Filha do Amor

1 Sou atacada por uma Dracaenae


– Silena — chama meu pai, da cozinha. — venha até aqui.

Eram 6:00 da manhã e meu pai, como um excelente cozinheiro preparava o de sempre, ovos com bacon, não me lembro de comer outra coisa no café da manhã. Não podia reclamar, meu pai é um excelente cozinheiro, eu sinceramente não sei porque minha mãe o abandonou. Chegando na cozinha observo a cara séria dele, logo pensei o que havia feito.

– Bom dia minha querida- ótimo, minha querida, acho que foi impressão minha.- preciso falar sério com você. Vou até o fogão e pego meu prato, com os ovos e o bacon.

– É sobre sua mãe, sempre tentei esconder isso de você, mas acho que agora que tem 14 já está mais que na hora de saber...- ele me encarava com certa frieza, algo que nunca vi em meu pai, logo pensei que o que ele ia contar seria um assassinato ou algo parecido. — Eu era muito jovem quando conheci sua mãe, logo nos envolvemos, e então veio você, não poderia estar melhor, eu havia herdado a floricultura de meu pai, e havíamos nos mudados para cá. Mas quando você tinha 3 meses ela desapareceu, junto ao seu travesseiro um bilhete — meu pai falava com a respiração ofegante, quase chorando — sabe, depois disso eu não fui o mesmo, te criei vendo o como é especial, você é diferente...- suspirou.

– Pai, só porque sou dislexia não significa que sou diferente...- comentei.

– Não é isso Silena... Bem, você já estudou mitologia grega na escola certo?

Confirmei com a cabeça, mesmo não sabendo onde queria chegar. — As vezes os deuses desciam a terra e se envolviam com mortais, a estes era dado o nome de semideuses, os heróis.

– Mas o que isso tem haver do minha mãe...? Meu pai abriu a boca para responder mais um estrondo muito forte veio do quintal.

Corremos até lá, logo vi uma criatura parecida com uma serpente com duas caldas enormes, cabelo e armadura grega.

– Ai esta, a filha de Afrodite. — sibilava. Imediatamente olhei pro meu pai. Que confirmou com a cabeça.

– Filha de Afrodite — repeti comigo mesma — Deusa do... Amor?

– Venha comigo Silena, nosso Senhor precisa de você.

Meu pai se abaixou e pegou dois pedaços de madeira que estavam no chão do quintal, jogou um pra mim, nem precisou me falar nada, nos entendamos pelo olhar. A serpente atacou, mas meu pai foi mais rápido e lançou a madeira contra uma de suas caldas. Corri por trás dela, mas ela se virou e me pegou pelo pijama.

–Silena... Não! Eu me debatia, ela era pegajosa e nojenta, depois daquilo uns 3 banhos seria pouco pra tirar aquele fedor do meu corpo. Meu pai bateu na cabeça da serpente que me jogou no chão, sangrando dourado... Minha cabeça doía devido ao impacto com o chão, fiquei tonta, e então... Desmaiei.

...

Quando acordei estava no banco de trás do carro, com o meu pai dirigindo a toda velocidade, soltei um bocejo e então meu pai olhou rapidamente para trás.

– Pai...? — perguntei — o que aconteceu?

– Você desmaiou...

– E aquela serpente? Ela disse algo sobre eu ser...

– Filha de Afrodite — completou. — A Deusa do amor?

– Sim — meu pai confirmou — a Deusa do amor e da beleza.

– Pai? Porque não me contou isso antes?

– Eu mesmo levei um bom tempo para acreditar, mas no final tudo se encaixou. Antes era muito arriscado para te contar, iria aumentar a ameaça de monstros.

– Pra onde estamos indo? — perguntei tentando me levantar, ainda tonta por causa da pancada na cabeça.

– Existe um lugar para pessoas como você Silena, pessoas especiais, semideuses. — comentou tentando manter a calma.

– Então você não vai comigo? — choraminguei. — Não é um lugar pra mim, meros mortais.

– Você vai me abandonar? Assim como minha mãe?

– Por muito tempo te protegi, Silena. Mas agora chegou a hora de você aprender a se virar sozinha. Escutei outro estrondo vindo de trás do carro.

– Pai? — chamei. Acho que nos acharam. Meu pai deu uma brusca acelerada, que quase fez com que eu me desse de cara com o banco da frente.

– Silena, eu te amo, não importa o que aconteça, agora vá, corra e não olhe pra trás...

– Mas e você?

– Eu vou ficar bem. Prometo. Leve isso, é a carta da sua mãe — suspirou- leia somente quando estiver preparada.

Peguei a carta, guardei em meu bolso da calça jeans e sai correndo, contestando meu pai olhei pra trás algumas vezes, mas não havia agitação nenhuma lá fora, nem mesmo a van do da floricultura estava mais lá. Comecei a andar dentro de uma vasta floresta, logo me deparei com um monstro, com olhos em todo corpo, até nas mãos.

– Ahhhhh — gritava.

O monstro olhou para trás surpreso, e eu corria em círculos, sem saber pra onde ir. Ele se aproximou e eu fiquei parada, encarando-o.

– Calma, eu não vou te machucar. — quando abriu a boca, ele mostrou um olhos em sua língua, e eu desmaiei novamente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.