Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
71 Dias calmos. - C&D
Notas iniciais
Assim que chegaram à cozinha, Vinte olhou em volta sem saber por onde começar. O grupo não evitava alguns risinhos e se ajeitaram nos bancos da ilha e apoiado em algum lugar.
Faith subitamente se aproximou folheando um livro, e abriu em um a pagina para Vinte ver.
–Ei! O que você esta fazendo Faith?- John se aproximou deles interessado em saber o eles estavam vendo no livro.
–Escolhendo o biscoito. Ou ele pode acabar fazendo qualquer um, ou um com algo que não gosto.
–Bem pensado. – o garoto puxou o livro pra ver qual a menina tinha escolhido. — Ah esse aqui não... — começou a virar as folhas e atraiu os outros para escolherem uma receita que agradasse a todos.
Enquanto isso Vinte foi o único a notar Destiny entrando ali, observar o grupo com curiosidade e ir para um dos fogos que fervia um chá.
–Este! — falou Brian com os outros concordando logo áreas e entregou o livro á Vinte.
O rapaz olhou a receita e seguiu direto pra a ruiva com um sorriso fino no rosto e o livro na mão. Chamou a atenção dela ao bater o objeto na bancada ao lado de onde ela derramava o chá para uma xicara.
–O que foi?- disse ela o olhando um pouco assustada e ele sorriu mais abertamente e cutucou a pagina de receita aberta demonstrando uma grande atenção ao que estava escrito.
–Você quer esse biscoito?- disse Destiny em duvida e incerta do que ele queria. Vinte apenas concordou. – Sim... Eu posso fazer isso, não é tão difícil.
Destiny já sabia que o garoto vindo de onde veio, e sendo um soldado, não devia saber mexer com coisas da cozinha, e pode supor que ele estava pedindo a ela, que sempre estava na cozinha, para prepara-lo.
Vinte deixou que a ruiva trabalhasse juntando os ingredientes que iria usar e sorriu vitorioso para o grupo.
–Não acredito. Você conseguiu mesmo. — comentou John antes de sorrir achando graça.
–Pelo menos sabemos que vai ser algo bom e que da para comer. — falou Brian.
Algum tempo depois, o grupo degustava os biscoitos frescos e Destiny descobria o porquê do pedido estranho e silencioso de Vinte.
–Quem vai ser agora, Vinte?- perguntou ela depois de entender as regras do Jogo.
O soldado mordeu mais um biscoito e olhou Diana com um sorriso travesso. A menina logo entendeu o que seria e disse:
–Eu não estou participando disso.
–Relaxa, não vai ser tão difícil assim, Diana. — acalmou-a Vinte, mas ainda tinha o sorriso. – Eu não faria você fazer uma coisa muito complicada...
O soldado ficou em silencio experimentando outro biscoito do monte que sumia aos poucos.
– Fala logo então! — Diana não suportou muito tempo sem saber o que teria que fazer.
Os outros também ficaram curiosos e esperaram. Vinte concordou com a menina tendo algo subliminar nas suas intenções. Ele se levantou, caminhou ate sua escolhida e se aproximou do ouvido dela para segredar a missão. Diana começou ouvindo com atenção e a cor de suas bochechas mudou, ficando avermelhadas, e pareceu ficar embaraçada. Depois de um tempo falando Vinte se afastou sorrindo. E logo em volta deles alguns murmurinhos surgiram daqueles que participavam do jogo querendo saber o que seria.
–Pode fazer isso? Ou quer desistir? – perguntou ele à Diana.
–Ãnh.. éh...- ela desviou o olhar de qualquer um, encarando um potinho de tempero no balcão, e começou a dar passos para longe do soldado para se sentir mais confortável. Ela tentou responder novamente, mas apenas alguns grunhidos saíram e seu rosto ainda estava aquecido. Então concordou com um gesto forçado e tenso, depois simplesmente saiu andando. Katrina parou-a por um segundo e mal perguntou o que o soldado disse para ela e Diana apenas pediu que ela ficasse na cozinha antes de continuara seu caminho para fora do cômodo.
Vinte e outros não entenderam se ela estava fugindo ou indo realizar a tarefa.
