Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
6 Flash Back -Final-: Liberdade.
Notas iniciais
Uma pequena bola de energia branca atravessou a frente de Kan e Yan, atingindo o chão e abrindo um buraco com uma explosão de terra. Os dois olharam para um homem na janela do ultimo andar do prédio recarregando a arma e mirando-os.
É daquilo que precisamos! -Falou Dukan com os olhos brilhando de desejo e correu para o prédio despistando os próximos tiros sobre ele.
O Difusor e o pequeno garoto pareceram confusos. Então Yan correu atrás do outro e a criatura o seguiu desajeitadamente.
Flecher e Ônix não tiveram muito êxito. A criatura havia se posto ameaçadoramente de pé quando atacaram e as garras dianteiras passavam entre eles como se cavasse o ar. Ônix jogou sua faca que cravou na face da criatura onde poderia ter um olho, a fazendo abaixar e chacoalhar a cabeça. Eles recuaram voltando novamente para dentro do prédio. O Difusor deles se aproximava lentamente quando perceberam a movimentação e conversas nos andares de cima. Algum tempo se passou e a criatura como canivete não tinha pressa de pega-los, pois havia percebido que a irmã voltava perseguindo Kan e Yan, que vinham para ela. Passou a esperara-los a alguns metros longe da porta. Quando eles chegaram o Difusor com o canivete tentou bloquear a porta, mas Kan passou pelo curto espaço formado em menos de um segundo entre o batente e corpo da criatura e Yan, sem planejar, deslizou por baixo e teve que ser puxado para dentro depois de perder o impulso. Ele agradeceu pela criatura ter ficar confusa sem saber onde ele estava e Ônix que o ajudou.
Kan já queria seguir pra cima, porém foi segurado por Flecher. Os outros não entendiam por que ele queria ir direto aos soldados e ele teve que se explicar dizendo que eles tinham armas. Distraíram-se, pois, para sorte deles, os Difusores foram burros o suficiente para tentarem entrar juntos pela porta de um metro e meio de largura. Subiram após criarem um plano de ataque rapidamente.
Os soldados verificavam cada parte das salas e dos andares em que passavam. Volta e meia os garotos ouviam tiros parecidos com estalos de choque. No terceiro andar Kan, Flecher e Yan se agacharam na escada fora da vista dos três soldados que estavam no corredor. Então ônix saiu correndo e entrou em uma sala chamando a atenção dos homens. Foi um espanto para eles ver alguém da escola de pé e correndo daquele jeito. O primeiro soldado se aproximou sem cuidado com o que parecida ser um rifle prata-fosco apontado para a porta da sala. Dukan, que estava no topo da escada, usou de seu pé-de-cabra acertando a arma e antes do soldado se recompor o acertou no peito com o melhor golpe que podia dar. O soldado soltou a arma e caiu de costas sem oxigênio. Vários tiros passaram a ser disparados contra eles, mas acertavam as paredes, pois eles estavam ainda escondidos. Flecher rapidamente pegou a arma do chão ficando deitado sobre o piso, quando conseguiu atirar o estranho rifle atingiu o calcanhar de um dos dois que ainda estavam de pé no corredor. Com outro tiro ele acertou a arma do segundo homem, fazendo um pequeno pedaço cair, um curto circuito soltar fumaça e o homem vestido de uniforme pérola soltar a arma com o choque, aparentemente, forte e sair correndo para uma sala. O que estava ferido no calcanhar atirava sem mira alguma tentando permanecer de pé até que o moreno armado o atingiu no pescoço desprotegido e o soldado caiu esvaziando sangue. O primeiro soldado, atingido por Kan, recebeu um tiro perdido e também estava morto.
O corredor ficou em silencio e eles correram para a sala onde estava Ônix.
Pareciam ser mais que aquilo. — disse o loiro sentindo o ombro ferido dolorido pelo movimento do golpe que deu com o pé-de-cabra. Os outros concordaram com gestos. — Então, cadê o resto?
Acho que estão em outras salas. -supôs Yan incerto.
E agora, o que vamos fazer com isso? -Perguntou Ônix indicando a arma.
