Fight Like A Girl
7 Let Me Take Care Of You
Notas iniciais
Capítulo 7 — Me Deixe Cuidar De Você
Como Buttercup estava apenas desacordada, as irmãs e Butch ficaram tomando conta dela na casa da garota mesmo, sem levá-la ao hospital.
— Será que não é nada grave? – preocupou-se Butch.
— Deve ter baixado a pressão dela. – observou a irmã ruiva. – Mas não é caso para levá-la ao hospital.
— Estranho… – dizia Butch. – Ela estava bem ontem…
Aí Butch se lembrou que ela saiu correndo para o hospital, toda suada, no vento frio. Achava que era sua culpa por Buttercup estar mal. Tocou a testa da garota, que ardia em febre.
— Ela está com febre – observou o garoto de olhos verdes, desapontado. – E a culpa é minha… Eu me machuquei e fui pro hospital e ela foi correndo, toda suada atrás de mim, no vento frio.
As irmãs da morena se entreolharam, curiosas.
— Você é o garoto maneiro do Muay Thai que nossa irmã falou? – indagou Blossom.
Ele ficou surpreso e um pouco envergonhado com aquela declaração.
— Ela falou sobre mim?
— Ela disse que na academia, tem muitos caras machistas e babacas – continuou Bubbles, ajeitando uma das maria-chiquinhas. – Mas tem um deles que é diferente e luta bem pra caramba. Deve ser você.
— Bom… Eu fico feliz que ela ache isso. – Butch coçou a nuca, quase sem palavras. – Infelizmente, os garotos não sabem se comportaram perante às garotas. Devo ser o único civilizado naquele lugar.
— E você é muito cavalheiro – Blossom provocou. – Não pensou duas vezes antes de pegá-la no colo, e olha que você está machucado.
Percebendo que ainda estava com Buttercup em seu colo, ele rapidamente a largou no sofá, em segurança, perto de suas irmãs.
— Bom, eu não podia deixá-la deitada no chão, né?
— Mesmo assim, obrigada por cuidar da nossa irmã. – Bubbles reverenciou.
— Não foi nada. Ontem ela me cuidou, estou apenas retribuindo o favor e…
As irmãs entoaram uma risadinha, deixando Butch constrangido.
— Ela cuidou de você, é? Que bonitinha! – comentou Bubbles.
— Ela sabe ser fofa e sentimental quando quer! Você deve ser realmente especial para esse cabeça dura, hein? – Blossom riu, olhando para Buttercup desacorda.
— E-Eu não sei se sou especial pra ela… Mas ela é especial pra mim…
As duas pararam de falar por um instante.
— Acho que estamos sobrando, né, maninha? – Blossom abriu um sorrisinho, cutucando a mais nova. – Precisamos ir estudar! Tchauzinho!
— Ahh, é mesmo! – a loira se tocou na hora do sinal da mais velha. – Cuide bem dela, Butch!
As duas acenaram para Butch e o deixaram sozinho no apartamento de Buttercup, onde a mesma ainda estava desmaiada no sofá, suando frio. Butch sentia cada batida do coração ao perceber que estava sozinho com aquela garota misteriosa.
— Bem, parece que somos só você e eu agora – disse ele, ao vento.
Com dificuldade, foi até a área de serviço, que estava cheia de roupas jogadas no chão, fora do cesto de roupa suja, e encontrou um pano. Pegou vinagre e uma bacia para poder tratar da febre da morena. Mancando, ele conseguiu se aproximar de Buttercup, que ainda não estava acordada.
Assim que encostou o pano molhado e gelado nela, ela fez uma expressão de agonia, mas Butch logo a tranquilizou:
— Relaxa, isso é pro seu bem.
O garoto continuou fazendo isso por uns cinco minutos. Depois disso, só ficou sentado ao lado dela, observando-a em silêncio. Apoiou sua mão no queixo e contemplou as feições dela. Seu cabelo curtinho e preto, seus cílios não muito longos, seu nariz perfeitinho, suas maçãs do rosto vermelhas, sua boca bem desenhada… Boca?
Ele se pegou olhando para a boca de Buttercup e rapidamente desviou o olhar. Não devia estar pensando nessas coisas enquanto ela estava desacordada. Não queria ser igual àqueles moleques.
Delicadamente, o moreno passou a mão sobre a franja dela e tocou sua testa, medindo a febre. Ela já não estava mais com febre, então, tratou de guardar a bacia e o pano de volta no lugar. Assim que voltou para ver como ela estava, esta já estava sentada, com os olhos arregalados.
— O que… aconteceu aqui? – indagou, assustada.
Butch deu um sorriso.
— Você desmaiou. Eu estava aqui cuidando de você.
Buttercup rapidamente começou a ficar vermelha e não sabia onde enfiar a cara.
— Não acredito que eu desmaiei como uma menininha! Isso nunca acontece! – se desesperou ela. – Como isso aconteceu?
Butch riu ao ver o desespero dela, mas parou ao ver que ela podia ficar ofendida.
— Não importa agora. O que importa é que você está melhor.
