Filho da guerra

4 Jade, a caçula.


Notas iniciais
Nos vemos no fim. tan tan taan.

Quíron me interceptou antes que eu chegasse ao meu chalé, eu parei, alguém estava montado nele, era Jay.

–Ei, estou indo para o meu chalé, me apresento na Casa grande daqui a dez minutos.

–Creio não ser mais preciso, meu jovem. -Ele parecia satisfeito.

–Como assim?

–Agora a pouco, recebemos uma mensagem de Íris de Clarisse, ela encontrou o garoto e o está trazendo para cá. Nico também me mandou uma mensagem de Íris, ele disse que enfrentou problemas, mas conseguiu se salvar e está retornando junto de fillho de Phobos.

–E Augusto?

–Ele não apareceu, nem enviou mensagem alguma, Victoria irá atrás dele com Rebeca.

–Ok. -Estava tão feliz que minha irmã estava bem, que só pude dizer ok.

–Olhe, alguém está sendo reclamado. -Jay corria na direção de um aglomerado de pessoas. Corri também, consegui chegar a tempo de ver uma mancha vermelho-sangue se esvaindo no ar, logo acima de Jade.

–Jade, você foi reclamada, você é filha de...

–Maninha, a nervosinha só podia ser minha irmã. Da última vez que eu discuti com alguém antes do mesmo ser reclamado, era Gisele. -Jay se aproximava para um abraço, ela o abraçou e depois correu até a mim, feliz.

–Tava tão na cara, mas eu nem percebi, acho que foi pelo fato de você preferir ir chorar no anfiteatro do que acertar um soco na cara do Jay, ou da minha. -Sorri.

–Deveria ter feito isso mesmo. -Ela sorriu e me socou no ombro.

–A partir de agora, morará no meu chalé, sentará na nossa mesa quando for comer no pavilhão, será parte de nós, até aprenderá aos poucos a controlar os seus poderes e suas grandes forças.

–Agora, tenho coisas para lhe contar. -Ela me puxou até uma parte da floresta onde ninguém nos ouvisse.

–Eu já havia feito coisas no mundo mortal, uma vez eu estava acampando no trailler dos meus pais adotivos e um urso atacou-nos. Então eu instintivamente uivei e quatro lobos apareceram e atacaram o urso, fazendo o recuar e retornar para a floresta. Isso foi tão rápido que eu só pude dizer "obrigado" mentalmente para o líder da matilha, ele me retornou com "disponha".

–Isso é legal, você herdou o poder de chamar os lobos para lhe ajudar, eu também tenho esse poder.

–Então isso é normal? Falar com lobos? Ah, tudo aqui é normal, não sei nem porque te trouxe até a floresta.

–Você ainda está surpresa com tudo o que acontece por aqui, vá para o nosso chalé e descanse, pode dormir na minha cama enquanto arrumamos um saco de dormir para você.

–Dormir, isso é bom. -Ela riu e foi direto para o chalé de Ares.

Eu estava bem, agora que minha preocupação de irmão se dizimou com as boas notícias sobre Clarisse, poderei focar na novata, ela de alguma forma me chamou a atenção, irei ajudá-la se integrar ao acampamento por completo.

–Quíron, como foi a mensagem de Clarisse? -Disse chegando perto dele.

–Ela estava com o garoto de Deimos do lado, disse que vinha para cá o mais breve possível.

–E o de Nico?

–Coincidentemente foi igualzinho. -Ele desarrumou meu cabelo.

–Bom, você não disse que ele enfrentou problemas?

–Sim, mas não contei que Clarisse enfrentou também.

–Por que?

–Você estava feliz passeando com Jade, não seria bom lhe contar aquela hora.

–Ok.

Fui treinar esgrima até anoitecer.

Anoiteceu e eu fui ao chalé de meu pai para acordar Jade, ela precisava ir jantar. Eu cheguei na porta e ouvi um gemido, adentrei e percebi que Jade estava tendo um pesadelo e conheçendo os pesadelos dos semideuses como eu conheço, algo ruim estava agitando-a.

–Ei, acorda Jadezinha, vamos jantar. Ela acordou num pulo e me acertou o nariz com seu ombro. Eu cambaleei e tornei a tampar o sangramento que começara.

