Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
48 Um método.
Notas iniciais
Na mansão...
Outro dia tinha chegado, o prisioneiro costumava acordar cedo e mesmo não tendo contato com o lado de fora despertou e viu que o lugar estava vazio. Quando se sentou da cama a cela acendeu as luzes principais automaticamente e ele seguiu para a pia para avaliar o estado de seus ferimentos no espelho embutido.
Algumas horas se passaram até que alguém entrasse na outra metade da sala fazendo as luzes se acenderem. Vinte observou o garoto de cabelos dourados escuro apontados para cima e desalinhados que lhe deu alguns socos no dia anterior, e junto dele estavam duas garotas que ele não conhecia com uma bandeja preenchida com comida. Vendo aquilo o soldado notou que tinha mesmo um incomodo no estomago e sorriu para a ruiva e a outra com roupa colorida e um penteado estranho se aproximando da divisa para vê-lo.
–Trouxemos um café da manha. -disse Diana com um breve sorriso, que sumiu quando os olhos claros do garoto a fitaram. Era a primeira vez que ela o via acordado e bem vivo pelo que notara.
–Eu agradeço. -respondeu ele com uma leve reverencia,e logo encarou a ruiva observando-a. -E quem são vocês?
Elas disseram seus nomes e logo Aaron entregou a bandeja o afastando da passagem que se abria na lateral do grosso vidro. A seguir Vinte foi verificar o que trouxeram para ele.
–Isso é bolo recheado?- disse ele com um sorriso no canto da boca.
–Sim. -respondeu Destiny.
Ele a encarou e sorriu mais com a resposta positiva.
–Foi ela que fez, as irmãs dela gostam muito disso. –comentou Diana.
–Eu sei bem o por quê. Isso é realmente bom, me admira que você tenha feito. -ele experimentou uma colherada e sorriu logo depois. — Já pode casar. – brincou com a ruiva, e ela ficou um pouco sem graça.
Depois elas foram levadas por Aaron e novamente ele foi deixando sozinho.
Na parte da tarde, Vinte estava deitado na cama observando o teto branco entediado. Já havia feito alguns de seus exercícios matinais que ajudavam a manter o bom físico e agora não tinha absolutamente nada para fazer. Então começou a pensar alto inventando uma historia simples e até boba de uma coruja e uma borboleta que são amigas e tentavam conhecer toda a floresta em que elas viviam. De repente parou de falar e ficou apenas imaginando algum final.
–E o que aconteceu depois que elas conseguiram atravessar o rio turbulento?
Vinte se sentou bruscamente com a pergunta que rompeu o silencio e encontrou um menino de cabelos castanhos e desarrumados, sentado no chão logo a frente da divisa o observando claramente curioso.
–O quê?-disse sem entender sobre o que o garoto se referia.
–Você estava contando uma historia.O que acontece depois?- perguntou Philipe.
Vinte o encarou estranhando, não o tinha percebido entrar e observou um pouco se havia mais alguém com ele. Não viu ninguém, então pensou na resposta:
–A borboleta morre, pois sua vida dela é curta, mas agradece ter a companhia e amizade da ave e visto tanta coisa que as outras borboletas que moravam do outro lado do rio não veriam.
Surgiu um brilho diferente nos olhos do menino e um lagrima escorreu sozinha.
–Eu não queria que a borboleta morresse. -disse o menino indignado.
Vinte se levantou da cama e se sentou na frente do garoto.
–A vida é meio assim. Você pode pensar que os outros viverão mais que você, mas ás vezes acontece que seus amigos ou conhecidos partem sem concluírem a missão que você via para eles.
–Mas era uma historia. Podia terminar feliz.
Vinte riu baixo.
–Podia. E eu acho que foi. Essa borboleta fez mais do que imaginava para a própria vida, teve a companhia de alguém que foi dedicado e a ajudou. Foi feliz até o ultimo momento. É um bom final.
Philipe estreitou os olhos pensando até que:
–Você gosta de Pudim?
O prisioneiro assentiu depois de estranhar a mudança brusca de assunto e o garoto saiu correndo da sala o deixando sozinho.
Philipe chegou à mansão e foi direto para a cozinha.
Yan não entendeu quando o menino passou por ele apressado, e mesmo assim continuou indo se juntar à Flecher, que tinha acordado depois de um dia em seu quarto e estava deitado no sofá da sala de estar com um humor sério.
–Flecher tem algo que você precisa saber...
O moreno o olhou sem muito interesse, estava pensando em como iria atingir o Estado depois da captura de Kan, estava mais que na hora de atacar e parar de simplesmente se defender.
Yan esperou um pouco sob o olhar dele antes de continuar:
–No ataque... -conquistou a atenção de Flecher e ele desviou o olhar para as mãos, onde os dedos que se esfregavam. -No ataque Kan foi capturado...
–Eu sei disso, você me disse ontem.
Yan suspirou e continuou.
–Mas,o soldado que o capturou é nosso prisioneiro agora.
Flecher se espantou quando seu cérebro terminou de interpretar a frase de Yan. Mesmo Dukan não sendo exatamente alguém que ele gostasse, não podia pensar que o culpado estava lá, tão perto. Saber disso o deixou mais irritado e se levantou exaltado.
–Por que não me disse antes?! –e a seguir ele se curvou sentido a dor do ferimento, que foi afetado com o movimento brusco.
–Para isso não acontecer. –Yan apontou calmo o ferimento de Flecher, onde um traço de sangue escapava para a camiseta.
Flecher suspirou e o encarou suportando mais um pouco da dor e saiu da sala em direção ao elevador para o subsolo perguntando:
–Em que sala ele esta?
