Filho Da Caçada
12 Capítulo 12 - Vamos em busca do Deus gostosão
Eu acordei de manha com o barulho de metal se chocando. Espadas. Foi meu primeiro pensamento. Estamos sendo atacados. Eu coloquei uma calça jeans as pressas, para cobrir a samba canção que eu usava, e corri para fora com a espada em mãos. Como filho de Artemis, eu era excelente no combate com espadas, mesmo que preferisse o arco.
O que eu encontrei quando cheguei ao local de origem do som, eu não encontrei nenhum mostro. Ah não, o que eu encontrei era bem pior que isso. Mostros? Inimigos armados? Isso é fichinha... o que eu encontrei, foi uma guerra civil.
Melanie e Bianca estavam de pé ao lado da fogueira, ambas tinham fogo nos olhos, a diferença é que os olhos de Melanie queimavam em um fogo vermelho, e os de Bianca, em uma chama da morte tão negra quanto seus olhos . Elas tinham as espadas em mãos e estavam a centímetros uma da outra, respirando pesado.
Bianca lançou-se para Melanie, mas ela desviou e deferiu um golpe para Bianca, que por poucos centímetros, se safou de ser golpeada na bochecha.
A esse ponto, Sam e o resto apareciam de suas tendas, e paravam, tão perplexos quanto eu.
Eu vi a espada passar perto, muito perto do pescoço de Bianca, foi ai que decidi interceptar.
- Ei! – eu gritei – Meninas! Parem com isso! Agora!
Elas, claro, não pareciam me dar ouvidos, mas eu já estava acostumado a ser ignorado por garotas.
- Bianca! Melanie! Chega disso – eu gritei.
- Fica tranquilo Drake! – Bianca disse sem tirar os olhos de Melanie – Eu não vou machucar ela, so vou mostar que não sou nada do que ela pensa.
- Já eu, não prometo não machucar ela... mas olha pelo lado bom, se morrer, vai la sentar no colinho do vovo, mestiça. – ela cuspiu a ultima palavra com desprezo.
Bianca fechou os olhos, eu pensei que ela fosse chorar, Melanie também pensou, pois disse.
- O que foi princesinha? Está com medo de mim?
Essa foi a gota d’água, Bianca abriu os olhos, cheios de raiva, e ergueu as mãos. Seu sorriso ficou sinistro e o ar pareceu ficar frio. As pupilas de Melanie se dilataram de medo quando viu o que surgia do chão.
Esqueletos, ao menos, uma dúzia deles. Todos usavam armaduras, dês do elmo até a espada. Eles sorriam aquele sorriso sinistro de caveira, e pararam atrás de Bianca.
Eles apontaram as espadas em direção a Melanie, a cada passo que eles davam, Melanie recuava um, até se ver encurralada, encostada em uma pedra. Os esqueletos pararam com as espadas a centímetros da garganta de Melanie.
- E isso, caçadora, é para você, nunca mais, dizer que sou fraca e impotente... estou fazendo um favor de te manter viva, então, mais respeito, antes de acordar com uma espada atravessada na garganta.
Melanie assentiu, suor escorria de sua testa.
- Podem ir meninos – ela disse, e os esqueletos desmontaram, e foram reabsorvidos pela terra.
Bianca sorriu e limpou as mãos. Ela me olhou, sorrindo outra vez, como se nada tivesse acontecido.
- Então, o que temos para hoje? – ela caminhou levemente até nós, sorrindo. Melanie ainda estava no chão. Eu caminhei até ela.
- Venha – eu disse estendendo a mão para Melanie, ela segurou e eu a levantei. Melanie enrolou os cabelos avermelhados e me olhou com gratidão.
- Espero que tenha aprendido a lição – eu disse em um tom muito paternal.
- Sim papai – ela disse rindo – Aprendi a não provocar mais a sua amiguinha sombria.
- Não é sobre isso que estou falando Melanie. Estamos todos no mesmo barco aqui, precisamos cooperar se quisermos salvar a nossa mãe...
- Eu entendo – ela disse abaixando os olhos, envergonhada.
- Você vai se desculpar com Bianca? – eu perguntei.
- Tá brincando não é? Ela acabou de convocar esqueletos para me ameaçar, acho que estamos quites.
Eu revirei os olhos, então chegamos ao grupo.