Eu quero fazer uma coisa! — exclamou Kan empolgado se levantando da carteira em que estava sentado. Pegou a arma de Flecher, seguiu para a janela que mostrava o pátio lá em baixo. As criaturas haviam se soltado e pareciam discutir quem entraria primeiro. Ele apontou e olhou através da mira esverdeada, mas depois afastou confuso.
Como se atira isso?- perguntou casualmente.
Aperte esse botão ai- Flecher apontou de longe- puxando a alavanca do cano até o meio, e pra recarregar empurre a alavanca pra trás e pra frente até o máximo.
Que coisa complicada. -Kan franziu o cenho observando a arma. -Mas acho que entendi. — voltou a mirar e atirou, recarregou e atirou novamente.
Os outros correram para a janela com primeiro tiro e o gorgolejar de dor do Difusor lá em baixo. No terceiro tiro o maior, com a faca de Ônix, já estava abatido.
Legal!- exclamou o garoto com a arma com um sorriso no rosto. -Eu disse que precisávamos disso!
Acerte o outro. — Disse Ônix e Dukan voltou a mirar, mas logo abandonou a ação dizendo:
O outro entrou.
Eles se olharam sem saber como iriam sair da sala com soldados no mesmo andar e uma criatura subindo para pega-los.
Gente... -Disse Yan dando alguns passos pra trás tropeçando nas mesas e nos materiais abandonados ao se afastar da janela que encarava.
O Totem se movia fazendo sombra na vidraça e escurecendo a sala. Através do vidro eles conseguiam ver o canhão bem próximo se virando lentamente para eles. E eles correram ouvindo a explosão que os expulsou da sala jogando-os no corredor.
Mesmo confusos, e um sobre o outro no chão, viram através da poeira que veio junto com eles quatro soldados no corredor com as armas prontas para disparar. Dois agachados e dois de pé, uma formação que garantia que algum tiro iria atingi-los. Kan correu, com os tiros sendo disparados, para a sala oposta a que estavam puxando quem achou e aproveitando a cobertura da poeira. Na nova sala três garotos estavam encurralados de novo e a criatura subia desajeitada pela escada pelos sons que se ouviu após cessarem os tiros.
Você esta bem Flecher?- Yan observava o rastro de sangue que brotava na camisa do outro, que percebeu e levantou-a levemente para examinar.
Um tiro... pegou de raspão, -cutucou- mas queima. -Ele pegou uma blusa fina de manga comprida abandonada sobre uma mesa e pressionou contra o ferimento.
Cadê o Ônix?- se entreolharam após a pergunta de Kan.
Escutaram ordens no corredor que diziam: Eles estão encurralados. Se algum sair não mate, prendam!. Não demorou e eles ouviram um tiro na outra sala destruída.
Como vamos sair daqui agora? Eles nos querem vivos. — Disse Kan um pouco exaltado.
Eu tenho uma ideia, conhecemos melhor o prédio do que eles... — os outros entenderam o que Flecher quis dizer.
Eles subiram para o forro (laje) por uma pequena passagem quadrada que toda a sala tinha no canto. De lá foram para outra que dava no final do corredor. Abriram-na devagar e cautelosamente, Yan espiou.
Os soldados estavam prestes a invadir a sala de onde vieram quando o Difusor chegou atacando os dois soldados próximos com seus tentáculos. Os homens se assustaram e receberam os empurrões dos golpes, os espinhos não passaram pelas suas roupas e não lhe causaram mal. Entretanto a criatura sibilava e se aproximava ameaçadoramente. Aquele que parecia ser o comandante com um colete escuro se aproximou em uma postura confiante parando em frente à criatura e a encarando, pôs a mão em uma bolsa no cinto que saiu cheia de um pó amarelo e tocou a testa do Difusor que pareceu absorver o talco na parte encouraçada e se tranquilizar.
Estão todos ali. -sussurrou Yan após voltar para o esconderijo.
Respirando fundo Flecher se debruçou lentamente na saída sem chamar a atenção ficou de cabeça pra baixo com a parte da cintura pra cima no corredor. Dukan e Yan seguravam as suas pernas o equilibrando. Flecher pediu a arma e mirou com movimentos lentos e tensos. Atirou no coração do Difusor que caiu sobre um dos homens o esmagando. Sem perder tempo atirou-nos outros três e no comandante sem dar-lhes tempo de reação.
