Filha de um pirata... e uma princesa?!
29 Meus terceiro e quarto amores verdadeiros
Notas iniciais
Papai e os outros demoram um tempo para se acalmarem completamente de meu momentâneo sumiço, mas logo Regina, Azul, Papai e eu nos reunimos novamente na cabine de papai para novamente viajarmos através de minhas vidas passadas...
Charlotte havia guardado bem o chapéu de Jefferson antes de volta-se para Azul novamente.
— Está bem. – Lottie respira fundo e deita-se na cama do pai. – Podemos começar, ainda não confio em você, mas vamos lá.
Àquela altura Azul já estava se conformando com o comportamento de Charlotte para com ela, por isso com um suspiro conformado ela se aproxima de Charlotte e toca-lhe a cabeça, logo mais uma vez eles não se encontravam mais na Jolly Roger.
Estavam mais uma vez em uma vila, em frente a uma casinha simples, a primeira coisa que lhes chama a atenção é o choro de um bebê de espessos cabelos loiros chorando em plenos pulmões.
— Lottie... – Killian murmura, um pouco preocupado, onde estava ele e Emma?
Sua preocupação aumenta quando uma criança com aparente cinco anos, se aproxima do berço e começa a tentar interagir com o bebê.
— Henry... – Regina sussurra muito surpresa, Killian começa a prestar sua total atenção as crianças, era a primeira vez que Henry aparecia nas lembranças de Charlotte.
— shiu, irmãzinha, você vai acordar a mamãe. – O pequeno murmura baixinho no ouvido da irmã que aos poucos parecia prestar atenção na voz dele. – Ela trabalhou o dia inteiro, deve está cansada.
A bebê para de chorar, mas ainda resmungava olhando para o irmão.
— Você está com fome? – Henry a pergunta, ele se afasta da bebê e pouco depois ele volta com uma mamadeira cheia de leite, com cuidado ele coloca a mamadeira na boca da bebê. – Então, você estava com fome?
A bebê apenas olha para o irmão com os olhinhos brilhando enquanto se alimentava alegremente de sua mamadeira, ao terminar o pequeno tenta faze-la arrotar (como via a mãe fazer), não demora muito e a bebê volta a dormir, o pequeno a beija na testa e sai, provavelmente voltando para sua cama.
— Vamos avançar um pouco mais. – Azul avisa, e o borrão de cores logo surge diante deles.
Continuaram em frente a mesma casa, porem agora era dia, e dava para ver mais claramente tudo ao redor deles.
Um Henry adolescente entra na casa, cheio de cestos evidenciando que acabara de chegar da feira.
— Hamon! – Uma voz infantil de repente grita, assim que entra completamente dentro de casa.
— Kali! – O garoto responde quando o pequeno corpo com a cabeleira negra se choca com as pernas e cintura dele.
— Você chegou, mamãe está lá trás preparando a lenha, não aguentava mais ficar só com minha bonecas. – A pequena Kali reclamava com um bico já se formando. – Você brinca comigo depois?
O garoto rir, e bagunça os cabelos da irmã em gesto carinhoso.
— Sim, eu brinco com você. – Hamon concorda, e um sorriso ilumina o rosto da menina. – Mas só apenas depois que terminar de ajudar a mamãe com o almoço.
— Está bem. – Kali aceita meio a contragosto, e sem dizer mais nada ela volta para suas bonecas.
Hamon sorrir para aquela cena antes de se dirigir para a porta dos fundos, onde provavelmente estaria a mãe.
A imagem a frente deles congela.
Killian olhava para tudo com cuidado, seu olhar se demorando mais na porta que “Henry” sai, para depois desvia-se para “Charlotte” sentada no canto da sala brincando com suas bonecas.
— Eu não existo nessa realidade. – Ele constata.
— Você morreu pouco depois do nascimento da bebê. – Azul informa. – O garoto também é seu filho nessa realidade.
Killian ofega atordoado, nessa vida, Emma fica sozinha com duas crianças, e quando cresce “Henry” aparentemente toma para si as tarefas que eram para ser suas se estivesse vivo.
— Espere, então nessa vida o amor verdadeiro de Charlotte é “Henry”? – Regina questiona a Azul.
