Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
96 Balas especiais!
Notas iniciais
Charlie corria sem saber para onde, havia fugido seguindo a ordem de Dukan, mas se perdeu completamente no meio da fumaça que se espalhava. Agora caminhava por corredores que não conhecia e estavam completamente vazios. Então, logo depois que virou numa esquina, um pouco distraído com a situação tensa demais, ouviu passos atrás dele e se virou apontando a única pistola que tinha. O cano estava bem no rosto de Diana, que parou imediatamente sua corrida. Atrás dela Cadius também apontava uma pistola de bala para Charlie.
–Ele é um deles! -Diana não se conteve em exclamar, ao relembrar Nia, mas logo Charlie abaixou a arma, mesmo sem saber o que ela quis dizer. Mais calma Diana perguntou a ele onde estavam os outros.
–Encontramos soldados e nos separamos. –ele respondeu simples.
Cadius ainda tinha a arma apontada e analisava a mente de Charlie, que estava um pouco preocupado com o paradeiro de Philipe, para descobrir a verdade de tudo que aconteceu, e só depois deixou de mira-lo.
–O que vamos fazer agora?- Diana perguntou para os dois.
–Podemos continuar andando atrás dos outros ou continuar com o plano de conseguir reforços. -sugeriu Charlie.
–Nós perdemos os aparelhos de abrir a porta. — informou Diana. Na fuga eles acabaram abandonando o mecanismo.
–E eu perdi tudo. -Charlie não havia se dado ao trabalho de buscar sua mochila antes de fugir. -Acho que vamos seguir andando, então.
Cadius concordou sem dizer nada, e Diana também assentiu.
[Enquanto isso tudo, em outro lugar:]
O cômodo não tinha luz e Flecher com Taz passaram a usa neons que iluminavam poucos metros. A pequena ao poucos enquanto andava pelo lugar, foi tomando noção de onde estava. Percorreu uma parede e seguiu próxima de mais três da mesma forma, sem qualquer saída aparente e nem mesmo entrada de ar, então encarou Flecher do lado oposto do cômodo, analisando com atenção a parede e o teto próximo atrás de sinais de uma passagem.
–É uma caixa... Aqui é uma caixa, Flecher! –ele a olhou sem entender. – Um cubículo sem qualquer saída.
Depois de dizer isso ela ficou quieta, mantendo concentração nele, tentando mudar o pensamento maligno e claustrofóbico que estava chegando depois de sua descoberta. Taz não era de demonstrar qualquer temor, mas aquele era seu medo.
–Sério? -Flecher a olhou, ela estava imóvel com a faca firmemente segura em uma das mãos, mantendo sua atenção nele. –Tudo bem, Taz. Vamos achar uma saída. Só mantenha a calma e tente não pensar nisso.
Alguns minutos se passaram, ele continuou procurando a saída com obstinação, e a garota havia se agachado apreensiva. Logo Taz não conseguia mais controlar no que pensava. O fato de estarem naquela caixa sem saída, sem plano, sem poder usar bombas, pois iriam se afetados, e sem ter ninguém do lado de fora que soubesse onde eles estavam, se tornava inegável e irremediável. Seu controle de respiração foi perdido, sentiu-se balançar levemente para frente e para trás, encarando o chão, e assim uma sensação que amenizava o temor que só crescia. Então, subitamente ecoando pela acústica do salão, a voz de Flecher lhe chamou a atenção. Ele ainda analisava algo no alto da parece oposta, mas cantava uma musica calma, cuja letra contava uma historia de suspense que manteve a atenção e curiosidade dela. Ele estava ajudando Taz.
–Aqui! -e ele parou de cantar. -Acho que é uma passagem.
