Fight

1 First and last


“Santana, não se preocupe, eu tenho certeza de que ela está bem,” Tina diz, mas isso irritava a latina porque havia uma dose pequena de dúvida na voz da garota asiática.

Ela encolhe os pés e cruza os braços ainda mais apertados ao redor do seu corpo. Ela olha pra fora da janela chuvosa do The Lima Bean, tentando ignorar os olhares que Mike e Tina davam um para o outro.

“Você devia ligar para o telefone da casa dela” Mike sugere.

“Eu já liguei.”

Ela ainda tinha metade do seu café para tomar, mas estava muito nervosa para bebê-lo. Se Brittany estivesse lá, ela teria dito a ela para “tomar uma vitamina de acalmar,” e depois ela iria sorrir para ela e bater em seu ombro. Mas não queria pensar em Brittany porque estava muito preocupada com ela, porém só conseguia pensar nela, e esse sentimento de preocupação a perturbava como um saco plástico enfiado na cabeça.

“Artie não está com ela,” Mike diz, olhando para a tela do celular.

“É claro que não está,” Santana explode. “Porque ela teria ido pra casa do Artie?”

“Não custava checar.”

“Provavelmente acabou a gasolina ou algo assim,” Tina diz calmamente.

“Ela nunca deixa acabar a gasolina,” Santana diz. “É a única coisa que a deixa nervosa, a mãe dela deixou isso acontecer uma vez e ela ficou super assustada. Ela nunca deixa chegar abaixo de meio tanque.”

“Bom, talvez ela tenha caído no sono.”

Santana balança a cabeça. Mike e Tina olham nervosas para ela. “Isso não iria acontecer novamente, não é?” ela pergunta, e odeia como sua voz pareceu assustada. “Não poderia ter acontecido mais uma vez em tão pouco tempo...”

Ela fica quieta, mas eles entendem. “Ela está bem,” Tina afirma. “Ela está bem.”

…

Finalmente, finalmente, ela vê o carro de Brittany chegar no estacionamento.

“Oh,” ela suspira, expirando um pouco mais de ar do que devia.

“Viu?” Tina diz, sorrindo para ela. “Ela está bem.”

Santana não a responde; pega seu celular e carteira da mesa e sai pra fora na chuva, raiva e alívio batendo em seu peito.

“Tem alguma razão,” ela grita, vendo Brittany sair casualmente do carro dela, “pra você decidir aparecer quase uma hora atrasada?

Brittany olha para ela, sua boca caindo aberta em surpresa.

“E tem alguma razão,” Santana continua, balançando seu pulso em frente a seu corpo, segurando firmemente o celular em sua mão, ”pra você não atender a porra do seu celular quando eu tentei ligar pra descobri aonde você estava?"

“Eu sinto muito,” Brittany diz apressada. “Minha mãe pediu para eu fazer um monte de coisas de ultima hora, e eu tava atrasada e sai de casa, pra depois perceber que tinha esquecido o celular— “

“Como você foi esquecer o celular?” Santana grita. “Você nunca esquece o celular!”

“Eu troquei de jeans e esqueci de colocar novamente no meu bolso.”

“E você não podia pensar em outro jeito de se comunicar comigo?”

“Tipo o que?”

“Eu não sei!” Santana joga suas mãos pro ar. “Talvez um orelhão? Talvez... Eu não sei, talvez você deveria ter dado a meia volta e voltado para buscar o celular!”

“Isso teria sido estúpido.”

“Não, isso seria consideração!”

“Eu já estava no Kroger antes de perceber que tinha esquecido.”

“Pode perceber o quão atrasada está? Estamos esperando por uma hora!”

“Desculpa, Santana. Eu não pensei nisso.”

“É obvio que não.”

As sobrancelhas de Brittany se juntam. “Eu não gosto de você falando assim comigo,” ela diz pausadamente.

“E eu não gosto do fato de que eu quase morri de preocupação só porque esqueceu a droga do celular em casa.”