— Sim, nem toda alma gêmea se refere a pares românticos. – Azul explica. – Pode ser qualquer tipo de relacionamento que possua afeto.
— Porque você não nos disse isso antes? – Regina questiona com raiva. – Isso dificulta muito mais o nosso trabalho nessa vida.
— Continuaremos tentando, Regina. – Azul muda de assunto, mexe uma das mãos e novamente as imagens voltam a girar.
Regina olha para Killian de cara fechada.
— Estou começando a reviver o meu ódio por fadas. – Regina murmura para Killian.
De vagar e com cuidado eles observavam a pequena Kali crescer junto a seu irmão, tendo uma vida relativamente boa, seu irmão cuidando com zelo dela e da mãe deles, sendo o principal provedor da família.
Os dois irmãos mostravam um vínculo forte de amizade e cumplicidade, eram de fato a alma gêmea, o amor verdadeiro um do outro.
Killian ainda estava emocionado com “ Henry” levando a irmã ao altar, quando Azul decidiu que já era o bastante e que eles poderiam voltar para a Jolly e trazer Charlotte de volta.
Lottie desperta e seu olhar encontra com o de seu pai, ela a dá um sorriso confuso quando nota ele enxugar as lágrimas.
— Está tudo bem, papai?
— Sim. – Killian funga e enxuga uma lágrima teimosa. – Henry foi seu amor verdadeiro em outra vida...
Charlotte faz uma careta de nojo ao absorver o que lhe foi dito, Killian e Regina riem.
— Não no sentido romântico, acabei de vê-lo leva-la ao altar – Killian completa sua fala, Charlotte volta a absorver o que lhe foi dito e sorri.
— Não se preocupe, nessa vida será você que me levará ao altar. – Charlotte promete, e Killian quase se debulha em lágrimas novamente. Charlotte solta uma pequena risada antes de ficar séria. – Não acho que Henry seja meu amor verdadeiro dessa vida.
— Por que diz isso, querida? – Regina pergunta, ela tinha uma pequena esperança que fosse ser fácil dessa vez, se Henry fosse o amor verdadeiro de Charlotte dessa vida.
— Nas vezes que nos encontramos... não foi nada amistoso. – Charlotte diz tentando encontrar palavras para os dois encontros desastrosos que teve com Henry. – Não tem como ele ser meu amor verdadeiro dessa vida, podemos tentar outra vez?
— Tem certeza, querida? Podemos tirar um tempo para descansar se quiser. – Killian a indaga, mas Charlotte nega com a cabeça ela queria continuar o mais rápido possível.
— Já sei que não é Henry, precisamos continuar para não perdemos tempo. – Charlotte insiste, Killian suspira e concorda fazendo sinal para que Azul fizesse o encantamento novamente.
Charlotte volta a ficar inconsciente e não demora muito eles também já não estavam na Jolly.
Se encontravam agora em frente a uma taberna, do lado de fora podia-se ouvir música alta, conversas e risadas, estava lotado lá dentro.
— Uma...taberna? – Regina questiona, olhando confusa e desconfiada para Killian, ele analisa a situação.
— Moramos nesse lugar? – Killian pergunta a Azul.
— São donos do lugar. – Azul logo responde. – Vamos entrar.
Ainda um pouco confusos, eles seguem Azul para dentro do lugar, ela os leva (com um pouco de dificuldade) onde aparentemente existia uma espécie de estalagens para viajantes, Azul entra em uma delas, e encontram “Emma” colocando duas crianças pequenas na cama.
“Charlotte” e “Henry.”
Azul sinaliza para Regina e Killian prestarem atenção, ela não precisava pedir aquilo a Killian, aquela bela visão já o prendera assim que ele entrou ali.
— Não se preocupem, daqui a pouco o barulho acaba e nada irá interromper o sono de vocês. – “Emma” tranquiliza as crianças.
— Papai não vai nos dá boa noite, hoje? — A garotinha loirinha indaga a mãe, “Emma” suspira.
— Está muito cheio lá embaixo, querida, papai está muito ocupado. – “Emma” tenta explicar, com um sorriso acolhedor no rosto. – Ele pode passar aqui depois que todas as pessoas forem embora.
