Notas iniciais
Chega um momento da historia que o principal entra em destaque. O tempo todo sabia que um momento assim chegaria, peço perdão por estar chutando a maioria para depois. Sei que isso não é legal, fico muito triste por isso, pois afeta as impressões e eu não posso pular. Mas é uma fase importante (e esclarecedora, talvez). De toda essa jornada esse é o inicio do percurso ao ápice. Espero que tenham uma boa leitura!

Os cinco adultos, três homens e duas mulheres, olhavam para Flecher, Taz, Cadius, Diana e Charlie com expressões calmas e indiferentes. Logo, pelas coisas que sabiam e pela situação, os combatentes perceberam que aqueles eram os cinco Guias de toda a sociedade da nave Estado.

Flecher apontava a pistola para um homem careca sentado na cadeira mais próxima, e exigiu que eles o obedecessem e seguissem suas ordens, mantendo oculto que seus ferimentos doíam enquanto ficava de pé. Eles não reagiram diante da fala ameaçadora dele, mas o careca ergueu as mãos devagar em rendição tranquila e sem muita crença lançando um olhar para os outros, que Flecher seguiu, mas o moreno estranhou algo e piscou fortemente os olhos ao encara-los, sua visão estava deixando-o confuso, pois via-os borrados/desfocados, e ele desejou que não estivesse prestes a perder a consciência naquele momento.

Cadius, que estava do outro lado da posição de Flecher e na frente de Diana, se esforçava para saber mais dos cinco adultos, mas não conseguia nada deles. Logo supôs que a única razão para isso era que algo anulava seu poder naquele lugar. Então se aproximou da mesa e mirou melhor a segunda mulher do grupo, de cabelos loiros ondulados. Flecher observou a breve caminhada dele e estranhou muito mais seu estado, acabou estreitando os olhos e lançando um olhar confuso para Cadius, que não entendeu o porquê. Para Flecher Cadius estava perfeitamente definido, presente e normal, porém os adultos continuavam embaçados e suspeitos. Flecher olhou para Taz, ao lado dele, depois para Diana e Charlie, logo atrás deles, confirmando a diferença. Todos os seus companheiros estavam bem definidos, como sempre, então se questionou o que estava acontecendo ali.

Taz estranhou a expressão confusa de Flecher e começou a achar que ele tinha tomado analgésico demais, mas antes de perguntar qualquer coisa se distraiu com o som de vários passos vindo do corredor largo de onde vieram. Flecher a chamou indicando o homem que estava na sua mira, e ela entendeu que era para assumir o lugar dele em ameaçar o homem. Depois ele caminhou manco até ao lado de Charlie e tocou um painel próximo da porta, seu poder se espalhou como um flash rápido e a seguir pesada porta deslizou se fechando com um baque forte e o som de alguns trincos, deixando a sala em completo silencio. Porém, Flecher foi atingido por uma tortura gerada por seus ferimentos e o gasto de energia nessa ação. Suspirou e tentou manter-se forte.

–Eles têm o controle de tudo daqui... – informou ele para Diana e Charlie que estavam próximo da porta. -Conseguimos uma boa posição.

Então, do outro lado da sala, um riso forte ecoou levemente abafado. Flecher se virou para encarar o homem sentado na cadeira mais longe em postura relaxada, mas logo sua percepção apontou o sumiço dos outros quatro da sala.

–Onde eles foram?! Taz! –A menina, o olhou completamente confusa, ainda estava apontando para o careca, que estava completamente normal na visão dela. -Cadius! –e igualmente o rapaz não entendeu Flecher, que ficou irritado com eles.

–Eles quem, Flecher?- Diana perguntou com um par de facas em mãos prontas para serem usadas.

–Os outros quatro!- respondeu.

E o moreno olhou para Diana por um momento, e depois reconheceu em todos os combatentes a expressão que mostrava que estavam pensando que ele estava enlouquecendo. Mas era muito real para ele e completamente confuso o que estava acontecendo.

Um riso baixo chamou novamente sua atenção para o mesmo homem na cadeira afasta. E Flecher percebeu aquele Guia estava definido, como Taz ou Cadius, e o encarava fixamente e audacioso o tempo todo, sem se importar com os outros combatentes na sala. O senhor devia ter mais de quarenta anos, uma fina barba á ser feita, pele clara, olhos azuis escuros, cabelos penteados para trás negros com algumas mechas prateadas, e um sorriso divertido e fino.

–O que esta acontecendo? Quem é você?- Flecher questionou sem paciência, sustentando o olhar e se aproxima caminhando pela lateral da mesa. O senhor desviou o olhar para mesa quando ele chegou ao seu lado, mas manteve um sorriso gozador que irritava o moreno. -Me responda!

O guia levantou o olhar para ele e balançou a cabeça lentamente, negando. Flecher apertou a arma em sua mão com raiva, não podia atirar no único inimigo que estava vendo de verdade naquela sala, era o único que podia dar uma explicação.

–Taz! Onde tem outro dos Guias?- ele perguntou ainda sustentando o olhar do homem.

