Filha De Hermes

2 Meu pai quase me faz cair de uma árvore.


Eu automaticamente me animei, os pensamentos sobre a floresta e o homem que vi passavam em minha mente, rápidos como nenhum outro, mas agora deveria dar atenção para outras coisas.

–Amanda! -falou Rachel mostrando seu sorriso com os dentes parecendo pérolas.

–Feliz Aniversário filha dos Mortos- eu sorri e a abraçei, tirando seu presente do bolço, era uma pequena caixinha verde, a cor favorita de Rachel, com um laço rosa.

–Parabéns- eu lhe entreguei o presente, ela abriu e se deparou com um pequeno colar preteado, com um pingente de uma espada-

–Meu deus, eu simplismente adorei- falou ela como se tivesse acabado se ganhar na loteira- Muitoooo obrigada.

Eu sorri. Tinha conseguido aquele presente por um ótimo preço negociando com os Stolls. Eu tinha feito uma aramadilha perfeita, bom, praticamente eu, com uma pequena ajuda de Helena, uma das filhas de Hefesto. Essa aramadilha estava sendo preparada pelo meu Chalé para colocarmos no Captura a Bandeira, e era esse o preço que os Stolls queriam pelo colar e dentro do pacote eles gravaram na lâmina da mini espada o nome de Rachel. Foi uma boa troca.

Assim que Rachel conseguiu colocar o colar, me olhou e perguntou:

–Então, o que te encomoda?

Aquilo, com o passar do tempo, acabou sendo normal. No dia em que nos conhecemos ela me olhou, como se me conhecesse a anos e preonunciou a mesma pergunta. E eu teria de dar a mesma resposta.

–Foi meu pai.

Rachel encolheu os ombros.

–Tem certeza? Amanda, você se lembra de quando…

–Sim. Quando nos conhecemos. Mas foi diferente. Ele não falou nada aquela vez.

–Onde foi?

–Eu não conseguia dormir, então fui pra floresta, subi em uma das árvores, me deitei e fiquei observando o horizonte até que escutei uma voz, eu me desequilibrei e por sorte eu não dei de cara no chão. Era como se já tivesse a escutado, mas não conseguia ligar a nenhum conhecido. Eu virei pro lado e vi um homem moreno, centado em um dos galhos perto de mim com brilhantes olhos castanhos e elétricos, como eu. Ele sorriu pra mim, era como se fosse um sorriso torto, satisfeito e que estava pronto para planejar qualquer coisa. Ele me encarou e falou “E então? Oque acontesseu filinha?”. Quando ele me falou isso eu simplismente sorri. Sei que ele não é presente, e sei que todos nós mereciamos atenção como qualquer criança “normal”, mas eu não consegui deixar de sorrir. ‘Não consigo dormir, Hermes.”, quando eu falei isso pareceu abalar ele. “Então é asism que você chama sua mãe? Chama ela pelo nome? Eu sou sei pai, pode me chamar assim se quizer” depois ele riu e eu também. Eu perguntei para ele porque estava aqui e o olhar maroto dele o abandonou. “Filha, se você quer a verdade eu lhe direi exatamente como foi dito o Oráculo:

O lugar que chamas de casa vai se afastar

e carregar o fruto do sol com encontro com as que se opoem ao próprio.

A morte espera no fim das montanhas que você, talvez,

um dia pensou em visitar. A caduceu vai ordenar mas poucos sabem

se realmente irá voltar.

Meu pai sorriu para mim, me entregou um pacote e beijou minha testa. “Espero que ajude” ele falou, e sumiu.

Quando eu terminei de narrar a noite anterior, confusa, que se passara percebi que Rachel desenhava no chão.

–RACHEL!

–OQUE? Ah, eu estou escutando, continue.

–Acabou.

–Ah. -Ela falou sem dar importância-

–O que você acha?-perguntei. Apesar de Rachel ser meio caduca e ter algumas idéias, como posso dizer, inacreditáveis, elas, as vezes, funcionam.

–Fale com Quíron. Oque tinha dentro do pacote? -Rachel retirou os olhos do desenho e me encarou, aqueles olhos eram mais serenos e persuasivos do que você poderia imaginar.-O que você ganhou?

–Maia! -Eu falei olhando pala meu All Star azul e de seu cano, brotaram, magicamente, asas brancas como asas de anjos.- Ganhei um All Star alado.- falei com o sorriso bobo e ingênuo de uma criança, em meu rosto.