Filhos da Magia
15 Capítulo 14- Stagnum

Respiração alta. Nossos corpos estavam doloridos e suados.
O sol queima nossas peles exposta. Braços, pernas, pés e torsos gritam por descanso, mas não parávamos. Dei um soco certeiro no rosto de Tyler doeu em ambos. Curvei-me de dor, enquanto o lobo foi lançado metros de distância. Bom ver que meus ataques são eficazes, mesmo que doa em mim também. Tyler sorri, limpando o sangue em sua boca e limpando o suor da testa. Ele se levantou das árvores em que seu corpo tinha se chocado, deixando a árvore torta e rachada. Voltei em posição de defesa, punhos erguidos e fechado em frente ao meu rosto, pernas separadas, movimentando-me ligeiramente de um lado para o outro.
O lobisomem rosnou, mostrando seus dentes afiados, seus olhos se tornaram amarelos e selvagens, e então, avançou rápido. Um arranhão em meu braço esquerdo foi o resultado de minha breve desconcentração ao reparar em seu estado. Pulei para trás, procurando Tyler, mas ele desapareceu — pode se considerar uma especialidade dele.
Apurei meu faro para seguir o seu odor. Como um rastro, seu cheiro permanecia no ar, e levava para as árvores mais densas atrás de mim. Sorri ladino e comecei a correr, seguindo seu cheiro forte. Pulando troncos caídos no chão, esquivando das árvores em alta velocidade — eu não pude controlar meu batimento cardíaco. De repente, como um carro, o corpo pesando de Tyler me atingiu enquanto estava em movimento. Nós capotamos, mas não paramos a batalha. As garras de Tyler se prenderam em meu pescoço, asfixiando-me, no exato momento em que paramos de rolar no chão. Dei um chute forte e certeiro em sua virilha, e ele gritou e caiu ao meu lado. Toquei a garganta, surpresa com a dor que permanecia. Comecei a tossir, porém não poderia deixá-lo “vivo". Saquei de minhas costas K’onar e posicionei sua lâmina afiada na garganta do lobisomem, sorrindo de lado.
Senti seu olhar desafiador e a risada debochada que começava a crescer. Levemente, rasguei sua pele minimamente, ainda o olhando.
— Se fosse meu inimigo estaria morto. — eu disse enquanto saia de cima dele.
— Então, não precisa de minha ajuda pra lutar. — concluiu, pressionando a ferida.
Balancei a cabeça em negação, tirando a sujeira da terra de minha calça e casaco preto.
— Preciso me manter em forma. Não ficar muito relaxada e focar somente na magia — ergui em sua frente minha katana como se fosse um prêmio — Não tenho essa arma por nada.
— Ah, sim… falando nisso — virou-se para mim, limpando a sujeira da roupa também — Como ganhou essa katana?
Sorri de leve com a pergunta
— Eu treinava muito com meus pais quando era criança. Não só eu, minha irmã também. Taekwondo, karatê, boxe e luta de rua. Aprendíamos e repetíamos cada movimento todos os dias. Era um passatempo em família. Quando completei dez anos, ganhei K’onar e aulas com meu pai de como usá-la para, e somente, minha defesa — suspiro, encostada em uma árvore — Hoje entendo o porquê de tanto treinamento.
— Porque pediu minha ajuda, então?
— Eu pensei que meu modo de lutar não prestava, mas não é. Acontece que eu não me controlo — olho para a grama verde. Lembro-me de Nicholas e do espelho que me forçou a encarar — Isso é prejudicial pra mim. Demonstro fraqueza.
— Quando formos atacados na primeira vez, você não demonstrou fraqueza. — argumentou, franzindo a testa.
— Verdade — concordei com a cabeça — Mas eu não sei o que aconteceu comigo. E continuo não sabendo.
Besteira, eu sabia. Porém, meus instintos diziam para não contar nada à Tyler — talvez Ichiro causava esses instintos em mim.
