Filho Da Caçada
2 Capítulo 2 - Algumas explicações.
- Corre! – eu gritei, peguei Willow coloquei ela nas minhas costas, a garotinha enterrou o rosto nos meus cabelos e me agarrou firme. Luke corria atrás ao meu lado, tão rápido quanto eu, o que era estranho, já que ele tinha um problema na perna dês do dia em que nasceu e por isso não podia correr direito.
Eu não sei a que ponto aquele bicho nos ultrapassou, mas de repente, o gatinho de quase dois metros estava bem na nossa frente. Eu atirei uma flecha contra ele, mas ela pareceu se dobrar ao encostar na pele da besta. Eu fiquei apavorado.
Não pelo fato de que eu iria morrer, para mim tudo bem, minha vida já não era uma das melhores.
Mas eu temia por Willow.
- Drake! – Luke gritou – Corra e esconda Willow! Eu vou destrair a Manticora, me encontre no seu armazém!
Quando eu Olhei Luke, ele tinha perdido as calças, mas em seu lugar haviam pernas peludas e atarracadas, pernas de ... bode.
- Luke, sua perna! – eu gritei.
- Não há tempo, depois eu conto tudo, corra e esconda Willow – ele disse se lançando contra a fera.
E foi o que eu fiz. Eu corri o mais rápido que pude enquanto meu amigo desajeitado e medroso lutava contra o rei dos leões-morcego-escorpiões.
Eu avistei a casa. o céu agora estava escuro, o céu tinha sido coberto por uma negra tempestade, e começava a ventar.
- Drake, estou com medo – Willow disse se agarrando a mim.
- Vai ficar tudo bem coelinha, vamos chegar em casa e ficar seguros – eu disse enquanto corria para a varanda.
Eu abri a porta da casa, as luzes estavam apagadas, mas tinham algumas velas acesas, a energia devia ter acabado em razão do temporal. Meu pai não estava em casa, tinha ido na cidade essa tarde, mas Charlotte estava lá. Eu a encontrei sentada de frente para a lareira, com aquele gato rabugento no colo. Com certeza meu ódio por gatos tinha crescido nessa ultima hora.
Charlotte os olhou com os olhos arregalados.
- Mas o que... – ela começou.
- Mamãe! – Willow gritou, descendo das minhas costas e correndo para os braços de sua mãe, escondendo o rosto nela.
- O que você fez ? – disse Charlotte, com um pouco de medo nos olhos.
eu não tinha tempo para usar a educação que meu pai havia me dado, e essa podia ser sua ultima oportunidade de falar tudo o que sempre quis, então eu se aproximou de Charlotte, apontando o dedo na cara da mulher.
- Escute aqui, escute bem o que eu vou te falar. – eu disse – Estou sem tempo e muito menos paciência para seus desaforos. A única coisa que eu quero que você faça, pelo menos uma coisa que eu acredito que você seja capaz de fazer, proteja Willow. Eu não me importo o que pode acontecer com você, por mim, você pode ser engolida pela terra, mas você tem que protegê-la acima de qualquer coisa, caso o contrario, eu volto aqui e me certifico de que você não ira mais respirar. Entendeu bem?
Charlotte assentiu, apavorada.
Drake beijou o rosto da irmã.
- Eu te amo, prometo voltar logo – eu disse antes de sair pela porta, sem ter certeza de que cumpriria minha promessa.
Entrei no armazém, que estava sem nenhuma iluminação salvo a um lampião a gas. Agora chovia muito, isso embaçava a minha visão, e não conseguia enxergar um palmo la fora. Comecei a me preocupar onde Luke estaria agora.
Foi nessa hora que ele entrou, sacudindo-se para se livrar da água em suas pernas peludas.
- Luke, você pode, por favor, me explicar o que ta rolando? – eu disse um pouco irritado.
- Agora não cara – ele disse ofegante. – Eu despistei a Manticora por causa da chuva, mas será so uma questão de tempo até ela nos achar outra vez, sátiros e meio-sangues tem cheiro forte.
- Sátiros e meio o que? – eu perguntei incrédulo.
- Longa historia – ele disse. – Vamos cara, eu te explico tudo quando estivermos seguros, agora temos que sair daqui.
Mas mais uma vez, era tarde de mais. A manticora não parecia nem um pouco menos assustadora quando molhada. Ela entrou no armazém, e de repente, estávamos encurralados, como ratinhos.
