Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
37 Confirmação.
Notas iniciais
Flecher alcançou Taz perambulando pelos corredores com uma faca, ela ia treinar sua mira, e a chamou enquanto seguia alguns passos atrás. Ela moveu a cabeça mais não o olhou e continuou andando. Ele estava cansado do jeito dela, sentia falta daquela garota que sempre acabava lhe ajudando a ter idéias de como resolver seus problemas e que o distraia de vez em quando para outros assuntos que às vezes não tinham a menor importância. E ele realmente se sentia sozinho sem a amizade dela e precisava resolver isso agora, depois de rever o que fez e sabia o que podia ter deixado ela assim.
–Taz eu não queria te deixar sozinha na festa, me desculpe. -disse ainda andando atrás da menina. -Não sei explicar o que aconteceu, simplesmente não tinha mais o controle do que pensava. Sei que Destiny ter falado que você era “meu irmão” quando estava tão bonita a deixou irritada e eu... eu não ligue naquele momento. Mas será que dá para você esquecer?
A menina o olhou de soslaio, já tinha ouvido as explicações, mas pensava que Flecher a considerava mais, afinal ele a tinha convidado para ir para mansão. Ela não poderia imaginar que Savana aproveitada a habilidade de persuasão muito mais que Destiny e tinha controlado Flecher para se afastar.
Em Taz a raiva que sentia a fazia ignorar qualquer outro sentimento por ele, embora soubesse que a culpa era da ruiva, e da presença dela, acabava culpando ele de alguma coisa. Se pudesse dava um jeito na vida da ruiva e a tirava do caminho e daquela casa, assim não teria que suportar a garota que ela sabia que fazia Flecher se lembrar da irmã.
Ela seguia com passos rápidos pelo corredor e queria manter a distancia do garoto quando, de repente, sentiu ser agarrada pela cintura e jogada sobre um ombro, o movimento brusco a fez perder a faca. Ambos estavam irritados. Flecher não gostava de ser ignorado quando estava tentando resolver as coisas. Logo ele percebeu que Taz não era nada delicada para se libertar, o chutando, arranhando, batendo e gritando em plenos pulmões, porem não demorou para ele a soltar dentro de uma sala vazia de alguns metros quadrados e depois ir trancar a porta.
A pequena Taz cruzou os braços e o encarou enraivecida. Desejou conseguir feri-lo e deixá-lo manco ao passar por ele para chegar à porta, mas não poderia tendo toda e completa atenção daqueles olhos azuis-violetas para ela. Flecher imitava a mesma pose, tendo que olhar um pouco para baixo, e estava esperando ela se acalmar. Depois um sorriso fino estampou seu rosto e ele mexeu em alguma coisa no relógio em seu pulso multifuncional, e uma musica começou a tocar. Flecher a olhou e estendeu a mão convidando-a para dançarem. Porem Taz não ia aceitar, reconheceu que ele achava que ela precisava de mais atenção, virou o rosto e ignorou a música.
Ele não estava mais tenso ou com raiva, suas emoções eram facilmente controladas, então se aproximou dela e ela deu um passo para trás. Sendo mais ágil ele a alcançou e desfez os braços cruzados da menina e a forçou a se posicionar para dança.
–-Me desculpe de ter estragado a festa. -começaram a dar curtos passos de um lado para outro ele era mais forte a carregava por mais esforço contra que ela fizesse. -A pessoa que me matem ligado com uma parte de quem eu sou e eu nem ofereço uma dança.
A menina parou de lutar contra os passos e olhou pra cima. Flecher olhava pensativo a parede distante e a mantinha próximo e no ritmo. Aqueles movimentos lentos e o calor acalmaram lentamente a agitação dos sentimentos opostos de Taz. Aos poucos ela esqueceu o que tinha acontecido e prestava atenção em seus pés para não pisar no de Flecher com seus passos precisos e bem ensaiados. Os sentimentos bons que a faziam se sentir feliz em estar com ele e com um reboliço ansioso dentro de si estava mais forte e destruía sua magoa por completo. Ela se distraiu ao pensar em quanto estavam próximos, podendo sentir o coração dele a poucos centímetros de seu rosto, e notar que estavam sozinhos naquele lugar. Logo depois ele reclamou dela ter pisando em seu pé sem querer e eles riram juntos.
–Você mereceu isso, -disse ela- e quem sabe mais um pouco. –Taz o abraçou pela cintura, em um ato que ele não esperava, para ficarem mais juntos e continuaram com a dança por um tempo se divertindo com algumas conversas descontraídas e acumuladas.
–Eu tenho que ir agora. -disse Flecher após um som de seu relógio tocar.
–Por quê?!- disse ela o segurando mais forte.