— Eu nem ao menos sei o porquê que de nosso ataque! — mudei de assunto. A mentira já começava a me incomodar — Tipo, uma tal de Ela’nor foi quem nos atacou, mas ainda...
— Espera, espera, espera — Tyler me interrompeu, com o rosto confuso — Ela’nor?
— Sim! — aproximei-me do lobo — Você a conhece?
Laurent riu.
— Deve ter ouvido errado. Não é ela, não é uma pessoa. É o sobrenome de Nicholas.
Deixei minha cara de surpresa escapar. Realmente, não esperava por isso. Laurent me olhava zombeiro com a minha surpresa, mal ele sabia o motivo de tal sentimento. O que me deixou furiosa. Nicholas estava me testando.
— Não, isso foi exatamente o que ouvi… Ela’nor… — fiquei de costas a Tyler.
Por qual motivo Nicholas me mataria, sendo que nem ao menos perto de Swamoris eu estava e ele precisa de mim para ler meu livro. Tem algo de errado nessa história.
“A resposta está atrás de você ” sussurrou, Ichiro. No mesmo instante, olhei para Tyler, que me olhava confuso.
Repesquei em minha memória tudo relacionado à Swamoris e Nicholas que pudesse me causar dúvidas. Como… qual é a sua conexão com Nicholas com Tyler, se ele sabe que Francis é pai do mago, ou de sua maldição, ou da saída escondida.
— Tyler… — comecei — Tenho algumas perguntas, dúvidas, devo dizer. Seja honesto comigo, por favor. — aproxime-me cautelosa.
— Pode mandar. — disse. Encostando-se na árvore, descontraído.
“Cooperativo, não é mesmo? Não se engane. Ele apenas quer pagar pelos seus pecados” disse Ichiro.
Ignorei a kitsune e continuei:
— Você sabe que Nicholas tem um pai? — ele assentiu — Naomi disse que ele é nosso inimigo, o tal de Francis.
— Sim, sei disso já tem um tempo… — confessou — Como descobriu?
— Naomi me contou. — menti
Me mexi ligeiramente inquieta. Eu traia a confiança de Tyler, e isso me causava ânsia pura. Em meio a isso, a kitsune, perversa, ria. Minha vontade era arrancar a verdade dela, porém não há formas de fazer isso. Ela me lê, me controla. Uma vez que eu souber negar seus comandos, eu me revoltei. E ela sabe disso.
Enquanto isso, sua força é vital para que eu … nós saímos daqui, e claro, destruir o maldito Nicholas.
— Então, sabe da maldição dele também? — ele murmurou um “sim” — Conhece alguma saída daqui?
— Se soubesse, nós já estaríamos bem, beeeem longe. — afirmou.
— Yeah… — concordei, meio desanimada — Qual é a sua relação com Nicholas?
Seus negros olhos se arregalaram.
Minha pergunta foi tão discreta quanto uma facada na garganta. Sutil.
— Eu o conheci há anos atrás, por causa de Naomi — ele hesitou em continuar — Ela me levou até Swamoris e então conheci ele.
— Por que diabos você veio pra cá? — indaguei.
— O assunto era você. Acontece que a pedido de seu pai, eu vigio você desde seus oito anos… eu acho. Bem, não era tão presente assim — ele nem olhou para mim enquanto confessava.
— Mas o quê? Isso é stalker! — soquei a árvore em que ele estava encostado. Ele permanece parado.
— Temos idades quase iguais. Não tem nada de errado. Além do mais, seu pai pediu. — defendeu-se, com as mãos pro alto como se estivesse sendo assaltado.
— Sei — bufei — Sobre o que conversaram?
— Sua chegada em Swamoris e o perigo que corria. Ele com certeza é alguém de confiança na sua família.
A risada de Ichiro ecoou em minha mente. Logo sabia que algo não estava certo.