As duas crianças fazem beicinho.
— Não fiquem assim, irei ficar com vocês até que todos forem embora. – A mulher tenta novamente tranquilizar os filhos, e se aconchega junto a eles. – Querem que eu conte uma história?
As duas crianças comemoram felizes com a ideia, “ Emma” sorri, mas antes que ela começasse a contar, Azul os tira dali avançando mais no tempo, as cores ao redor mudando.
Quando ela parou eles se viram novamente em meio as pessoas que riam, conversavam e comemoravam alguma coisa na taberna. Killian instantaneamente procura por Charlotte ou Emma em meio aquelas pessoas.
E encontra uma jovem loira carregando bandejas com cálices e garrafas de vinho, ela desviava das pessoas com maestria enquanto carregava as bandejas.
Até que um homem bêbado dá um tapa na bunda da garota ela solta um grito assustada e derruba a bandeja em cima do homem, o homem indignado estava prestes a partir para cima da garota quando outro homem furioso aparece e se mete no meio deles.
— Toque outra vez em minha filha, e será um homem morto! – Era “Killian” puxando o homem furiosamente pela roupa.
A raiva consome Killian quando ele percebe que a garota era Charlotte, seu olhar vai do seu outro eu para o rosto assustado da menina.
“Killian” olha de soslaio para “Charlotte.”
— Querida se junte a sua mãe na cozinha, você já trabalhou muito aqui hoje. – A voz dele muda para um tom carinhoso ao se dirigir a filha.
“Charlotte” acena rapidamente com a cabeça e corre com a bandeja nas mãos para os fundos da taberna.
“Killian” arrasta o homem bêbado para fora do lugar, Azul conduz Killian e Regina para onde “Charlotte” havia ido, e a encontram com “Emma” a consolando, não demora muito e mais duas pessoas entram ali, um deles reconheceram como Henry e o outro jovem...
Killian gela ao olhar para o rosto do outro rapaz.
— Wendy! Miguel e eu vimos o que aconteceu, como você está? – O rapaz a pergunta se ajoelhando em frente a ela.
— Estávamos com papai quando aconteceu. – “Henry” informa se aproximando dela também.
— Espera, aquele ali é... – Regina
— Pan. – Killian a completa, a raiva e confusão estampada em sua voz. – Você não está querendo me dizer que esse diabinho já foi o amor verdadeiro da minha filha está?
Azul olha um pouco temerosa para Killian e Regina.
— Provavelmente. – Azul os responde, instantaneamente Killian e Regina ficam tensos.
Killian olha de “Charlotte” para Pan.
— Nos tire daqui! De maneira nenhuma eu vou até a terra do nunca para ir atrás desse monstro. – ordena Killian quase que aos berros de nervoso.
— Senhor Jones, ele pode ser o amor verdadeiro de Charlotte nessa vida também...
— Ele não é! Quase perdi Charlotte na última vez em que estivermos lá. – Killian esbraveja, tentava respirar fundo para se acalmar. – Eu não vou arrisca-la outra vez, nos tire daqui, acorde minha filha.
Azul olha para Regina aparentemente esperando algum tipo de apoio dela, mas não o recebe.
— Acorde, Charlotte. – Regina fala com determinação, Azul suspira e com um floreio de mãos eles voltam para a Jolly.
Segundos depois Charlotte desperta.
Um tenso silêncio se instala entre eles, Lottie olha para os três confusa e curiosa.
— O que aconteceu? O que vocês viram? – Charlotte questiona observando seu pai começar a andar de um lado ao outro parecendo estar furioso.
— Eu não gosto nem de lembrar. – Killian a responde, sem parar de andar, ele estava realmente bravo com algo, Charlotte olha para Regina com uma das sobrancelhas arqueada, era um pedido para que ela dissesse o que estava acontecendo.
— É... Pan. – Regina explica meio hesitante, nenhum deles sabia como Charlotte reagiria aquilo.
Nem Charlotte sabia.
De imediato seu corpo fica tenso, ela olha de esguelha para o pai, seus olhos arregalados em completa surpresa.