Ao lado de um cano grosso, gordurento e vertical, tinha um vinco fino. Flecher deu alguns passos para o lado para procurar por outro sinal. Então Taz ficou de pé, o vendo tocar o espaço próximo do vinco e usar um nível fraco de seu poder para identificar algum controle de abertura do outro lado. Mas de repente a passagem deslizou, e bem diante de Flecher havia um homem muito velho, um pouco arcado e baixo, com uma maleta de ferramentas para os canos. O senhor encarou Flecher por um segundo o analisando espantado, depois foi atingido por soco rápido do moreno e desmaiou. Flecher puxou o homem para dentro da sala e eles finalmente saíram.
A passagem dava para um correndo claro e cinzento, com a mesma decoração de canos verticais nas paredes, alguns deles com medidores de alguma coisa. Eles não estavam nada camuflados, ainda mais carregando as mochilas, e teriam que atirar em qualquer um que surgisse, por isso mantiveram alguma arma em mãos, Flecher com uma rifle de munição elétrica e Taz com as facas.
–Escutou isso?-Taz falou em um sussurro após andarem alguns metros e parou dando uma olhada para trás.
–O quê?- Flecher tentou ouvir, mas não definiu nada de diferente. -Vamos conti...
Agora os dois escutaram um guincho de borracha em piso acompanhado de um tilintar metálico fraco vindo do corredor á frente. Flecher retornou um passo e indicou para Taz para retornarem pelo corredor que percorreram. Mas logo pararam subitamente novamente. Flecher apontou e mirou sem perder muito tempo e Taz também levantou as facas, mirou e eles atiraram. Haviam encontrado um grupo de soldados e não soldados, completamente calmos com as armas pendurada nas costas. Eles tentaram se esconderem dos tiros de Taz e Flecher, os que não eram atingidos buscaram atrapalhadamente puxar as armas para revidar.
Flecher foi atingido na costa da coxa direita e soltou um grito antes de trincar os dentes parando de atirar por um momento ao tocar o ferimento que sangrava. Depois se virou para os novos quatro inimigos que vinham pelo outro lado do corredor, eles estavam mais preparados para combater os dois.
Taz dispensou a ultima faca e se moveu em direção à parede, atrás de um cano e se esquivando dos tiros dos primeiros inimigos, que conseguiram pegar as armas. Ela pegou um das granada mochila, armou e jogou para aquele lado do corredor, em poucos segundos ouviu a explosão, que jogou alguns estilhaços na direção dos dois, e os tiros vindos daquele lado pararam por completo.
O barulho da detonação e a poeira levantada pela destruição, fez com que os inimigos de Flecher dessem uma pausa nos tiros, e ele se juntou á Taz encostando-se à parede. O moreno tinha sido atingido por mais tiros, um no braço esquerdo, outro novo na mesma coxa já atingida e um ultimo na panturrilha esquerda. Mas não eram projeteis que estilhaçavam ou paralisavam, era um diferente que se alojava a alguns centímetros da superfície e não fazia mais que incomodar até aquele momento. Taz tinha sido atingida por tiros de eletricidade dos outros inimigos e o colete a protegeu, apenas um tiro com a bala diferente passou raspando seu rosto, deixando um corte que terminava na maça do rosto.
Os inimigos que ainda estavam de pé começaram a atirar de novo. Flecher estava ocupado com a dor gerada pelos ferimentos que umedeciam lentamente as suas roupas com sangue. Então trincou os dentes abafando um grito agonizante e escorregou para o chão sem conseguir manter-se de pé. Taz não esperou muito para usar outra granada no outro lado do corredor, ouvir a explosão e serem encoberto por mais um pouco de poeira e estilhaços, antes de terem paz novamente.
–Flecher!- Taz se abaixou ao lado dele sem saber o que fazer.