“Sim, bem, posso perceber as vibrações estou-tão-feliz-por-te-ver saindo de você como a poluição em Fern Gully.”

“Isso é uma piada pra você agora? É engraçado?”

“Não, e nem o jeito que você tá falando comigo.”

“Eu não estaria falando com você desse jeito se eu não estivesse me sentindo como se acabasse de me recuperar de um ataque cardíaco. Um ataque cardíaco causado por você.”

“Quer saber, Santana, eu provavelmente devia ir embora, porque eu sei como você é quando fica assim, e eu não quero dizer alguma coisa que eu vá me arrepender depois.“ Brittany repuxa seus lábios e ergue as sobrancelhas, depois vira as costas com o ar de quem dominou a situação. É tão irritantemente familiar que Santana joga sua carteira no chão de raiva.

“Sim, por favor vá embora! Corre do conflito Brittany, ao invés de tentar resolver isso como um relacionamento de verdade!”

Brittany para de andar e vira lentamente, piscando através da chuva. Sua mandíbula se projeta pra fora do rosto e sua língua está entre seus dentes como se ainda estivesse analisando se Santana realmente tinha dito aquilo.

“Isso é um relacionamento de verdade,” ela diz em uma voz baixa. “Sempre foi de verdade pra mim. E é por isso que eu nunca falo com você com esse tipo de desdém que você está me mostrando agora.

Santana bufa e cruza seus braços.

“Não me ligue essa noite,” Brittany joga pra a latina. Depois anda calmamente até o carro e sai do estacionamento sem olhar para trás. Santana pressiona seu polegar com os dedos, depois se abaixa para pegar a carteira. Está molhada e suja da chuva no asfalto.

“Mas que caralho,” ela murmurra pra si mesma.

...

Leva oito minutos pra lavar o pote de sorvete daquela noite. Sua mente pulava de Ela tá errada para Eu estou errada para Eu devo ligar pra ela de qualquer jeito enquanto ela esfregava o fundo da peça de cerâmica. A água está quente em suas mãos e todo o detergente já saiu da esponja, mas ela não percebe. Ela continuava pensando que ouviu o celular tocar, mas ele permanecia com a tela preta e estável no balcão atrás dela.

“Santana,” a mãe dela diz, observando-a, “qual é teu problema?”

“Nada.”

“Bem então desligue essa torneira e deixe sua louça pra secar. A não ser que você queria pagar a conta de água desse mês.”

Santana enxuga a tigela e desliga a torneira. Ela olha para a mãe e oferece um “Desculpa” fraco enquanto cruza a cozinha, com a intenção de subir as escadas para seu quarto.

“Uh, não não, espera,” sua mãe diz. “Algo está te incomodando. O que é?”

“Além do fato de você estar assistindo reprises e reprises de The Waltons novamente? Nada.”

“Sempre minha menina meiga.” A mãe dela inclina a cabeça, paternizando seu humor. “Ok, vamos brincar de Múltipla Escolha. A: Escola. B: Cheerios. Ou C: Brittany?”

“D: Não é da sua conta.”

Sua mãe ergue uma sobrancelha. “Santana,” ela diz, esperando.

Santana leva sua mão até as costas de uma cadeira e suspira. “C,” ela admite. “Brittany.”

“O que houve?”

“Nada,” ela diz, encolhendo os ombros. “Nós…brigamos.”

“Por que?”

Santana agarra as costas da cadeira e suspira. “Mãe, você já—você já ficou com tanta raiva do papai que você queria jogar alguma coisa nele?”

Sua mãe ri. “O tempo todo.”

Santana vira um pouco o rosto para o lado.”Mas então—porque você está com ele?”

“Porque eu amo ele, querida. Eu amo seu pai.” A mãe dela sorri. “Brittany nunca vai te irritar do jeito que as outras pessoas fazem, mas nesses ocasiões quando ela faz algo que te irrita, vai parecer dez vezes pior porque é ela e porque suas emoções estão presas nela.”

