Filhos da Magia
13 Capítulo 12- Tutor e Pupilo

Despertei sob o mar, diante ao céu escuro e estrelado, a lua estava dividida, crescente e minguante — diferentes, porém formavam uma. O vento forte me tocava, balançando meus cabelos, o único barulho que ouvia era da água embaixo de mim. De braços abertos, eu admirava a bela visão, percebi que minhas roupas não estavam nem um centímetro molhadas, e que meu coração não batia, ou que respirava. Confusa, pus a mão no peito, esperando algum batimento, porém nada.
Eu com certeza não morri, só me restava os sonhos.
Definitivamente, era um sonho, a bela visão e a calmaria me diziam isso. Além do mais, acordar boiando no mar em um lugar desconhecido só poderia ser coisa da minha mente, ou fui arrastada até aqui — o que era menos provável. Eu não sou poderosa o suficiente para que enquanto estiver dormindo boie sobre a água.
Eu mexi os dedos lentamente, acostumando com a sonolência que permanecia em mim, meus olhos ainda pesavam, era como se tivesse acordado, mas na verdade estava casada. Esforcei-me para levantar, firmando os braços na água — meio hesitante, com medo de afundar — depois, ajoelhada, ergui-me por completo, cambaleando. Meu corpo reclamava de dor, fiquei tonta, minha visão embaçada e olhos ardiam, acabei trocando os pés enquanto tentado caminhar, tropecei um pé no outro, e cai pra trás.
Fechei os olhos, esperando a queda, mas ela não veio. Pelo contrário, mãos quentes me seguravam por trás, com unhas pintadas de pretas e enormes, como garras, eram mãos de mulher. Olhei de soslaio para que me segurava.
Era como olhar no espelho, para o meu desespero; sorrindo de orelha a orelha, caninos brilhantes e afiados, sua pele alva resplandecia ao luar, mas uma aura vermelha pairava sobre ela, traja um kimono preto com rosas vermelhas, sua íris escarlate igual à sangue, olhos sombreados pela franja preta, fazendo a luz sombria no olhar se destacar.
Eu paralisei.
— Não tenha medo — nem ao menos mexeu a boca, continuou sorrindo, sua voz era a minha, e ecoou em minha mente, calma e delicada. Eu me arrepiei — Vejo em seus olhos que está perdida. Deves saber que Swamoris é um laboratório, e você é um ratinho de Nicholas — ela me ajudou a me recompor, colocando-me frente a frente, com um braço apoiado em seu ombro — Você precisa sair.
— Eu estou tentando.— respondi de imediato.
Ela tombou a cabeça de lado, sorrindo torto.
— Está perdendo o foco. Sua prioridade é sua irmã.
Não controlei em ri zombeira de suas palavra. Agora estável, afastei me da mulher, vendo que cada passo para trás que dava, a água balançava.
Era o meu reflexo, o bicho papão, me dizendo o que fazer. Isso só podia ser um pesadelo.
— Por que estamos aqui? — indaguei, olhando meus pés — Melhor, por que eu estou aqui?— olhei para ela, que ainda sorria.
— Eu te chamei. Temos assuntos para tratar.
— Eu não confio em você — disparei, e ela ri.
— Não confio e você também, mas até eu quiser, você não sairá desse sonho. — disse calma.
— Por que está fazendo isso?— minha voz falhou, e ela se aproximou de mim.
— Oh, criança — tocou meu rosto. Eu não consegui me recusar o toque, estava imóvel — Eles mentem!
— Sobre o quê? — eu não sei se queria realmente saber a resposta.
Após dois dias inteiros naquela cidade, eu me convenci que aprendendo o máximo que podia para escapar era o melhor. Afinal, minha jornada continua, e é somente a procura de Arisu.
— Há uma forma de sair! — sussurrou — Uma passagem secreta no chão do castelo, ela te levará para a segunda saída.
— Como sabe disso? — perguntei.
Seus olhos brilharam, seu rosto se aproximou do meu e bem em meu ouvido ela disse:
— Eu sou uma Kitsune — sussurrou — A primeira mensageira de Inari e a que mais tinha confiança da deusa. Meu nome é Ichiro. Sou uma Kyuubi, mais de milhares de anos vagando pela Terra e outros universos, com inúmeras hospedeiras. Eu conheço essa cidade, e conheço Nicholas.