“O caso é mais profundo que parece, Akemi. Lobos confiam demais”
— Então, confia nele? — perguntei.
— Sim, com certeza — ele fez uma careta — Ele quem não confia em mim.
— Como assim? — perguntei.
— Você é mente aberta, certo? — assenti confusa — Nós tivemos um caso. É isso. Mas eu fui um babaca, entendeu?
Fiquei boquiaberta novamente enquanto Ichiro ria mais ainda. Pus a mão no coração como se tivesse levado uma facada, dei alguns passos pra trás.
“ Ichiro. Cala. A. Boca!”
— Você é homo...? — eu literalmente conseguia sentir a surpresa em minha voz.
— Bissexual. — corrigiu — Eu acabei traindo ele com uma garota.
— Uau! — meu rosto começou a ruborizar — Acho que peguei informação demais por hoje. Mas é bom saber que confia em mim para me contar sua vida pessoal. Mesmo eu não querendo saber… exatamente ... disso...
— É. Principalmente quando envolve você. — soltou.
— Como é? — me arrepiei.
— Eu estava ausente esse tempo todo porque estava atrás dessa garota. — confessou, olhando pra baixo, mas não parecia estar tão arrependido assim, pois um sorriso bobo apareceu ao terminar a frase.
— Filho da mãe — semicerrei os olhos, incrédula — Me deixou sozinha por causa de uma garota! — dei um soco em seu braço.
Um sentimento estranho de raiva passou pelo meu corpo. Imaginar Tyler namorando alguém era estranho, não dava para não esconder a careta.
— E eu ia deixar a garota sozinha por causa de outra garota, no caso você. Eu ia apanhar de qualquer jeito. Apenas preferia a quem eu estava pegando. Não se preocupe! Estou aqui somente para você agora. — assegurou, forçando-me a entrar em um abraço.
— Ela te deu um chute, não é? — consegui dizer em meio ao abraço — Você fede! Me larga! — gritei e Tyler ri. No final, nós acabamos de rir sem nenhum motivo exato.
Aproveitamos a manhã do nosso quinto dia em Swamoris, sorrindo. Espero por mais momentos assim.
Treinamos mais alguns golpes, fizemos uma corrida de meia hora, sem descanso, percorrendo toda a ilha do castelo. Apenas por diversão. Acabei perdendo, e Tyler esfregou sua vitória em minha cara, igual a uma criança. Então, terminamos nosso treinamento com mais uma luta — dessa vez, de brincadeira.
Eu me sentia um zumbi, caminhando lento, com uma cara de lesada. Nós tivemos que subir três escadas, tropecei em cada degrau, mas enfim chegamos em nossos quartos separados. Entramos cada um em seu cômodo sem nos despedir. Logo ao fechar a porta, caminhei para o banheiro, retirando e jogando no chão peças de roupa suadas. Entrei no banheiro e uma ideia louca surgiu em minha cabeça.
Na cidade, tem uma imensa floresta, onde há uma cachoeira chamada Stagnum — pelo o que Naomi me contou em uma de nossas conversas aleatórias. Por mais que eu ame a água, eu não sei nadar. Mas nada que um feitiço não resolva. Também, estar na água sempre me deixava calma, numa cachoeira seria melhor.
Decidida, tomei um banho rápido, procurei em minha mochila roupas adequadas, um short, uma blusa amarela, um all star preto e um roupão, os vesti e saí correndo do meu quarto.
Para sair do castelo precisaria de ajuda. Então, fui até o quarto de Naomi — que era de frente ao meu. Ao fechar a porta do meu quarto, eu já ouvi um grito.
— Pode entrar, Akemi. — a voz de Naomi chamou de dentro do quarto.
Surpresa, eu girei a maçaneta e entrei no cômodo.