“Ela me enlouquece.”

“Sempre?”

“Não, mas tipo, hoje ela não tava com o celular e estava 45 minutos atrasada pra encontrar a gente e eu ficava ligando e ela não atendia e—e depois de tudo que aconteceu com a Quinn—”

“Ohhh, Santana.” Sua mãe estala a língua em compaixão. “Você pensou que algo estivesse acontecido com ela.”

“Tava chovendo muito forte, e eu estava preocupada nela dirigindo naquela chuva,” Santana explica, sua voz quase quebrando. Ela ergue a cabeça e pisca entre lágrimas formando em seus olhos.

“Querida,” a mãe dela diz, a puxando para um abraço, “está tudo bem. Você estava preocupada.”

“Sim,” Santana diz densamente.

A mãe dela acaricia seus cabelos e a dá um minuto para chorar. Santana respira fundo, grata pelo desabafo mas envergonhada pela necessidade dele.

“Você agiu mal quando ela chegou?” a mãe pergunta.

“Como você sabe?”

“Porque eu te conheço. E porque é exatamente a mesma coisa que seu pai faria, e isso me irritaria no final.”

Santana ri contra as lágrimas em sua garganta. “Eu a deixei muito brava. Ela me disse pra não ligar pra ela essa noite. E ela ainda não me mandou nenhuma mensagem.”

“Dê tempo a ela,” a mãe diz. “E depois peça desculpas.”

“E se ela não me perdoar?”

“Santana,” a mãe ri, “é claro que vai te perdoar. Ela ama você.”

…

Santana vai cedo pra cama, cansada de tanto chorar e se preocupar, mas leva horas pra ela dormir sem a mensagem de Boa noite, amo você de Brittany que ela sempre recebia.

…

Ela espera encontrar uma mensagem pela manhã, as seu celular apenas mostrava um novo e-mail de Piperlime.

Ela se distrai mexendo no facebook, indo para fábricas JoAnn com sua mãe, e no fim da tarde sai para uma corrida. Pelo jantar, ela estava tão cansada que mal conseguia falar com os pais.

“O que há de errado com a adolescente?” o pai pergunta para a mãe. Santana ignora ela e encara o frango em seu prato.

“Problemas de amor jovem,” a mãe diz depois de uma pausa.

Seus pais sorriem um para o outro e ela sente uma angustia quando imagina nela e em Brittany zoando com os filhos delas um dia.

“Se anime, gatinha,” o pai diz. “Os Lopez sempre dão um jeito nas questões de amor.”

…

Ás 9:37, quando ela está assistindo One Flew Over the Cuckoo’s Nest com seus pais, o celular finalmente vibra.

Eu ainda estou brava, mas também sinto muito. Vamos conversar amanhã. Eu te amo.

Ela fecha a mensagem e encara a televisão, indecisa sobre o que estava sentindo. Ela se cansa de ver a cara de Jack Nicholson e pede licença para ir para cama, pensando em dúzias de possíveis respostas—ou a opção passiva-agressiva de não responder—enquanto ela sobe as escadas. Ela engatinha pela cama e olha para o teto, para as estrelas que brilham no escuro que ela e Brittany tinham colado quando tinham 12 anos, e lê a mensagem novamente.

Ela continua brava, mas de alguma forma também está calma. Como se seu cérebro pudesse diferenciar entre sentir raiva de Brittany por enquanto e amar Brittany para sempre. Ela pensa em seus pais, e no dia em que tiveram uma grande briga quando ela tinha sete anos de idade. Em como a mãe dela estava magoada porque o pai não queria passar um tempo com os tios dela; papai sentia que os tios da mamãe o julgavam mas mamãe se recusava a enxergar. Em como eles gritaram um com o outro na sala, em como o pai de Santana soltou a palavra feia pela primeira vez na frente dela, em como sua mãe insultou cada membro da família de seu pai com uma coleção enorme de palavrões que Santana nunca tinha ouvido antes. Em como ela se encolheu na lavanderia e correu pro seu quarto depois de seu pai marchar furiosamente até seu escritório.

