Filha da Tormenta.
19 Cidadela.
Notas iniciais
Havia meses que Samwell Tarly aportou na Cidadela com Gilly, Pequeno Sam e um Meistre Aemon muito debilitado, em constante sofrimento por não poder ter com Daenerys Targaryen e ensinar-lhes seus conhecimentos sobre dragões. O velho Meistre tinha certeza que a mulher seria a salvação contra o que estava Além da Muralha, e por vezes dizia que ela era o Príncipe Prometido, que remetia a profecia do Azor Ahai.
— Você precisa fazê-los acreditar, Sam. Precisa fazê-los acreditar nos Outros, precisa fazê-los enviar um Meistre para Daenerys. Ela é nossa salvação, ela é a chave de tudo — ele lhe dissera uma vez enquanto ardia em febre e chorava copiosamente, enquanto Gilly lhe tratava.
— Eu gostaria de ajudá-la, mas não estou mais nos meus melhores dias. Me prometa Sam, promera que irá mandar alguém para ensiná-la...
Mistre Aemon morreu naquela noite, e Sam chorou copiosamente pois tinha grande admiração pelo homem, e por isso jurou realizar o seu desejo.
A princípio, fora fácil conseguir entrar para o treinamento de ser tornar um Meistre, mas estava sendo impossível fazer os arquimeistres ouvi-lo a respeito do que havia visto Além da Muralha. Achavam que era um lunático, fantasiando sobre as coisas, e que Daenerys era uma farsante e não possuía dragões ou exércitos, então fora mandado reescrever pergaminhos por ter perturbado os arquimeistres, e foi como descobrira sobre o Vidro de Dragão, que tinha aos montes em Pedra do Dragão, sede da Casa Targaryen e logo fora mandar uma carta a Jon. Ele esperava que o amigo pudesse usar isso a seu favor, enquanto ele ainda lutava para conseguir informações mais valiosas, que ele tinha certeza de que havia na sala restrita, onde somente os arquimeistres podiam ter acesso.
Em uma tarde, quando estava ao lado de um dos Arquimeistres, ajudando a pesar os órgãos de um dos enfermos que havia falecido naquela manhã fria, ele tentou novamente.
— Arquimeistre... — ele iniciou, nervoso enquanto pesava um fígado.— Eu os vi, o exército dos mortos. Os caminhantes brancos. Vim até aqui para aprender a derrotá-los, mas todos aqui duvidam de minhas palavras. Sei que parece loucura tudo isso, mas é a verdade.
— Este é o papel deles, meu jovem. Todos aqui duvidam de tudo — ele respondeu e fez-se um longo silêncio. — Mas as histórias da Longa Noite não podem ser apenas uma invenção da mente fantasiosa dos homens. Há muitas semelhanças nas fontes existentes.
— Fontes na área restrita?- Sam perguntou, enjoado enquanto pesava as tripas do defunto.
— Sim, sim... — o arquimeistre parou e ficou refletindo.— E a explicação mais simples que posso ter para a sua estranha obsessão pelos Caminhantes Brancos é de que você diz a verdade e realmente os viu.
— Então o senhor acredita em mim- Sam disse sorrindo para o velho.
— Acredito.
— É a única pessoa ao Sul das Gêmeas que acreditam em mim — Sam ponderou, enquanto se virava para pesar mais um órgão dado a ele.
— Não somos como os homens ao Sul das Gêmeas, nem como aqueles que estão ao Norte delas. Aqui vivemos de um modo diferente, Sam. Por diferentes razões. Somos a memória deste mundo. Sem nós, os homens não seriam pouco mais do que cães — o homem disse, olhando para ele de maneira que o deixou intimidado.— Não se lembram nem da última refeição que fizeram e não veem nada além da próxima‐ Sam assentiu.
— Durante a Rebelião de Robert, com o fim da dinastia Targaryen, todos pensavam ser o fim. "Como sobreviveremos?". Quando Aegon Targaryen veio para conquistar o Ocidente e foi com seus dragões até a Torrente Da Água Negra... "É o fim! Como sobreviveremos?" eles pensavam. E mil anos antes, durante a Longa Noite, eles pensaram isso também e até entendemos que tenham achado isso, mas não foi. Nada disso foi. A Muralha resistiu a tudo isso. E cada inverno que se iniciou, também teve o seu fim.
