File: Exchange
1 Freak Out In The Plane
Notas iniciais
Essa é uma série de gravações feitas a partir do dia 22 de agosto de 2011 ao dia 24 de agosto de 2012. Eu afirmo que todas as informações e segredos aqui revelados são verdadeiros, e essas gravações só devem ser ouvidos com a minha autorização. Aqui você descobrirá sobre os meus sentimentos e pensamentos mais intímos no período de um ano em que minha vida começou a mudar. AI! Puta que pariu, essa merda de microfone...
- AI MEU JESUS, ME DESCULPE, SENHOR! — gritou eu, Alicia Halls, tentando limpar inutilmente a calça do aeromoço. Aeromoço. Isso exite? Vamos ser chiques aqui: tentando limpar a calça do comiçário de bordo.
Eu tinha derramado todo o conteúdo líquido do carrinho de lanches do avião na calça do cara. Ele parecia mais irritado com a minha tentativa de ajudá-lo do que com o problema em si.
- Está tudo bem, senhorita, tudo bem. — suspirou ele. — Deixe que eu cuido disso, sim?
- Me desculpe. — sussurrei enquanto ele se afastava.
Suspirei voltando a minha posição normal. Todas as pessoas que podiam me ver agora estavam se aproveitando desse fato e não desgrudavam os olhos de mim.
Eu revirei os olhos e coloquei meus fones de volta.
Me distraí e olhei para o chão todo sujo do avião.
Oh, meu deus. E se o líquido se infiltrasse pelo tapete, e caísse na parte eletronica do avião? É claro, todo mundo sabe que energia e líquido não é uma combinação boa. E se isso acontecesse, '1) O avião ia pegar fogo e nós morreríamos, 2) Nós seríamos eletrocutados e morreríamos. ou 3) Nada aconteceria.
A última opção era a menos provavel, obviamente. Ou talvez as outras duas fossem as menos prováveis... Bem, agora não consigo decidir, mas de qualquer maneira, imaginem se a opção 1 ou 2 realmente acontecessem? EU IA SE RESPONSÁVEL PELA MORTE DE BILHÕES DE PESSOAS! Não, espere. Só devem ter umas 200 pessoas nesse avião. Mas o avião podia cair em cima de uma cidade e aí mataríamos mais gente. E também, os familiares do morto poderiam ficar tão chateados, que cometeriam suicídio.
Eu acho que realmente devo parar de pensar sobre isso e só tentar não pensar na possibilidade DE QUE EU POSSO COMETER 200 ASSASSINATOS OU MAIS.
AI MEU DEUS, EU POSSO ATÉ VER AS MANCHETES: Garota maluca derruba líquidos no avião e mata as 200 pessoas ali presentes.
Suspirei e liguei a TV pequenininha. Fui fuçando até achar um filme bom para assistir. Eu nem me lembro o nome e nem vou tentar lembrar, mas era um filme muito bom. Era sobre uma garota que ia fazer intercâmbio e de repente encontrava um garoto que era um cantor famoso, mas que ela não conhecia por que ela vinha de outro país. Aí a garota vai pra escola, vive feliz para sempre com um garoto, que não é famoso, faz bilhões de amigos e vira a garota mais popular da escola.
Oh, não, essas são as fantasias que eu tenho para a minha vida. Exceto a parte do garoto famoso, isso é do filme mesmo. Eu não ia gostar de conhecer algum famoso. Devem ser todos esnobes que posam de legais e sudutores para as revistas só para se tornarem ainda mais famosos. Com exceção do Johnny Depp. Ele é incrível e ninguém pode dizer o contrário. Fala sério, alguém aí não gosta dele? Se não gostar,bem... acho que não podemos ser amigos. Sinto tanto. Eu sei que a minha amizade é uma dádiva, mas... apenas aqueles que realmente merecem esse presente podem tê-lo.
Enfim. Estou pousando no aeroporto de Nova York! Vida nova, aqui vou eu! Estejam preparados, pois Alicia Halls chegou para dominar o mundo! Posso até ouvir os gritos lá fora: Alicia, Alicia, Alicia! Oh, meus queridos, eu já vou, eu já vou. Só tenho que conseguir passar entre esse assento e a bunda gigantesca dessa mulher.
Eu acho que devo desligar agora. A aeromoça está me encarando estranhamente. Talvez seja por que eu estou gritando/sussurrando (?) meu nome repetidas vezes. Mas, espera, ela nem sabe qual o meu nome. Mas estou supondo que gritar/sussurrar o nome de algo ou alguém repetidamente seja tão estranho quanto o seu próprio nome... Eu vou só... sabe, desligar. Cambio. E desligo. Adios. Au revoir. Goodbye.
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