–Ai desculpa Luan, eu estava tendo um pesadelo. -Ela me segurou pelo braço.

–Percebi, meu nariz também. -Ela sorriu.

–Meu nariz era algum monstro que você empurrava no sonho?

Seu sorriso se desfez e ela desabou no chão.

–Era pior que isso, eu não era eu. -Eu a abraçei, ainda no chão.

–Era quem?

–Uma garota forte, usando uma armadura de guerra incompleta e amassada, os braços arranhados.

–Cabelos escuros?

–Sim.

–Meio gordinha?

–Sim.

–É Clarisse, nossa meia-irmã.

–Só podia ser uma ilusão, Clarisse está bem, vindo para o acampamento.

–Ela estava acorrentada, toda molhada, suja. -Ela conseguira se levantar, melhor assim.

–Foi só um pesadelo, coincidência ser com a Clarisse, mas ainda sim, um pesadelo.

–Me chamou para? -Ela mudara de assunto.

–Para irmos jantar, você teve um dia cheio, precisa comer algo. -Fiz com a mão para que ela me acompanhasse.

–Vamos então. -Eu tampava o sangramento com um papel e a acompanhava. Ela tentava me fazer esquecer do pesadelo para que eu não cometesse nenhuma bobagem. Ela estaria tão certa.

Caminhamos até o refeitório e nos sentamos na mesa do chalé de Ares, tudo estava normal, nossos meio-irmãos conversando sobre armas e mortes dolorosas, eu os ensinava a decepar monstros rastejantes apenas usando uma faca de arremesso, eles devoravam seus churrascos enquanto Jade os enchiam de perguntas, todos respondiam "pergunte a um filho de Atena".

Eu olhei para os outros chalés, os de Atena estavam lendo sobre a mesa, os de Afrodite estavam retocando o batom a cada mordida ou se olhando no espelho para ver se não estava com ketchup no rosto.

Estava tudo como deveria estar, meus amigos rindo e se divertindo, meus irmãos conversando, Clara... Bem, não sei nada dela porque ela quase nunca sai da enfermaria.

Minha comum recepção dos filhos de Ares tinha sido boa, quando Quíron me disse que Clarisse estava otima, Jade foi reclamada. Mas ainda havia o pesadelo de Jade que mostrava ao contrário.

Terminei de comer, e pensei em levar Jade para olhar o lago, sendo assim, talvez ela lembrasse mais sobre o sonho.

Caminhamos um pouco e lá se encontrava o lago, brilhando a luz da lua.

–Ei, você lembra mais alguma coisa desse pesadelo? -Eu precisava saber mais, se era mesmo só um mero pesadelo.

–Nada do que eu já não tinha falado.

–Certeza? -Insisti.

–Toda certeza, eu não esconderia nada de você. -Ela me abraçou.

–Assim é melhor, deve ter sido o susto de descobrir de uma hora para a outra, que é semideusa e, no mesmo dia ser reclamada.

–É, deve ser, você conversou com Quíron sobre as mensagens de voz?

–Mensagem de íris. -Corrigi.

–O que é mensagem de íris? -Eu expliquei o que era e como se mandava uma, mas ela pareceu nem ligar.

–Conversou ou não? -Conversei.

–O que ele disse?

–Disse que tanto Nico di Angelo quanto nossa meia-irmã, falaram que estavam bem e vinham para o acampamento assim que possível.

–Ela me olhou como se eu precisasse perceber algo de errado nisso.

–Só isso?

–Sim, por quê?

–Nada não. Seu pai, digo, nosso pai, costuma ajudar seus filhos?

–O máximo que tenta, só que eles não podem tomar nosso lugar, pois seria interferência direta e isso é proibido para os deuses. Eles acreditam muito que nós conseguiremos sair das enrascadas e, isso nos ajuda bastante sabe, confiança dos pais.

As vezes, ~Quase nunca~ eles nos abençoam quando precisamos de ajuda, não seria tanto um presente, seria na realidade um investimento/aposta sobre nós e isso contribuem muito em nossos feitos gloriosos, orgulhando os deuses.

–Nossa você sabe tanto sobre tudo, já recebeu alguma benção?