Ela coçou a nuca e desviou o olhar.
— Deve ser porquê você me ajudou. – ela disse, toda sem jeito. – Obrigada, mas não precisava. Eu sei me cuidar sozinha.
Butch agiu por impulso e chegou perto do rosto dela, a ponto de sentir a respiração da mesma.
— Eu sei. Mas pelo menos uma vez, me deixe tomar conta de você, Buttercup. Eu te admiro por ser uma menina forte e autossuficiente, mas… Eu também quero cuidar de você, assim como você fez ontem por mim.
O rosto dela ficou todo vermelho e nenhuma palavra conseguiu sair de sua boca.
— Tá. Valeu…
— E aliás, acho que você ficou com febre por minha causa. Você estava toda suada e pegou vento frio, não é? Me desculpe…
— Não é culpa sua. Bom, agora que estou melhor, bora sair um pouco daqui? Que tal eu te pagar um almoço? Fico te devendo uma. – disse ela, com toda sua disposição de volta.
Butch formou um sorriso em seus lábios.
— Adoraria.
xxx
Os dois morenos foram almoçar em um restaurante japonês que ficava perto da academia de Muay Thai. Buttercup não tinha comido nada na noite anterior e nem de manhã quando acordou, percebendo como estava faminta. Ela devorava um sushi após o outro, quase sem mastigar.
— Vai com calma – riu Butch. – O sushi não vai fugir.
— É que eu tô com fome – dizia ela, de boca cheia, sem se constranger.
— Percebi. Eu também tô com fome. – ele disse, colocando o sushi pacientemente na boca.
Os dois continuaram comendo, até o restaurante ficar ainda mais cheio. Antes que Buttercup pudesse terminar seus sushis, Butch sugeriu uma coisa no mínimo inusitada.
— Butter.
— Chore.
— Diga “ah”. – e estendeu o sushi no hashi para chegar até a boca dela.
Totalmente sem ação, Buttercup não sabia se era zoação ou era verdade. Ela deveria comer ou simplesmente ignorá-lo? Ficou com dó de deixá-lo no vácuo então resolveu comer.
— Valeu – agradeceu ela, de boca cheia.
Butch sorriu, com um pouco de vergonha. Não sabia porque tinha feito aquilo. Só sentiu vontade de fazer.
— Vamos no treino das seis horas hoje? Já que eu não pude ir de manhã… – indagou Buttercup, tomando seu suco.
— Claro. – ele sorriu.
— Merda, esqueci que você tá com o pé ferrado. Foi mal. Eu fui insensível.
— Liga não, eu vou pra assistir. E mais, quero ver se você andou melhorando nos treinos. – ele piscou para ela.
As bochechas da morena ficaram rosadas e ela deu uma risada convencida, para disfarçar o quanto estava sem jeito.
— Você vai cair duro ao ver o quanto eu tô fodona. – ela disse, ainda se gabando.
— Isso eu posso imaginar. – o menino apoiou o queixo nas duas mãos e começou a observá-la diferente.
Aquilo deixou Buttercup um pouco desconfortável, mas achava que Butch estava apenas brincando.
Faltavam apenas dois dias para o campeonato e três dias para o aniversário de Buttercup. Butch olhou na ficha dela e sabia desse fato, então queria fazer uma surpresa para ela.
— Vai fazer alguma coisa pro seu aniversário? – perguntou ele, do nada, fazendo Buttercup dar um salto da cadeira.
— Como você…
— Apenas aconteceu de eu saber. – sorriu ele, todo inocente.
— Suspeito. – ela riu. – Não sei ainda, acho que vou sair com minhas irmãs, sei lá. Por que a pergunta?
— Queria te convidar para assistir ao filme no Venom que vai lançar no dia do campeonato. Vamos?
— Caraaa! Faz um tempão que eu quero ver esse filme! Claro que eu topo!
Percebendo que aceitou fácil demais o convite do garoto, ela resolveu se retratar.
— Quero dizer – pigarreou, durona. – Talvez, não sei ainda.
Ele sorriu. Ela era mesmo interessante.
— Te pego às oito no dia 22.
— Ei! Mas eu não disse que ia!
Butch só deu de ombros, mancando para chegar ao caixa. Buttercup o ajudou a caminhar e pagou a conta, como havia prometido.
— Ai ai, comi demais – a garota bateu da própria barriga. – Vou ter que abrir o zíper da calça agora.
— Você não liga em ganhar peso? – perguntou Butch.
— Eu não – ela deu de ombros, enquanto os dois saíam do restaurante. – E mais, eu queimo as calorias no treino.
— Assim que se fala. – Butch concordou. – Se fosse outra menina, já estaria louca para não engordar.
— Mas eu não sou assim.
— Nah, você já é gordinha – brincou ele, apertando a bochecha dela.
— Sou nada!
— Mas mesmo que fosse – ele disse, desviando o olhar. – Ainda seria bonita.
Buttercup parou de andar e não sabia se tinha ouvido aquilo ou se foi impressão. Apenas se calou e voltou a andar lado a lado com ele, mesmo lentamente, por causa de seu pé.
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