“Santana, meu amor, o que aconteceu?” sua mãe perguntou na manhã seguinte no café da manhã.”

“Você e o papai vão se separar?” Santana perguntou com a voz trêmula.

A mãe a olhou com uma cara engraçada depois de responder. “Não, Santana, papai e eu nos amamos. Nós decidimos muito tempo atrás que sempre iríamos nos amar, não importasse o quê. É só que... as vezes—“ ela tinha feito uma pausa com os olhos piscando— “As vezes seu pai é um cuzão. E as vezes eu também sou uma.”

Santana revive a memoria em sua mente e imagina Brittany explicando para Ashley que Santana as vezes é uma cuzona. A ideia a faz sorrir um pouquinho.

Ela ainda está irritada; ela ainda é dona da razão. Ela está com raiva de Brittany por a fazer tão irritada. Mas a coisa louca é que ainda pode sentir o amor em seu peito—aquele que a faria dar sua vida pela Brittany—e isso a incentiva a responder.

Eu também. Okay. Eu também te amo.

…

Na manhã seguinte, ela acorda com outra mensagem.

Posso dar uma passada aí pra gente conversar?

Depois de hesitar por cinco segundos, ela escreve, Sim. Por favor.

Ouve-se um batido na porta dos fundos vinte minutes depois e ela a abre para encontrar Brittany em sua capa de chuva azul. Ela tem dois McFlurry’s em mãos..

“O que é isso?” Santana diz sem pensar.

Brittany ergue suas sobrancelhas. “McFlurry. Oreo. Seu preferido.”

“Estamos brigando, e você me traz um presente?”

“É uma oferta de paz,” Brittany diz. “Vai me criticar por isso também ou vai me convidar para entrar?”

Santana bufa mas se tira do caminho. Brittany passa por ela, sem fazer contato visual, e marcha até a cozinha e sala, indo direto para as escadas. Santana a segue sem dizer uma palavra, arrastando os pés, mentalmente preparando coisas para dizer.

Brittany tira seu par de Crocks e sobe na cama de Santana. Ela senta de pernas cruzadas, se balançando um pouco para ficar confortável, e depois estende o McFlurry.

“Obrigada,” Santana murmura. Ela não tem certeza aonde sentar, então ela decide pegar o sorvete e se encosta contra a parede do seu closet, a uns bons dois metros de distancia de Brittany

Brittany pega um pouco do seu sorvete e olha em volta do quarto de Santana, como se estivesse tentando entreter-se enquanto espera Santana começar a conversa. Isso faz Santana segurar o silencio por mais tempo ainda.

Finalmente, Brittany suspira. “Então?”

“Então?”

Brittany a encara como se ela fosse a pessoa mais impossível do planeta. “Ainda estamos bravas uma com a outra?”

“Parece que sim.”

“Bem… Podemos falar sobre isso?”

“Acho que sim.”

“Santana,” Brittany diz impacientemente. “Qual é, não é que nem quando éramos melhores amigas. Estamos em um relacionamento agora, como você disse. Precisamos resolver isso.”

Santana deixa o McFlurry na sua cômoda e cruza os braços. “Tá. Como vamos resolver isso?”

Brittany olhar para ela com os olhos se estreitando. “Talvez você devia falar o que você tem pra falar, já que foi você que ficou brava primeiro.”

“Por acaso você está me culpando por—”

“Não estou te culpando por nada,” Brittany diz calmamente.”Estou dizendo que você ficou brava antes de mim, então talvez devíamos trabalhar nas razões por trás da sua raiva antes de trabalharmos minha reação para sua raiva.”

“Tá.”

“Ok.”

Santana cruza os braços ainda mais apertado contra seu peito. Ela olha para as roupas no chão e os posters na parede.

Brittany franze o cenho. “E por um acaso você vai…”

Santana solta os braços. “Não sou boa nisso, você sabe.”

