Todos estão esperando o inesperado. Como nos dividimos fica Alec no primeiro andar (onde ficam as suítes) e o Stephan lá embaixo que pelo cheiro está cozinhando, grande Gregori na varanda, provavelmente lendo algum livro e Enrico o imperativo pra não ficar quieto está nos fundos limpando o restante da neve. Já está escurecendo e disfarçadamente eles estão de guarda para não deixar uma simples brecha para um novo ataque.

Não gostaria de ter nascido de uma família normal, digo totalmente de humanos comuns, não estou me desfazendo, só que simplesmente somos felizes desse jeito. Refiro-me a “nascido”, quando acordei doestado de coma e não ser totalmente humana, por enquanto.

No decorrer dos três anos depois da transfusão de sangue de papai pra mim, se desenvolveu o meu poder sensitivo que herdei por alguma razão absorvi dele. Quando há alguma energia ruim eu sinto — claro que exige de mim uma certa concentração.

Nunca me transformei no lobo negro de olhos vermelhos, o que me deixa bastante chateada. Quero também ser mais forte e meus sentidos como visão, olfato e audição mais sensíveis, mas somente tive uma pequena melhora – o que não é uma boa comparação com um Filho da Lua, mas ainda melhor que um humano comum. O que me anima é minha velocidade. Sou muito veloz, o que ajuda no treinamento de artes marciais com meu querido Enrico.

Stephan disse que só esperar e que é uma questão de tempo, pois já passei pela puberdade (pré-requisito para se obter a transmutação) e meu corpo está quase desenvolvido que para ele é o principal motivo de não ter acontecido ainda a apacidade da transformação lobina e a evolução dos sentidos. Cada dia que passa meu dom fica mais controlável, mas depende da minha concentração – o que me complica. No dia do ataque dos demônios, foi confuso. Nunca senti antes essas criaturas, acho que elas possuem somente ódio, o que me entristece profundamente.

Já estava na hora do jantar. Senti em Gregori algo suspeito. Não suporto conversas por telepatia, uma vez que não sei me controlar para manter uma por muito tempo. Eu não conseguia relaxar debaixo do chuveiro mesmo a água estando queimando as minhas costas de tão quente. Senti depois de um tempo que tio Greg o mais forte que ficava sempre comigo em casa, por alguma razão saiu, o que acho estranho por ser o segundo no comando. Gregori é enorme, mesmo eu ter convivido com ele todo esse tempo não acreditava que existiria um homem tão grande, musculoso sem deixar afetar sua leveza e sensualidade. O considero como um tio, sempre ao lado de meu pai o aconselhando, o apoiando. Me contaram que Gregori quando pequeno foi adotado pela família (humana) Cullen, que os resume em verdadeiros irmãos, mesmo meu pai ser um verdadeiro italiano de pele branca com cabelos nos ombros escuros e meu querido Gregori, um grande negro e com um sorriso deslumbrante de galanteador.

Meu pai está levando Rosalie (nem me atrevo a chama-la de tia Rose, ela me mataria) esses dias para ficar com minha mãe. Rose é irmã de sangue dele e a única mulher-lobo da família, além de muito corajosa e linda. São belezas diferentes: minha mãe cabelos e olhos castanhos, já Rose cabelos dourados e cacheado intenso com os olhos — bem todos os filhos da Lua na forma humana possuem olhos pretos. Eu puxei de Félix (pai biológico) os cabelos escuros (que desde adolescente pinto pra ficar com o tom mais próximo da mamãe) e os meus olhos mel esverdeado (uma verdadeira mistura dos pais).

Estou sentindo... Há algo errado?

"BAM, BAM"

- Renesme dá para acabar com o banho? - diz uma voz impaciente.

Alec! Quase me mata do coração. Eu não posso nem ter um tempo pra relaxar? E me deixa nervosa quando fala comigo nesse tom mandão. Hello! Já tenho 16.

