Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
30 A base de tranquilizantes e poderes.
Notas iniciais
Na manhã do dia seguinte foram para uma das salas branca e cinza do subsolo, que fazia lembrar uma sala de aula com nove mesas retangulares de ferro com duas cadeiras e com quadro negro à frente. Na aula de Yan eles aprenderam sobre os Filhos da Lua, a maior parte das informações que receberam não era mostrada para as pessoas do resto mundo.
Na parte da tarde foram deixados em outra sala no subsolo com aparelhos e equipamentos onde tiveram malhação durante algumas horas para melhorar a resistência e força. Alguns se esforçaram outros simplesmente não fizeram após acordar cedo. Depoisforam treinar com armas que não era de tiro, como espadas, facas e adagas. Alec e Aaron eram bons com espada, pois eram fortes e a tora de madeira recoberta em couro tinha no espaço sofreu bons danos. Cadius e Kate eram bons com golpes elaborados que precisavam de precisão e não de muita força, enquanto Philipe e Diana não, mas os dois eram bons com as facas de lançamento, assim como Beatrice, Destiny e Taz. Marlene só conseguia usar as espadas mais leves, e finas, e ainda não ia tão bem, porém usava bem as facas e adagas depois de pouco tempo.
Lucas tinha se interessado pela aula de Yan e conseguiu acompanhar o grupo, apesar se estar sempre nos fundo e calado. A maioria não o tinha notado de manhã, apenas no almoço quando Diana tentou conhece-lo e todos perceberam que ele não era de falar e era muito acanhado se esforçando para não sair da mesa e se afastar dos olhares deles. No treino do fim de tarde, ele mostrou que era bom com qualquer das espadas, mas seus movimentos eram contidos e ele sempre estava um pouco preocupado se estava fazendo certo olhando qualquer sinal de desaprovação de Dukan, que estava lá praticando e auxiliando, ou dos outros.
Nos três dias seguintes eles seguiram essa rotina mais puxada com a aula de informações e falatório com Yan, depois exercícios e no resto do dia treinaram luta ou atirar com armas maiores – que nem todos foram bem- ou atirar com arco e flecha, entre outras armas. Leno teve tempo o suficiente para especificar as aulas e o que eles iriam aprender, pensando em deixa-los minimamente preparados na menor tempo possível.
Dukan havia mandado sua governanta, Annita, para ficar com as meninas na mansão, já que passava mais tempo lá e as três garotas de doze anos logo começaram a reclamar dos funcionários, que eram na maioria homens,e do governante Will. Diziam que eles não eram nada legais e tudo que davam para elas fazerem era chato.
Flecher ainda continuava afastado dos outros e sempre que tinha que estar junto como eles, como em algumas refeições, ele se mantia sem chamar muita atenção e falando pouco. Apesar de todos começarem a nota-lo pelas aparições repentinas e isolamento.
O resto do grupo estava se entrosando bem. Os mais calados começavam a conversar por mais tempo, menos Lucas que sempre estava apenas observando, e alguns até já faziam brincadeiras. Apesar da rotina quase toda preenchida.
Brian ainda estava no hospital e as coisas ficaram bem complicadas durante um dia inteiro onde ele foi transferido para uma UTI. No outro dia ele começou a melhorar, surpreendendo todos os médicos e família. Então, um dia, ele simplesmente acordou gritando que queria hambúrguer com refrigerante para assustar o irmão e o pai que estavam no quarto. Atualmente ele estava bem acordado recuperando peso e força para depois ser liberado. Kan o visitava e era sempre era obrigado a contar tudo que acontecia na mansão e de como eram todos os outros. Jalaska a cada dia mal esperava para se juntar aos outros, treinar e aprender sobre as coisas. E ainda estava intrigado se tinha ou não algum poder. Quando perguntou á Kan ele respondeu que não dava para saber, mas uma hora podia aparecer e que ele próprio passou por tudo aquilo, assim como Flecher, e não tinha descoberto nada de diferente até o momento. Brian não se decepcionou com o caso do loiro e imaginou alguns poderes que gostaria de ter como atravessar paredes, ficar invisível e subir pelas paredes sem ter problemas com a gravidade.
***
Um despertador tocou e Marlene tirou sua cabeça do travesseiro e o parou. Levantou-se devagar ainda acordando e sentindo o frio de mais uma manhã que mudava para o inverno. Naquela manhã eles iriam estudar um pouco sobre as criaturas e depois continuar a aprender sobre o funcionamento dos Totens e dos ataques. Ela desceu pronta para o novo dia e olhou através do vitral da entrada o gramado da frente da mansão sumindo em nevoeiro denso e sem nenhum sinal da existência de um sol. Lene fechou o casaco mais só imaginando como lá fora podia estar gelado e foi para cozinha. Encontrou Flecher terminando uma xícara de chocolate quente apoiado no balcão e encarando Clark sentado na sua frente.
