Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
49 Vida de prisoneiro do Estado.
Notas iniciais
Dukan permaneceu na mesma posição enquanto os soldados arrastaram Alec da sala, e o rapaz só o olhou novamente pouco antes de sair.
Os especialistas em tortura e seus ajudantes também foram embora. Kan ficou alguns minutos imóvel até que a mulher soldado, que o levou para aquela sala, finalmente o liberou. Ela parou na frente dele com um sorriso achando graça da reação que ele teve, então pontou o laser para a roupa e a abertura do braço dele se restaurou sem emendas, depois ela comandou cada movimento dele até chegar no cômodo que era a sua cela. Quando foi liberado continuou tenso e tentava buscar uma resposta para ação do companheiro. Alec podia fazer qualquer coisa, podia ser um plano de contar mentiras tanto quanto ele podia dizer a verdade e tudo que eles quisessem saber. Pior era Dukan não ter a certeza do que o outro iria fazer, se estava do lado deles ou desistido de vez. Ele se irritou e descontou nas coisas que tinha ali, sem muito sucesso, pois elas eram fixas. Quando ficou mais calmo se sentou no piso frio e branco, seu reflexo estava em toda a parte nas paredes, era ele e ele. Então entendeu que tinha que sair dali, antes que Os filhos da lua partissem para atacar os outros.
Uma queimação lhe percorreu o interior, só então se questionou quanto tempo estava lá e o pensamento da fome o fez lembrar-se das vezes que saiu com Beatrice, de como ela combinava bem com os restaurantes que mais gostava e da curiosidade que ela tinha quando ele escolhia o que iam comer sem lhe dar pistas do que seria. Um som cortou sua lembrança que quase o fazia sorrir, a portinhola da parede se abriu e lá havia uma bandeja. Ele permaneceu olhando de longe, queria negar o que quer que fosse, mas se levantou e foi ver o que era, encontrou um pote com um creme e uma colher. Ao menos indicava que era comida.
Algumas horas passaram e Kan não conseguiu se acalmar, tinha que pensar em algo para fugir e não encontrava um começo para planejar, pois o que Alec fez ainda o perturbava mais do que as dores que tortura lhe causou.
––Dukan, não faça qualquer movimento ao me ouvir.
Uma voz feminina e calma soou dentro da sala quase o assustando, mas depois de uma rápida olhada em tudo, que permanecia igual, ele parou ouvindo e estranhando o que estaria acontecendo.
–-Muito bem. -disse a garota. –Eu quero te ajudar, mas se for falar algo tente disfarçar, pois... não será bom para nenhum de nós dois se eles descobrirem. -o loiro permaneceu quieto. –Esta me ouvindo?– ela falou um pouco alto e ele encarou a câmera rapidamente. –É acho que esta me ouvindo. Eu bloqueei o som da sua sala para os vigilantes, mas eles ainda estão te vendo e eles têm que continuar achando que está tudo certo. Não posso continuar com isso por muito tempo, só quero que saiba que estou pensando em algo e que aquele garoto que veio com você fez uma péssima escolha, o Estado não costuma ser bom para qualquer um que venha da terra... -um ruído estranho soou rapidamente como se ela se movimentasse bruscamente. — Esse meio não é nada seguro, então em breve vou te entregar algo. E por favor, tente não demonstrar qualquer coisa para eles. Tenho que ir...
–-Espera, como vou saber quem é você?- perguntou ele ainda não acreditando muito.
Ela riu.
––Já me viu antes, e saberá. Até logo Dukan.
Logo depois a porta se abriu, um homem entrou na sala, o mesmo individuo sério que o machucou quando tentava fugir, e logo depois dois soldados no encalço.
–-Esta na hora de fazemos seu registro. Vamos. –o homem disse o olhando sem uma expressão.
A roupa tomou o controle dele novamente e Kan o seguiu. Dessa vez o percurso que fez dentro da nave foi um pouco mais longo, atravessando corredores, usando um elevador e mais corredores.