Não tinha como não reparar na decoração. Não muito diferentes dos outros quartos, tirando o fato de ter um caldeirão e anotações coladas na parede, um estante recheada de livros, um gato e um coelho em jaulas (eu me pergunto pra que servem e espero que não sirvam de sacrifício) e pendurado em um cabideiro, uma capa preta comprido com um capuz grande — quase se parecia que uma pessoa o vestia.
— Eu sei do que precisa! — apareceu saindo do banheiro, atrás dela uma fumaça roxa escapava de onde veio.
Suas roupas já não eram iguais às de antes, simples calças jeans, blusa e botas. Agora, trajava um simples e longo vestido azul marinho, descalça e com seus majestosos cachos soltos.
— Posso até te levar lá, mana. Já que é isso que veio me pedir. — piscou, sorrindo.
— Como sabe disso? — estreitei os olhos para a maga.
— Minha especialidade é prever o futuro, lembra? — ele deu uma risada fraca, parecia estar bem animada.
— Ah, sim. — olhei pro chão, sem graça — Bem, então me ajude a sair daqui.
— Claro! — mexeu as mãos, conjurando um feitiço, e um mapa surgiu quando completou o feitiço — Tá aqui — entregou o papel e eu peguei — Mapa completo de Swamoris, com o castelo e a cidade — ela circulou uma área no canto superior direito da folha — A cachoeira é aqui. Mas tenha cuidado. Igual a qualquer coisa em Swamoris, ela é mágica. Poderá encontrar qualquer animal aquático lá dentro. Então, não morra. Não vai dar para recuperar seu corpo dentro de milhares de tubarões brancos.
— Isso soou otimista demais pro meu gosto — resmunguei — Pode simplesmente me teletransportar pra lá? — pedi. Dobrei o mapa e o guardei na mochila.
— Oh — pareceu um pouco decepcionada — Tu vai perder uma caminhada legal, mas até que é bom evitar os swarianos hoje, e… sempre. — estalou os dedos e apontou para algo atrás de mim.
Quando me virei, um portal lindo — e bem mais elaborado do que o meu — estava a centímetros de distância de mim. O azul hipnotizador me dava certo frio na barriga. Uma forma estranha, negra, nadou debaixo d'água. Eu pensei que Naomi estava brincando sobre os animais. Isso piorou meu problema.
— Omi, eu não sei nad… — não terminei minha frase pois meu corpo caia em direção a superfície azul.
Prendi a respiração, preparando-me para o impacto. E então ele veio. Minha visão ficou embaçada, em ouvidos surdos com o único barulho da água. Tentei ficar submersa, batendo os braços e pernas na água, mas eu só me afundava mais. A mesma sombra estranha passou atrás de mim, pudera ver pelo canto dos olhos. Era rápido e enorme, como um tubarão.
Algo se agarra em minha cintura. Eu me desespero e grito, engolindo a água e me debatendo. Sou levada até a superfície, na beirada da cachoeira onde as pedras escorregadias me ajudavam a me manter fora da área de perigo e, boiando na água, começo a tossir. Ainda sinto a algo me segurando. Olho para trás e me deparo com olhos heterocromáticos me encarando profundamente, meio misterioso e curioso, seu olhar estava cobrido por sua franja molhada.
— Não pode ficar aqui. — simplesmente disse.
— Eu só não me adapto aqui. — eu disse entre tosses.
— O que quer? Porque Naomi te contou que eu estava aqui? — indagou, juntando-se a beirada da cachoeira.
Franzi o cenho, e claro, não o admirei.
— Como sabe que ela me mandou aqui?
— Somente ela sabe o caminho, justamente porque é perigoso e os cidadãos não precisam saber.
— Ela comentou sobre esse lugar comigo uma vez e me liberou. Eu não pretendia chegar assim, caindo do céu. — zombei com a garganta ainda dolorida pelo tanto de água que engoli.
— É me lembro muito bem disso. — fez uma careta, mas estava zombando de mim também.