“Só… me fale porque ficou tão brava naquele dia.”

“Você não sabe porque fiquei brava?”

“Porque estava atrasada e eu não te disse que ia me atrasar, e isso foi muito rude de minha parte.”

“Não,” Santana diz claramente. “Não foi nada disso.”

“Então… porque…”

“Porque você me assustou,” ela diz, emoção subindo e descendo em sua voz. “Você me assustou muito. Não conseguiu ver?”

Brittany a estuda curiosamente. “Eu poderia dizer que você estava um pouco preocupada, e eu me senti mal por isso, mas pareceu que você estava exagerando.”

“É claro que eu estava exagerando! Eu pensei que alguma coisa tinha acontecido com você! O clima estava ruim, e você quase nunca chega atrasada, e eu não conseguia entrar em contato com você... Eu ficava imaginando você sendo atingida por um caminhão na rua e os paramédicos carregando você pra dentro de uma ambulância...” Sua voz quebra e ela abaixa o olhar para suas mãos, tentando se estabilizar.”Eu só tava assustada,” ela disse fracamente.

Os olhos de Brittany estão grandes e suaves. Ela segura o McFlurry no seu colo mas a única parte que move de seu corpo é o peito, inflando rapidamente com suspiros doloridos.”Santana...” ela diz docemente. “Eu sinto muito. Sinto muito mesmo.”

“Especialmente depois do que aconteceu com Quinn…”

Brittany concorda com a cabeça. “Você está certa. Eu teria me sentido da mesma forma.” Ela olha ternamente para Santana. “Eu sinto muito.”

“Eu preciso que você se comunique comigo quando esse tipo de coisa acontece,” Santana diz. “Não me deixe imaginando e me preocupando.”

“Não vou, eu prometo.”

Santana suga seus labios pra dentro de sua boca e olha para seu sorvete. “Eu não queria ter reagido tão fortemente,” ela diz baixo. “Eu acho que fiquei super emocional porque—“ Ela pausa e espera a dor mover do seu estomago para sua garganta. “As vezes você é boa demais pra ser verdade,” ela diz. “As vezes eu—isso é muito bobo, mas as vezes eu me convenço de que o universo tá pronto pra me ferrar de alguma forma, porque não tem como eu merecer toda a felicidade que você me traz.”

Brittany balança a cabeça, seu rosto com um sorriso de Você é um caso perdido combinando com o carinho em seu olhar. “Nada vai te ferrar,” ela diz suavemente. “O que nós temos—é especial, mas as vezes nós somos permitidos a ter coisas especiais.”

Santana sorri. Brittany deixa o McFlurry ao seu lado, senta na beirada da cama e estica seus pés até encontrarem o chão. Ela estende suas mãos para Santana; seus dedos estão frios por causa da sobremesa gelada, mas Santana leva calor para eles.

“Você está bem?” Brittany pergunta.

“Sim.”

“Ótimo.” Brittany sorri para ela, mas depois sua expressão fica séria. “Mas escute, mesmo se eu fizer algo de errado, você não pode falar comigo da maneira que falou. Você não pode agir daquele jeito.”

“Eu sei,” Santana suspira, abaixando a cabeça. “Me desculpa. Não era intencional.”

“Não era intencional, mas não tá tudo bem. Eu sei que você me ama mas—nós não podemos parar de mostrar respeito quando falamos uma com a outra. Muitos casais fazem isso. Ficam tão confortáveis que esquecem os modos.”

“Sim,” Santana concorda. “Você está certa.”

“Eu sei que sempre vamos nos amar, mas temos que nos respeitar também. Se tivermos filhos, eu quero que eles cresçam sabendo como tratar as pessoas pelo exemplo que as mães deram para eles.”

Santana dá um sorriso grande e olha para ela ternamente. “Você é tão esperta,” ela diz suavemente. “E você está certa. Me desculpa. Eu prometo que não falo mais daquele jeito.”

“Bemmm, me desculpa também, e eu também prometo que vou te avisar se eu estiver atrasada a partir de agora.”

