “Arthuro Wada Nakamura”.

Estava entre desmaiar ou não, mas consegui ouvir cada palavra que disse.

— Akemi, o que ganhou é uma herança de família. O criador da Guerra é o seu avô.

Notas finais
tem referências de WOW sim o nome da mina que az a Akemi é Lee Ji-eun (iu), mas vocês podem imaginá-la com outra atriz também como sempre eu não corrigi mas depois eu faço isso Até comentem ai vlw