- E agora? –Luca perguntou, todos me olhavam.
- Bem... acho que temos que devolver isso aqui para as musas – eu disse pegando o pergaminho – Em troca da preciosa informação.
Como um passe de mágica, as musas apareceram na minha frente. Clio correu até mim e pegou o pergaminho, abraçando-o. Eu sorri com a espontaneidade da Deusa.
- Obrigada semi-deuses – disse ela, sorrindo.
- Agora, o prometido – disse Nalu, ela parecia um pouco apressada.
- Sim, claro. – disse Urânia. – O que eu tenho a lhe dar é uma informação preciosa. Sigam para a Califórnia.. onde, como dizem, o sol brilha mais. A primeira hora do amanhecer, assim que chegarem lá, assistam o nascer do sol, mas lembrem-se de fechar os olhos se não quiserem ser queimados. O sol há de te ajudar na sua próxima tarefa.
- O que você quer dizer com isso? –Melanie perguntou confusa.
- Vocês verão – Disse Tália. – Agora temos que ir, muito obrigada.
Elas começaram a brilhar. Fechamos os olhos, a tempo, e elas sumiram.
- Então, alguém tem alguma ideia de como vamos chegar na California até amanha de manha? – perguntou Luca
Bianca olhou para ele sorrindo de uma maneira maldosa.
- Não, de jeito nenhum, eu não vou mais viajar na sua sombra maluca – ele disse ficando histérico.
- Tudo bem, alguma outra ideia? – Bianca disse.
Piper e Sam se entreolharam, compartilhando um pensamento.
- Meu pai tem um amigo, Blackjack, que teve dois filhotes, uma é minha grande amiga, o outro é bem apegado a Jake, mas como ele não tem idade para andar, ele pode nos dar uma ajudinha.
- E meu pai me apresentou uns certos espíritos livres, que vão nos dar uma mão.
Nalu assobiou e Sam fechou os olhos e se concentrou.
Um par de sombras negras apareceram no horizonte alguns segundos depois, e então Cavalos alados apareceram na nossa frente. Uma delas era branca, e sua crina era negra, suas asas tinham as pontas negras. O outro, era todo negro.
- Esses são Tsunami e Terremoto. – disse Sam. Ela subiu em Tsunami.
Então, três outros cavalos apareceram, mas eles eram diferentes, não eram alados, mas voavam. Um deles era negro, raios brilhavam nele, o outro era azul escuro, os raios eram iguais, e o ultimo era cinza, cheio dos mesmos raios.
- Esses são Tempestade, Tornado e Furacão. – Nalu disse.
Eu engoli seco, decidido a montar no cavalo com mais asas e menos energia elétrica. Terremoto se aproximou de mim, e eu montei ele com facilidade, como se fosse muito natural.
Bianca foi em Tornado, Nalu montou em tempestade e Leo subiu atrás, nervoso. Melanie foi em furação, ela sorria. Imaginei que fosse coisa de Artemis gostar de cavalos, mesmo esses.
Thalia parecia perdida, visivelmente assustada.
- Venha Thalia – Melanie convidou.
- Obrigada mas, prefiro ficar longe dos cavalos do meu pai. – ela disse.
- Não me diga que uma filha de Zeus tem medo de altura? – perguntei.
Ela assentiu, parecia desesperada. Eu estendi a mão.
- Venha, não vou te deixar cair – ela pegou minha mão, sorrindo com gratidão, e subiu atrás de mim.
- Fiquem atrás de mim e de Nalu – disse Sam, ela decolou, Terremoto começou a correr, depois, eu não sentia mais os cascos tocando o chão, mas ainda sentia os músculos do cavalo movendo. Thalia me abraçava com força, o rosto enterrado nas minhas costas, ela tremia.
Quando ficamos estáveis, alto no céu, eu abri os braços, sentindo o vento, era a melhor sensação do mundo, uma sensação de liberdade enorme.
- Abra os olhos Thália! – eu exclamei maravilhado.
- Prefiro continuar no escuro – ela murmurou.
- Vamos, só por um segundo! – eu disse, e ela cedeu. – Você não vai se decepcionar.
Thalia me soltou aos poucos, o vento bagunçando seus cabelos curtos. Ela deu um leve sorriso.
