Filha Da Lua
1 ♡ Prólogo ♡
Toda origem tem seu reencontro.
(Rafael Silveira)
Acordei sentindo um frio incomum, olhei ao redor e vi que estava nevando, mas as rosas que estavam ali eram persistentes e pareciam não se render a neve, eu admirei elas por um tempo. Uma voz doce chamou meu nome, eu sabia que assim que me virasse iria perder a fala. É, ele tinha esse poder sobre mim, de me deixar nas nuvens e fazer com que eu sinta borboletas no estomago a cada vez que olho naqueles lindos olhos azuis.
— Aylla!
— Yunoki! — corri em sua direção.
Eu o abracei o mais forte possível, ele me apertava contra o seu peito, aquilo me passava segurança e era um abrigo perfeito. Eu o encarei por alguns segundo enquanto ele acariciava a minha bochecha com o polegar, seus dedos desceram até o meu queixo e ele me puxou para um beijo, um beijo calmo e doce.
— Eu quero você, quero que seja minha.. — ele falou baixinho quando finalizamos aquele beijo.
— Você já me tem! — digo e ele desfaz aquele abraço que me deu proteção por tão pouco tempo.
— Não, eu não tenho você. — ele olhava para algo que estava atrás de mim, eu não sabia quem era aquele com olhos tão maldosos.
Eu o conhecia? Comecei a vasculhar cada memória minha, apenas um nome me veio em mente, Yuuto.
— Que bom que está ciente de que ela não pertence a você. — ele falou com uma arrogância que me incomodou.
Yunoki deixou transparecer sua tristeza, senti meu coração se partir em mil pedaços com o olhar que ele lançou na minha direção. As rosas que a pouco tempo permaneciam intactas pela neve, começaram a murchar e ficaram escuras como tinta preta.
— Esse símbolo de amor nunca mais vai florescer. — Yuuto disse com um sorriso debochado na direção de Yunoki.
Esse que por sua vez estava de cabeça baixa, mas eu fui capaz de ver uma lágrima escorrer até o seu queixo, que logo em seguida caiu em uma das rosas.
— Yunoki, me leva com você, eu te amo. — digo e ele me olhou com uma expressão triste.
— Não me machuque mais, você está deixando meu coração em pedaços. — só quando ele disse isso que notei que estava abraçando Yuuto.
Meus braços e pernas pareciam congelados, eu não conseguia me mexer, queria ir na direção de Yunoki, mas eu parecia pesada como uma rocha. Foi então que eu vi ele se desfazer na minha frente, as lágrimas que escorriam pelo meu rosto já eram incontroláveis, eu gritava seu nome desesperadamente, Yuuto parecia se divertir com a minha desgraça.
— Quando você vai entender que só poderá ser minha? — ele riu ao dizer isso.
(...)
— Aylla, acorda! Você vai se atrasar. — desperto com a voz da minha irmã, Elis.
Me levantei e fui em busca do meu uniforme, eu iria me atrasar outra vez, mas não via aquilo como um problema, sempre mantive minhas notas altas, eu conseguia seguir com minha vida normalmente, mesmo depois daquele acidente à um ano atrás. Aquela noite foi meio macabra, as árvores nunca haviam feito sombras tão estranhas, foi então que os faróis do carro se apagaram, devido a falta de luz pelo caminho papai não pôde ver um barranco que estava a nossa frente. Quando eu acordei no hospital, vários dias depois, pude me lembrar de tudo que aconteceu todos estavam muito surpresos por eu ter saído sã e salva daquele acidente, me disseram que papai e mamãe morreram na hora.
— Vamos rápido, Aylla! A direção vai acabar te dando advertência por tantos atrasos. — Elis grita do primeiro andar, ela achava que minha vida estudantil estava indo mal nos últimos dias.
— Estou indo. — estava quase pronta, faltava apenas pegar meus cadernos.
Desci as escadas a passos lentos, tentando recordar do sonho da noite passada, sempre era o mesmo sonho, mas eu nunca o recordei por completo, apenas fragmentos dele.
"Esse símbolo de amor nunca mais vai florescer!"
Eu sempre acabava lembrando daquela frase, daquela única frase e das rosas vermelhas que murchavam junto com aquelas palavras. Elis me deixou na portaria da escola como sempre.
— Tenha um bom dia, passo pra te pegar assim que sair do trabalho. — ela disse enquanto eu descia do carro.
Eu segui até a minha sala me preparando pra ouvir a mesma ladainha de sempre, os professores já me conheciam como "despertador quebrado". E como eu havia imaginado ele teve o prazer de parar a aula só para me envergonhar um pouco.
— Atrasada como sempre senhorita Campbell. — o professor de filosofia falou pausadamente, ele como sempre estava com aquele humor de marido traído.
