Fight Like A Girl
8 O Amor É Um Jogo
Notas iniciais
Com o punho cerrado e com sua bandagem devidamente colocada, Buttercup estava pronta para começar a treinar. Ao seu lado, estava Neil, o garoto que a ajudou no começo dos treinos. E sentado em um banco, estava Butch, com seu pé machucado. Buttercup sentiu pena do pobre Jojo. Ele iria lutar no campeonato, mas acabou se machucando pouco tempo antes.
Antes de começarem o treino de fato, o mestre Simon fez todos se aquecerem e se alongarem. Buttercup observou Butch sentado no banco, fazendo um joinha, mas sabia que por dentro, estava de coração partido.
— Que bom que conseguiu vir agora, Buttercup – sorriu Simon, sem tirar os olhos dos outros. – Sentimos sua falta de manhã.
— Eu não perderia esse treino por nada – disse a menina, se referindo ao treino atual das seis horas da tarde.
— Assim que se fala – Simon assentiu com a cabeça, feliz pela resposta da garota.
Cada vez mais ela estava determinada a alcançar seus sonhos, socando e chutando com precisão. Agora, já treinava com outros garotos, não importava o quão tarados e idiotas eles fossem. Toda vez que um deles queria fazer alguma piada, o olhar reprovador do professor faziam com que nem tentassem nada. Butch ficava aliviado com isso.
“Ela é incrível.” — pensou Butch, observando Buttercup socando a manopla com força.
Jojo ficou pensando como poderia tornar o aniversário de Buttercup especial, além de ir ver um filme no cinema com ela. Ela merecia muito mais do que apenas isso.
Quando estava terminando de pensar sobre como tornar o dia de Buttercup mais especial, alguém diferente surge na academia. Mais precisamente, uma garota um pouco maior que Buttercup, com os cabelos cacheados e com cara de arrogante.
— Olá! Em que posso ajudar? – Simon foi recepcionar a estranha, que olhava com desdém para a academia, irritando Buttercup à beça.
— Esse tal de Muay Thai emagrece?
— Sim, queima muitas calorias – concordou o treinador. – Gostaria de fazer uma aula experimental?
— Hm – a garota levou o dedo indicador para a boca, com uma cara pensativa. – Vou pensar ainda.
— Será muito bem-vinda. Qual seu nome? Só por curiosidade. – Simon questionou.
— Patricia Morbucks. – respondeu ela. – Mas pode me chamar de Princess.
Um silêncio pairou sobre a academia. Ninguém ousava falar nada.
— Certo, Patricia. Qualquer coisa, manda uma mensagem. – Simon entregou um cartão da academia para a garota que guardou em sua bolsa.
— Tá – respondeu. Assim que avistou Butch sentado, ficou animada de repente. – Nossa, acho que vou gostar desse lugar. – se abanou de brincadeira, como se tivesse ficado quente de repente.
O sangue de Buttercup ferveu ao vê-la tentando flertar com Butch e nem um pouco interessada em treinar, apenas em aparecer. Nenhum dos outros garotos queria mexer com ela, pois parecia fresca demais.
Assim que ela saiu, Buttercup não aguentou e explodiu:
— Puta merda! Mestre, não deixe essa escrota treinar aqui, pelo amor de Deus!
Simon deu risada.
— Eu não tenho escolha. Se ela quiser, ela vai treinar aqui, sim.
Buttercup murchou.
— Saco.
E saiu batendo os pés e indo direto para o saco de pancadas, socando e chutando o objeto com precisão. (melhor trocadilho ela falar “saco” e ir socar o “saco” de pancada)
Simon sussurrou para Butch, com um sorriso sem maldade:
— Parece que alguém está enciumada.
Butch achou ter entendido errado o comentário do mestre, mas pelo jeito era aquilo mesmo que ele queria dizer. Buttercup estava com ciúmes dele? Mas por que?
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O dia do campeonato enfim chegou. Mesmo com a chuva que pegou todos desprevenidos, o local lotou rapidamente. Butch foi assistir, já que não poderia competir naquele ano, devido ao pé machucado.
— Butch, maninho! Você veio! – George cumprimentou o Jojo com um soquinho.
— Não podia perder – respondeu o moreno, sorrindo.
— Uma pena você não poder competir – comentou Mattew, todo triste.
— Deixem disso – pediu Butch. – Vão lá e arrebentem!
Os garotos entoaram um grito de guerra, que deixou Butch meio chateado por não poder participar da festa. Mas sua tristeza não pôde ficar por muito tempo, pois Buttercup havia chegado para assistir à luta. Assim que a viu, seu coração acelerou de repente.
— E aí, Butch! – cumprimentou ela, com um tapinha no ombro do lutador machucado. – Comprei pipoca pra gente.
— Fala, Butter. Opa, valeu!
Buttercup sentou ao lado de Butch na arquibancada.
A garota de olhos verdes nem ousava piscar. Estava maravilhada por estar assistindo a uma luta de verdade. Sempre teve vontade de ir, mas seu pai nunca permitiu. Agora era livre para fazer o que bem entendia. Seus olhos brilhavam com tamanha empolgação.
— Tá animada? – parece que a empolgação dela não passou batida por Butch.