- Estamos mortos – Luke engoliu seco.
Fomos recuando aos poucos, passo a passo, enquanto a besta se aproximava, eu tropecei em uma velha caixa de ferramentas, e cai por cima de um monte de sacolas velhas. Por sorte, minha mão tocou uma flecha, dentro de um dos sacos, e havia um arco, que eu nunca havia notado antes, pendurado na parede atras de de mim.
Comum movimento rápido, eu fiz a única coisa que sabia fazer, e a ultima chance de sobreviver peguei o arco e a flecha, e atirei contra a manticora.
Eu pensei que a flecha fosse quebrar como aconteceu com a outra, mas ao invés disso, ela se fincou na nuca do animal, que virou pó, em questão de segundos.
Respirei ofegante durante algum tempo, tentando absorver tudo o que tinha acabado de acontecer dês de que Willow avistou um coelho. Quando eu finalmente me recuperei, olhei para Luke, que me fitava com os olhos arregalados.
- Agora você vai me explicar tudo – eu disse. – Começando pelas suas novas pernas.
-Não há tempo, temos que.... – ele começou a dizer
- Luke, cara, estamos no meio do nada, sem energia elétrica, no meio da noite, no meio de um temporal. Vamos ter que passar a noite aqui ao menos que nos queira mortos pela manha. Então pode começar com as pernas, por favor.
Ele suspirou, concordando.
Eu fui pegar algumas cobertas e Luke fez camas para nós com o feno, enquanto ele ensaiava o que quer que fosse me contar. Quando estávamos deitados, com o lampião de gas entre nossas camas improvisadas, eu disse.
- Agora, as pernas.
- Eu sou um sátiro. – ele disse.
- E o que exatamente é um sátiro? – eu perguntei.
- Olha, eu vou contar tudo dês do começo ok? Você já ouviu falar dos deuses Gregos?
- Como Zeus, Hades, Atenas? – eu perguntei.
- Sim. Bom, eles são reais. E eles ainda descem ao mundo mortal e se apaixonam por seres humanos, e tem filhos com eles, chamados de meio-sangues. E você Drake, é um deles?
- Eu sou um meio sangue? – eu perguntei incrédulo.
Ele assentiu.
- Mas como isso é possível?
- Pense bem, você nunca conheceu sua mãe, tem problemas na escola e foi diagnosticado com dislexia e problemas de atenção. Isso é comum dos meio-sangue, porque o natural para vocês é ler em Grego antigo.
Eu assenti, tentando absorver a ideia.
- Então minha mãe é uma deusa? – perguntei.
- Isso.
- E você sabe quem ela é?
- Não. Veja, os sátiros são os buscadores de meio sangue. Quando há algum sinal de uma criança meio sangue, somos enviados até elas para leva-los ao acampamento meio sangue, onde vocês estão em segurança contra ataques de monstros como a manticora, e são treinados em diversas habilidades como luta, esgrima, arco e flecha, entre outros. Quando uma criança chega ao acampamento, é dever de seu pai ou mãe divino, declarar a paternidade sob a criança. Não era assim antigamente, mas graças a Percy Jackson, nossa vida ficou muito mais simples.
- Quem é Percy Jackson? – perguntei.
- Um outro semi-deus. É uma longa historia, mas ele é famoso pelo acampamento. Posso te contar outro dia. Mas é melhor dormimos agora, temos que acordar cedo amanha e sair sem sermos vistos.
- Tudo bem, uma ultima pergunta. Eu já tinha visto suas pernas, e elas não eram peludas antes.
- A nevoa é feita para difundir a visão dos humanos, sua parte humana foi enganada pela normalidade, quando você tomou conhecimento do meu mundo, ela se dissipou.
- Willow já te chamava de bode antes de tudo isso acontecer.
- Willow é uma criança incomum. Ela pode ver através da nevoa. Poucos mortais podem. Assim que chegarmos ao acampamento, vou enviar alguém para ficar de olho nela e mante-la fora de perigo – ele disse.
Satisfeito de todas as minhas perguntas, eu me virei de lado, apaguei o lampião, e adormeci com o barulho da chuva gotejando no telhado para embarcar em um sonho repleto de deuses das minhas aulas de historia e monstros terríveis.
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