— Desculpe! Meu despertador não tocou hoje pela manhã. — já estava me acomodando na minha cadeira quando finalmente o respondi.
— Ele nunca toca. — esse comentário não podia deixar de ser dito.
Fiquei em silêncio, acho que ele esperava por alguma resposta mas logo deu continuidade a sua aula que por sinal estava chata como de costume. Eu estava com sono, em todas as aulas eu estava com sono, graças aquele sonho maldito que não me deixava dormir bem à noite. Senti meus olhos ficando cada vez mais pesados, estava lutando para me manter acordada, não queria ter que ir parar na diretoria por dormir na aula novamente mas por alguma piada do destino eu estava completamente exausta, acabei me rendendo e dormi.
(...)
Acordei de um pulo com o barulho da minha mochila caindo no chão, todos ignoraram aquilo completamente, o que não era muito comum, já que até o mínimo ruído chamava atenção daquele velho rabugento. Aquilo devia ser alguma asneira da minha cabeça, mas derrubei o caderno no chão de proposito e em seguida bati com força na mesa, ninguém me olhou. Caminhei até a mesa do professor, passei à mão lentamente próximo ao rosto dele. Eu parecia estar invisível, pra ele e pra todos ali, ninguém me notava. Andei calmamente até a saída da sala, foi então que notei alguém estranho no corredor, a malicia era presente tanto nos seus olhos como naquele sorriso. Suas roupas eram muitos formais, ele estava com um terno todo em tons de vermelho e marrom, seus cabelos eram de um castanho escuro magnifico, seus olhos da mesma cor.
— Finalmente te achei, minha querida Aylla. — ele falava enquanto caminhava em direção a mim.
— Quem? — pergunto ficando totalmente rígida, ele já estava próximo o suficiente para me tocar.
— Você querida, pronta pra voltar pra casa meu amor?
— Eu não sou essa que procura, eu não o conheço. — digo e ele toca em meu rosto, ele sorriu enquanto acariciava minha bochecha, aquilo me deu arrepios e não do tipo bom.
— Você é sim querida, logo irá entender tudo. — seu sorriso só aumenta cada vez mais.
Mas logo sua expressão alegre se desfez e o desgosto tomou conta assim que ouviu aquela voz. Eu já tinha ouvido antes, era tão calma e serena, eu olhei na direção de onde tinha vindo aquela voz tão maravilhosa e meu queixo quase caiu.
— O que pensa que faz aqui, Yuuto?
O outro rapaz estava vestido da mesma forma que o primeiro, mas suas roupas eram de tons de branco e cinza, enquanto ele subia a escada lentamente eu pude ver seus olhos em um tom de azul perfeito e seu cabelo da mesma cor, aqueles olhos carregavam muita ternura.
— Eu que deveria fazer essa pergunta, seu insolente. Eu estou aqui pra levar minha doce Aylla para casa. — Yuuto disse virando-se para encarar o rapaz que caminhava em nossa direção.
Aquele nome, eu o conhecia de algum lugar... Yunoki... Eu não conseguia me lembrar, mas sabia que já o tinha ouvido em algum lugar.
— E quem foi que autorizou você a levá-la? Aysha quer que eu mesmo cuide desse assunto delicado, coisa que você com sua grosseria, não vai conseguir fazer direito. — Yunoki estendeu sua mão para mim, mas em seguida abaixou a mesma ao levar um tapa na mesma.
— Quem liga para o que aquela criaturinha irritante quer? — ele disse segurando minha mão a força.
— Você próprio, afinal esteve aliado com ela durante todos esses anos. — Yunoki mantinha sua expressão calma, até o instante seguinte.
— Eu precisava encontra-la, eu sabia que aquela garota irritante logo daria um jeito de achá-la, acredite, eu estava sem opções. Mas então porque não deixamos a Aylla escolher? — Yuuto sugeriu e pude ver a expressão de Yunoki se tornar triste.
— Mas a Sra. Aysha quer que eu faça isso..
— Medo de não ser o escolhido novamente? — Yuuto estava com tom de provocação.
Yunoki se calou por um instante, só voltou a falar novamente para saber com quem eu gostaria de sair dali. Yuuto parecia confiante enquanto Yunoki estava de cabeça baixa aguardando minha resposta.
— Eu não tenho nenhum outra opção não é? — ambos balançaram a cabeça negativamente.
— Poderia se decidir logo, por favor. — Yunoki pediu com calma, ele parecia ter pressa.
— Eu gostaria de ir com você. — Yuuto teve uma explosão de ira no mesmo instante em que eu terminei de falar.
— Como assim você quer ir com ele? Por acaso os anos no mundo dos humanos te deixaram louca? — ele parecia estranhamente agressivo, Yunoki se pôs entre nós dois e disse algumas breves palavras e aquilo bastou para Yuuto sair dali exalando raiva.
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