–-Esse cachorro é um chato. -disse ele sem olha-la. -Fica me seguindo quando o Yan some. Só esta aqui dentro porque lá fora está frio. -virou o ultimo gole da caneca e então olhou para ela. -Tem chocolate quente ali, se quiser.
Ele deixou a caneca na pia da enorme cozinha enquanto Yan aparecia roubando a atenção do cachorro e sumiu pelos cômodos e corredores. Fazia tempo que ela não o via e muito menos ouvi-lo falar com ela. Logo os outros apareceram bem agasalhados e desanimados por estar frio logo cedo, com exceção de Kate, que mudou de saltar do alto da escada para escorregar pelo corrimão e pular, ela estava bem cheia de energia.
Mais tarde, quando o grupo seguia pelos corredores do subsolo atrás de Yan para irem a uma sala que guardava coisas que foram retiradas dos Totens, Flecher abriu caminho entre eles correndo. Clark, que estava seguindo Yan, latiu e foi atrás dele. A maioria não entendeu a agitação do garoto até que um som estranho ecoou pelos dutos de ventilação,totalmente irritado.
–-Oque é isso?-perguntou Kate sentindo que não podia se boa coisa.
–-Pode ser os anões escavadores. -disse Philipe sorrindo ao imaginar.-Talvez eles não tenham gostado de encontrar algo de concreto no meio do caminho deles. Vamos precisar de bastante hidromel, eles gostam, podemos conte-los.
Poucos riram, mas eles estavam preocupados. Yan resolveu ir atrás de Flecher e saber o que houve, mas depois de andar poucos metros ele o viu voltando vindo na direção deles ainda apressado e com uma arma de grosso calibre na mão.
–-Yan. –menino de cabelos escuros, blusa branca e jeans largo parou na frente dele o encarando.- Preciso de uma combinação de tranquilizantes. O mais forte que conseguir. Os que eu tenho não deram muito efeito. E é para agora, antes que aquela criatura destrua todas as maquinas do galpão.
O menor concordou e saiu correndo para o laboratório.
–-O que aconteceu Flecher? –perguntou Taz confusa.
Então Flecher percebeu que o grupo foi abandonado ali. Outro rugido ecoou junto com o som de algo de metal se chocando contra concreto. Flecher se zangou com possibilidade do que estava sendo destruído.
–A criatura que vocês trouxeram escapou. -começou a atravessar o grupo e seguir pelos corredores sendo seguido por eles, que sabiam que se ficassem sem um guia iriam ficar perdidos nos corredores idênticos.–O animal estava controlado e não pareciam ser uma ameaça. Não ligava para aproximação de pessoas, nem para barulhos altos, nem em estar preso e ter que ficar deitado. Não conseguimos identificar algo que ele possa comer de verdade. Ele engole alguns pedaços de carne assada, mas depois de algumas horas... os devolve. Sabemos que gosta de agua com açúcar, então a hidratação esta certa.
–-Agua doce.-disse Beatrice acompanhando os passos rápidos do garoto.
–-Agua com açúcar. -corrigiu Flecher, pois era exatamente isso. -Acho que o hoje foi o máximo para a criatura ficar sem comida decente. Forçou-se contra a jaula e arrebentou as grades.
No final do corredor saíram no meio de em outro que tinha um dos lados de vidro. As partes de vidro eram de três metros de largura e preenchia a parede de cima á baixo por uns vinte metros afrente e atrás do corredor, dando visão para o enorme galpão cinzento, que estava metros á baixo daquele corredor,onde a criatura escura rugia e abria sua asa irritada.
–-Ela se alimenta de Difusores, vimos na catedral. — comentou Diana.
–-Sim. Mas não temos como arranjar um agora.–disse Flecher enquanto atravessava o longo corredor de olho no animal lá embaixo. -Yan o manteve com algumas vitaminas, então acho que ainda esta forte o suficiente... Abaixem!
E um carro blindado atingiu o vidro grosso logo a frente do grupo. Os vidros próximos se racharam como o impacto e uma das partes se estilhaçou ao ser atingido por uma parte do carro que caiu para baixo logo depois.
–-Se puderem me ajudar. Preciso evitar que a criatura destrua as outras coisas.
Eles continuaram andando e passaram pela parte onde não tinha mais vidro com uma brisa um pouco mais forte os atingindo. Cadius não gostava da altura e passou logo tentando ignorar o pátio lá embaixo. Lucas, Diana e Marlene pararam. Beatrice logo notou que faltava alguém que falava demais e se virou:
–-O que vocês estão fazendo ai? Andem logo. — o resto do grupo parou ao ouvi-la forçando Flecher a parar de andar.