Pra explicar melhor, esse garoto e eu temos uma relação forte. Ele é minha sombra e o meu segurança particular. Mas nos últimos dias se ficamos juntos começa a discussão e cara feia na certa – descobri com ele que homem tem TPM. (RISOS)

Ele é o mais jovem da família. Jovem no sentido de transmutação e aparência. É adepto ao cabelo arrepiado com gel e tem rosto de menino fofo. E soube há algum tempo que além dos mais velhos, ele também bloqueia minha percepção. Muitas vezes quando curiosa tento me concentrar e saber o que ele sente, mas quando Alec não quer, me bloqueia e fico desarmada (e pela ultima vez isso não é querer bisbilhotar sentimento alheio).

"BAM, BAM"

- Ness, por favor?... - a mesma voz chamou.

Ele falou com aquele tom de voz quando estamos numa boa, isso cortou logo meu coração. Não queria transparecer que já tinha desculpado. Mas como o amo, meu coração já pulou de alegria na esperança de voltar a ser como antes — ainda bem que ele não pode se teletransportar para um local que não esteja em seu campo de visão, senão tava ferrada (risos).

- Não posso nem tomar banho? – disse tentando ser indiferente.

- Ness tem como ser rápido, preciso falar com você.

Sua voz está triste... É isso muda um pouco as coisas.

- Já estou indo — respondi rapidamente.

Arrumei-me o mais rápido que pude, vesti a calça moletom rosa e camiseta, pois mesmo com o aquecedor ainda faz frio e tentei manter a calma. Quase escorrego do banheiro quando abri a porta de tanta ansiedade, mas Alec me segurou a tempo.

- Você esta bem?

- Claro que estou... É obrigado — disse um pouco atrapalhada.

Alguma coisa estava errada, eu consegui sentir. Alec sorriu, mas não chegou aos seus olhos e nem falou nenhuma besteira! O que achei grande novidade. Estava esperando que implorasse desculpas, que nunca mais seria estressado comigo e blablabla, mas acho que exagerei na viagem. Ele me segurou pelo braço suavemente para não me machucar por ser mais forte do que um humano normal, mas consegui sentir uma preocupação em seu coração.

- Ness, vá com calma. Todos sabemos que está melhor nas percepções, e tenho certeza que esta sentindo que algo está prestes a acontecer — comentou.

- Só sei que não é ruim. Mas não deixa de ser uma boa sensação – falei pensativa pondo a mão em punho ao coração, o que faço normalmente para me concentrar profundamente.

Foi aí que não entendi nada, ele puxou e me abraçou. Ficamos vários minutos nessa posição, quando infelizmente se afastou ele me encarou, seus olhos brilhavam. Foi quando senti, meu Alec estava mais triste do que percebi, e essa tristeza me invadiu fortemente (a parte ruim da percepção). Soltei suas mãos e segurei seu rosto como uma concha, o que não tive dificuldade por ele não ser tão alto. Aproximei-me e lhe dei um selinho na boca, sem me afastar e fitando seus olhos pretos eu lhe disse:

- Eu te amo menino. Não gosto de te ver deste jeito, mas eu preciso de você ao meu lado como sempre – expliquei num sussurro.

Senti surpresa em Alec, e ele deu um gostoso sorriso. Eu o abracei novamente só que encostei a cabeça em seu peito e ele começou a alisar meu úmido cabelo.

- Eu também te amo principessa. Perdoe o meu comportamento ultimamente...

Virei o rosto pra poder olhá-lo divertida.

- Pensei que nunca fosse se desculpar – Zombando eu o interrompi.

Ele me tirou suavemente de seus braços e me deu um beijo na testa.

- Agora é melhor você descer, nosso pai está te esperando lá embaixo.

divertida.


Notas finais
Se ficarem com curiosidade tenho links com foto dos personagens no proximo capitulo. Por favor me insentivem com comentários dizendo o que acharam. Bju*