–Taz tenho que buscar algumas coisas na cidade que são importantes. -ele soltou os braços dela- E você ia treinar.
Ele sorriu e saiu pela porta a deixando sozinha. Taz ficou mais um tempo ali ouvindo a musica que se repetia, mas acabou sorrindo se lembrando do que ele disse e depois saiu correndo para encontrar sua a faca.
A menina voltou quase ao normal depois disso, pois aproveitava algumas oportunidades de bater fortemente nele, mais vezes do que o comum, eliminando os vestígios de sua raiva.
Alguns dias depois era final de semana e a casa estava quase vazia, pois Alec tinha convencido grande parte do pessoal à ir passear no centro da cidade de Runa com Dukan como guia para mostrar alguns lugares. E os irmãos Jalaska e Marlene foram para casa de suas famílias e só voltariam segunda-feira. Naquela noite Diana, Destiny e Lucas, que já estava em seu quarto, eram os únicos na casa além de Leno e Flecher.
E a ruiva mal se lembrava do que aconteceu na festa, estava terminando de organizar alguns papeis sobre os dados que receberam durante a semana que se passou, seguia a orientação de Leno que disse para entregar as folhas para Flecher, que precisava saber o que estava acontecendo.
Diana estava com ela na sala de vigilância, porem ela cochilava sentada em uma cadeira debruçada sobre os teclados de um computador. Ela estava muito cansada depois de passar o dia inteiro com a irmã dela e as de Destiny andando pela cidade e se divertindo. Diana tinha perdoado a irmã após definir o castigo de que Katrina iria arrumar o quanto delas todos os dias e infinitamente. Ela devia estar ajudando Destiny com o pequeno amontoado de papeis á serem entregues, mas a ruiva não queria perturbá-la, já que Diana tinha cuidado de suas irmãs e levou os papeis sozinha. Porem ela não encontrou Flecher na sala de armas e quase desistiu, mas seus pensamentos a alertaram que devia ser importante e seguiu desanimadamente para o quarto dele na mansão.
Destiny entendia muito pouco do que estava no papeis, chegando a ser equivalente a nada, parecia que uma parte de sua mente se negava brutalmente a entender. Subiu ao andar do quarto dele e bateu na porta equilibrando as folhas que escorregava sobre si. Ouviu uma permissão para entrar abafada e teve que virar a maçaneta com cuidado e empurrar a porta com o ombro, mas quando a porta se abriu as folhas escorregaram de vez e se espalharam no carpete do quarto de Flecher, que estava na escrivaninha. Ele se levantou e foi ajudá-la a recolher as diversas folhas, estava pronto para dormir com as roupas confortáveis.
A expressão do garoto mudou ao ver uma das folhas e ele procurou por outra no chão, estava espantado com o que via. Levantou-se com algumas das folhas nas mãos e levou-as para debaixo de uma luminária na escrivaninha para vê-las melhor, deixando Destiny pegar as ultimas.
–Por que não trouxe isso antes?!- ele observava cada papel tenso.
Logo Destiny depositou o restante sobre a mesa sem entender:
–O que esta acontecendo?
Ele a olhou e pareceu se lembrar de quem ela era e das vezes que a viu na casa, mas chacoalhou a cabeça e voltou-se para os papeis.
– Aqui. –ele puxou um dos papeis e apontou partes dos gráficos. -Eles estão trocando informações. E neste aqui, -puxou outra folha cheia de códigos e símbolos -é uma ordem. Estão concluindo o que estavam fazendo. Mas neste aqui... -pegou outra do topo do monte que Destiny trouxe e o analisou. -É de quando?
–Acho que de ontem. -ela puxou levemente ponta do papel para confirmar.
Flecher suspirou e a encarou sério passando os dedos nos cabelos escuros um pouco compridos.
–Isso é a confirmação de um ataque. –disse e olhou os papeis pensativo. -Para saber aonde e quando vai levar um tempo para descobrir. Porém eles também não são tão rápidos em sua organização. Vou precisar decifrar isso. -se sentou na cadeira. -Obrigado por trazer, agora pode ir.
Flecher puxou um bloco de notas de uma gaveta e uma caneta colocando sobre as folhas.
–Eu poderia ficar e te ajudar?- sugeriu Destiny.
–Acho que não. -disse ele concentrado em anotar algo no bloco.-Já vai me ajudar se for.
Destiny ficou lá, queria ajudá-lo era sua vontade, sabia que provavelmente ele ficaria a noite inteira com aquele trabalho e se tivesse outro poderia ser mais rápido.
Então ele parou incomodado sabendo que ela ainda não tinha ido. A ruiva percebeu que ele não mudaria de ideia e saiu.

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