–-É alto demais. E o corredor é estreito. -disse Diana segurando a manga do casaco de Marlene, que também tinha medo da altura e tentava reunir coragem. Lucas continuava com uma expressão que não mostrava que estava com medo, até um pouco indiferente, mas não se movia.
–-São só três metros de corredor. Andem. -disse firme Flecher ao lado de Beatrice.
–-É só ir pelo quanto... -Disse Destiny ao passar por ele e indo até os três. -Longe da beirada. É fácil, viu. -Ela segurou a mão de Diana, que confiava nela, e os trouxe em fila andando pelo canto afastado do corredor. A ruiva ainda encarou rapidamente Flecher e Beatrice os repreendendo.
Eles continuaram pelo corredor indo além da parte em que os vidros se acabavam.
–-Qual é o seu plano?- questionou Alec.
–-Distrair a criatura. Também podemos tentar deixa-la próximo da nova jaula que é maior,mais resistente e a altura pode ser regulada com o escudo de força. Um lugar melhor que o anterior que ainda estou terminando.
No final do corredor desceram por uma escadaria até o piso do galpão. A criatura parecia procurar algo nomeio dos carros, aviões e maquinas e armas militares.Quando saíram pela porta de ferro reforçado eles chamaram a atenção do animal,que jogou algo neles. Flecher só teve tempo de se abaixar do mini-trator que quicou na frente dele, voando sobre sua cabeça por curtos segundo e por alguns metros, batendo no paredão atrás do grupo e deslizando caindo sobre os últimos integrantes.
Em poucos segundo Flecher percebeu que ele estava bem e que os outros podiam ser atingidos. Ao olhar para trás encontrou parte do grupo espelhado e se levantando inteiros. Ao fundo tinha uma cúpula de energia que desviou a maquina para o lado. Aaron não tinha conhecimento de suas capacidades, e quando aquele trator atingiu a parede logo acima dele, e de outros, ele pensou apenas em se proteger, mas também pensou nos outros. Quando abriu os olhos novamente olhou em volta, viu que Marlene, Lucas, Diana e Kate o olhavam espantados e que todos estavam sob uma solida massa brilhante. O escudo de energia pulsava no mesmo ritmo do coração de Aaron e começou a desaparecer na medida em que ele se acalmava.
–-Aaron? Você não falou que tinha um poder assim. -disse Flecher após perceber que todos estavam bem e com um sorriso no canto da boca.
–Mas ele nunca diz nada. — disse Taz sarcástica próxima de Flecher que sorriu concordando.
A criatura rugiu chamando a atenção deles, então Clark apareceu no meio dos tanques e se transformou em um dinossauro rugindo em reposta.
–Há! Um lagarto gigante vs um dragão-alienígena-vampiro?- falou Beatrice.
–Não. Ele é um tiranossauro Rex. — disse Yan surgindo pela porta de acesso ao pátio. -Acho que é uma escolha equivalente.
Ele entregou um recipiente cilíndrico com agulha na ponta para Flecher, que observou o liquido amarelo e viscoso.
–Como seu cachorro sabe o que é um dinossauro?- perguntou Diana curiosa.
–Eu andei ensinando alguns bichos para ele. Só não tinha certeza se ele estava aprendendo.
Flecher preparou a arma com o dardo e se afastou na direção da criatura que discutia com Clark.
–Seria mais útil se conseguisse levar a criatura para o mais próximo da jaula.-disse ele mirando em um pensamento alto.
O dinossauro olhou para eles rapidamente, mas a distancia era grande para ele ter ouvido Flecher.
–Agora ele sabe.- disse Cadius ainda olhando atual Clark.
–Como assim?-Yan não entendeu.
–Ah é, Cadius é um invasor de mentes. -comentou Beatrice- Lembro que no ataque a nossa escola ele disse algo parecido com isso. Deve ter avisado o cachorro. – e deu de ombros.A maioria a estranhou e não acreditavam muito. — Isso aqui esta virando uma exibiçãozinha de poderes. Não vou participar disso se é o que estão esperando.
Clark cutucou a criatura com a cabeça grande, o animal recuou incomodado, mas não atacou o dinossauro. Com cabeçadas leves e rugidos ele empurrou a criatura para a jaula espaçosa o suficiente para os dois. Flecher e os outros correram até lá antes que o animal percebesse que estava preso novamente.
O tiro foi certeiro no pescoço do animal que já se agitava tentando levantar voo e escapar, não demorou e a criatura recolheu as asas e pareceu se acalmar indo para o canto da jaula e se enrolando com grunhidos baixos.
–O que tinha nesse tranquilizante?- Perguntou Flecher
–Um refinamento de um pó usado pelos soldados para acalmar os Difusores. -respondeu Yan.
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