Ficamos em um estranho silêncio. Apenas o barulho calmo da água caindo não deixava o momento mais bizarro. Via a água azul cristalina tão perto de mim — a beleza era hipnotizadora. Mas meu pequeno problema com a água me afasta de tocá-la. Nem ao menos procurei um feitiço para me ajudar.
— Você não respondeu minha pergunta… — insistiu.
— Eu respondi sim. — retruquei.
— O que quer aqui? — repetiu.
— Oh — comecei — Eu apenas queria dar um mergulho e treinar meu feitiço de respiração — virei-me para Idas — Eu não sei nadar.
— Você é muito estúpida — disse em meio segundo — Se não fosse por mim, estaria morta.
— Oh, obrigada, meu herói. — disse com a voz fina e falsa.
Ele riu um pouco.
— Na real, estou aproveitando o meu tempo livre. Depois daqui tenho que encontrar Nicholas e treinar até minha magia se esvaziar de mim. — reclamei. Estiquei as mãos para tocar na água.
— O que vocês treinam?
— Bem, o básico do básico. Levitação, elementos, controlar a velocidade e a força, também estou controlando grande parte da minha magia, o suficiente para escondê-la ou rastrear a magia de alguém.
— Isso é o básico? Muita coisa para aguentar não é mesmo?
— Sim, mas é meio fácil pra mim. A magia flui em minhas veias. Posso ser tão habilidosa quanto meu avô… pelo menos, foi isso que Nicholas disse. E eu conto com isso, sabe. Preciso encontrar minha irmã e preciso estar forte para lutar por ela. Dias e horas de treinamento valem a pena quando se tem um motivo maior. — disse com toda minha sinceridade, mesmo meu objetivo ter se esquivado de Arisu, por hora.
— Mal consigo imaginar pelo o que está passando, Akemi. É uma pena que as decisões de Nicholas sejam tão duras com você. Você é uma boa pessoa — ele tocou meu ombro. Sorri um pouco — Ele também é uma boa pessoa — meu sorriso caiu rapidamente, esquivei de sua mão, com uma carranca na cara. Idas riu — Mas realmente é. Eu estou aqui faz tempos, Akemi. Eu o conheço. Ele me abrigou quando todos queriam me matar.
— Abrigou ou te prendeu? — indaguei, e Idas se calou.
“Faça isso Akemi. Será um a menos protegendo as costas de Nicholas. Um passo mais perto de apunhalá-lo por trás “sussurrou Ichiro “ Diga a verdade que ele ignora “
— Eu sou odiada pelas pessoas. Minha irmã está lá fora em perigo e eu estou presa aqui, forçada a dividir minha magia com Nicholas. Eu preciso sair daqui, Idas. Eu vou sair daqui. Com a permissão dele ou não.
— Porque ele pegaria sua magia se ele é mais forte do que você? — pude ver a desconfiança em seu olhar.
Um passo em falso, e eu me ferraria. E sua pequena confiança em mim se esvaziaria.
Era minha deixa.
Ergui meu braço até uma pedra afiada, coloquei a palma da minha mão e rasguei-a num movimento rápido. Idas me olhou espantado. Com cuidado para não escorregar nas pedras molhadas, eu me agachei. Peguei minha mochila no chão, coloquei-a nas costas, com a mão ensanguentada, fiz uma estrela dentro de um círculo, conjurando assim um simples — mas melhorado — portal, que me levava ao meu quarto.
Virei-me para o anjo atrás de mim, que me olhava boquiaberto.
A risada amarga da raposa me tonteava.
Ela falava por mim.
— Ele não é forte o suficiente. Ele quer o meu poder para sair daqui tanto quanto eu. Eu posso ter a resposta para suas perguntas, Idas. Eu só preciso saber se posso confiar em você — ela controlava meu corpo. Entrei dentro do portal. Pisando no chão do meu quarto, mas a passagem entre meu quarto e Stagnum — Swamoris se tornará um caos em poucos dias. Se prepare.
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