Se meu coração pudesse bater agora, estaria acelerado. Continuava tentando me mexer, mas nada acontecia, apenas a olhava com muita atenção.
Era claro: minha mãe tinha uma kitsune, e eu também. Sendo assim, cada momento que vivi, ela observou. Isso explicaria os meus sonhos loucos, uma segunda opinião sobre tudo que vi. Por isso que os sonhos são tão vividos, por que kitsunes manipulam as pessoas, possuem elas, e aparecem em sonhos.
— É você quem me controla aqui, nesse sonho — conclui, e ela assentiu, contente — E é você quem me controla no mundo real.
— Exato.
Apertei minhas mãos, controlando a raiva crescente.
— O que eu estou fazendo? — rosnei.
— Destruindo tudo. — disse com frieza.
— Por quê?
— Porque eu quero — respondeu, séria — E porque é necessário.
— Matar não ajudará! — gritei em seu rosto.
— Eu disse que matei alguém? — perguntou, sarcástica, adorando me ver com raiva, seu sorriso era sombrio — Por hora, não.
— Afinal o que quer? Só me diga, e me tire daqui antes que eles me matem! — insisti, rosnando para a kitsune em minha frente.
— Eu quero que saiba sobre o que Nicholas apronta! — a voz calma apareceu novamente em meus pensamentos — O que ele quer é o livro. A maldita família de Nicholas é amaldiçoada por causa dele.
— Explique-se. — exigi, e Ichiro aplaudiu.
— Isso, minha querida, você deve abrir sua mente para o que irei te dizer agora. — tocou em minha testa, empurrando-a.
Sua palavras me lembraram de Nicholas.
— Saiba que a família dele se consiste em seu pai, Francis, sua mãe, Sarah, e sua irmã, Nivia. Reconhece algum? — Perguntou num tom malicioso.
— É claro que sim — revirei os olhos e abaixei a cabeça — Naomi disse que Francis é o nosso inimigo.
Balançou a cabeça concordando.
— Exato! Francis governava Swamoris por muitos séculos, mas acabou que ser tornou mal para os cidadãos, e Nicholas decidiu suceder o pai. Eles batalharam, e no meio da luta, Francis lançou um feitiço que fazia Nicholas ficar preso na cidade até o dia em que morrer. Logo após lançar a maldição, sumiu do mundo mágico, alguns pensam que está morto, mas seu filho não. É por isso que Naomi, aprendiz de Nicholas, disse que ele é o inimigo.
— Mas eles estão certos? O que francis fez?
— Francis seguia as doutrina de seu avô. Ele não aceitava classes juntas, então, criou Swamoris, a cidade dos magos.
Então, minha mente montou as peças desse quebra cabeça. Algum feitiço interessava Nicholas, e ele precisava dele para sair da cidade, fugir. Por isso aceitou meu acordo, não conseguia ler o grimório e precisava de mim.
— E a melhor parte você não sabe! — mordeu os lábios de maliciosa. Eu sabia que queria mesmo era ver o circo pegar fogo.
Eu estava tremendo de raiva. Meus pensamentos foram inundados de ódio pelo mago. Só de pensar que planeja e manter fora de minha missão por duas semanas apenas para que consiga fugir, me causava repulsa. Me arrepiei de puro nojo ao lembrar de seu rosto, daquele sorriso falso e olhos mentirosos.
Maldito! Me manipulou até certo ponto agora o jogo irá vira.
— E vai mesmo — ela colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha olheira — Com a minha ajuda — estreitei os olhos para a kitsune — Eu te direi como escapar dessa armadilha e usá-lo para isso. O que precisa é de conhecimento, eu te oferecerei grande parte e a outra vem dele. Usaremos o segredo de Nicholas para superá-lo, e então sairemos de Swamoris, mais cedo que espera. Deixe-me ser sua mestra.
A proposta era tentadora e com certeza a melhor opção.
— Sim, mestra.
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