–Eu não vou te dizer. -Yan não saiu do lugar e continuava calmo apenas o observando. -Você tem que se acalmar antes. E fazer um novo curativo...
–Yan não me atrapalhe!Diga onde!
Lucas, Brian e Taz apareceram seguindo as vozes altas.
Yan encarava Flecher tentando manter sua posição.
–Taz você sabe onde esta o prisioneiro?- perguntou Flecher ao vê-la e ela negou. -E vocês?
Lucas olhou Yan que acenou levemente para eles negarem, mas no mesmo instante Brian respondeu dizendo o numero da sala sem preocupação e todos o olharam incrédulos. Então Flecher seguiu para o elevador. Taz socou fortemente o ombro de Brian, que até o momento não entendeu o porquê.
–Idiota!- disse a pequena. -Ele está ferido e ainda tem que se recuperar. Não percebeu que ele estava sangrando?! Agora ele esta todo atormentado!- ela saiu correndo para alcançar os outros que seguiram Flecher.
O moreno tinha chegado ao elevador pouco depois de Philipe que carregava um pequeno pote nas mãos. Daria para os dois seguirem sozinhos para o subsolo se Yan não impedisse aporta de fechar e se juntasse a eles junto com Lucas, Taz e Brian que pediu desculpas a Yan por responder Flecher.
Quando chegaram Flecher seguiu o caminho que ele conhecia e estranhou Philipe praticamente andando ao lado dele na mesma direção.
Philipe foi o primeiro a entrar na sala da cela e seguia para perto da divisa quando Flecher o segurou pelo ombro, o parando e o mandou se afastar. O menino só pode obedecer sem entender o motivo.
Flecher se aproximou da divisória encarando Vinte a cada passo. O prisioneiro mudou de expressão para uma tensa, assim que o viu impedir Philipe. Notava pelas ações que Flecher não tinha boas intenções com ele e deu alguns passos para longe da divisória quando o moreno parou próximo do vidro e ficou o observando sério e sem uma expressão.
–Quem são seus amigos?- Vinte riu tenso ao perguntar para Philipe, que permanecia junto de Taz, Lucas e Brian.
–Isso não importa. -respondeu Flecher friamente.
Vinte sorriu fino e desafiadoramente desviando o olhar rapidamente para depois o encarar e levantar ligeiramente uma sobrancelha gozadora:
–Eu não teria perguntado se fosse bem assim. -e sorriu sustendo o olhar de Flecher.
Yan havia se separado do grupo para avisar Leno que o plano de contar ao neto não tinha dado tão certo, e também foi buscar algum remédio para acalmar o amigo.
Logo Flecher se afastou e seguiu com passos determinados para uma parede do lado direito que tinha uma tela e um pequeno teclado. Parou na frente, se concentrou rapidamente e pôs a palma da mão com as faixas verdes-neon sobre tudo e o painel se acendeu, uma lista de códigos e comandos passou e a imagem se tornou um cronometro já contando. Então ele voltou para frente do soldado e ficou o encarando-o.
Vinte começou a ouvir o som de contagem em uma voz eletrônica dentro de sua cela e ficou curioso para saber o que seria aquilo.
–Quero sabe o que você sabe?- Flecher falou.
O soldado sorriu debochando e negou com a cabeça, sem o levar muito a sério. Mas Flecher não se abalou e apenas esperou que a contagem terminasse.
Quando a voz disse o zero,Vinte ouviu um apito continuo e fino, que depois variava de frequência irritantemente. Ele tentou impedir o som alto e agudo pondo as mãos nos ouvidos rapidamente e se agachando por instinto, mas o som conseguiu penetrar e o torturava a cada segundo que passava.
–O que você esta fazendo Flecher?- Taz se aproximou sem entender o que estava acontecendo com o prisioneiro. A cela não transmitia o som que Vinte estava ouvindo e era confuso para ela e todos ali velo naquela posição e mesmo quando o soldado gritou, ela não ouviu nada.
–Obtendo as informações. -ele respondeu sem desviar olhar do prisioneiro.
Quando o som finalmente parou Vinte retirou as mãos de sobre os ouvidos doloridos e encarou Flecher de volta.
–O que acontece com quem é capturado?-perguntou o moreno indiferente ao que aconteceu.
Vinte ficou quieto.
–Você quem sabe... -Flecher deu de ombros e em tom mais alto pronunciou: -Fase dois: iniciar.
Dentro da cela a contagem recomeçou. Então Vinte levantou do chão um pouco tenso:
–Não. Espera.
Flecher disse um pare e a contagem obedeceu à ordem.
Vinte observou os outros que estavam na sala se aproximarem com alguns passos.
–Vai dizer o que acontece?- perguntou Taz.
Vinte concordou e respondeu:
–Quem é capturado se torna cobaia pra os mais diversos experimentos e projetos que há na nave.
–Você sabe que essa não é a reposta que queremos.-disse Flecher.
Vinte sorriu.
–Mas essa é a resposta. Eu não sei o que o Estado quer com seus amigos ou com vocês. Só sei que quem é capturado se torna cobaia, mas só se for resistente o suficiente.
–Você disse que sabia coisas sobre nós. -Yan estava na sala e se intrometeu recebendo um olhar rápido de Flecher.
–Sei. Não por que o Estado quisesse, mas por que eu gosto de saber com quem é que vou lidar. -ele limpou a garganta. -Mas não sei de todos. Reconheço alguns dos arquivos, e tem algumas historias que foram bem interessantes de saber.
Vinte olhou cada um na sala com sorriso surgindo vendo que tinha a atenção da pequena platéia.
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