- É... lindo – ela sussurrou.
Seus olhos azuis elétricos brilhavam da mesma cor do céu, ela respirou fundo, sentindo o ar gelado.
- Obrigada Drake – ela disse.
Nossa viajem correu bem, atravessamos o pais em muito menos tempo do que eu havia imaginado. O sol estava se pondo quando os cavalos finalmente tocaram o chão. Thalia desmontou primeiro, e eu em seguida, Esticando as pernas doloridas.
Thalia sentou no chão, como se sentisse muita falta da terra firme. Ela sorriu para Melanie
- Não conte que para as caçadoras que eu cavalguei com um garoto e eu não conto que você está se dando bem com seu irmão- ela riu.
- Feito – Melanie disse.
Luca parou ao lado de Nalu e colocou os braços na cintura dela, pelo visto, eles tinham tido uma boa coversa. Nalu viu que eu estava olhando e desviou o olhar, corando.
- Acho que o jeito é montar acampamento e esperar o amanhecer. – disse Bianca.
- Eu posso fazer a fogueira – Melanie se ofereceu. Bianca olhou para ela desconfiada.
- De uma chance para a garota – Sam sussurrou para Bianca – Ela está tentando.
Bianca deu de ombros e foi erguer as barracas.
Depois de algum tempo, tínhamos barracas, uma fogueira e três coelhos assando no fogo, que Thalia tinha pego com o arco.
Nós sentamos em volta da fogueira, tínhamos olhares casados, com olheiras, e fracos sorrisos no rosto.
- Animo galera!- Luca exclamou. – Estamos todos aqui, bem, fazendo missões e tudo mais, porque essas caras amarradas? Vamos colocar uma alegria por aqui.
Ele correu até sua cabana, e de lá saiu com um violão.
- Onde você arrumou isso?- eu perguntei tinha certeza que ao havia nenhum violão com ele.
Ele deu dois tapinhas no cinto de ferramentas, como se isso respondesse a pergunta.
Ele sentou de volta em frente a fogueira. Depois de ver Luca pegando fogo, eu temia que o simples contato com a fogueira fizesse ele arder em chamas.
Ele começou a tocar uma musica animada, ele era muito bom, Nalu foi a primeira a se juntar cantando, depois Sam, Bianca, ele tocava musicas antigas, Thalia se juntou, e por ultimo, Melanie cedeu e juntou-se a festa.
Ficamos cantando por algumas horas, fomos nos retirando aos poucos, Luca e Nalu e eu éramos os últimos na fogueira, e eu decidi dar um pouco de privacidade a eles.
Decidi dar uma caminhada, estávamos perto de uma praia, a lua refletia na água salgada e deixava tudo prateado, eu sorri, sentando para apreciar a vista.
- Também não consegue dormir? – A voz de Sam perguntou atrás de mim.
- Não – respondi. Sam sentou-se ao meu lado, me fitando com seus grandes verdes. – Para ser honesto, ainda não digeri toda essa historia de ser filho de uma Deusa, ainda mais de uma deusa que supostamente não pode ter filhos. Agora parece que todas as expectativas recaem nos meus ombros.
- Nem me fale – ela disse, sorrindo tristemente – Eu nasci do casal de semi-deuses mais poderosos do século! Imagine só, a filha de Percy Jackson e Annabeth Chase, todos esperam que eu seja inteligente, eu tenha incríveis poderes com a água, e que derrote muitos mostros, e cumpra grandes profecias... mas eu sou tão regular quanto qualquer outro. Me sinto a filha sem poderes dos pais de super heróis... e meu irmãozinho, ele não come com garfo ainda, mas já consegue controlar a água!
Ela me olhou, seus olhos estavam marejados. Eu definitivamente não a via desse jeito. Eu não ligava para o quão maravilhosos os pais dela poderiam ter sido, eu so me importava com o quão maravilhosa ela era.
- Eu te acho muito incrível – eu disse. – Você não tem nada de regular, acredite, eu conheci garotas regulares, e no dia que ser esperta, ter poderes sob a água e ser linda for regular, por favor, me avise.
- Linda? – ela perguntou, eu pude ver seu rosto corar, e senti o meu esquentando.
- É, bom Hamm – eu tentei dizer alguma coisa, sem sucesso.
