Filhos Da Guerra.
1 Introdução
Abro meus olhos após ter um terrível pesadelo. Percebo que o céu ainda está escuro. Ninguém está acordado, exceto eu e os soldados que fazem a ronda pelos dormitórios na esperança de conter qualquer tipo de início de rebelião. Idiotas, já fazem dez anos que estamos aqui e até agora ninguém nunca tentou nada. Isso é perda de tempo. Até por que ninguém teria coragem de fazer isso.
Dou uma olhada em torno do quarto. Todas estão dormindo tranquilamente, de modo que levanto num rápido pulo, na tentativa de não acordar ninguém. Vou até o banheiro e lavo meu rosto. Fico um tempo observando meu próprio rosto no espelho. Após isso eu volto para a cama e logo caio no sono.
De manhã, todas somos acordadas pelo despertador, tomamos banho, usamos todas as mesmas roupas e vamos tomar o café da manhã. Chegando lá, avisto minha mesa e vou me sentar. As pessoas são sempre as mesmas, devido a nossa idade: Norah e Fay, as gêmeas; Harmony, Lia, Emma e eu, Alice.
Eu chego e me sento logo em meu lugar, sem falar com ninguém.
–Bom dia pra você também, Alice. -Diz Lia.
Eu olho para ela, mas não digo nada, de modo que todas começam a rir.
–Nossa, como você é madura. -Ela diz, num tom sarcástico.
Ela sabe que eu sou assim, mas faz essas piadinhas de propósito na esperança de arrancar algum tipo de sorriso de mim. Isso não vai acontecer. Na verdade, ninguém aqui tem motivos para sorrir. Somos uma espécie de órfãos. Fomos arrancados de nossos pais quando crianças, sem nem saber onde eles estão. A única coisa que sabemos é que eles foram para a guerra. Desde então, todas as crianças foram abrigadas em um local secreto para treinarem e depois também serem enviadas para a guerra, quando completassem dezenove anos.É desnecessário dizer que odiamos esse lugar. Mas é o único lugar seguro que temos em meio a guerra, então procuramos não reclamar muito.
Assim que terminamos de comer, vamos paro Centro de treinamento. Trocamos de roupas e vamos até o lugar designado para a atividade designada a nós. Hoje temos que correr, e é isso que fazemos. Após o treino, temos um tempo para descansarmos, antes de irmos para as aulas. No pátio, que é um dos poucos lugares que meninos e meninas são permitidos ficar juntos, nos sentamos em uma mesa redonda com o mesmo grupo do café. Todos estão conversando, menos eu. Eu realmente não estou bem hoje, de modo que fico de fora da conversa.
De repente ouço um grupo de garotos mais velhos cochichando algo. Não parece ser muito importante, mas secreto demais de maneira que possa interpretado como ameaça pelos militares. E isso me chama a atenção. Continuo ouvindo sua conversa até que entendo o que eles querem dizer. Me soa meio bobo na hora, mas depois começa a parecer sério. Me pergunto se aquilo pode mesmo acontecer, mas acho impossível, então apenas paro de prestar atenção nisso. Segundos depois vejo dezenas de soldados surgirem e algemarem o grupo de garotos. Todos ficam espantados com a ação. Então surgem mais soldados para mandarem todos saírem dali.
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