–Não, uma benção não é o sonho de todos os semideuses, até porque nunca é algo a toa, sempre vem quando estamos prestes a morrer, perdendo na batalha ou precisando fazer algo que beneficie em muito os deuses, além de que quase sempre é temporário.

–Ares me reclamou hoje, justo no dia em que cheguei ao acampamento, então sabe que eu existo e me tem como filha, isso é bom?

–Claro que sim, algumas pessoas demoram dias sem ser reclamado, ficam no chalé de Hermes e esperam ser vistas pelos pais. Nosso pai lhe viu e reclamou rapidamente você.

–Eu suspeito que ele me vira antes. -Ela suspirou.

–Conte.

–Você deve estar se perguntando com cheguei aqui se supostamente o chalé está sendo rondado por monstros, né? -Eu assenti.

–Então, eu estava sendo perseguida por algumas sombras já faz semanas, fui com meus amigos até uma das empresas J.C.A. (Journal central of america), onde a minha mãe adotiva trabalha e antes de chegar lá, algo me puxou para a floresta sem meus amigos perceberem. Eu corria para a direção deles e algo me puxava mais rápido, para o interior da floresta, até que eu apaguei e acordei aqui nos limites do acampamento. Será que foi Ares?

–Não tem como saber, provavelmente não, mas vou tentar perguntar da próxima vez que eu o vê-lo. -Disse esfregando a testa.

–Ok, agora eu vou voltar para o nosso chalé, amanhã Jay irá me ensinar a lutar com uma lança.

–Aprenderá tão fácil quanto contar até três, verá. -Eu sorri.

–Eu fiz algumas aulas de luta e esgrima perto da minha casa. -Ela me explicava.

–Otimo, isso lhe ajudará no treinamento. Você já deve ser eximia em batalhar usando uma lança,só não sabe ainda.

–Sabia que quanto mais você fala, mais eu me sinto confortável de estar aqui.

–Te deixar confortável era o plano B, já que você não caiu no meu olhar da guerra.

–Amo planos B. -Nós rimos e ela foi correndo para o chalé, enquanto eu admirava a lua.

De repente, eu senti uma raiva misturada com vontade de matar alguém, e não sabia o porque disso.

–Oi filho. -Eu virei e atrás de mim se encontrava Ares, meu pai e deus da guerra.

–Oi pai. -Ele estava vestido como sempre se veste; Uma calça jeans preta, uma camisa vermelho-sangue, uma jaqueta de couro preta, um óculos escuros preto , um tênis preto com vermelho e uma corrente larga em volta do pescoço. Seu cabelo estilo militar se parecia um pouco com o meu cabelo.

–Gostou da nova caçula?

–Sim, foi você que a trouxe né? -Ele sorriu.

–Claro, ela precisava estar aqui, sua mãe morrera quando ela era pequena e sua família adotiva não sabia a verdade sobre ela.

–Melhor assim,ela tinha me dito que sombras a perseguiam fazia algum tempo.

–Eu sei, eu a salvei, ela precisava de alguém que a compreendesse, e você precisava dela.

–Precisava?

–Você não entende agora, mas entendera daqui para frente.

–Por que? O que vai acontecer?

–Muitas coisas, não posso lhe contar agora, só sei que você está enganado a muitas coisas e só a pessoa certa poderá lhe contar. Algo ruim está acontecendo e eu não posso interferir mais do que estou interferindo, se bem que eu acho que irá dar certo o meu pequeno incentivo.

–Pai, do que você está falando? Que pequeno incentivo?

–Não posso te contar mais que isso, Luan.

–OK.

–Agora vou embora para o Olimpo, precisam de mim lá.

–Tchau. -Ele se levantou e eu fechei os olhos porque sabia que ele se transformaria na sua forma divina.

Voltei para meu chalé, não falei com ninguém, estava administrando tudo o que meu pai havia me dito, Jade veio até mim e eu lhe ignorei, deitei me e fechei os olhos para dormir.

Sonhei com Augusto e uma garota, ela era um pouco menor que ele e usava um sobretudo preto com caveiras, um tênis preto com cinza e umas luvas que parecia muito com um soco inglês. Seu rosto estava repleto de preto, que nem góticos, e seu cabelo era curto e castanho.