— Pan? – Charlotte volta a questiona-los. – Ele já foi meu amor verdadeiro?
Era difícil para Charlotte acreditar naquilo apesar de que...
Ele a olhava como se não estivesse acreditando no que estava vendo, como se a conhecesse de algum lugar.
Em geral Charlotte não gostava de pensar em Pan, pois tudo sempre foi muito confuso em relação a eles dois e a terra do nunca, e toda essa confusão volta à tona quando escuta Regina falar que ele podia ser seu amor verdadeiro.
Uma lembrança um pouco constrangedora surge em sua mente. Ela e Pan se beijaram. E ela gostou.
Como iria contar aquilo a seu pai que estava a ponto de pirar?
— Lottie? Você está ouvindo? – Regina chama a sua atenção, Charlotte olha para ela como se tivesse despertado.
— Sim, eu... Estou sim. – Charlotte a responde, pela cara de Regina ela não havia acreditado naquilo.
— Então você concorda que não tem chance alguma de Pan ser seu amor verdadeiro, não é? – Regina volta a questiona-la, arqueando as sobrancelhas para ela.
Charlotte cora.
— Pan e eu nos beijamos. – Charlotte enfim confessa, encarando Azul, ela não tinha coragem de olhar para Regina e seu pai, mas até a reação dela foi engraçada.
Azul arregala os olhos.
Regina engasga entre uma tosse e uma risada.
E seu pai... Deve ter paralisado pois o barulho de seus passos cessara.
Charlotte respira fundo e dirige seu olhar a ele, seu pai estava branco como papel, Charlotte sente seu rosto esquentar ainda mais.
— V-vocês o-oque? – Killian gagueja e Regina estava a um fio de rir dele.
— Foi bom? – Regina a indaga para provocar Killian, ele a fuzila com o olhar. – Seja sincera.
Charlotte acena com a cabeça concordando timidamente, Killian agora parecia a ponto de desmaiar.
— Papai, respira fundo, respira.
Killian respira fundo e se recompõe.
— Pan!? Charlotte!? Pan!? O que você tinha na cabeça!? Aquilo é o diabo encarnado!
— Ele não foi exatamente um diabo comigo. – Charlotte tenta se explicar, Killian bufa. – Ele me irritou bastante é verdade, mas isso não importa, ele não é meu amor verdadeiro! O beijo foi bom, mas isso não quer dizer que é amor.., certo? Eu só gostei, eu não senti nada de especial
Killian parecia que havia voltado a superfície depois de muito tempo debaixo d’agua, era claro o seu alívio.
— Então podemos voltar para sua mente? – Killian a pede.
Charlotte abre a boca para responde-lo que sim, mas é interrompida por um forte solavanco que a Jolly acaba de receber. Seu pai, Regina e Azul se encontravam agora caídos do outro lado do quarto, e Charlotte com metade do corpo caído da cama, ela se segura com força na cama quando se sentiu cair.
— O que diabos foi isso? – Regina esbraveja voltando a se levantar.
Killian e Charlotte se entreolham já entrando em alerta, os marujos gritavam algo no deque.
— Charlotte, você está bem? – Killian a questiona finalmente se colocando de pé, ele sempre perguntava como ela estava depois que algo assim acontece na Jolly.
— Sim. – Charlotte responde de imediato, Killian começa a se dirigir para a porta, com a mão na bainha da espada já se preparando para qualquer coisa.
Contudo antes que ele chegasse na porta e abri-la, Smee surge com uma cara nada boa.
— Estamos sendo atacados.
Charlotte se levanta rapidamente e se aproxima deles.
— Não! Charlotte você fica aqui com Regina em segurança. – Smee fala em tom autoritário, que Charlotte nunca havia o escutado usar com ela, Lottie olha para ele muito surpresa, Smee desvia o olhar para Killian que também parecia um pouco confuso e surpreso. – Ele está aqui, o senhor das trevas.
Killian de imediato fica tenso, seu corpo todo entra em modo defesa, agora ele sabia por que Charlotte teria que ficar em sua cabine em segurança com Regina.
O crocodilo estava ali. Atrás dela.
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