Confusa, como todos estavam naquele momento, Taz apontou para uma cadeira — a próxima depois daquela que estava sob a mira de Cadius. Flecher observou a indicação e depois olhou o lugar completamente vazio e, sendo assistido pelo Guia e os outros, levantou a arma e atirou sem hesitar. Diana se assustou, levando uma mão na boca para ocultar um grito de susto, vendo o terceiro guia ferido.

–Por que fez isso! Ele não estava ameaçando ninguém! -Charlie disse pasmo.

–Não tem ninguém ali. — O moreno respondeu voltando a olhar o homem, que estava contra o encosto da cadeira com uma breve imagem, tipo interferência na tevê, de uma face assustada e indignada oscilando para a verdadeira face séria e sem medo. Mas pelo menos o sorriso tinha sumido. -Agora responda! O que está acontecendo?!

–Não faça isso de novo. -a voz de tom forte do homem soou calma e levemente irritada. Ele se endireitou na cadeira. –Eu sou Alies, o quinto dos cinco atuais Guias dessa nave.

Flecher continuou o encarando fixamente. Mais do que o jeito daquele homem, algo o incomodava intensamente e o deixava tenso de descobrir o que era. E ao mesmo tempo Alies analisou Flecher dos pés à cabeça e comentou:

–Parece que enfrentou algumas batalhas para chegar aqui, Flecher. – o sorriso fino passou no rosto do homem. E Flecher estranhou ele usar seu nome, mas Alies continuou: — Ah, antes que pergunte, sim, eu sei quem é você. Um pouco pelas coisas que andaram fazendo e pelas informações que chegaram.

O mais velho ficou de pé, diante de Flecher que deixou a pistola pronta e apontada para o abdômen do outro. Alies vestia-se com um suéter de gola alta sob o blazer escuro, e deixou que o mais novo percebesse que tinham a mesma altura. Taz, Charlie, Diana e Cadius não entendiam o que estavam acontecendo, apenas assistiam intrigados sem sair de suas posições.

–Esta notando, não é?- Alies disse assistindo a expressão do mais novo mudar para uma com leve espanto. Aproximou o rosto ousadamente do de Flecher e lhe falou quase como um segredo: — Somos extremamente semelhantes, não acha? E quer sabe o porquê? Eu conhecia o seu pai, e conhecia-o muito bem.

Espantado, Flecher se afastou do homem, quase não percebendo seus ferimentos reclamando, apontou a arma diretamente para o coração de Alies e perguntou:

–O que você sabe dele?

Alies sorriu e olhou os outros. Os quatro combatentes os observava com estranheza e ainda apontavam armas para os outros Guias, que não estavam ali apenas para Flecher.

–Sei umas coisas. – Alies respondeu calmo e voltou-se para o moreno diante dele. –Seu pai era eu, mas não exatamente.

–Como assim?! -Taz se expressou indignada com o que ouviu. -Desde quando isso virou um filme do século passado?!

O homem riu olhando Flecher, que não tinha mudado sua expressão, e se voltou para todos na sala:

–Vocês sabem o que essa nave faz, é por isso que estão aqui, não é? – os combatentes concordaram. -Clonagem, é a resposta. Sou o segundo do verdadeiro homem com essa aparência, fui criado aqui, e hoje coordeno essa coisa no lugar do meu anterior. E seu pai, Flecher, era outro que viveu na terra para uma experiência e foi esquecido. Mas de uma mãe diferente, entende Flecher?... Pela sua cara vai demorar um pouco, mas é isso.

Alies voltou a se sentar na cadeira de forma relaxada e continuou falando:

–Também vou admitir que fiquei impressionado com sua aparência, Flecher. Tão igual a mim, mesmo sendo um não esperado filho de um clone! Todos dizem que não posso ter descendentes... Esses pesquisadores e cientistas mal sabem o que estão falando quando um projeto “plano B” consegue. Não é legal saber que meu sangue não correrá em nenhum outro ser. — Alies diminuiu o tom da voz e encarou a mesa, pensativo. -Um sangue tão bom e com dons interessantes quando tratados da forma certa...

Flecher recuou mais do homem sentado, claramente chocado com o que ouvia e deixando a mira de sua arma decair. Ele pensava rápido buscando a logica ou provas que aderisse veracidade aos fatos que Alies disse, e se perturbava cada vez mais, pois para ele sua vida era normal, mais um humano comum, e se aquele homem estava dizendo a verdade, o tempo todo ele estava envolvido com a nave, a família dele estava, querendo ou não, e a parte que o magoava era que ele, naquela teoria nova, não tinha qualquer laço sanguíneo com seu avô, e único de sua família vivo.

–Flecher! Você não pode acreditar nesse mentiroso!- Taz gritou tentando traze-lo se volta á missão.

–Esta me chamando de mentiroso?- Alies soltou um riso forçado e apoiou as mãos na mesa encarando Taz, irritado. -Não tenho medo de você para me esconder atrás de uma mentira! Além do que, vocês não vão fazer nada mesmo. São só um bando de revoltados querendo atrapalhar a vida das pessoas que estão em paz...