–Por aqui, estamos quase lá. -Augusto dizia e sua expressão era de um rato assustado sendo perseguido por um gato.

–Eu não tenho medo deles, não tenho medo de nada. -Ela parou e encarou o lugar da onde eles vinham, se agachou e tudo começou a escurecer em volta da garota, era uma sombra preta que saía dela em forma de tentáculos e ia em direção ao barulho que vinha do local por onde eles tinham passado correndo.

Ouviu se uns gemidos de dor e depois tudo se silenciou.

–Acho que consegui. -A menina se levantou, virou se para Augusto e foi na direção dele, mas antes dela chegar até ele, algo a puxou para o chão, fazendo-a ser sugada pela terra que se fechara depois de sua passagem.

–Eu estou tão bondoso, deixarei que parta de volta para aquele acampamentozinho, não precisarei de você, diga a Quíron que foi fácil demais, quero mais desafios.

Uma voz vinha da escuridão, a mesma da outra vez, que aprisionara o projeto de quarterback. Augusto caiu no chão cansado, desmaiado.

Eu acordei com Jade me olhando, aliás todos no meu acampamento estavam me encarando.

–Que foi gente? -Perguntei.

–Quem não tem medo? Quem conseguiu? Quem está bondoso? -Jay me enchia de perguntas, todos haviam ouvido meu pesadelo. O que é estranho, eu nunca falo enquanto durmo e começar a falar agora? Isso não estava fazendo muito sentido.

–Que horas são? -Perguntei.

–Está amanhecendo, você não me respondeu Luan. -Ele me olhava querendo explicações.

–Nem vou responder, quer dizer, não sei como explicar. -Eu me levantei indo ao banheiro para lavar meu rosto e todos me seguiam com o olhar.

–Muito obrigado por me acordar tão cedo, era tudo que eu queria. -Gisele, a não tão novata, debochou de seu saco de dormir.

–De nada, aproveita e vai treinar esgrima mais cedo na arena para não tomar uma surra da próxima vez que bancar a mimadinha do sono de beleza. -Gritei de volta. Eu já estava nervoso, ela me provocar não melhora a minha condição.

Lavei meu rosto, acabei decidindo tomar um banho, me arrumei e pensei em chamar Jade para tomar café, só que quando sai do banheiro, ela havia voltado a dormir.

Sai do meu chalé e encontrei Thay, de Apolo.

–Acordando cedo? -Ela ria e me cumprimentava.

–Isso é uma ilusão. Você está vendo um holograma, o Luan deve estar dormindo numa hora dessas. -Ela me cutucou para ter certeza que não era mesmo uma ilusão, eu ri.

–Eu preciso ir na enfermaria, tratar uns assuntos com Clara.

–Eu vou com você. -Falei rapidamente e ela desconfiou de algo entre mim e Clara.

–Tá né.

Chegamos a enfermaria e encontramos Dani na porta.

–Clara, a Thay chegou e está acompanhado do garoto que vive lhe perseguindo. -Ela gritou para dentro da enfermaria.

–Ele não é o Jay, é o Luan. -Falou thay como se fosse obvio.

–Ah, não é o perseguidor, é o que você chama de "gatinho dorminhoco". -Ela se corrigiu.

–Ele ouviu você? -Clara falou enquanto vinha até a porta.

–Você me ouviu? -Dani olhou para mim e eu neguei.

–Oi Luan, vem Thay para eu lhe falar sobre...Aquilo. -Eu sai andando me despedindo delas.

Fui para o pavilhão comer algo, era engraçado como as pessoas me olhavam por eu ser o único do meu chalé a estar tomando café da manhã tão cedo.

Comi panquecas com manteiga, meu café matinal preferido, exceto pelos cereais de Deméter.

Eu precisava saber notícias sobre Augusto, Victória e Rebeca. O que me ocorreu seria mais um pesadelo fantasioso? Considerando que Jade tivera mesmo um pesadelo fantasioso, com nenhuma gota de realidade.

Quíron deve saber reconhecer uma falsa mensagem de íris,né? Mas porque isso ronda tanto a minha cabeça? Eu deveria crer nas palavras de Quíron ou no meu pesadelo seguido do de Jade?

Notas finais
Gatinho dorminhoco, por que será? hsuhsaushauhs