- Você acha mesmo que eu sou assim tão incrível? – ela perguntou.
- É claro! A garota mais incrível que eu já conheci – eu disse, fitando seus olhos verdes, que estavam fixos nos meus.
Eu me aproximei meu rosto do dela, algo dentro de mim gritava que isso era muito errado, mas algo muito mais forte me impulsionava a fazer. Eu segurei seu rosto um momento antes de encostar meus lábios no dela. Minha mão desceu até seu pescoço, e a outra, eu coloquei em sua cintura.
Depois que nos separamos, ela me olhou, sorrindo envergonhada.
- Eu deveria ir dormir agora, temos que levantar antes do nascer do sol. – ela disse, e depois saiu para sua barraca.
Eu me deitei de costas na grama, com o rosto pegando fogo, e me sentindo extremamente vivo.
Naquela noite, por um milagre, eu não tive pesadelos. Eu sonhei com Sam.
Ainda estava escuro quando eu senti o chão tremer, sai correndo da minha barraca. Bianca estava parada no meio do acampamento, sorrindo. Aparentemente, eu não era o único a acordar as pressas, so Bianca parecia vestida e arrumada.
- Ah, ótimo vocês acordaram – ela disse. – Temos dez minutos para o nascer do sol.
- Puxa, que físico – disse Nalu, com um tom de voz sarcástico, olhando para mim.
Foi só então que eu notei que usava só samba canção.
Nalu riu, Luca olhou emburrado para ela antes da garota dar um beijo rápido em seus lábios. Sam me olhava um pouco corada, mas rindo, Bianca, Thalia e Melanie, se acabavam de gargalhar. Eu corri de volta para minha tenda.
Quando eu estava mais arrumado, fui encontrar com os outros na beira da praia, todos olhavam para o horizonte, esperando o sol.
Então ele apareceu, a primeira pontinha do sol, vermelha viva, so que ela parecia se mover, cada vez mais perto, o sol agora já estava metade para fora do mar, e eu percebi que o que voava em nossa direção era uma ferrari vermelha. Ela estacionou na nossa frente, e de dentro dela, o pai dos modelos californianos saiu. Ele tinha a pele morena e os cabelos dourados, usava óculos escuros, mas quando os tirou, tinha olhos azuis.
- Apolo! – exclamou Thalia sorrindo.
- Thália! – ele disse abrindo os braços, a caçadora correu até ele e abraçou o deus, eu achei um pouco inapropriado abraçar um deus, mas eles pareciam ter uma boa relação. – Como vai minha irmãzinha predileta? Tá, espero que Artemis não tenha ouvido isso – ele disse.
- É exatamente sobre Artemis que precisamos falar Apolo – disse Melanie.
- Ah, Melanie, como vai minha querida sobrinha? — ele sorriu. – Vocês dois eu não conheço – ele disse se aproximando de Luca e Nalu, e eles se apresentaram. Apolo andou até Sam.
-E você... você me parece muito familiar, Esse cabelo, esses olhos, não me diga que já nos conhecemos?
- Não senhor — ela disse – Quero dizer, já, mas você provavelmente não se lembra, e eu nem posso me lembrar direito. Eu era apenas um bebe quando meus pais me levaram para o olimpo.
- Ah, pequena Sam! O orgulho de Poseidon, e Atena! Por você mocinha, aqueles dois pararam de brigar tanto! — os olhos de Sam brilhavam.
- E você... – ele disse caminhando para mim – Você é inconfundível, é a cara de sua mãe. Sobrinho!
Eu sorri, Apolo era muito mais amigável do que eu imaginava.
- Você ainda tem aquelas flechas que eu lhe dei quando era um bebe não tem?
- Essas? – eu disse pegando o arco e as flechas que estavam aos meus pés.
- Isso! – ele exclamou – É claro que eu tinha que dar um presente bom para o primeiro menininho de minha irmã.
Ele pegou as flechas e jogou no banco de sua ferrari conversível, e depois substituiu por novas.
- Você vai usar essas belezinhas quando tiver que salvar minha Irma – ele disse. – Agora eu gostaria muito de passar mais tempo com vocês, mas preciso continuar
Ele subiu em seu carro, deu a partida e sumiu no horizonte.
- Esse é o Deus mais gostoso que eu já vi – disse Bianca sorrindo.
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