Filhos da Guerra
4 Capitulo 4: Irmãos
Notas iniciais
Pela primeira vez o rosto de Colin não transmitia nada, era uma máscara perfeita de indiferença forçada. Abri a boca para quebrar o silêncio, mas antes que tivesse a chance de dizer qualquer coisa ele deu um passo a diante me prendendo contra a parede com o próprio corpo. A larva que corria em minhas veias toda a vez que Colin me tocava parecia pronta para entrar em erupção.
–Eu não preciso de um peso morto. – Seu hálito era quente no meu rosto e suas palavras afiadas como facas.
Não que eu tivesse realmente cogitado a ideia de sair com Colin e deixar minha família para trás, mas ouvir de sua boca que eu era um estorvo me deixou mais magoada do que gostaria.
Surpreendi-me tentando pela primeira vez invadir a mente de uma pessoa, eu precisava desesperada mente entender o que se passava ali.
A mente de Colin era um redemoinho de pensamentos e lembranças que passavam tão rápido que tive que me apoiar na parede as minhas costas para não perde o equilíbrio. A lembrança de uma sala hospitalar foi a primeira a me atingir, o cheiro de desinfetante e os instrumentos cirúrgicos foram os únicos detalhes que essa memória guardava com precisão. Em seguida a visão de uma garotinha de cabelos tão loiros que beiravam o branco e os olhos mais incrivelmente azuis que vi, soube nesse instante que era ela ha quem Colin buscava ele só não me permitiu saber o porquê.
A ultima coisa que consegui ver foi eu mesma vista pelos olhos de Colin. Vi-me caminhando ate ele naquela manhã, o jeito que minha saia levantava alguns centímetros enquanto caminhava, o quanto ele gostou de ver aquilo e a cor dos meus olhos. Colin parecia ter guardado na memória a tonalidade exata do castanho esverdeado deles com uma beleza que eu mesma desconhecia. E então aconteceu, ele me expulso de sua mente com tanta violência que me dobrei para frente agarrando a cabeça com a dor que atingiu minhas têmporas.
Colin cambaleou para trás e caiu sentado no reservado mais próximo, uma veia pulsava incessantemente na lateral de sua testa e sua blusa estava encharcada de suor.
–Nunca... Nunca mais ouse fazer isso. –Disse com os dentes trincados. – Nunca mais. A ignorância é uma dadiva, Liz. Você não precisa ver tudo o que já tive que suporta.
–Quem é ela?- Perguntei escorregando pela parede e sentando-me encolhida no chão.
–Minha irmã. Julitte. Ela esta sobre a custodia do governo. – Colin deu um sorriso sarcástico como se me desafiasse a fazer outras perguntas e eu aceitei o desafio de bom grado.
–Você esta fugindo, não esta?
–Sim.
As perguntas passavam rapidamente pela minha mente e eu precisava me concentrar para fazer apenas as importantes. Tinha que aproveitar sua fraqueza momentânea.
–Eu vou te contar uma historia Liz. –Colin disparou antes que eu tivesse a chance de soltar a próxima pergunta. – É sobre duas crianças que foram entregues ao governo pelos próprios pais, que foram largados a própria sorte e que não conheceram nada além do ódio humano durante toda suas vidas miseráveis.
Os olhos de Colin tinha um tom profundamente vermelho e ele tremia. Me peguei levantando decidida e envolvendo seus ombros delicadamente. Não sei dizer quem pareceu mais assustado com aquela minha atitude, ele ou eu.
–Bom, agora você conhece um abraço. Eu sei como se sente. Tive um irmão, mas ele faleceu em um acidente antes que eu nascesse. – Disse apoiando a testa no seu ombro e lutando com as lágrimas. Sua pele era quente sobre o meu toque e seus músculos rígidos.
–Foi isso que eles te disseram? Acidente de carro? Afogado?
Afastei-me esperando ver um sorriso sarcástico no rosto de Colin, mas ele estava tão serio quanto a alguns instantes atrás.
–Quando levaram minha irmã e eu, disseram que ela tinha se afogado e eu na tentativa de salva-la acabei indo junto. Não é interessante para o governo que a população comum saiba que existem tanto Filhos da Guerra. –Ele fez o sinal de aspas com o dedo na palavra comum e deu seu meio sorriso típico. – Se eu fosse você pensaria sobre isso. Se seus pais já entregaram uma criança antes não pestanejariam antes de entregar você.
Colin levantou e pulou sobre as minhas pernas, pegou seu casaco jogado no chão e caminhou ate a porta.
–Passo por aqui pela manhã para dar um adeus. Sugiro que pense sobre o que eu falei.
E pode acreditar, eu pensaria muito sobre isso.
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