Ele estava encostado na parede com as pernas esticadas no corredor, sua expressão mostrava que sentia uma dor quase insuportável. O sangue escorria dos furos do braço e da perna e chegavam ao chão aos poucos. Flecher pôs a mão direita no braço, sobre o ferimento, e olhou Taz fixando-se em seus olhos, então buscou o primeiro projetil alojado no braço com uma nova onde de dor lhe percorrendo. Não devia ter feito isso, pois mais sangue escorreu depois, e o ferimento ganhou mais destaque entre a concorrência de ferimentos. Mas só assim, usando de sua coragem, soube que o estanho projetil tinha se modificado depois de alojado — um momento que gerou muito mais dor e o fez se sentar no chão. A bolota de ferro virou-se do avesso dentro da carne e se tornou uma bolota com minúsculos espinhos cortantes.
Taz encarou com um pouco de horror o projetil embebido no vermelho e cheio de pontas, antes dele deixa-lo no chão.
–Tem... –Flecher disse tomando folego e suportando as outras dores – Tenho mais duas ou três na minha perna, Taz... Não posso me mover se todas ficaram assim... Vão machucar mais as proximidades. E não posso tira-las, pois não sei em qual profundidade estão. -o suor lhe escorria pelo rosto. –É melhor você ir encontrar os outros.
–QUIETO!- e ele obedeceu ainda a olhando. –Não fale nada de “difícil de continua”, ou “eu não consigo”, nada disso! Esta onde queria! Não falta muito para alcançar seu objetivo! Então cala a boca e suporta essa dorzinha!
–Dorzinha? Você não sabe o que é isso. É terrível!
–Não me importo! Há dores piores Flecher, só pense nisso!
–Você não pode saber. – disse mais calmo e desviou o olhar.
Entretanto Taz não se acalmou fácil, se debruçou em uma das pernas dele e cutucou um dos ferimentos da coxa sem conseguir sentir o projetil lhe espetar o dedo, o outro, das costas da coxa, ela não percebeu, principalmente porque Flecher percebeu o que ela estava fazendo e tentou segura-la para que não lhe causasse mais dor; mas Taz foi atrás do terceiro da panturrilha esquerda e encontrou o projetil próximo da superfície, então sem pensar muito ou se deixar influenciar pelos resmungos dele, ela o tirou e o jogou para longe.
–Se a situação fosse inversa, EU ia me esforçar para ficar de pé, aguentaria a dor e terminaria essa missão para continuar vivendo em paz depois!
Flecher suspirou a encarou pasmo com o que ela fez. Sentia mais alívio onde agora não tinha o incomodo da bala e notava a determinação na expressão da pequena que não ia deixa-lo tão facilmente ou por clemência.
–Acho que posso usar a perna esquerda, mas a outra vai ser péssimo se força-la e bala se mover. -Taz concordou séria, eles se encararam por uns segundo sem mudar de expressão. –Hm. Agora, preciso conter o sangramento para evitar problemas.
E de modo repentino ela segurou seu rosto e lhe deu um beijo rápido, depois o ajudou a enrolar algumas ataduras na coxa ferida, que prensavam uma gaze sobre o ferimento para estancar o sangue. A seguir se levantou do chão, pegando a mochila, e o ajudou a ficar de pé se arrumando sob o braço direito dele, para dar apoio e assim caminharem — embora ela fosse baixinha demais para ajudar satisfatoriamente.
O lado do corredor que escolheram seguir tinha destroços do teto no piso, o que fez Flecher usar a perna ferida um ou outra vez para se equilibrar, quando eles chegaram do outro lado o corredor parecia sem ameaça alguma e limpo como antes.
Eles escutaram passos a frente novamente. Suspirando impaciente com dejavu Taz encostou Flecher na parede e eles prepararam armas, dessa vez ela ficou com o rifle de munição elétrica e Flecher com uma pistola que podia usar com apenas uma mão.
–Flecher?- era a voz de Cadius, baixa e em duvida.
–Cadius?! -Taz falou mais alto e logo o trio, Cadius, Diana e Charlie, sugiram no corredor.
Charlie tomou o lugar de Taz para apoiar Flecher, enquanto seguiam pelo corredor e cada um contava sua parte da historia.
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