— Nossa, cara, tô até arrepiada – mostrou os pelos do braço arrepiados. – Espero um dia competir que nem eles.
— Você vai – sorriu Butch.
Assim que o juiz cumprimentou a todos e chamou os primeiros lutadores, o coração de Buttercup começou a acelerar de empolgação. Assim que começaram a lutar, ela não parava quieta na cadeira.
— Você gosta mesmo disso, né? – sorriu Butch, parecendo que estava falando com uma criança num parque de diversões.
— Tá brincando? Eu me amarro em lutas!
— Também sou amarradão. Pena que dessa vez não vou lutar. – ele fechou a cara no mesmo instante em que disse isso, massageando seu pé machucado.
— Isso foi uma merda, né? – Butter se compadeceu da dor dele, mas ele deu de ombros, como se não se importasse.
— Tem sempre a próxima vez, né? E se Deus quiser, na próxima, você já estará. Vamos lutar juntos.
Buttercup não sabia o porquê, mas a frase de Butch a fez ficar envergonhada na parte do “lutar juntos”. Ela não sabia como reagir, então deu um soco no ombro dele.
— Ai! Pra que isso?
— V-Você não tá prestando atenção na luta! – reclamou ela, um pouco corada.
Butch massageou o ombro e voltou sua atenção à luta, sem entender o porquê de ter levado um soco.
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Mattew e George ganharam suas lutas. Os demais acabaram perdendo por falta de foco. Buttercup xingou eles após saírem do ringue.
— O que vocês estão pensando?! Isso é luta que se preze? Como que vão perder para um bando de magrelos que nem eles? Seus (censurado) de (censurado)!!!– Ih, qual foi? — um dos garotos, Jason, veio encará-la de frente. — Quem é você pra falar isso da gente, sendo que praticamente chegou agora? Isso não é da sua conta, garotinha.
Foi o suficiente para a morena explodir.
— Menininha é a tua avó, seu (censurado)! Tá pensando que é superior, é? Pois eu com menos tempo de Muay Thai arrebentaria bem mais eles do que você!
Os amigos de Jason entoaram um “Nossaaaa”, que deixou o rapaz desconcertado e nervoso.
— Olhe bem como fala comigo, sua…– Sua o que? — ela já ficou em posição de ataque.– Não briguem aqui, pessoal. Jason, pega leve. E Buttercup, sem discussão. — pediu o mestre Simon, apartando a briga.
Jason e Butter ficaram se encarando mais um pouco e depois se separaram.
Após o fim do torneio, Buttercup e Butch foram caminhando para casa. Mesmo mancando, ele assegurava que estava tudo bem. Butter o admirava por isso.
— Foi maneiro, né? — ele começou puxando assunto.– Ô se foi! Fiquei toda arrepiada! Você viu que golpes maneiros? Me amarrei demais!! — ela pulava no mesmo lugar, toda emocionada.
Então Butch parou de andar e disse, sério:
— Eu me amarrei quando você bateu de frente com o Jason.
Aquilo fez a menina congelar no lugar. Como assim, ele “se amarrou”?
— O… O que quer dizer?– Que foi maneiro! — Butch deu de ombros.– Ah tá… Até que foi mesmo. Ele era um folgado.
“Sorte que está escuro e ele/a não pode ver que meu rosto tá vermelho.”
Já era 22:20 da noite e a chuva havia passado. Estava um tanto fresco e Buttercup se arrepiou com uma lufada de vento.
— Nossa, esfriou, né?
Butch assentiu e simplesmente foi tirando seu moletom e colocando sobre ela.
— M-Mas…– Deixa assim. Isso é por ter me ajudado quando eu fiquei mal. — ele deu de ombros, sorrindo.
Buttercup corou violentamente.
T-Tá… Valeu, eu acho…
Butch ia devagar, ainda estava mancando. Buttercup não se importava. Ela até o fez se apoiar nela, para ter mais segurança. Ela não sabia o porquê estava tão envergonhada. Na verdade, ela sabia sim…
“Eu não aguento mais esperar! Eu preciso agir…”
— Butch.
— Oi?
— Amanhã é meu aniversário, certo?– É, e vamos ter um dia inesquecível.– E será que eu posso ainda ter um hoje inesquecível ainda, mesmo antes do meu aniversário? — perguntou a morena, hesitante, com as pernas trêmulas e o coração saltando pela boca.– Claro. Com o que? — indagou, curioso.
Ela se inclinou e o puxou para um beijo. Ela estava toda desajeitada, tentando acertar a boca do rapaz, que estava com os olhos arregalados, mas retribuiu o beijo, segurando-a pela cintura. E eles ficaram ali, no meio da calçada se beijando por um minuto mais ou menos, até que o ar faltasse.
—E-Eu tenho que ir… — ela falou logo em seguida, saindo correndo.
—Espera! Eu…
Mas ela não esperou nem mais uma palavra. Rumou para casa, toda corada e com o coração batendo a mil. Butch, corado e confuso, continuou fitando a garota ir embora. “Ah, Buttercup… Você me deixa louco…”
“Nunca pensei que isso aconteceria, mas eu gosto de um garoto. E ele não é idiota!” Chega de enganar a mim mesma. Eu amo o Butch Jojo!”
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