–Pouco me importo com sua opinião! E é melhor ficar quieto antes que eu te faça ficar quieto! -Taz ameaçou muito mais séria e encarando o homem com a mesma intensidade. Alies levantou uma sobrancelha escura para a pequena, que se virou para Diana e pedindo uma faca, que logo foi dada.

–Você é muito irritante. -Alies disse desdenhoso e desistindo de dar atenção à miniatura de gente.

E a seguir, subitamente, uma porta dupla se abriu atrás da cadeira de Alies, que conseguia manter a expressão calma como se soubesse que aquilo ia acontecer. Os combatentes não tiveram muito tempo de ficarem espantados com o grande grupo de soldados que chegaram. Flecher, que estava muito próximo dos inimigos, foi golpeado com um soco no braço ferido, perdendo a arma, e dominado. De sua posição assistiu Taz se ser atingida por um dardo antes que pudesse se esconder atrás da cadeira do careca e Charlie, Diana e Cadius também foram rapidamente nocauteados por um dos disparos, antes que pudessem revidar.

Quando tudo ficou mais calmo, Alies se levantou e ajeitando o blazer notou a faca que Taz segurava a poucos segundos cravada sobre na beirada da mesa negra, a centímetros de não acertar sua abdômen ou mais abaixo.

–Estão todos bem, Sr. Alies?–Nia, com a expressão seria e olhar sempre fixo, saiu do meio dos soldados, chagando ao lado do Guia.

Alies a olhou dando um sorriso fino e assentiu.

–A maioria esta. Mas o senhor Juan talvez tenha alguma chance se os senhores puderem acudi-lo.

Um grupo de soldados foi até a cadeira em que Flecher atirou. E por alguns momentos o moreno, ainda fortemente segurado por um par de soldados, vislumbrou a imagem borrada de um senhor ferido. Depois ele encarou Alies assustado, que o olhava com um sorriso vitorioso. O Guia orientou que levassem os capturados para juntos dos outros e que acompanhassem os outros Guias para os aposentos deles. Flecher foi algemado e ia ser levado, mas Alies sussurrou uma ordem á um dos soldados, e eles o seguiram pelo labirinto de corredores da nave.

Minutos depois Alies abriu a porta de uma sala e entrou antes de Flecher e os soldados. O cômodo tinha uma decoração bem terrena e clássica, as paredes tinham textura e eram em tom de vinho ou vermelho, e o onde eles estavam parecia uma sala de estar aconchegante, com dois sofás beges separados por uma mesa de centro de madeira, estantes de livro em uma parede e uma lareira bem no meio da outra com grandes telas do lado que mostravam a paisagem de um por do sol do alto de uma montanha. Os soldados e Flecher ficaram perto da porta, enquanto Alies caminhava até um aparador com uma bandeja de bebidas, mas ele parou subitamente para encarar com um curiosidade a garota que estava sentada no sofá e também com algemas nos pulsos.

–Porque você esta aqui?- perguntou Flecher se afastando dos soldados, que com um gesto de Alies não o seguiram e numa breve conversa paralela mandou-os embora.

A ruiva ficou de pé ao vê-lo ali também confusa.

–Eu não sei! Só me trouxeram para cá. Você está bem Flecher? Esta sangrando bastante e com um cara horrível.

–Ele esta bem. -Alies chamou a atenção dela, se aproximando com um sorriso torto e olhando a analisando. -Então você é a ruiva que esta no grupo deles? É mais bonita pessoalmente.

Savannah encarou o homem, que apesar de ser mais velho conservava uma beleza, depois olhou para Flecher confusa, enquanto Alies prosseguia para pegar uma bebida pra si, e o tempo todo preferia olhar a garota em vez do rapaz.

Notas finais
Amados, em breve o aniversario da Fanfic estará presente: um ano completo! É muito tempo! Eu gostaria de encerrar o ciclo no dia, mas, sei lá, normalmente meus planos cronológicos não dão nada certo. E é por isso que trouxe esse capitulo rapidinho, estou tentando, mas já suspeito que será bem difícil. Devo dizer que percebi claramente que sou desequilibrada e conflituosa com algumas coisas que expresso. Hoje estou triste por se assim, parece até que têm duas eu nessa cabeça e ela gostam de se contradizer. Sinceramente devia parar de estar no Fanfiction esse ano, devia mesmo, mas arrumei outra historinha (alguns de vocês sabem) que não posso simplesmente encerrar do nada, depois que ja comecei. – Viu um conflito, eu queria parar, mas não consegui. Perdoe-me por tanta perturbação, mal funcionamento e inutilidade que possa ter trazido. Chegando de lamentos: O próximo capitulo é o 99°, mais sobre o Flecher, mas também, finalmente, os outros personagens vão dar uma aparição. E o fim estará mais próximo. (Eu não gosto de chuva com a casa vazia e o silencio... me deixam depressiva, então não se preocupe se em breve eu estar normal novamente, é fase.) Até o próximo capitulo. Muito obrigada pela companhia!