Diana não estava confortável com aquilo. Mesmo que Vinte tenha sussurrado que se ela fizesse retiraria o trato de que ela devia mata-lo, e esse trato pesava sempre na mente dela quando imaginava quando seria a próxima luta. Mesmo sendo desinibida, ela teve que reunir uma boa dose de coragem para realizar esse feito. Chegou a sala de estar, e quem ela procurava não estava mais ali. Saiu andando de novo. Sabia onde ele estava quando não estava pela casa, sempre ia atrás de um lugar calmo o suficiente para passar as horas.
A biblioteca estava em silencio como sempre, nem um ruído ecoava nesse lugar. Diana rapidamente abriu a porta, entrou e fechou-a atrás de si, impedindo brevemente que alguém a seguisse. Suspirou, tomando mais um pouco de coragem, e investigou a mesas confirmando que quem procurava estava ali. Ah, era um momento tenso, e em um segundo ela queria não ter se metido naquela brincadeira boba.
Alguém forçou a porta e Vinte conseguiu chegar até ela, bloqueando a porta pra qualquer outro a seguir, como ela fez.
–Não pode falar. Mas você esta indo bem, só confie no que eu te disse. — ele olhou sobre um conjunto de estantes baixas e achou Cadius em uma mesa, piscando pesado com um livro desinteressante aberto na sua frente.
Diana deu um passo e parou um pouco pálida, mas com as maças do rosto coradas ao máximo. Vinte sorriu e disse:
–Eu não pensei que você tivesse esse lado... É até bonitinho te ver assim.
Ela não olhou o soldado, que ainda mantinha a porta fechada, mas ser chamada de bonitinha deixou-a um pouco mais envergonhada. Então impulsivamente ela seguiu até o garoto rapidamente.
Cadius ouviu o som das sapatilhas ecoando. Despertou quando, sem muita intensão, sabia o que ela queria após verificar suas intensões de ir á biblioteca. Ele se levantou da cadeira e se afastou um passo e meio pra trás, notando Diana chegando e Vinte ao fundo com um sorriso no rosto e afrouxando a porta para os outros. Através da mente do soldado ele soube a oportunidade criada. Logo a garota parou diante dele, o olhando com os olhos verde-água hesitantes. Depois ela desviou o olhar ao perder a ultima essência de sua coragem-momentânea consumida pelo coração acelerado que batia dentro de si.
Cadius Harrison não se importou com o fato de terem uma plateia em um dos cantos da biblioteca, apenas admirou a reação tímida da menina que sempre ficava falando coisas e mais coisas como se possuísse toda uma enciclopédia decorada, e ele era sua principal vitima, mesmo que ás vezes não dava tanta atenção pra o que ela dizia. Ele sorriu e isso chamou a atenção da garota novamente, então delicadamente apoiou as mãos no rosto de Diana e a beijou. A missão da garota tinha sido concluída, sem ter que falar nada, e Vinte conseguiu ajudar o garoto.
O tempo a seguir passou rápido. A noite cobriu tudo trazendo mais friagem para os jardins da mansão e ao subsolo, a casa se mantinha aquecida por cômodos que tinha lareira ou aquecedores ocultos. Depois do jantar, todos não perderam tempo para se ajeitarem em seus quartos, por vezes afastado de qualquer outro ocupado.
Contudo, os tempos calmos podiam estar prestes a acabar, quando os funcionários continuavam incomodados com o que estava acontecendo com os jovens que lutavam sozinhos contra algo bem maior e corriam um risco que ninguém da idade deles se dispunha naquela cidade, ou realidade. Mesmo tendo esse objetivo fora do comum de destruir uma Nave, a vida que levavam era parecida com a de qualquer outra pessoa. Sendo apenas quinze convivendo em uma casa, muita coisa já aconteceu oculta sob a vida de estudante e a juventude que passava a cada dia. Casais, amizade, brigas, diversões, tensões, questões, medo e jogos, uma vida normal tirando o treinamento de luta e armas e o assunto que volta e meia rondava as discussões dos combatentes: O Estado; ou se tornavam presente com um ataque á uma escola que eles pudessem evitar.
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