Um silêncio se instalou no lugar, deixando Sam desconfortável sob o olhar do arquimeistre em si.
— Seja bonzinho, limpe isto — o velho disse, mas antes de se retirar, Sam falou:
— E Daenerys Taragaryen? Você acredita que ela trouxe ao mundo os dragões de volta?
— Daenerys Targaryen... A última descendente pura da Antiga Valíria. A última Targaryen viva no mundo, ah sim... O Último Dragão. Acredito nessas coisas, mas não acredito que tenha dado vida a criaturas que há séculos deixaram de existir. Não esqueça de servir o mingau dos nossos enfermos — e saiu dali, deixando um Sam frustrado para trás.
***
Semanas, meses, anos? Quando tempo estava ali? Por mais que se esforçasse, Jorah não conseguia se lembrar. Havia muito que estava ali naquele quarto escuro, sem falar com ninguém, sem ter notícias do mundo lá fora. Ele já não tinha mais a esperança de uma cura, mas desejava saber notícias dela. Necessitava.
Havia ela conseguido chegar até Westeros? Havia ela conquistado o mundo, como tinha de ser? Esperava que sim. Era tudo o que desejava para ela. Mas desejava estar ao seu lado quando isso acontecesse. Sua doce menina, seu pequeno e feroz dragão. Como havia de estar nesse momento?
Jorah sentia que estava beirando a loucura naquele lugar, ou talvez fosse a doença que agora se espalhava por todo o seu peito, pescoço, quase o dominando por completo. Mais uma vez ele estava falhando com ela. Prometera encontrar a cura, mas não havia cura para aquilo, nunca teria. O que lhe restava era sucumbir àquela doença. Talvez esse fosse o preço a ser pago por seus pecados, por suas traições.
Você me perdoa, Khaleesi? ele se pegou pensando, em um delírio enquanto a febre o consumia. Me perdoa por tudo o que eu lhe fiz, por tudo o que deixei de fazer. Perdoe-me...
E então ele apagou. Acordando horas depois com um barulho de algo lá fora. Era hora da refeição, ele sabia. Não tinha noção se era dia ou noite, mas sabia que ele sempre viria entregar um prato de sopa quente e água fresca. Sentia seu estômago se contorcer pela fome, e seu coração palpitar no peito dolorosamente.
Ele deve saber de algo, pensou. Ele tem de saber de algo. Então ele se preparou. Quando escutou a pequena portinha se abrir, aquela em que o homem punha a sua comida, aproximou -se sorrateiramente, esperando pelo momento certo. Preciso ser rápido.
Quando viu o braço se posicionar com um prato em mãos, pulou e puxou-o mais para dentro, prendendo-o em suas mãos, fazendo o homem lá fora guinchar de pavor e a comida espalhar-se pelo chão.
— Ela chegou? — ele perguntou desesperado, apertando o braço roliço contra a porta.— Ela já chegou?
— Quem... Quem chegou? ‐ o homem perguntou com a voz esganiçada, tentando puxar seu braço de volta, sem sucesso.
— A Rainha dos Dragões.. Daenerys, Nascida da Tormenta. Ela já chegou em Westeros? Por favor... — Jorah implorou por uma resposta.
— Eu não soube de nada — o homem respondeu assustado, e então uma dor forte no braço o fez fraquejar por um momento. O escamagris por vezes era doloroso demais, e o deixava fraco demais. E então o homem se soltou, fechando imediatamente a portinha, e então Jorah caiu no chão em meio a sopa agora gelada espalhada, agonizando com a dor que se tornava mais forte. — Ela chegou? Ela chegou? Ela chegou? — ele continuou a falar, enquanto aos poucos foi perdendo os sentidos.
Samwell olhava assustado para a porta à sua frente, ainda sem entender o que acontecera, enquanto escutava a voz por trás daquela porta ir ficando cada vez mais fraca. Ele sonhara aquela noite com o homem importando a ele por notícias, e então ele retornou naquela manhã disposto a saber quem era e o que desejava com a chegada de Daenerys Targaryen em Westeros.
Fale com o autor