Foi levado para uma sala mais acolhedora que qualquer outra em que já esteve. As paredes eram polidas e rosa claro próximo do branco, uma delas, oposta á porta, tinha uma grande janela com vidro leitoso e branco que transmitia luz e Kan podia perceber que o do outro lado havia movimento. Depois que foi empurrado para dentro notou que havia dois vasos de plantas nos cantos o que chamou atenção, pois não viu nada parecido até o momento, então viu uma estante larga com algumas miniaturas de corpo humano e partes, e na frente uma mesa de tampo de vidro escuro com uma cadeira confortável, no resto do espaço viu uma maca, uma cadeira e dois aparelhos grandes e estranhos.
Uma mulher de cabelos castanhos claro entrou, vestia um jaleco branco com as bordas decoradas com bordado de flores e ela veio junto com um aroma doce. Os soldados que acompanhava Kan saíram os deixando sozinhos.
–Pode ficar tranquilo. -disse ela o olhando gentilmente com placa de vidro que a maioria dos especialistas que viu carregava. -Eu não vou ser malvada. — riu. -Pode se sentar, sim?
Dukan não tinha muita opção e o traje fez o trabalho. Ela se aproximou e vez alguns testes físicos que os médicos na terra fazem em uma consulta.
–Parece que esta tudo bem pelo que vi até o momento. -ela sorriu. — Essas roupas são legais não acha? – ela perguntou indo acrescentar coisa na prancheta. -O tecido não atrapalha em nada no que temos que fazer. Acho que é inteligente, corresponde e interage com o mundo a volta e conta o que esta acontecendo com você. Olhe isso.
Ela clicou na prancheta algum lugar que exibiu os dados e até mesmo a pulsação de Kan naquele exato momento.
–Legal né. O traje sabe o que você esta sentindo, sabe o que você precisa, sabe o seu estado. Agora vá até ali.
Ela o direcionou até uma das maquinas, um caixa de ferro que parecia um detector de metal, onde ele ficou parado. Um escaneamento completo do corpo para registrar o estado físico do rapaz. Depois a mulher tirou uma amostra de seu sangue o fazendo se sentar na cadeira que tinha ali e a seguir abriu a porta para os soldados entrarem.
Vendo o que estava na sua prancheta a mulher se sentou na cadeira atrás da mesa e depois de longos minutos analisando as coisas e escrevendo outras disse para o homem que liderava os dois soldados.
–Ele esta muito bem. Seu registro foi concluído e ele será muito útil. Mas acho bom leva-lo para Metiel, ele precisa verificar alguns desses dados. Aqui esta o numero dele.
Entregou um pequeno retângulo fino, tirado de algum mecanismo sob a mesa. O homem sorriu para ela e seguiu até Kan ainda sentado na cadeira em que tirou sangue.
–Me de o braço garoto. -e Kan o fez por vontade do macacão. Um soldado se aproximou e abriu um quadrado no braço de Kan, sob o ombro, com a caneta com laser. O homem apenas colocou o pequeno pedaço de papel sobre sua pele e a área começou a arder como acido, o traje o conteve até que se passassem alguns minutos. Então o senhor se afastou e na área tinha um retângulo prateado e áspero, com um numero de três dígitos centralizados.
–Você não precisava fazer isso aqui, Jess. — murmurou a mulher ainda em sua cadeira.
–Era o seu trabalho. Vê se não reclama.
E Jess, o homem que se vestia diferente dos outros soldados e mandava neles, levantou Kan para novamente vagarem pelos corredores.
Jess seguia na frente, sabia para onde estava indo, até que parou me frente á uma porta e bateu levemente, segundos depois um homem velho atendeu cauteloso. Os olhos cinzentos de Jess olharam Kan quando disse que a cobaia para 151 estava disponível.
Fale com o autor