“Okay,” Santana sorri.

“Okay,” Brittany ri.

Santana se agaixa e se ajoelha. Elas olham para o sorriso uma da outra.

“Eu odeio brigar com você,” Santana sussurra.”

“Eu também,” Brittany diz. “Me faz sentir como se eu não funcionasse até resolver as coisas com você. Tipo como a Sra. Farrelly diz que não pode dar aula nas terças se não tiver visto o episodio de The Bachelor na noite anterior.”

“Esse me assustou.”

“O espisodio?”

“Não, nossa briga.”

Brittany leva sua mão até o rosto de Santana. “Porque?”

Santana fecha os olhos contra as lagrimas frescas surgindo em seus olhos. “Isso me lembrou muito da primavera passada. Quando não estávamos nos falando. Mesma época do ano, mesmas maneiras de tentar me distrair para não pensar em você...”

“Oh, Santana,” Brittany diz, encostando suas testas juntas. “Aquilo não vai mais acontecer. Você sabe, não sabe?”

Santana fecha os olhos novamente, respira fundo, tenta enterrar aquele antigo pesadelo para sempre.

“Santana,” Brittany sussurra, sua voz acentuando a ultima silaba. “Nunca mais. Nós nos amamos e sabemos e agora só vamos construir nossas vidas juntas, okay?”

Ela deita o rosto no ombro de Brittany. Ela sente molhar a pele de Brittany com as lagrimas. “Me abraça mais forte,” ela diz, trazendo Brittany mais perto dela.

Brittany a aperta mais perto e corre seus dedos para cima e para baixo das costas de Santana, a acariciando. Ela descansa sua mão aberta contra a camisa de Santana e aperta um pouco, criando calor em sua pele. “Eu te amo,” ela diz entre o cabelo dela.

Santana respira fundo, intencionalmente, sentindo seu mundo se ajeitar. “Eu também te amo,” ela suspira.

Brittany a segura, beija seus cabelos até estar pronta para erguê-la novamente. Ela se afasta de Brittany e sorri.

“Britt?”

“Eu?”

“Você diria que eu sou uma cuzona as vezes?”

O rosto de Brittany se quebra lentamente em um sorriso. “Você diria que eu sou?”

“Talvez um pouquinho.”

“Bom, acho que é isso que eu diria de você também.”

Santana ri. “E ainda quer ficar comigo?”

Brittany ajeita seu cabelo para trás. “Eu quero ficar com você quando você for uma cuzona, quando estiver irritante, quando estiver agindo feito vadia, quando estiver suada, e fedida, e com ressaca, quando estiver com cólicas terríveis, e quando estiver estressada... Eu fico com você até quando você faz aquela sua coisa de não tomar banho por tipo, três dias.”

“Eu fiz isso uma vez. E foi porque não saímos de casa.”

“Você começou a feder.”

“Eu não,” Santana diz, seu sorriso crescendo.

“Você sim,” Brittany insiste. “Eu mal conseguia respirar perto de você.” Ela aperta o nariz de Santana. “Mas mesmo assim eu queria ficar perto de você cada segundo.”

“Meio que como eu quero ficar perto de você mesmo quando você escuta Nickelback o dia inteiro.”

“Eu fiz isso uma vez,” a voz de Brittany cria eco. “E você gostou secretamente.”

“Eu com certeza não gostei.”

“Um pouquinho.”

“Nem um pouquinho.”

“Look at this photograph,” Brittany canta, “Every time I do, it makes me laugh.”

Santana revira os olhos. Ela coloca sua mão na nuca de Brittany e interrompe a musica com um beijo. “Para de cantar, amor,” ela diz baixinho.

“Mm,” Brittany diz; isso cria cócegas nos lábios de Santana.

“Obrigada por me amar,” Santana diz, beijando o lábio inferior de Brittany.

“Obrigada por me amar. Mas que tal irmos logo para a parte do sexo de reconciliação?”

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