Filhos De Hefesto
1 Quando um navio bate a porta
Faltava uma semana pro verão. Simon estava sentado na varanda de sua casa. Ele olhava para as estrelas, elas brilhavam com uma intensidade que era de se estranhar. As luzes da cidade tinham um brilho a mais esta noite.
- O que você faz aqui a essa hora? — Simon se assustou com a presença de Kayke, seu melhor amigo — Virou morcego pra ficar acordado somente a noite?
- Cara, o que você esta fazendo aqui? — perguntou Simon, que realmente não estava entendendo mais nada. Sua mãe e Kayke nunca se deram bem, por que ele estaria ali agora?
- Tua mãe tava preocupada contigo, depois... — Simon já havia entendido o que estava acontecendo. Há duas noites, seu pai foi encontrado morto, ainda estão se estudando os motivos, mas parece um assassinato brutal. E foi Simon quem achou o corpo dele.
- Está tudo bem cara, quando ver ela avise que eu não vou me matar por causa dele, afinal você sabe muito bem que eu e ele não eramos nada chegados, não tenho nem motivos para ir no enterro dele.
- Tem sim Simon, ele era seu pai — Kayke fez questão de dizer isso bem alto — Por mais que vocês não se dessem bem, não quer dizer que não foi graças a ele que você está aqui.
- Okay Kayke, mas lembra que ele se afastou de mim? Foi ele — não aguentava mais as pessoas falando comigo como se pensassem que eu me importava com ele, ele tinha me abandonado e mandava cartas a cada dois ou três meses, ele dizia sempre que era para meu bem. No final, nem abria mais as cartas, ele parecia estar ficando doido.
- Não guarde magoas dele agora que ele se foi, você sabe que ele foi um bom pai quando esteve aqui com você.
- E isso durou 2 anos, sendo que ele estava viajando boa parte dele, e os outros 14 anos ele foi o que?
Nesse momento senti uma explosão tomar conta do lugar. O fogo parecia brincar com a minha pele, sem me machucar, sem sequer ficar quente. Só percebi que a casa estava pegando fogo por causa das labaredas que apareciam na frente dos meus olhos.
Vi Kayke agonizar no chão, mas não era Kayke, era um bicho estranho e o que mais me assombrou foi o navio que aparentemente foi o causador da explosão. Na sua proa estava escrito Argo II e tinha a frente um dragão de bronze. Havia um menino sentado no dragão, parecia um sonho e então o menino falou comigo.
- Olá Simon, papai me mandou para ajuda-ló. Sou Léo Valdez, seu irmão.
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