Os rapazes o deixaram escorregar no fim, sem querer, e Flecher caiu no chão a mais ou menos três metros abaixo. Yan se desculpou e Kan desceu sem esperar que o ele se levantasse.
Onde você aprendeu a atirar assim?- Dukan olhava o outro lado do corredor.
Meu avô insistiu que eu tinha que aprender tudo que ele sabe. -respondeu se levantando. — E ele é melhor.
Agora acabou tudo?- perguntou Yan.
Não. Agora temos a ultima fase do jogo e o inimigo mais difícil. -falou Flecher.
O loiro se aproximou dos soldados procurando coisas interessantes:
Eles tem granadas! E um comunicador. — ele ouviu o que lhes era dito. Alguém com um sotaque exigia resposta do que estava acontecendo. — Acha que tem muitos na nave?
Não sei. Vamos usar as granadas. Yan ainda tem aquele estilingue no seu armário?- O menor concordou. — Então vamos busca-lo.
Os dois mais altos iam para escada quando um estrondo estranho e barulhento veio de trás deles. Yan tropeçara em um dos soldados, Kan o ajudou e se lembrou de pegar uma arma pra ele. O armário que procuravam ficava no primeiro andar daquele prédio e o acharam facilmente.
Subiram cautelosamente para a sala destruída. Encontraram Ônix caído em um dos cantos, a explosão o jogou contra a parede e sua morte veio com o tiro no tórax. E o Totem permanecia imóvel sobre o pátio.
Onde vamos atirar?- perguntou Kan atrás de uma pilastra sobrevivente já mirando para a nave como Flecher, que estava atrás de uma mureta criada do que restou da parede com janela.
Talvez na placa na parte traseira. -respondeu.
Que placas?- Kan observou melhor e viu as placas levemente sobrepostas na lataria perto da cauda da aeronave. Sobre ela o ar ganhava ondas como sobre o asfalto quente.
Depois de nós é a sua vez Yan. Também vamos atirar na cabine. Tente jogar as granadas que conseguir lá dentro.
Eles se prepararam e atiraram. O tiro de Flecher furou a placa e o de Kan nada fez, e ele olhou irritado para sua arma. A nave se moveu com trancos estranhos e um ruído de carburador afogado em água. Os canhões se viravam para a sala novamente.
Ei! O botão!- Flecher, tenso, indicou na parte superior do rifle em uma cor azulada em vez de vermelha como a dele.
Malditos botões! — Kan pressionou-o e a cor mudou para um verde, amarelo e, por fim, vermelho.
Eles atiram na cabine e os vidros grossos racharam e enquanto atiravam novamente o canhão disparou atingindo a parede atrás de Kan mostrando a outra sala. Yan se aproximou rapidamente e atirou com o estilingue a primeira granada acionada e logo uma segunda perfeitamente pela abertura no vidro. Esconderam-se ouvindo as duas explosões e mais uma terceira e longa, o trovão da desativação do escudo.
O Totem caia com as placas na traseira liberando fumaça densa e escura. Os primeiros tiros atingiram a proteção do motor, o de Flecher perfurou a proteção e o de Kan fez uma explosão de energia, confundindo o sistema e fazendo algumas peças queimarem. A aeronave desestabilizada raspava o prédio em que eles estavam. Descendo com o leve zumbido e sem controle. A fronte caiu apoiada sobre o corredor no centro do pátio e a traseira rachou ao se chocar no chão.
Agora existia o silencio muito mais assustador do fim.
De repente Yan sai correndo. Mesmo sem perigo os outros dois vão atrás dele, perguntando durante a corrida pelas escadas o que ele queria. O menino explicou rapidamente com medo de que o Totem explodisse. Encontraram na lateral retorcida da lataria uma porta e o invadiram. Dentro do lugar Kan foi à frente atirando em apenas dois ocupantes que ainda respiravam chegando facilmente na cabine de comando. Lá Yan encontrou o que procurava.
Fale com o autor